Linhagens e Amizades
44 Capítulo 43 - Um traidor sempre será um traidor...
Notas iniciais
Bem, resoli terminar, não custa nada, rs
Mais um capítulo para vocês. Beijos!
Kala sobrevoava a floresta da Morte e sentia outro chakra próximo. Um que ele jamais esperou sentir novamente. Sua mestra, sua menina. Sua Kushina! Ele tinha ordens, e sabia disso, entretanto, nem a maior ordem do mundo seria suficiente para fazê-lo ignorar aquilo.
Num vôo rasante e a ave imensa encarapitou-se numa pedra de tamanho ainda maior. Ali espero pacientemente, mesmo que seu coração estivesse agitado. Ao ver o reflexo loiro, que também parava ao reconhecer nele certa familiaridade, empertigou a voz:
- Você carrega sangue Uzumaki? – Os tempos eram de guerra, mas Naruto não estava assustado, talvez por não temer inimigo algum. Ou então, por reconhecê-lo.
O ninja de Konoha recebeu o pouso da ave ao seu lado de maneira calma, serena. Mesmo que seu interior fervesse e ele sentisse o gosto pela luta aflorar nos lábios.
— Hai, sou filho de Uzumaki Kushiha e Namikaze Minato. E você ave, quem é?
- Eu sou Kala, general de guerra dos gaviões. Nossa família e a sua trabalham juntas desde sempre... Eu fui a invocação de sua mãe, Kushina. Senti o chakra dela em você, como pode isso?
Naruto lamentou o momento não ser apropriado. Queria ficar e perguntar mais coisas sobre seus pais, saber como eram, o que gostavam, o que não gostavam.
- A pedra de minha mãe está comigo. Esta em mim. A força dela uniu-se à minha. Estamos em guerra Kala, sabe disso? O que faz em Konoha?
- Sua tia, Nayuri. Ela me invocou. Mesmo não tendo direito algum em fazê-lo. Nayuri não assinou o contrato com os gaviões, não teve tempo para fazê-lo. Em consideração à sua mãe e seu avô, que foram parceiros excelentes, abrimos uma exceção e atendi ao seu chamado.
- Nayuri pediu para me encontrar? É algum recado? – Agora sim o loiro estava agitado. Será que em tão pouco tempo a situação já se tinha alterado?
Kala olhou fixamente no jovem homem que tinha diante de si. Era idêntico ao esposo de sua menina, mas os olhos. Ah, os olhos! Esses brilhavam como os roxos que tanto o desnorteavam!
- Ela me pediu para entregar ao Madara a arma que irá matar você. E a ela também.
OoooooooooooooooooooooooooooooooooooO
Madara não pensava que seria tão fácil assim convencer o Uchiha a trair novamente aqueles que receberam-no de volta. Não havia em Sasuke o mínimo senso de companheirismo, fidelidade. Isso para o momento era bom, mas num futuro não muito distante teria que ser resolvido, por bem ou por mal.
- Ora, já está acostumado com isso. Trair Konoha sim... isso parece não ter peso para você. Mas como prova de fidelidade, para libertar o menino, preciso que você mate uma pessoa.
Sasuke esperava por isso e já estava prevendo o confronto de sua vida com Naruto. Sabia que só sairia de um desse vivo ou morto, que um dos dois cairia para sempre. No fundo, Sasuke sempre achou que morreria num confronto com seu melhor amigo e irmão.
- Então me deixe sozinho. Sinto o chakra do Naruto não muito distante daqui.
Madara sentou-se numa pedra, catando alguns cascalhos e jogando no riacho próximo.
- Seria muito fácil para você um conflito com ele, não? Ou viveria, ou morreria. Não Sasuke, eu quero você vivo. Por isso, você vai matar alguém que eu sei que pode matar, sem problemas. Se conseguir viver depois de fazer isso, pode ter seu filho livre, bem como você. Permanecer ao meu lado depois disso é uma escolha sua.
Sasuke estava confuso, o sharingan não parava de orbitar, talvez tão confuso quanto ele.
- Então quem? A Hokage? Os conselheiros que ordenaram o massacre? Fale!
Madara fez um muxoxo por ter errado uma mosca com o último cascalho, deu de ombros, quem sabe tivesse mais sorte na próxima vez?
- A sua namoradinha, a tal da Haruno. Prá você ela não serve, então vamos focar em coisas que importem. Quero mães poderosas para os Uchihas. Aliás, essa aí nem um rebento pode te dar. Mate-a sem piedade e a vida do seu filho esta a salvo para sempre. – Ele sentiu o vacilo imediato em todo corpo do outro Uchiha – Eu posso morrer Sasuke, mas outros que me seguem atacaram quem eu ordenar sem dó. E é de conhecimento dos meus subordinados que apenas a morte de Haruno Sakura pelas suas mãos, dá passaporte de continuidade para o seu lado da família. Você pode ser um grande shinobi, mas quem garante que essa prostituta que escolheu para mãe do seu filhos é? E honestamente... mandar uma cobrinha nanica como escolta não foi lá muito esperto...
“Karin, aquela imbecil! Mulher inútil, estúpida! Kyosuke estava novamente nas mãos de Madara, pior ainda, se subordinados que não hesitarão em cumprir suas ordens. Mas por Kami-sama... Sakura não...” – Sasuke sabia que se demonstrasse mais temor, seria pior para todos. Estava preparado para tudo... ou melhor, para quase tudo. Nada no mundo seria suficiente para prepará-lo para aquilo.
- Eu faço. Mas não me peça para ficar em Konoha depois disso. Não importa o que fará com a Vila, apenas me deixe levar o corpo dela comigo, para onde for.
- Ai, necrofilia é nojento Sasuke... mas se você quer, não vejo problema. Desde que ela esteja morta, com um buraco no lugar do coração, a marca do seu chidori, seu golpe predileto. Está avisado. Acho que agora eu vou me preparar para encontrar seu amiguinho Naruto, ele está perto daqui...
Madara saiu, deixando Sasuke perplexo. Bem como ele queria. O vilão Uchiha sabia que ele mataria a rosada. Não havia sentimentos bons em número suficiente para fazê-lo abrir mão de um sonho por uma cama quente. Sua parte estava completa, Sasuke nunca mais seria um bebê chorão.
OoooooooooooooooooooooooooooooooooooO
Tsunade enfrentava Kumo com o vigor da luta contra Hanzou, na época da guerra entre Amekagure no Sato e Konoha. Isso contagiava seus subordinados, que mesmo em menor número, não se importavam em dar a vida pela Vida. Ainda mais com sua líder mostrando que faria o mesmo por todos eles.
Katsuya estava espantada com a habilidade que a Hokage demonstrava. Mesmo com idade avançada – coisa que ela jamais aceitaria – lutava de igual para igual. Não, muito melhor. Kumo caía como farelo diante das investidas do Fogo. Talvez fosse a luta mais simples, até agora. Poucas baixas do lado de Konoha e nenhuma fatal.
- Isso está muito estranho... – Kakashi abandonou de vez seu posto de observador e passou a rodear a Vila, em busca de alguma cosia que lhe dissesse que aquela inquietação dentro dele era real. Encontrou Nayuri sentada, na saída da Vila, por onde os habitantes tinham fugidohoras atrás.
- Eles tiveram tempo de fugir. Todos. Konoha ainda será Konoha quando a guerra acabar.
O filho do Canino Branco estranhou aquele tom de voz amargo e pesaroso. Ele sabia que ela falava pela Cachoeira, que contava poucos sobreviventes. Mas não tinha comparação.
- Uma guerra há dezoito anos atrás não seria a mesma que a de hoje. Os recursos são maiores, os aliados conseguem chegar mais rápido. E não há outra guerra acontecendo paralelamente. Até porque, todas as grandes Vilas estão aqui.
- Kiri vai cair, Iwa também. Kumo no Sato... se não decair toda em Konoha, será devastada por invasões de vilas menores. Iss tudo para que Suna e Konoha não caiam. Acha justo?
- Justo não, mas necessário. Acaso você não defendeu sua casa? Estamos defendendo a nossa! Fomos atacados mulher, não procuramos a guerra.
- Claro que não, eu trouxe a guerra para à porta de vocês. A mesma guerra que vocês não evitaram, anos atrás.
Kashi não compreendia o modo sinistro dela falar, seria um delírio, um devaneio? Não, ele recordava com clareza da risada alta, tal qual a de Kushina, da imagem esbelta e bela. Não, aquilo não era possível.
- Eu não quero entender o que está dizendo. – Disse sério, realmente desejando que seus ouvidos o enganassem, indo contra todos seus instintos shinobi.
Nayuri levanto-se aos poucos, aproximou-se do copy-ninja , baixou-lhe a máscara e fitou seu rosto enquanto ele fazia o mesmo. Não foram necessárias palavras, beijaram-se com o ardor de um homem e uma mulher que se desejavam mutuamente.
Kakashi estava ainda mais confuso. O mistério de Nayuri era irritante, mas ele sabia que a incerteza em seus instintos sobre aquela guerra, pairavam ali, todos nela.
- Mulher... quer me deixar louco? – os lábios dele foram calados com dois dedos e um sorriso amargo.
- Da próxima vez que nos encontrarmos, você vai desejar me matar. Onegai, confie em mim e não o faça. Porque do contrário, eu terei de matar você. – Ele não teve tempo de retrucar, o bunshin desfez-se em seguida.
Kakashi teve apenas dez segundos para pensar e raciocinar toda aquela situação louca. Um chuunin passava, voltando do hospital em direção ao campo de batalha.
- Ei você! Vá imediatamente recrutar quinze chuunins e mande para o caminho dos refugiados. Vão atacá-los! Eu parto imediatamente, quero todos no meu encalço.
Atordoado, o chuunin correu para seguir as ordens do comandante em exercício a tempo de ver o copy ninja sumir pelo caminho que os refugiados seguiram liderados por Rock Lee.
OooooooooooooooooooooooooooooooO
Sakura seguia Neji com rapidez, mesmo sabendo que ele estava demonstrando certa cautela ao andar pela floresta. Não era segredo para ninguém na Vila que o mais forte shinobi era mesmo Uzumaki Naruto. E mesmo que o Hyuuga fosse excelente no que fazia, não era o mesmo que Naruto. E por isso, os inimigos que o loiro se propôs a enfrentar sozinho eram sim uma preocupação para ele, e para Sakura também.
- Consegue vê-lo Neji? – Sakura perguntou, referindo-se ao Naruto, pois não podia mais sentir o chakra dele por perto.
O Hyuuga estava atento ao caminho sim, e surpreso até.
- Sakura, a Karin está vindo ao nosso encontro. E pela trajetória dela, é proposital. Não posso saber o que ela quer comigo, mas com você...
Sakura tremeu, mas não de medo, ou excitação. Mais umavez essa mulher viria ao seu encontro para dizer-lhe o quanto era melhor que ela, apenas porque não tinha o ventre cerrado? Ela quis vacilar, dizer para Neji ir embora, para os dois sumirem dali. Porém em seguida recordou-se de que Karin era especialista em rastreamento, poderia achá-la em qualquer lugar.
“Ora essa, você está com medo dessa vadia? E depois reclama porque o Naruto te mandou voltar! Se não dá conta dessa vaca, volte prá Konoha ou fique sob proteção de alguns dos seus amigos!”
Sakura sabia que sua consciência lhe dizia a verdade, porque ela temia Karin por um motivo tolo: pela verdade. Era real o fato de que ela podia ter filhos enquanto a médica não. Assim como era mais real ainda o pequenino que ela agora via nos braços da mãe, ambos escoltados por uma cobra, que ela reconheceu como sendo uma das invocações de Sasuke. Pelo visto o encontro familiar tinha acontecido, ela ousou trazer o menino para o meio da guerra! Que irresponsável!
Karin sabia que não tinha o que fazer. E pior ainda, sabia que a criança que tinha gerado era para ela como uma maldição agora. Onde quer que estivesse, se o menino estivesse ali, seria sempre um chamariz de problemas. Karin poderia ser tudo, menos idiota. Tinha certeza de que não queria viver em perigo constante, não quando seria ainda renegada pelo seu grande amor. Ele a tratara apenas como uma intermediária entre seu grande sonho e mais nada, nem um pingo de gratidão por cuidar tão bem do filho que ele fez nela.
A única maneira de escapar de Konoha, seria deixando o filho de Sasuke seguro e longe de problemas. E quem melhor para fazer isto, que a imbecil da rosada? Ela iria cuidar do menino, com certeza. Daria amor e carinho, ou morreria tentando. Karin esperava do fundo do coração que seu filho odiasse a mulher que o pai escolhera com todas as forças e fosse o pior enteado que pudesse ser.
Estendeu os braços com desdém, sem nem ao menos olhar a figura do filho, que parecia bem acordado.
- Tome, ele é seu agora. Sasuke-kun não me quer, mas quer o filho.
Sakura sentiu-se completamente ultrajada com as palavras de Karin. Em que universo aquela louca achava que ela simplesmente receberia uma criança em seus braços? E ainda mais sendo filho dela, com o Sasuke!
- Está louca mulher? Estamos no meio de uma guerra, não é hora para fazer brincadeiras, muito menos isso é lugar para se estar com um bebê tão indefeso.
Karin deu de ombros, ordenou arrogantemente para a cobra que enrodilhasse o próprio corpo no chão, como um tapete e ali depositou o menino.
- Se você não o quer, ele ficará aqui. Eu não tomarei mais partido disso. Ele não me diz nada.
Dizendo isso, a kunoichi virou-se em direção oposta e caminhou alguns passos, não parou nem mesmo quando o menino chorava, pedindo por amparo. Sakura não acreditava no que via. Como uma mãe poderia ser tão monstruosa? Ela viu que não teria escolhas, ou melhor, teria que cuidar daquele bebê por enquanto, deixá-lo em segurança na Vila. A salvo da mãe louca e de sabe-se lá do que o pai estivesse fazendo. Porém ela não faria aquilo de graça.
Sakura não deu tempo de Karin desviar: agarrou-a pelos cabelos e girou a mulher por quatro vezes, até ter impulso suficiente para jogá-la de encontro à uma árvore, fazendo-a quebrar com o impacto. Karin sentiu a dor dos fios arrancados, do couro cabeludo puxado e dos ossos quebrando aos poucos, um a um.
A médica ninja de Konoha retirou as luvas de batalha, indo em direção à cobra, que não sabia como cuidar da criança que chorava. Sakura olhou aqueles negros e sabia que eles não eram da mãe. Por toda sua vida ela quis ser o alvo deles daquela maneira: como um porto seguro. Kyosuke calou-se assim que sentiu o toque diferente. Ela agradeceu à cobra por ter cuidado do pequeno e dispensou seus serviços. Ao mesmo tempo em que a invocação sumia, dirigiu seu tom de voz mais pesado:
- Nunca mais ouse pisar nas terras do Fogo. Ele não é meu filho, é filho do Sasuke, mas encontrará um lar em Konoha, mesmo que seu pai venha a fazer algo que decepcione a todos nós. Fuja agora, assim como está: machucada e ensangüentada! Imagine ao menos a dor que seu filho sentiria ao ficar aqui largado!
Karin nada disse, tinha cumprido sua missão de livrar-se do menino e transferido a culpa caso algo acontecesse com ele. Agora ela era livre.
Neji observou tudo em silêncio e naquele momento ele soube que o coração de Sakura nunca esteve em outro lugar, que não fosse nas mãos de Uchiha Sasuke. Mas ainda assim ele não desistiria. Não quando sabia que podia dar à ela muito mais que ele. Mesmo que um filho não fosse uma possibilidade para os dois. Observou Sakura vir sem jeito em sua direção, quase como se estivesse pedindo desculpa. Ele foi rápido ao interrompê-la:
- Fez a coisa certa, o menino precisava de você. Precisa. O correto agora é retornar para Konoha e deixá-lo em segurança. Eu vou ao encontro do Naruto e espero você retornar. Peça auxílio ao Sai com as coordenadas, ele pode ver tudo do alto.
Sakura concordou, agradecendo com um sorriso. Certificou-se de que o menino estava bem aquecido e rumou a toda velocidade para Konoha. Neji viu um semblante de alívio nela e ele sabia muito bem o que era: pela primeira vez, ela realmente estava protegendo alguém.
Notas finais
Calma, não me matem, foi o que saiu por hora, rs.
Reviews são muito bem recebidos, se vocês ainda se lembrarem dessa humilde fic. Beijos a todos!
Fale com o autor