Linhagens e Amizades
45 Capítulo 45 - A Guerra do Redemoinho
Notas iniciais
Gente, peço desculpas pelo completo abandono. Mas estava muito enrolada! Não que eu não esteja agora, continuo, kkk. Mas agora, ao menos, tenho algum tempo para fazer o que gosto.
Segue a fic, para quem ainda lembra dela!
Beijos!
Lila
PS: Prometo ler e responder todos os reviews!!!
- Mas que merda é essa???
Em outros momentos, Ino teria recriminado o amigo pela boca suja, mas naquele momento, era até bom ver alguém praguejando por perto, significava que ela não estava fazendo-o sozinha.
Estava ali porque não havia como proteger o hospital. A Folha era grande e forte, mas também uma coisa isolada no meio da floresta: se alguém passasse pelo portão principal, era caso perdido. Então, a melhor opção era combater do lado de fora. Ela sabia que tinha prometido para Sai que não colocaria a si mesma em perigo, que pensaria no bebê...
“Mas que mãe seria eu, se deixasse meu filho morrer como um covarde acuado?” – As desculpas que as pessoas dão quando tomam a única decisão que acham acertadas, são sempre comoventes, de tão óbvias.
Kumo estava reduzida a nada. A Folha venceu sem maiores problemas.. mas o coração da Kunoichi estava com a grande comitiva de Suna: Como Gaara e seus irmãos estariam?
Não muito longe dali, alguém contabilizava os números da guerra, utilizando um graveto como giz e o chão de terra molhada como lousa:
- Kiri idiota, foi-se. Kumo... patéticos... Ame vai ter que segurar esses imbecis por mais tempo... – Madara propositalmente vagava por pensamentos ditos em voz alta. Quem sabe, para disfarçar, ainda que de maneira bem falsa, da chegada do ninja de Konoha – Ora, ora, sua mãe não lhe ensinou que é feio ouvir escondido?
Naruto tinha visto e ouvido tudo, se fosse realmente verdade, então seus amigos não estavam brincando, todos dando seu melhor para impedir aquele louco. Madara... ele era a razão por toda a desgraça de sua vida. Desde a morte de seus pais... até a maldita raposa aprisionada num pequeno bebê... além da sede de vingança absurda que seu melhor amigo tinha. Tudo culpa dele...
- Por que..?
Madara fez uma cara de desapontamento, largou o graveto e caminhou em direção ao jovem: apesar de ser novo, era tão alto quanto ele, bem fortinho prá idade, o rosto enraivecido, mas querendo demonstrar calma. Uma criança prestes a chorar.
Ele rodeou o rapaz por algumas vezes, pensando bem no que falar. Mas o sarcasmo sempre foi sua melhor maneira para dirigir-se aos inimigos:
- Bem que a vadia da sua tia disse que você seria insistente prá saber o motivo, mesmo sabendo que não vai sair daqui vivo. O que seria isso? Alguma busca incansável pela verdade? “Quero saber de onde em vim, Madara-sama, quero saber que eu sou, quero saber por que o céu é azul, por que os Uchihas morreram, por que...” Isso é extremamente patético, mesmo para um bebê chorão como você.
Há alguns meses atrás, isso seria o suficiente para fazer o rapaz atacar de maneira imprudente, assim seria ainda mais fácil derrotá-lo. Madara sabia que não podia desmerecer Naruto, ele vira muitos homens extremamente fortes serem derrotados apenas pela teimosia do rapaz. Mas não ele, não comentaria esse erro. Garantiria sua vitória, da maneira mais fácil que ela pudesse vir. Foram muitos anos aguardando para ser o dono do mundo Ninja, não demoraria um segundo além do necessário.
Naruto permanecia impassivo, apenas mantinha o olhar fixo ao de Madara.
- A minha pergunta não é sobre nada disso. Tenho todas as respostas de que preciso. A única coisa que eu não sei... é por que você confiou nela. Seu idiota!
Madara nada compreendeu... como assim, do que ele falava?
- Confiei em quem? Eu não confio em ninguém moleque, está falando de sua tia? A única coisa que ela faz é matar pessoas indesejadas para mim e me dar em troca um filho, um receptáculo para a Kyuubi que eu arrancarei de você em alguns minutos... acha mesmo que aquele lindo rostinho me engana?
- Pois você é mais tolo do que eu.
Essas palavras, nunca antes imaginadas da boca de Naruto, atingiram Madara de maneira curiosa. Ele parou e prestou mais atenção: o moleque estava realmente tranqüilo, quase sereno, poderia dizer. Seria o conformismo com a morte certa? Os homens ficavam desnorteados quando sabiam que estavam prestes a encontrar a única certeza da vida. Mas seria aquele rapaz tão louco a ponto de dizer insanidades?
Pensando nisso, voltou ao lugar onde estava anteriormente e retirou do bolso o que o gavião estúpido tinha dado a ele, minutos atrás.
- Isto aqui.. vai me dar força suficiente prá matar todo e qualquer inimigo. Assista e aprenda, fedelho.
Dizendo isso, Madara apenas apertou a pedra de Nayuri contra a palma de sua mão e esta foi absorvida. Não houve sofrimento, ou desespero, como no caso de Naruto. Madara estava acostumado ao poder, devorá-lo era uma necessidade, absorvê-lo, um prazer.
Assim que sentiu o diferente chakra fluir por entre seus tenketsus, ele sentiu algo estranho. Diferente. Era um poder grande demais, ele tinha que admitir. Mas nada que desse trabalho. E o garoto nada poderia fazer além de assistir, Nayuri tinha deixado bem claro que, caso alguém tentasse atacá-lo, o chakra reagiria sozinho, enquanto não estivesse totalmente absorvido. E, aparentemente, o moleque sabia que nada poderia fazer, pois permanecia em seu lugar.
- Vê como o verdadeiro poder sucumbe a quem de direito? Acha mesmo que o poder que conquistou agora e nem sabia que existia é suficiente para me deter? Nunca poderia existir um inimigo à minha altura agora, tenho todo o poder que sempre desejei ter!
- Pois então aproveite-o. Pois você acabou de criar a única coisa que pode derrotá-lo.
A frase pegou-o de surpresa. Não estava acostumado com essas frases feitas e impregnadas de sabedoria barata.
- Do que fala moleque-raposa? Você parece tão calmo, seria isso algum traço de insanidade?
Naruto simplesmente levantou a mão e concentrou-se para mostrar a Madara um pouco do Chakra Uzumaki: era diferente, parecia crepitar como fogo, mas era tão negro quanto o vazio, nada parecia provir daquela força, mas era como se sugasse tudo ao seu redor. Mais parecia um buraco negro.
- Se algo acontecer à Nayuri, você é um homem morto. E ela sabe disso. E acredite em mim, ela está fazendo o que pode para deixar muita gente com vontade de matá-la. Você vai cair Madara... e pelas mãos de uma mulher. Que ironia, não? Não serei eu, um moleque, a destruí-lo, embora eu tivesse muita vontade de vingar meus pais, meus amigos. Mas esta luta, nunca foi minha. Nayuri apenas trouxe à folha a guerra que evitamos, há vinte anos. Como ela é inteligente! Disfarçou toda uma guerra... para poder matar você!
Madara estreitou os olhos e passou a sentir o corpo queimar por dentro, uma incapacidade que ele não se permitiria afligir, mas era como se aquele negro que ele visse nas mãos do jovem estivesse dentro dele: era o fogo negro queimando e sugando sua energia.
- Agora, o que acontece é o seguinte, e isso quem me explicou foi o gavião estúpido, que por sinal tem nome, Kala: Você não tem traço Uzumaki, logo, não pode agüentar o que agüentamos. Eu quase morri para absorver o poder da okaasan. Achou mesmo que seria tão simples? Nayuri criou algum kinjutsu para aparentar que foi fácil e depois... bem, depois é isso aí que você ta sentindo...
Tudo começava a girar na mente de Madara. Nada fazia sentido: as palavras daquele imbecil loiro, aquela situação, a dor que sentia alastrar pelo seu corpo, como se mil kunais estivessem cravadas pelo seu corpo. Tentou ativar o Sharingan, mas ao fazê-lo, soltou um grito de dor extrema: o fogo negro queimava seus olhos de dentro para fora.
Foi o necessário para fazê-lo ajoelhar-se de maneira banal, patética, como um perdedor, mas isso não poderia estar acontecendo!
Ouviu os passos do rapaz à sua frente e elevou o rosto na direção da copa das árvores, o mais alto que conseguia. A dor parecia diminuir, mas seu corpo não reagia aos seus comandos. Ele não precisaria do sharingan para fazer um genjutsu...
- E se eu fosse você... não faria isso. Cada vez que você tentar... vai falhar e vai doer mais. O chakra Uzumaki é forte demais para você, lamento. Sua única solução é manter Nayuri viva e obrigá-la a extrair o que colocou em você. Mas você e eu sabemos que ela não fará isso. Então, aqui vai o meu acordo: Você pode estar fraco, mas tem um monte de imbecis aqui que te seguem, são fortes demais e estão indo com tudo contra Konoha e Suna. Mande-os recuar, desistir. Dê um fim a essa guerra e eu te entrego a Nayuri.Sou o único que consegue detê-la agora, ela está sem controle porque você tirou a pedra dela. A única coisa que mantém o controle do chakra é a pedra, sem ela, tudo fica livre. E acredite em mim, Nayuri já está acostumada a viver sem sua pedra.
- Você... quer barganhar comigo? Rapaz... o que sabe sobre estratégia... se um inimigo está caído, você deve garantir para que ele não levante mais. Não dar-lhe a oportunidade de recuperar-se. Porque é exatamente isso que farei: voltarei com muito mais força.
Naruto pegou o graveto e começou a riscar os nomes antes escritos por Madara:
- Eu não me importo, afinal, ser um ninja significa lutar o tempo todo por aquilo que importa. E nesse momento, tenho muitos amigos lutando uma guerra que não é deles, que eles nem estavam vivos durante o real motivo. E eu não acho isso justo. Nayuri manipulou a todos, você inclusive. Ela queria sua própria guerra, mas não tinha um exército, então uniu-se a você para ter braços e a mim, para ter um sabor especial de vingança. Eu não quero saber o que vai fazer com ela, desde que desapareça das terras do Fogo e da Areia.
Aquilo parecia inconcebível, como o fedelho falava com Uchiha Madara daquela maneira?
- E que garantias você me dá de que realmente terei Nayuri?
Naruto surpreendeu-o ao suspender o homem mais velho e ampará-lo:
- Porque eu vou te levar até Konoha para buscá-la.
Um sorriso aflorou dos lábios de Madara. “Como ela sabia que ele faria exatamente isto?”.
Neji não podia disfarçar o desconforto por aquela situação. Ainda podia lembrar-se do sorriso de Sakura e de como ele mesmo ficou feliz por ver que ela se sentia realizada por algo. Não era um homem emotivo, mas o sorriso de Sakura tocava seu coração de maneira muito mais forte que suas lágrimas. Era como se ele pudesse ver o sol reluzente por entre os verdes alegres.
Por ele, ela nunca mais choraria. Mas não cabia a ele decidir. Já tinha dito muito mais do que deveria, muito menos do que gostaria. Mas não podia tomar uma decisão por ela. E no momento em que Sakura segurou o pequeno Uchiha nos braços, ele soube: Sasuke vencera, mais uma vez. Ainda assim, ele não se daria por vencido tão facilmente, não poderiam esquecer que Sasuke era um traidor e seu filho estava agora em posse de Konoha.
Neji sabia qual era sua função, e definitivamente, não era encontrar Naruto.
Ele mataria Uchiha Sasuke.
E até sentia prazer por isso.
“Não a perderei para um fantasma... desta vez, real.”
Hinata sentia certo desconforto com dores irregulares em seu ventre, mas ela sabia que era pelo que Nayuri tinha feito para mantê-la em segurança. Mas era incômodo, dolorido e aquele não era o momento para fraquezas. Ela estava finalmente fazendo algo útil, ajudando Lee com os refugiados. Ela não poderia ir para a frente de batalha, Nayuri fora bem clara. Além do mais, precisava ver sua irmã, ansiava por ver algo familiar.
Os rostos estavam todos preocupados, tensos. A gigante comitiva seguia pela floresta, liderada por Rock Lee. Ele jamais saberia se o procedimento feito por Tsunade-sama dera resultado: prometeu à Ten Ten que não tentaria qualquer jutsu. Precisava ser o melhor no que era, para manter todos em segurança.
Falando nela, a kunoichi vinha na retaguarda, aprontando armadilhas, para que não fossem pego de surpresa pelos inimigos. Hinata ia à frente coordenando a equipe de outros seis Hyuugas destinados para a bateria de observação. Mesmo sem o Byakugan, ela ainda era uma Hyuuga e líder por direito, mesmo que o cargo fosse de Neji, por merecimento. A simples presença dela ali, dava mais força para os membros de seu clã. Significava que, mesmo em guerra, eles ainda poderiam contar com a proteção deles. Tudo estava indo de maneira calma... muito calma.
Mal parecia que a pior guerra que o mundo ninja já tinha visto estava acontecendo poucos quilômetros atrás deles.
- Sabe do que mais me arrependo?
- Não... sobre o que está falando? Não nos víamos há anos... e ainda quer que leia seus pensamentos?
Nayuri revirou os olhos e montou no dorso de Kala, como se tivesse feito isso por toda a vida. Não foi preciso nenhum sinal, nenhuma ordem, a ave sabia o que fazer e ansiava por isso. Odiava ter os pés conectados à terra. Seu lugar era no ar, majestosa e sagaz.
- Peço desculpas por fazê-lo mentir, meu amigo. Tentei deixá-lo de fora, mas não tinha mais em quem confiar. Lamento tê-lo ofendido. Kushina sempre me disse que eu deveria ser boa com vocês e na fui.
Kala apenas virou o pescoço o suficiente para alcançar os olhos de sua menina: tão linda quanto se lembrava de sua irmã, mas com o olhar amargurado e vazio. A última vez que ele viu Kushina... ela tinha o mesmo olhar.
- Quando vi sua irmã pela última vez, ela carregava dor e pesar. Por ter de abandonar tudo e todos que amava... porque não foi apoiada, nem mesmo pelo marido. Por ter sido traída por todas as nações ninjas. Seus inimigos, os inimigos de sua irmã... são todos inimigos dos gaviões, pequena.
- Eu não sou mais uma criança!
- Para os humanos, talvez. Mas para mim... você sempre será a pequena Nayuri. E ainda assim, minha senhora, a quem eu devo obediência. Por isso, não precisa pedir desculpas, nem por isso, nem por nada. Se me ordenar que minta, faço sem pensar duas vezes.
Nayuri deu um abraço da maneira que pode, afagando as majestosas penas do Gavião-Rei. Ela quis tanto ouvir aquilo, uma voz conhecida e amiga! Mas precisava da distância, para poder levar seu plano adiante:
- Estará tudo acabado, em breve. Eu prometo.
Notas finais
E vcs?
Obrigada!
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