Linhagens e Amizades

35 Capítulo 35 - Um Céu Tranqüilo Para Nossos Medos


Notas iniciais
Eu SEI que demorei para postar e peço desculpas, mas as coisas estava complicadas. Obrigada pelos reviews carinhosos e desculpas também na demora em respondê-los... graças a vocês a fic cresce a cada dia no Nyah! Se vocês acompanhares os Top 10 vão nos encontrar em quase todos, rsrsrs

Explicando como serão os próximos capítulos: Cada qual terá um título, mas todos dizem respeito ao conflito... espero que vocês entendam no decorrer dos capítulos...

Beijos e boa leitura para vocês!
Flashback ON



- Neji... precisamos conversar. — A voz da kunoichi saía vacilante, ainda não sabia ao certo como abordá-lo, mas sabia que tinha de fazê-lo naquele momento.



Neji era uma pessoa destruída. Sentia-se inútil, falhara no seu dever mais sagrado, que era proteger sua família. Não por uma missão dada pelo conselho, mas pelo legado que tinha recebido do seu pai. Ele era a continuação de Hizashi e desonrara o nome do pai como nunca antes pensou ser capaz de fazer. E agora, mesmo sendo a Sakura a falar com ele, não conseguia sentir outra coisa a não ser um imenso ódio por aquele que julgava culpado pela morte do seu tio. E lamentava ainda mais por dentro ao saber que teria que destratá-la por causa dele, mas depois de tudo, não aceitaria que ela o defendesse.



- Neji... por favor, fale comigo...



Ela pedia inutilmente por atenção. Seus olhos estavam cegos e os ouvidos surdos a qualquer visão ou som que não fosse vingança. Depois de deixar o corpo do líder dos Hyuuga para ser enterrado com as honras que merecia, recolheu-se para um banho longo, apenas para recuperar o corpo, e aprontava suprimentos básicos para a caçada contra Uchiha Sasuke. Soube que ela estava ali desde que entrou no raio de ação do seu poderoso doujutsu e preparava sua reação para não vacilar em nenhum momento. E lá estava ela, manipulando-o sem saber, e ele lutando internamente para não ceder em nada, nem mesmo por ela.



- Já sei o que vai me dizer e você também sabe o que responderei. Por que perder tempo? — Fitava-a nos olhos duramente, na intenção de intimidá-la.



- Você não sabe a verdade Neji... Não seja tão cego... Ao menos me dê dez minutos. Depois você pode fazer o que quiser e como quiser, certo? — Os olhos verdes dela sempre irradiavam uma urgência que ele ainda não conseguia entender...



Mas ele precisava resistir, como sempre o fez. Sakura não seria a primeira ou a última distração, e Neji acreditava piamente que quando tudo estivesse resolvido e terminado as coisas poderiam ser diferentes, que talvez num futuro ainda distante ele pudesse deixar de ser um guardião e proteger algo que fosse maior que tudo que ele conhecia... Mas desde que ela se esgueirara por entre as barreiras que ele impôs a si mesmo quando percebeu o quão nocivo aquilo podia ser para um shinobi... desde aquele momento, ele não sentiu outro desejo além da vontade de protegê-la. Ainda que fraternalmente, sabia que o abandono em que ela se encontrava era uma armadilha até mesmo para o mais analítico dos... homens. Afinal, apesar de tudo, era isso que ele era.


E mesmo com aquela vibração urgente que emanava dela sempre, conseguiu manter-se firme no propósito de não vacilar... Nem mesmo ela tiraria aquilo de sua cabeça.



- Você tem cinco minutos — disse por fim.



Flashback OFF



OooOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO



Shikamaru parecia mais distraído que nunca, observando as nuvens, deitado sob o céu de Konoha. O dia parecia tão calmo e propício para uma das famosas sessões de meditação improdutiva do Nara. Mas naquele momento a mente dele vagava longe, em cenas nada calmas como aquela que seus olhos contemplavam. Ele via destruição, sangue e dor. Caberia a ele realizar a estratégia necessária para impedir que aquela tragédia lograsse.



Mais distante que o costume, não notou a aproximação dela, que vinha de dias corridos. Temari estava feliz em finalmente poder vê-lo. Quando chegou à vila dias atrás, junto com Sakura, foi designada por Gaara a retornar para Suna e recrutar shinobis específicos. Ainda por cima, teria que deixar ordens claras e ajudar Kankurou a preparar Suna para uma possível invasão. Ainda que os Irmãos da Areia quisessem acreditar que a guerra começaria e terminaria em Konoha, era obrigação daquela célula tripla pensar no futuro. Já contava quase vinte dias desde que deixara Konoha e regressava exausta. Mas ainda assim, a primeira coisa que fez depois de refrescar-se e comer alguma coisa foi buscar o Nara, onde quer que ele estivesse. Foi até o escritório da Hokage, onde vinha trabalhando intensivamente nos últimos dias, mas quando soube que ele não estava ali, já tinha certeza de onde encontrá-lo: o local mais calmo a céu aberto de Konoha. Mesmo que para a jovem aquele lugar tivesse outro significado especial, para ele representava um momento único de reflexão, onde poderia desligar ainda mais dos problemas. Poucas vezes ele procurava aquele isolamento, o que indicava a gravidade da situação.



- Yo, Shikamaru...




Ainda que apenas observá-lo fosse o suficiente, arriscou chamar a atenção. Percebeu-o sair do transe alguns segundos depois, levantando da grama onde estava deitado e sentando de frente para ela.



- Temari...o que quer? — Ele poderia soar um pouco menos receptivo, mas a verdade é que pela primeira vez sua mente estava realmente focada em algo que ele não gostava. Não as estratégias, mas sim do perigo iminente.




A kunoichi engoliu em seco, maldizendo a hora em que decidiu ir atrás dele.




- Vim saber como estava, apenas isto. Mas no momento em que você me olhou, percebi que estou atrapalhando... — Virou o corpo para se retirar, não deixaria que ele a notasse que ficara magoada.



- Por favor, fique. — Ele segurou a ponta dos dedos dela, inclinando o corpo timidamente para onde ela estava. Temari virou-se para ele e compreendeu que Shikamaru precisava dela, pois em nenhum momento antes ele tinha implorado pela presença dela, e era isto que aquelas palavras lhe diziam.




Os dois ficaram deitados lado a lado observando as nuvens, num silêncio que em outro momento seria perturbador e inquietante para ela, mas que agora daria tudo para preservar. Embora fosse a mais adepta a conversas, não foi ela quem interrompeu o som do vento sobre os ouvidos de ambos:




- Você está com medo? — Não era uma intimidação, uma confissão... apenas uma pergunta sincera.




Ela pensou vários segundos antes de responder:




- Eu preferiria ignorar os acontecimentos... se você me entende.



- Os ignorantes lutam com mais valentia, não? — ele completou, por fim.



- Sim... Veja só o Naruto...




Um novo silêncio, e Temari não soube dizer o que tinha falado de errado. Mais uma vez incomodada, manteve o silêncio. Longos minutos depois, ele retomou:




- Eu estou com medo. — Agora sim ele assumia uma posição... Temari pensou que ele fora para lá por causa disso, para resolver sua indecisão. Como que lendo os pensamentos dela, respondeu: — Estava com medo de ser um covarde... porque estou com medo. Olhando p\\\'ro céu, eu perguntei a Kami se era errado um shinobi ter tanto medo.



- Você estava falando com Kami-sama? Ora, nunca pensei que você fosse religioso...



- E não sou. Mas hoje eu devo dizer que um pouco de fé nasceu em mim.



- E por que diz isso?




Ele virou para ela, arrumando alguns fios que escondiam os olhos da moça.



- No momento em que eu pedia p\\\'rá ele uma razão para o meu medo, você chamou meu nome.




Temari sorriu, mas não sabia ao certo o que ele queria dizer com aquilo.




- Está dizendo que eu coloco medo em você, Nara?




Ele virou os olhos, entediado. Depois de um suspiro desanimado, voltou a olhar as nuvens, puxando-a para si e deixando-a envolvida em seus braços, bem ao seu lado.



- Como você é problemática... — Em sussurros, ao alcance apenas dos ouvidos dela, continuou: — Mas ainda assim vale à pena o que vier, por você...




OooOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO




- Madara-sama!




Nayuri vinha apressada. Os arredores de Konoha estavam próximos e ela não podia fazer mais nada para dar tempo do sobrinho chegar seguro à Vila. Até onde sabia, ele ainda não tinha regressado, e isso deixava seu juízo descontrolado, não estava na ordem que tinha pré-estabelecido. Contudo, desde que trouxe Hinata para o esconderijo de Madara, a relação entre os dois ficou mais intensa. O líder da investida contra Konoha via Nayuri como o maior dos trunfos, mas ainda assim permanecia reticente à presença dela no acampamento. Por isto ficaria junto de Hinata e do pequeno e irritante Kyosuke, que agora era cuidado pela líder do clã Hyuuga, com toda a paciência. As razões que Madara deu, se é que tinha obrigações de fazê-lo, foram óbvias: o estado dela não permitia um combate como o que aconteceria nos próximos dias. Relutantemente ela aceitou, em parte. Concordou em ficar protegida, sim, mas não no esconderijo e fez impor sua vontade dizendo que ele não a impediria de ver a Kyuubi abandonar o corpo de Naruto. Era uma promessa que ela o faria cumprir. Inicialmente ele esteve inclinado a negar, mas ao ver um brilho pedindo vingança, quis alimentar aqueles sentimentos nela, consentindo que fosse, contanto que ficasse longe da batalha em si. Nada muito difícil, visto que Konoha era rodeada por florestas e esconderijos em potencial. E agora eles estavam a menos de meio dia da entrada da vila, o sangue fervia pelo corpo do Uchiha renegado.




- Sim, Nayuri — sem estancar o passo, continuou em alta velocidade.



- Há uma coisa que não consideramos... Ao menos é o que penso.




Ela parecia insegura, como poucas vezes tinha feito antes. Isto, para Madara, era motivo suficiente para que ele interrompesse a viagem; aquela mulher não se alardeava daquela maneira à toa. Ele ordenou aos ninjas mensageiros que fossem de encontro aos outros pontos de interceptação e ordenassem repouso até o dia seguinte. Oito shinobis dos mais rápidos do grupo de renegados dissidentes da Akatsuki partiram de prontidão. Hinata e o bebê estavam alojados numa cela coberta apenas no teto, com alguns cobertores para o frio da noite, e a Hyuuga agradeceu intimamente por poderem parar. Mesmo sabendo não estar grávida, as sensações que tinha era a de uma gestante: enjôos, falta de ar e até tonturas. Mas aquilo era em decorrência do corpo frágil tentar conter todo aquele poder que Nayuri tinha passado para que ela pudesse ser útil ao Madara.



Na tenda armada num local fechado, Madara viu-se atraído novamente por ela. Era uma mulher que conquistava não apenas pela beleza, mas pela vontade de não ser escravizada e ainda assim permitir-se a isso... pelo desejo de vingança e pela maneira firme como tomava decisões. Nayuri sempre se mostrava disponível para satisfazê-lo como fosse, não seria diferente. A vitalidade dela aumentava conforme a ansiedade do momento, e ele não poderia dizer outra oportunidade onde ela o tivesse atendido tão bem como naquela noite.



Com os longos cabelos vermelhos jogados pelo corpo nu ela acariciava aquele corpo que sabia ser de outro, mas ainda assim, o que sentia era a essência dele.




- E então, o que tanto a preocupa?




Nayuri direcionou a visão para ele, interrompendo as carícias.




- Creio, Madara-sama, que estamos com a estratégia errada para a invasão.




Agora ele parecia realmente impressionado. Durante meses planejaram aquele momento, e no último instante, ela vinha com uma suposição diferente?




- Explique-se.




Ele a observou tomar fôlego e começar:




- De nada adianta ir com força bruta. É o que eles estão esperando de nós. Afinal, são três vilas contra uma e alguns shinobis de outra vila, que estão cansados de uma longa viagem. O óbvio seria força... mas e se conseguirmos ser mais sutis e pegá-los desprevenidos? Ou ao menos atordoar um pouco?



- Acho que já estão atordoados o bastante esperando por mim — retrucou ele.



- Madara-sama... por favor... Konoha é forte, não os subestime. Já derrotaram as Grandes Vilas várias vezes... todo o cuidado é pouco.




Ele considerou alguns instantes. Nayuri era uma sobrevivente. Por anos cuidou de si sozinha até que o destino a colocou frente a frente com ele. Por cinco longos anos os dois andaram lado a lado, até que ele tivesse a subserviência dela por completo. Era uma estrategista nata e os conselhos dela não deveriam ser renegados, ainda que fosse preciptada por várias vezes, conseguia visualizar a situação muito mais adiante do que realmente estava.




- Então vamos à sua sugestão.




A mulher parecia feliz por finalmente ser ouvida. De um fôlego só, despejou seu plano:




- Temos a Névoa... vamos usá-los... de todos são os mais fracos... — Madara ia protestar, mas ela se adiantou a ele: — Eu sei, eu sei... eles não vão querer iniciar. Certo. Mas e se causarmos uma situação onde eles tenham um interesse a mais em serem os primeiros?



- O que quer dizer com isso? — Era um deleite vê-la tão sagaz assim, só fazia aumentar a vontade de possuí-la novamente.



- Madara-sama pode dar a eles como incentivo a vingança de uma rixa mais antiga... Como, quem sabe, as contas com certo clã que eles tanto perseguem. Veja, um campo de névoa sobre a vila inteira só seria possível se utilizássemos todos os shinobis da Névoa... Isto para que seja realmente um encontro antecipado tanto para nós quanto para eles. Mas qual seria o benefício de deixar todos às cegas, inclusive a nós mesmos? Konoha teria que mudar todo o plano estratégico em pouco tempo, e a solução seria óbvia, mandaria os rastreadores para a frente de batalha, com exceção de alguns clãs menores e menos importantes... E com certeza o maior e mais importante dos clãs rastreadores seria convocado...




Um sorriso zombeteiro surgiu nos lábios dele, antes de tomá-la num beijo voluptuoso que demorou longos instantes para findar...




- Você está me saindo muito melhor que imaginei...



- Apenas o melhor para meu Senhor... Penso que se os Hyuuga forem convocados e a Névoa entrar em combate direto com eles, eliminaremos um importante clã em Konoha e conseqüentemente acabaremos com a Névoa, pois é claro que eles não vão sucumbir aos Hyuuga; eles passam a vida inteira estudando os pontos fracos específicos deste clã. Entretanto, quando o combate terminar e a cortina de névoa ceder, Konoha virá com tudo de encontro a eles e os exterminará, fazendo um favor para nós. E para a vila, não contar com os Hyuuga será uma grande perda.




Fez movimentos rápidos, puxando o corpo dela para que ficasse debaixo do seu. Com um sorriso satisfeito, passou a percorrer avidamente o corpo atraente como tantas outras vezes já tinha feito, novamente declarando posse para si. Enquanto deliciava-se com aquela pele jovem e curvas gritantes, deixou escapar seus comentários satisfeitos.




- Vamos tentar à sua maneira...




Horas depois, quando ele apenas descansava os olhos, Nayuri desvencilhou-se dos braços dele, vestiu suas roupas e procurou um lago para banhar-se. Ao retirar as roupas, sentiu um pedaço de papel cair de um dos bolsos, ao pegá-lo reconheceu ser aquele que a jovem Hyuuga tinha deixado aos pés de Naruto dentro do esconderijo. Sabia que ela o faria, mesmo sob ordens de não contar absolutamente nada. A prevenção foi sua aliada e conseguiu surrupiá-lo a tempo. Não fazia questão de saber o que continha nele, mas sabia o estrago que teria feito aos seus planos. Ao entrar na água gelada deixou que esta levasse consigo as sujeiras que lhe impregnavam o corpo e a mente, bem como borrasse a tinta e aos poucos desmanchasse aquele pedaço de papel tão danoso para ela.




"Está quase acabando... Madara... Nee-san... Naruto..."


OooOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO




Em Konoha, o dia amanhecia e uma névoa incômoda parecia não sair. Ainda que discreta, não passaria despercebida ao mais atento shinobi. Para Sasuke e Gaara foi assim, mas Naruto estava tão absorto em seus pensamentos tentanto adivinhar os motivos para Hinata agir daquela maneira que não conseguiu prestar atenção naquele sinal tão sutil.



Sasuke parecia exausto. Manter um henge as por mais setenta e duas horas ininterruptas e ainda por cima aturar o Naruto era pedir demais. Mas o cansaço maior era pela técnica prolongada, porque aqueles momentos com o amigo eram preciosos. Em sua mente, tudo dizia que seriam os últimos e, mesmo tendo ouvido o rapaz falar várias vezes seu nome com ódio, não conseguiu ressentir-se dele nem uma única vez. Falhou muitas e muitas vezes ao longo dos meses, mas uma falha vinha cometendo há anos: não confiar nas duas pessoas que mais acreditaram nele. Teve muita sorte com a Sakura e sabia que não deveria esperar a mesma coisa com o Naruto. Ele era uma pessoa de sentimentos simples: ou amava ou odiava. E naquele momento, ele odiava Uchiha Sasuke,da mesma maneira que um dia o amou como a um irmão. Ao avistarem os portões da Vila, os três tinham sentimentos diferentes.



Gaara despediu-se dos dois, por insistência de Sasuke. Aquele seria um momento dos dois, mais uma vez.




- Hinata, você deve estar muito cansada, não? Vamos, eu te levo em casa...



- Naruto, você poderia me acompanhar num lugar antes?




Como aquela era a primeira coisa que ela lhe pedia desde que estavam na estrada, ele não titubeou. Estava tão focado em "Hinata" , que não percebeu o agito intenso na Vila, os olhares aliviados pela primeira vez de muitos ao vê-lo cruzar a entrada de Konoha em segurança. Sasuke não queria sair da Vila, mas sabia que na direção para onde iriam não haveria condições de ter uma invasão e estariam há três minutos de Konoha numa corrida intensa, se fosse o caso. Ao chegarem, Naruto coçou a cabeça, sentando numa pedra qualquer, sem entender nada.




- Por que estamos aqui? Sabe que eu não gosto desse lugar... — Realmente, evitava-o há muito tempo...Durante anos foi o lugar de saudades do amigo; depois que Sasuke voltou à Vila, esqueceu-se dali, mas quando começou a descobrir as atitudes dele, passou a ser o templo de suas frustrações. Se tivesse prestado atenção nas palavras do Uchiha naquele momento, teria poupado sofrimento a todos.




Neste momento, Sasuke desfez o henge. Ao fazê-lo, encontrou um Naruto mais confuso que o normal.




- Ei, que brincadeira de mau gosto é essa? O que está acontecendo com você, Hinata? Tá tão diferente...



- É porque eu não sou a Hinata, idiota. Não conhece a própria namorada? — Um sorriso zombeteiro brotava nos lábios dele, uma implicância como nos velhos tempos.




Mas não foi nesse sentido tranquilo que Naruto recebeu a brincadeira. Ao dar-se conta de que era realmente o Sasuke, várias interrogações surgiram aparentes em seu rosto, contudo, o rancor era ainda mais evidente. Ao avançar na direção do Uchiha, descarregava uma frustração de meses.




- Maldito! O que você fez com a Hinata? — Fez alguns ins e cinco bushins surgiram ao lado dele.




Sasuke, com o Sharingan ativado, desviava dos golpes dele com alguma facilidade, mas a medida em que percebia a sequência dos golpes ele a alterava, para que nem mesmo o Sharingan conseguisse copiar. Essa era uma técnica que Naruto vinha guardando há tempos para uma futura luta com ele. Não era para ser esse tipo de luta, mas sim um confronto para ver quem era o mais forte, como faziam quando pequenos. Mas agora ele lutava por Hinata e por todos na Vila.




- Eu não sei onde ela está. Gaara e eu procurávamos por vocês e encontramos com ela no caminho, pedimos que voltasse conosco, mas ela disse que iríamos mais rápido os dois e que ficaria naquele local esperando por nós. Depois de encontrarmos você, voltamos pelo mesmo caminho, mas ela não estava mais lá.




Sasuke viu-se obrigado a revidar, porque se ficasse na defensiva seria atingido uma hora ou outra. Acertou um dos bushins com a bainha da Kusanagi, depois a usou como apoio no chão para girar e acertar mais três, restando apenas um, mais o original. Este tempo de distração foi o necessário para Naruto criar um Rasengan e investir contra o amigo.



- Rasengan!



Um golpe dos melhores atingiu Sasuke de imediato. A poucos instantes de receber todo o impacto, colocou a espada a frente do corpo e esta absorveu boa parte do impacto, mas não o suficiente para impedir o Uchiha de receber uma boa dose de dor.



Ao apoiar-se novamente com a espada, sentia o fio dela trincar... A Kusanagi estava...


Quebrada...



- Olha o que você fez! — Segurou a espada nas mãos, realmente irritado, mas depois olhou para a Kusanagi e para o amigo. Largou a espada no chão e ajoelhou derrotado, de frente para Naruto, a cabeça curvada, fitando o chão.




O loiro por sua vez, não conseguiu entender a reação dele. O bushin se desfez com um comando, e ele ficou parado, com os olhos azuis injetados de raiva. A Kyuubi não fazia parte daquele momento, não era o Jinchuuriki a desejar aquela luta, mas o humano. As mãos ainda estavam carregadas de chakra para um segundo e fatal Rasengan, e aquela situação deixaria o Sasuke praticamente derrotado se o golpe o acertasse àquela distância.




- Vamos, Naruto, acabe logo com isso!




A ordem de Sasuke fazia algo dentro dele gritar. Na verdade, não era apenas uma voz, eram duas. Uma que dizia para ele acabar logo com aquilo... e a outra, a quem ele deu ouvidos até o momento em que avançou contra ele, dizia que ele não poderia estar tão errado... que refreasse a mão.




De muito longe foi possível ver e ouvir o som e o clarão do famoso golpe do ninja hiperativo número um.



OooOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO


Flashback ON



- E é por isto que você está errado, Neji.



Silêncio.



Um enorme silêncio.



Uma culpa maior ainda.



Como era possível boas intenções e atitudes honradas tornarem-se tão... destrutivas?



Mais uma vez o gênio dos Hyuuga sentiu o gosto da derrota e da falha. Quando Sakura começou a falar, achou honestamente que se tratava de alguma desculpa que ela tinha inventado para impedir que ele fosse atrás do Sasuke. Mas então ela foi detalhando as coisas, os cinco minutos tornaram-se quase três horas de um relato que chocava, intimidava e envergonhava o mais destemido shinobi da Folha. Hyuuga Neji nunca teve medo de escolher, e nunca sentiu vergonha dos rumos que tomava, até aquele momento.



Em seu íntimo, ainda conseguia agradecer ao fato da afeição que começava a sentir pela kunoichi ter refreado seus atos... Pois por ele, Sasuke já seria um homem morto há dias. Foi por ela que recuou, receiou. E ao menos isso tinha impedido Neji de cometer a maior injustiça da sua vida.



Um homem abatido, era isso que Sakura via. Mas ela não poderia culpá-lo por nada; dividiam a mesma situação poucos dias atrás, e quem sabe, ainda estaria pensando como ele se as coisas não tivessem mudado drasticamente. Não conseguia mais ver os olhos dele, observou-os indo de encontro ao horizonte, depois decaindo lentamente até fitar profundezas do chão sob seus pés. Sakura deu tempo para que ele assimilasse tudo, depois, sem esperar um sinal de incentivo, abraçou-o. Não tinha outra intenção que não fosse dar-lhe apoio. Neji era um homem que tinha se criado sozinho, mas aquele era um dos poucos momentos em que nem o mais forte dos homens manteria-se de pé.



Neji não recusou, mas também não retribuiu. Deixou que ela ficasse naquele conforto velado sem reciprocidade, mas ambos sabiam que o ato dele não evitá-la já contava com a maior das aceitações. Se Neji pudesse explicar a situação, racionalizar como sempre o fazia, a única coisa que poderia dizer era que as coisas fugiram totalmente de seu controle.



Intermináveis minutos depois, ele se afastou dela, a cabeça erguida novamente na pose superior que ele detinha por natureza. Um enxergou nos olhos do outro todas as palavras não ditas, num momento que valeu por todas as palavras. Neji deixou que o som das folhas revoltosas com o vento do final da tarde fosse o responsável por sibilar aos ouvidos dela talvez a única palavra que valia realmente a pena ser dita: "Arigatou".



Sakura teve as mãos tomadas, depois sentiu-as serem tocadas sofregamente pelos lábios dele, apenas por alguns segundos. Depois, o Hyuuga levantou em silêncio, tomando o caminho do clã, precisava prestar as honras ao seu tio e líder.


Flashback OFF




Naquele dia, Neji acordou ainda com a sensação de falha lhe desordenando seu espírito. Foi obrigado pelo conselho a ficar em Konoha e não ir atrás de Hinata, que segundo eles estaria segura sob a proteção do Kazekage, Uchiha Sasuke e Uzumaki Naruto. Mas era obrigação dele fazer isto, não deles. E todos os dias o jounin acordava com a sensação de dívida latente dentro de si.


Tomou as orientações com a Hokage e repassou-as ao Conselho. Estavam todos em prontidão. Agora Neji não mais ficava em sua casa, obrigou-se a ficar na casa principal cuidando pessoalmente de Hanabi. A menina estava arrasada, mesmo sendo uma kunoichi impressionante para a idade, era ainda uma menina e filha mais nova de Hiashi-sama. E talvez, das duas, era a que tinha maior proximidade com ele, mesmo sendo apenas por uma necessidade do líder reconhecer uma das filhas.



Depois de tomar algumas providências, foi até a varanda fazer o desjejum. Chegando lá, a primeira coisa que notou foi uma neblina que já não deveria mais estar ali àquela hora. Lançou um olhar taciturno em direção à névoa insistente. Sua mente raciocinava rápido, muito rápido, aliás. Quando o então presidente do conselho se anunciou, o aspecto de Neji era de seriedade e entendimento.



- Neji, o conselho tomou uma decisão... inusitada — pigarreou, demonstrando que estava contrário com o que diria. — Diante da morte de Hiashi-sama, da ausência temporária de Hinata-sama e do despreparo de Hanabi-sama, o Conselho tomou o controle do clã. Mas como vamos enfrentar uma situação de guerra nos próximos momentos, chegamos à conclusão de que um grupo de shinobis... ultrapassados — e outro pigarro mais intenso veio à tona — não seria o ideal para garantir a segurança e o bem-estar de todos.



- Kushigo-sama, por favor, seja direto. — Neji não estava com paciência para os engodos dele.




O então presidente do conselho dos Hyuuga empertigou-se novamente e por instantes queria ter o poder de veto e voltar atrás naquela decisão, mas não tinha.




- Decidimos que você vai ficar à frente do clã, como um líder temporário até que Hinata-sama ou outro se habilite. Mesmo sendo membro da Bouke, levamos em conta que o sangue da Souke flui tão intensamente em você quanto na herdeira oficial. Apenas por um infortúnio você não é o líder, por uma ordem de nascimento.




Aquela era a notícia de toda uma vida. Um sonho, por assim dizer. Era a possibilidade de servir ao clã da melhor maneira que ele poderia: com sua capacidade como shinobi. Disso ele não duvidava, era o que tinha de melhor. Neji tinha várias coisas para dizer naquele momento, mas o que fez surpreendeu até mesmo o velho que se aproveitava claramente dele agora. O novo líder empertigou-se ainda mais, numa superioridade que sempre esteve ali, mas agora liberta. O olhar pesado que dirigiu ao homem estava carregado da autoridade que agora tinha.




- Separe crianças com menos de doze anos e as mulheres grávidas. Qualquer um fora esses que enxergar um metro que seja com o Byakugan a partir de agora está de prontidão, e isto inclui os membros do conselho.



- Mas por que fazer isto?



- Porque os Hyuuga acabaram de se voluntariar para tomar frente na batalha que deve começar em algumas horas.

Notas finais
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Mais uma vez obrigada! Sempre satisfeita em postar no Nyah!

Ah... para não perder o costume... rola review? rsrsrs

Beijos!