Linhagens e Amizades
20 Capítulo 20 - O Esconderijo, o Segredo e a Mágoa (Parte 1)
Notas iniciais
(sim, hoje estou sem muito ânimo... mas o capítulo tá legal)
Parte 1 — O Esconderijo
Os raios de sol despontavam ainda tímidos por detrás de muitas nuvens, fazendo a noite render-se ao resplendor de um novo dia. Não haviam pássaros cantando ou ruídos típicos de uma mata fechada como aquela, mas os sons da água correndo no riacho ao lado embalaram o sono dos dois amantes dentro da pequena barraca e agora recepcionava-os para um novo dia.
Naruto não conseguiu dormir por muito tempo, temia que tudo aquilo tivesse sido um sonho e se foi, não queria que terminasse, não deixaria o sono vencer sua resistência. E olhá-la assim, em um sono tão plácido e cândido fazia aquecer seu interior e compreender que todo o sofrimento que passou era justo, pois ela valia cada lágrima que tinha derramado. Depois do momento tocante de confissões mútuas, não houve mais palavra alguma, apenas o toque e as carícias ainda que tímidas, mas carregadas de desejo, estiveram como um por grande parte da noite, sem pressa ou tensão. Era uma descoberta única e não tinham pressa para terminá-la. Ele a sentiu como a mulher que ela sempre desejou ser e Hinata obteve dele toda a atenção e carinho que sempre imaginou. Mas sem palavras. Aquele não era o momento para isto.
Mas com o raiar do dia, o momento de usar as palavras aproximava-se. Ainda estavam deitados muito próximos, os corpos respirando praticamente juntos, cobertos apenas por um fino lençol. Ela estava com a cabeça apoiada sobre um dos braços dele, o rosto levemente coberto com alguns fios rebeldes. Naruto não moveu-se sequer um centímetro, pois a sensação que ela passava era de que ali, aninhada em seus braços conhecia uma paz que não pode ver antes estampada em seu rosto. E era verdade.
Hinata já estava desperta há alguns minutos, mas quis permanecer naquele falso sono. Realmente não poderia vê-lo, mas conseguia sentir sua presença ali, desperta. Estranhamente não envergonhou-se de estar nua tão próxima e de ser tocada caprichosamente pelos dedos dele que passeavam tímidos por todo seu corpo. Afinal, ela agora pertencia a ele e o amor dos dois estava selado com aqueles mesmos toques.
O rapaz sorriu, dessa vez fazendo-se notar:
- Quando a senhorita vai parar de fingir que ainda está dormindo?
Hinata corou desta vez, sem poder evitar. O que ele estaria pensando dela?
- Na-Naruto-kun... desculpe-me... — abriu os olhos devagar e estava quase sentada quando ele a puxou novamente para perto dele, ficando com o corpo sobre o dele.
- Hinata, pedindo desculpas novamente? Achei que já tínhamos passado desta fase... — o sorriso dele quase sapeca fez a garota corar violentamente, atitude que deixou-o mais encantado com a situação — Vamos, acho bom você parar de corar assim, porque eu já bem sei do que você é capaz... — E vendo que causou um corado tão intenso que mal podia-se perceber a pele alva dela, resolveu insistir para ver o quanto ela suportaria — Vamos, se continuar assim vai ficar impossível de tirar as mãos de você, você não quer isso, né?
Surpreendentemente, ela apenas movimentou a cabeça positivamente. Ele fez com que os corpos rolassem rapidamente, trocando de posição com ela. Beijou os lábios dela carinhosamente, sentindo aquele corpo perfeito sob o seu e lembrando-se dos momentos que viveram pouco antes. Ela correspondeu, cruzando os braços ao redor do pescoço dele. Vários minutos se passaram antes que qualquer dos dois fizesse ou dissesse qualquer coisa.
- Hum... Hinata... por mim a gente ia embora daqui prá algum lugar e nunca mais voltava para casa.
Casa. Aquela palava parecia carregada de significados ruins. E para Hinata eram mais que significados, toda sua vida estava presa à Konoha... tudo que conhecia e amava estava lá... não... o que ela mais amava estava ali, bem à sua frente. Era isso que ia dizer, quando ele preciptou-se:
- Mas eu sei que você merece mais que uma vida fugida. E é por isso que depois que esses olhinhos forem curados, vou voltar junto com você para Konoha e vamos dar um basta nesta história de casamento. Sabe Hinata, eu tinha realmente intenção de deixar você casar com o Sasuke, se assim você quisesse, mas depois de ontem... nem que você me pedisse eu poderia... simplesmente não posso te imaginar desta maneira com outro...
O coração dela bateu mais rápido, tornando o momento intensamente feliz. Ele iria lutar por ela! Era tudo pelo qual aguardara durante tantos anos. E agora todos os seus sonhos estavam ao alcance de suas mãos.
- Naruto-k-k-kun... você faria isso por mim?
- Por você não, por nós. Você não entende que agora somo apenas um? Eu não entendia um vazio enorme que sentia, mesmo estando bem como shinobi, que era aquilo que eu sempre quis, mesmo tendo amigos... o que me faltava era o amor de alguém que pudesse não se sufocar com todo o carinho que eu sempre tive para depositar em quem se arriscasse... e que idiota eu fui por não ver isto antes.
Deu um novo beijo, desta vez mais intenso. Depois ele sentou ao lado dela e a garota pôde ouvir o som de roupas sendo remexidas.
- Onde vo-você vai?
- Pegar algumas frutas prá comer... tô morrendo de fome e com certeza você também está. Não demoro, lembro de ter visto aqui perto uma pessegueira, vou pegar alguns para vocês, são suas frutas preferidas, não?
Novamente, ela apenas assentiu com a cabeça e ficou surpresa ao ver que ele lembrava de detalhes tão pequenos sobre ela. Naruto beijou-a mais uma vez e estava deixando a cabana quando ela chamou-o.
- O que foi?
- Eu vou tomar um banho, mas não me lembro onde deixei minha mochila, poderia pegá-la?
Agachou-se próximo à ela, afastando alguns fios da orelha, sussurrando:
- De maneira alguma, você vai me esperar. Daí sim vai tomar banho, comigo.
Hinata corou novamente, mas não ousou discordar. Todo e qualquer momento com ele seria a continuação daquele sonho que não queria que acabasse.
Naruto não demorou-se muito, trouxe frutas deliciosas que ambos saborearam em meio à muitas carícias e toques carregados de significados. Depois ele carregou-a no colo até o rio e lá repetiram o ato consumado por toda a noite anterior. Hinata sentia-se tão forte, tão feminina e desejável... suas inseguranças quanto à sua aparência, sua visão... ou a falta dela... pareciam ter-se dissipado. Era como se apenas com seu toque pudesse enxergá-lo de uma maneira mais profunda que quaisquer olhos.
Depois de arrumarem-se, seguiram o caminho para Suna. Chegando lá, Naruto narrou para Kankurou os acontecimentos e este foi verificar com Baki sobre providências para fortificar a segurança nas fronteira do Vento e do Fogo. Hinata foi imediatamente levada para o hospital da Areia e lá ficou incomunicável pelo respto do dia. Ambos sentiam muito a falta um do outro, suas ações agora pareciam vazias sem a presença de sua metade. Com a noite já alta, uma das ninjas médicas veio trazer um recado para Naruto: Hinata já estava liberada.
Avançou hospital adentro sem preocupar-se com os avisos de silêncio das enfermeiras. Será que o tratamento teria dado certo?
Quando ele a viu, reviveu a cena de seis meses atrás e sentiu o mesmo aperto. Ela teria sofrido? Aquilo já não era mais necessário, pois ele a amaria como fosse, de qualquer maneira. O médico, um ninja de meia-idade com o olhar pacífiico, veio em sua direção.
- Você é o noivo dela?
Naruto não viu razão para mudar a respota. Ela agora era sua.
- Sim, como ela está?
- Aplicamos o tratamento, conforme orientação de Tsunade-sama. Nem em mil anos avançaríamos tanto, como sempre o grande talento da maior ninja médica vem à tona.
- Mas... deu certo?
- Impossível dizer... ela só pode retirar as bandagens em dez dias, nem antes, nem depois. Está certo? Mas alegre-se rapaz, esta é a melhor chance que vocês têm. Mas pelo brilho em seus olhos, penso que não altera em nada o fato dela poder ver ou não, estou enganado?
O rapaz sorriu, seus sentimentos eram realmente muito transparentes.
- Está mais que certo.
- Então vá vê-la. Por agora ela dorme, só acordará pela manhã, se vocês quiserem, podem seguir viagem, mas sem exaltações. Se quiser posso pedir para Kankurou-sama providenciar uma forte escolta, visto que vocês foram atacados já por duas vezes.
Agora ele ria, divertido, o médico ninha estranhou aquele comportamento desleixado.
- Se alguém for louco o suuficiente para encostar um dedo nela novamente, eles que precisarão de uma forte escolta, porque eu vou até o fim do mundo para acabar com eles, dolorosamente.
O médico entendeu e acenou positivamente com a cabeça, concordando. Aquele rapaz realmente amava a moça. Sortudos, pensou ele.
Despediu-se do médico e ficou a observá-la. As mesmas bandagens, mas o rosto não estava escoriado como da outra vez. A mesma maca, mas não era o mesmo corpo. Agora ele enxergava suas formas femininas escondidas por debaixo daquele uniiforme severo. A pele reluzente dava-lhe o ar de um descanso prazeroso. Permaneceu ao lado dela, segurando suas mãos, assim como da última vez.
- E desta vez, será a última, eu prometo.
O dia raiou e Hinata ficou feliz ao vê-lo. Estava totalmente alerta e aquela já era a segunda noite que dormia mal, seguidamente. Mas não demonstrava qualquer cansaço.
- Na-ru-to... kun... vo-coê ficou a noite toda... comigo?
- E em quem mais eu confiaria a sua segurança? — Acariciou-lhe o rosto e tocou temerosamente os curativos — Dói?
- Não... absolutamente nada. Sinto apenas um frescor constante, como se estivesse úmidos com água gelada. Mas nada dolorido, um leve formigamento, nada preocupante.
- Certo... bem... você acha que podemos voltar para Konoha hoje?
- Ho-Ho-Hoje?
- Está com medo de alguma coisa?
Estava. E muito. Mesmo com ele ao seu lado, ainda temia muitas coisas.
- Não sei o que... esperar.
- Hinata... não vamos sofrer antes da hora. Você confia em mim? Confia no que sinto por você?
- Sim... não tenho... dúvida alguma.
- Então já é mais que o suficiente. O que vier, vamos enfrentar juntos. Ams eu queria saber se você está relamente sentindo-se bem... porque eu vou precisar fazer uma parada no meio do caminho.
- Aconteceu alguma coisa?
Ele acariciou novamente seus cabelos e deu um beijo carinhoso em seus lábios, bem demorado.
- Bem... eu quero apresentar-lhe à minha família.
Hinata não pôde evitar o choque. Família? Mas Naruto era órfão, sempre fora tão sozinho... como ele arrumou uma família? Sua mente estava uma confusão só.
- Família? Mas... você não é...
- Você vai conhecer meus pais... e a história da minha família. Das duas. Afinal, você tem que saber a verdade sobre o homem que vai casar com você, não?
O coração dela batia com tanta intensidade. Casar? Ele realmente estava pedindo-a em casamento?
- Mas... vo-você está... certo... disso?
- De que? Que eu quero ter você todos os dias?
Ela nada disse, mas entendeu o silêncio dela como uma afirmativa.
- Claro que sim, casar e viver com você... mas você está bem para desviarmos o caminho?
- Onde fica?
- Já ouviu falar do país do Redemoinho?
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