Linhagens e Amizades
23 Capítulo 23 - Confidências e Divergências (Parte 1)
Notas iniciais
Continuem me deixando feliz, onegai *.*
=***
(essa parte da fic é narrada pelo Sasuke-kun)
Não sei como ainda me espanto com a hipocrisia das pessoas. Antes todos me tratavam com escárnio, ainda que bastante disfarçado. Hoje, ao saberem que estou preste a reestruturar meu clã e unir-me a mais poderosa família de Konoha, as ações passaram de um tom desleixado para um insuportavelmente bajulador. Mas o que não entendem é que os olhos não mentem e estes ainda me passam as mesmas mensagens de desaprovação.
Como se eu me importasse...
A Gondaime convocou-me cedo demais, se levar em conta seus maus hábitos noturnos e sua já conhecida indisposição para o trabalho. Se o fez é porque o assunto era sério e certa curiosidade me fez cumprir o chamado em tempo.
Quando cheguei, percebi que ela me olhava diretamente, como se quisesse ler meus pensamentos. Que tolice. Nem mesmo a azarada sanin lendária seria capaz de fazê-los, pois minhas memórias estão mergulhadas numa obscuridade que muita das vezes dificulta meu próprio alcance.
Permaneci impassivo diante dela, que sabiamente desistiu da leitura velada.
- Uchiha Sasuke! — A forma dela de tentar impor respeito apenas elevando o tom de voz me faz entender os motivos dela considerar tanto o idiota do Naruto. Só querem chamar atenção. Ainda assim, precisava demonstrar que tinha algum respeito pela autoridade que supostamente exercia sobre mim.
- Sim, Hokage-sama.
- Convoquei sua presença aqui, pois ontem o conselho aprovou a medida que devolve os bens do clã Uchiha para sua administração e também o classificam como único proprietário.
Certo. O único detalhe é que não tinha solicitado devolução alguma. Meus planos não eram esses.
- Eu não solicitei nada ao conselho, não compreendo.
- Realmente. O pedido não partiu de você.
- Então de quem?
Novamente ela parou para me observar. Tinha um ar de quem estava curiosa para constatar minha reação, mas não seria fácil.
- Hyuuga Neji.
Pensei nos motivos que teriam levado o taciturno a procurar o conselho e interceder a meu favor. A resposta para mim foi bem óbvia:
- Pelo visto ele quis garantir que sua prima não passe necessidades — não pude evitar o sarcasmo, mas a situação permitia. Por algum motivo, Tsunade-sama não compartilhou deste momento comigo. Franzindo o cenho, limitou-se a dizer:
- Isto é tudo, pode se retirar.
Quando Naruto ou Sakura não estão por perto ela faz muita questão em determinar nossas posições. Retirei-me apenas com um aceno de cabeça. Precisava "agradecer" ao meu futuro primo.
Fui até os domínios Hyuuga, onde me informaram que àquela hora Neji costumava treinar na parte mais densa da floresta. Desanimei um pouco ao saber que teria de deslocar-me quilômetros apenas para questionar com que interesses o idiota Hyuuga intrometia-se em minha vida.
Quanto mais me distanciava de Konoha, mais pensava em quanto me sentia melhor longe daquelas pessoas, daquele fingimento e de todas as histórias dispensáveis. O que precisava era de um pouco mais de tempo e questões como aquele casamento inútil com a herdeira dos Hyuuga quase desviavam o foco de minha atenção.
É preciso manter-me calmo e distante. Idiota, lembre-se que quase pôs tudo a perder por ela...
Sakura...
Ainda evitava até mesmo ficar naquela sala onde quase cometi o maior erro de minha vida (??? Gaaaaaaaaaaaay!!!). O cheiro denunciava a presença dela e Sakura é uma lembrança que não pertence aquele local. Quando a vi recolhendo suas roupas e me jurando vingança percebi o quanto somos parecidos agora. A capacidade dela de amor foi superada por uma necessidade de vingança. Afinal, ainda restava um pouco de dignidade nela a ser restituída?
Uma vez ela se ofereceu para acompanhar-me em minha vingança, mas não queria corromper seu coração. Sabia que mesmo não reconhecendo seu valor não poderia usá-la daquela maneira. Seria uma grande perda de tempo.
Para mim, claro.
Mas naquela noite eu vi a mágoa em sua voz e o ódio em seus olhos. Então tinha que ser assim, não adiantou em nada evitar.
Quase cedi à uma fraqueza naquela noite, mas a experiência me serviu de lição, pois aprendi que sou mais forte que meus desejos, mesmo aqueles mais intensos.
Nenhuma novidade, já que sempre fui senhor de minhas ações. Que besteira ficar me confundindo, tudo que diz respeito à ela é inútil e ultrapassado.
Quando me aproximei de uma clareira senti dois chakras em intensa atividade. Seria Neji? Não, geralmente ele treina sozinho ou acompanhado da inútil da Tenten, uma total perda de tempo, pois ela em nada acrescentaria no treinamento de qualquer um (N.A.: Nossa... eu... CONCORDO com alguma coisa que ele falou... droga... *morre*).
Cada vez mais próximo, percebi que aquele chakra não me era tão estranho.
- Ei Sasuke, passeando por aí?
Kakashi ao postar-se frente a mim mantinha a mesma face de sorriso misterioso e olhos que quando sorriam nunca demonstravam exatamente aquilo.
- Procuro o Neji, estou com pressa. Depois nos falamos Kakashi.
Estava pronto para partir, quando a mão que segurava o livro de capa laranja impediu meu caminho. Procurei por uma explicação em seu rosto, mas aquela expressão indecifrável não me disse nada.
- Acho que você não deveria falar com ela agora.
- Por que diz isso?
- Porque será muito mais interessante ficar aqui e conversar com seu velho sensei.
Notei que a expressão indecifrável de antes tinha certo temor. O que seria tão importante a ponto de fazer Kakashi me seguir e impedir? Aquilo era apenas um motivo para enfrentar Neji e colocá-lo em seu devido lugar, mas agora pensava que poderiam existir motivos reais para ir atrás dele.
- Não posso perder tempo. Tenho assuntos pendentes com...
Antes que pudesse terminar minha frase, ele retirou do bolso um pergaminho conhecido. Por alguns instantes vi-me com o raciocínio confuso... todo o plano... perdido?
- Acho que agora você vai me dar atenção, não é mesmo? — Os olhos sorridentes dele estavam novamente inexpressivos para mim.
- Veio aqui para me prender?
- Prender você... por que faria isso?
Kakashi gostava desses jogos, mas no momento não estou disposto a mais tolices. Se tivesse que enfrentá-lo ali... seria desconfortável derrotar meu próprio sensei. Mas se fosse necessário...
- Diga logo o que quer ou o que vai fazer. Mas antes... como conseguiu entrar no esconderijo?
- Neji conseguiu. Fui apenas a ferramenta.
Neji. Aquele nome estava se tornando recorrente demais. Ele iria se arrepender disto... até porque agora era uma ameaça real para todos os meus planos.
- E o que pretende fazer?
Estava pronto para o combate. A hora era aquela.
- O que estamos fazendo aqui, Neji?
Depois de algum tempo adentrando na densa floresta, Sakura sentia-se um pouco perdida com relação ao real objetivo de estarem ali. Mas Neji não parecia tomar ciência das confusões que rondavam a mente da kunoichi. Precisava saber o quanto poderia contar com ela quando o combate acontecesse... e era mais que certo a proximidade daquele momento.
O jovem Hyuuga sabia que a médica ninja ao seu lado possuía uma grande força, mas observava os movimentos dela como sendo severos demais. Não poderia preocupar-se com nada, muito menos em proteger outra pessoa. Sabia que Tsunade havia enviado a garota como um cão observador, mas isto apenas facilitava para Neji, porque agora sabia exatamente quem o vigiava e teria uma demonstração da força dela. E com isso saberia o Idea para neutralizá-la devidamente, caso fosse necessário.
Quando chegaram ao local que Neji havia preparado, Sakura não pôde mais suportar a curiosidade:
- Não vai me responder?
Vendo que não era necessário ignorá-la mais, Neji fitou-a e ficou satisfeito ao vislumbrar ansiedade nos olhos dela.
- Sakura, viemos até aqui para que eu te avalie.
- Me avaliar? — Notou uma irritação visível nos olhos dela — Quem você pensa que é para me avaliar?
- Mais capacitado que você.
Antes que Sakura conseguisse demonstrar sua reação à essas palavras de maneira prática, Neji postou-se atrás dela, sua voz atingindo-a mais que uma lâmina.
- Quantas vezes você acha que sobreviverá ao inimigo quando se encontrar nesta posição?
Ela não soube dizer se foi a fúria por ter sido humilhada ou a falta de moção na fala dele que a motivaram a continuar o embate.
Sakura usou toda a sua rapidez e desferiu socos altos, intercalados com baixos, impressionando o jounin. Neji viu-se obrigado a usar o Kaiten para se defender. A garota conhecia a defesa dos Hyuuga e resolveu utilizar uma estratégia: a princípio concentrou todos os seus ataques próximo ao abdômen, com algumas variações para o peito. Ele agora não esta impressionado, pois ela não demonstrava nada além de uma grande força, não sabia aplicar os golpes com eficácia e era muito lenta. Ainda assim não baixou a guarda e resolveu verificar se ela era realmente fraca ou se assim como ele, também estava experimentando. Vacilou em alguns instantes suas ações, quando um dos socos dela passou a centímetros de seu ombro esquerdo recuou alguns passos e Sakura viu a oportunidade perfeita.
- Suiton: Daibakufu no Jutsu!
Uma barreira de água sufocava a órbita do kaiten de Neji, tornando os movimentos deste lentos. A bola de água parecia comprimi-lo sem dó e Sakura sentiu a oportunidade para atacar. Acumulou a maior quantidade de chakra que pôde e acertou-o em cheio. Estava muito satisfeita com seu ataque e sabia que tinha atingido seu objetivo. Mas seu ânimo durou o tempo exato para sentir o soco preparado acertar o vazio.
"Um Bushin!"
E não deu tempo para reagir. Novamente Neji estava atrás dela, mas desta vez, sem avisos.
Dois, quatro, oito, dezesseis, trinta e dois... a seqüência terminaria com os sessenta e quatro golpes, mas todos os anteriores tinham acertado em cheio. Neji assumia posição de guarda quando um chute inesperado fez o chão tremer e abalar seu senso de postura.
- Termine!
Era evidente que o rápido combate não foi suficiente para ela. Neji não esperava aquela reação. Ten Ten estava acostumada com seu estilo de luta e ainda assim raramente agüentava sua seqüência completa, não esperava esta disposição da jovem de cabelos róseos.
Com uma das mãos tratando de suas feridas, Sakura mantinha uma posição defensiva. Desta vez, ela não atacaria. "Sábia decisão", pensou Neji. Dada a disposição dela, o rapaz decidiu terminar o combate sem prejudicá-la mais.
Passou a atacá-la com golpes do poderoso Jyuuken Ryuu ( o taijutsu da família Hyuuga) e observava-a esquivar, agora de maneira mais hábil, mesmo usando apenas uma das mãos.
"Então ela estava apenas me analisando... vejamos se conseguiu pesquisar o suficiente". A palma de sua mão estava carregada de chakra e pronta para acertar-lhe na altura do estômago, o suficiente para imobilizá-la. Sakura, percebendo a intenção dele, levou a mão que antes reparava seus ferimentos ferozmente de encontro ao chão e ergueu uma parede entre ela e ele, forte o suficiente para diminuir o impacto do golpe. O obstáculo foi imediatamente destruído e ela jurou ter enxergado uma mistura de satisfação e raiva nos olhos do shinobi. O que ele faria agora?
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