Linhagens e Amizades

2 Capítulo 2 - Uma Proposta Interessante


(Essa parte da fic é narrada pela Sakura)

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- Sasuke e Hinata vão se casar!

Parecia que era apenas uma voz distante ressoando em meus ouvidos, mas não era. Era o Naruto, que antes não conseguia nem pronunciar uma palavra e agora estava falando descontroladamente. Senti muita pena dele, mas não entendia ao certo o motivo. Reconheço que levei alguns instantes para entender de quem ele estava falando...

“Aquele” Sasuke iria casar com “Aquela” Hinata... realmente, não tinha sido um engano. E ainda que fosse, seria uma brincadeira de muitíssimo mal gosto. Tentei afastar aquilo da mente e me concentrar no Naruto, ele tava descontrolado. Ino perceveu que eu iria agir e me ajudou, enquanto empurrávamos o Naruto na direção de sua casa. Ele não queria ir, a princípio, mas então ele deixou-se persuadir, como se já estivesse sendo dolorido demais para ele ter que conviver com mais alguma decisão.

I

no nada dizia, apenas olhava pesarosa para nosso amigo, desviando em seguida os olhos para mim. Não sei dizer o que se passava pela sua mente, mas com certeza tinha allgum receio de que eu estivesse pronta a desabar, assim como Naruto. Para tranquilizá-la, dei um meio sorriso, mais vago que os de Sai. Mas parece que deu certo, ela voltou a olhar para a rua.

Chegando no apartamento do Naruto, entrei com a minha chave, observando o Naruto se encolher sentado na cama com o rosto entre os braços. Parecia fora de realidade, na verdade estava. Bem, eu também estava muito estranha, mas não posso dizer que surpresa...

*Flhashback ON*

Alguns dias atrás...

- Me chamou, Tsunade-Sama?

Ela me tirou de cima a baixo, com aquele olhar reflexivo.

Lembro que fiquei assustada, pois sempre eram acompanhados de terríveis sessões de treinamento que indicavam sofrimento extenuante para mim. Mas ainda assim, não poderia demonstrar qualquer receio, pois isso resultaria em uma complicação ainda maior.

- Chamei sim, Sakura. Sente-se.

Enquanto eu procurava uma posição confortável para me sentar, pois estava evidente que aquele seria um encontro demorado, fiquei intrigada com o constante olhar pesaroso da Hokage. Mas não estava maluca a ponto de interrompê-la, mesmo antes de começar.

- Sakura, você tem sido um dos investimentos mais altos da vila. E uma das minhas maiores apostas, mas isto não te credencia muito. Você sabe que minhas apostas são sempre furadas, ao menos a maioria...

Um silêncio se fez, fiquei congelada. A sensei nunca falava sobre a morte de Jiraya-Sama... a única aposta que ela ganhou na vida. Quando voltou a falar, estava com um tom quase maternal (embora eu jamais pudesse ter certeza disso):

- Ainda assim, não chamaria você de aposta, pois o seu sucesso já era dado como certo, assim que vi seus primeiros resultados. Hoje em dia tenho orgulho de dizer que você será minha sucessora como ninja médica e que a partir de agora não tenho mais nada a lhe ensinar. E creio que você está começando a se dar conta disso faz algum tempo.

Neguei veementemente com a cabeça, aquilo não estava certo! Ela sempre seria minha mestra e nem em toda a minha vida esperava alcançar a habilidade dela. Tsunade-sama estava enganada dessa vez, mas não seria agora que me permitiria falar.

- Praticamente todo o hospital de Konoha e as atribuições médicas da aldeia são de seu conhecimento e até mesmo pensei em nomeá-la para algum cargo fixo aqui na vila –

Quando ela falou isto, me senti honrada, afinal, ser indicada para um posto fixo dentro da hierarquia ninja era uma coisa muito irregular para uma jounin recém promovida – Entretanto, alguns fatos que me foram revelados me fizeram mudar de idéia. Infelizmente, Sakura, precisarei de você em incontáveis missões de campo, a partir de agora.

Então era isso: definitivamente eu não fazia a mínima idéia do que ela queria dizer com isto. Primeiro fala que sou muito competente, depois me relega às missões? Bem, ainda assim, ela era a Hokage, eu nada poderia fazer.

- Como quiser, Tsunade-sama. Quando devo partir?

- Em alguns dias. Dez dias, para ser exata.

- Irei com algum time?

- Não.

Agora sim eu estava confusa. Ela iria me colocar em missões SEM um time? Tsunade-sama sabe que um ninja médico deve ser parte integrante de uma equipe. Percebendo minha confusão, ela continuou.

- Não irá numa equipe normal. Mas terá um companheiro. Uzumaki Naruto.

Se eu pudesse me ver, com certeza estaria com a cara mais estranha do mundo...

- Posso saber qual o objetivo da missão?

Eu percebi que ela temia essa pergunta. Mas a voz saiu segura, como era característico dela.

- Sakura, entenda: não posso passar para você com tanta antecedência os detalhes da missão, mas posso dizer-lhe que na hora certa ficará sabendo de tudo. Agora pode ir.

Fiz uma reverência, já de costas, quase chegando à porta, quando ela me chama.

- Sim?

- Algumas mudanças substanciais estão para atingir Konoha. Esteja preparada.

E me dispensou. Saí sem entender grande coisa, mas temerosa pelo que poderia acontecer, a ponto de deixar a Tsunade-sama com um receio tão grande.

*Flashback OFF*

E agora isso... então a mestra estava referindo-se ao fato do casamento deles. E como num flash, rapidamente compreendi o motivo da missão: não importa qual fosse o serviço, o objetivo maior era manter Naruto e eu afastados da Vila. Mas por que isso? Afinal, era apenas um casamento...

Fui interrompida por meus devaneios, por Ino, que me puxava para um canto, afastadas do Naruto.

- Sakura, precisamos fazer alguma coisa, acho que ele está em estado de choque.

Nenhuma de nós precisava de conhecimentos médicos para entender que aquela era justamente a sutuação. Estava evitando olhar para ele, mas era difícil não se condoer.

- Ino, eu acho melhor você ir para casa. Pode deixar que dou conta dele, tá?

A cara dela não estava passando muita confiança, percebi. Mas discutir não iria ajudar em nada na situuação, então ela partiu sem protestos, apenas tocando o ombro do Naruto, em sinal de conforto. Ino era uma pessoa boa, afinal de contas.

Sentiu o grande impacto que aquilo causara em Naruto e doeu-se por vê-lo naquele estado. Na certa estava indo até à vila, saber de que se tratava o tal “comunidado”, embora naquele momento eu não tivesse mais dúvida alguma de que tratava-se do casamento daqueles dois.

Observei Ino ir, sem esperar muito mais, sentei ao lado de Naruto, que já tinha passado do estado “chocado”, para o estado de “contemplação”. Estava com muita pena dele, de vedade. Mas antes que pudesse fazer ou dizer qualquer coisa, ele encostou a cabeça do meu colo e ficou ali, por alguns instantes, até dizer:

- Sakura-chan... desculpe ter que contar para você mas... não poderia... deixar você escutar isso de qualquer um....

- Agradeço Naruto... mas agora fica quietinho... e descansa...

– Fiquei acariciando a cabeça dele, como se ele fosse uma criança. Aos poucos ele foi parando com os espamos que iam e vinham, até que quando a noite já estava alta, ele adormeceu. Ao menos eu acho, pois eu também me senti tão triste, pela situação, por mim, pelo Naruto, pelo meu amor... que não sei ao certo quem caiu no sono primeiro, ele ou eu.

(Essa parte da fic é narrada pelo Sasuke)

Já estava cansado de esperar naquela saleta vazia. Bem se via que os Hyuuga não sabiam receber uma visita... mas afinal de contas, o que eu tô fazendo aqui? Quando o Neji veio até minha casa, não entendi ao certo sobre o que ele falava, mas achei que um convite de Hiashi Hyuuga para uma visita na propriedade Hyuuga não era uma coisa de se ignorar. Durante todo o caminho permaneci em silêncio, assim como Neiji, mas reparei que ele parecia levemente transtornado, mas não consegui decifrar o que se passava com ele. Já era difícil o suficiente conseguir me concentrar em minhas próprias ações, ainda mais estar atento ao que um indivíduo quase tão misterioso quanto eu estava pensando.

Chegamos na propriedade Hyuuga e respeitosamente tive que declarar a mim mesmo que a beleza das construções a imponência emanavam naturalmente de todas aquelas construções. Um dia... ainda ei de ver o clã Uchiha mais reluzente que este lugar, pensei.

Desde então, estava alocado naquela saleta. E passou mais ou menos uma hora desde então. Já estava me levantando para ir embora, quando a figura imponente de Hyuuga Hiashi entrou.

- Desculpe fazê-lo esperar, Sasuke-kun.

Definitivamente ele não esperava pela minha aprovação. Nem eu tencionava oferecê-la. Apenas continuei impassivo, aguardando que ele me desse um bom motivo para não me levantar e ir embora, estava começando a me incomodar.

- Bem, o motivo de tê-lo chamado até aqui tão repentinamente é que creio ter uma proposta que vá lhe interessar muito.

Não poderia saber o que um líder de clã tão influente em Konoha teria a me oferecer, não sem exigir nada em troca.

Continuei prestando atenção, mantendo a mesma aparência. Percebendo que eu nada falaria, ele continuou:

- Como sabe minha filha mais velha, Hinata, é a próxima na linha de sucessão do clã. Acontece que Hinata não é nem de longe sequer um dos membros mais talentosos do clã, o que me coloca numa situação desagradável perante meus subordinados. A hierarquia nos Hyuuga jamais é constestada: é de direito e obrigação da Hinata assumir seu lugar no clã. É vergonhoso dizer, mas tenho adiado ao máximo o dia em que terei de passar a posse para ela, mas isso tornou-se inevitável, com a proximidade de seu aniversário de dezoito anos. A tradição é que o comando passe oficialmente nesta data e que, dentro de três anos, ao completar vinte e um anos, ela esteja totalmente encarregada de suas obrigações.

Estava um pouco confuso observando-o expor as tradições de seu clã para mim.

- Compreendo. Mas não entendo onde teria interesse nessa situação. Apenas lamento a situação de Hiashi-sama. Ele me observou um pouco taciturno, senti que seu orgulho estava sendo ferido aos poucos, mas não compreendi o motivo.

- Sasuke kun, peço que me deixe terminar de falar – Assenti com a cabeça e ele prosseguiu – Hinata é bem ciente de suas... limitações. Em nossa famílai temos a tradição de que, aqueles que não são qualificados para fazer jus ao nome Hyuuga são direcionados para desempenharem novos papeis... dentre eles estreitar laços de sangue, que aumentem o poder do clã.

- Em Konoha temos poucas famílias com kekkei genkai... e nosso doujutsu é cobiçado por outras vilas há anos. Sempre procuramos manter o segredo do Byakugan dentro dessa propriedade e de seus habitantes. Temos a obrigação de manter o orgulho do nosso clã. Hinata é inábil para combate ou administração, mas pode servir como ferramenta única para aumentar substancialmente o prestígio dos Hyuuga, dentro e fora de Konoha.

Hiashi-sama estava me dizendo, sem rodeios, que Hinata seria usada como ferramenta. Mas isso nada me interessava.

- Ainda assim, faltava alguém que estivesse à altura, e não é fácil. Pensei em várias possibilidades, mas nenhuma delas era compensadora ou ao menos digna. Então, Sasuke-kun, seu nome veio à mente: seu clã, embora reduzido apenas a você, não deixa de ter uma história em Konoha tão tradicional quanto a nossa – Ele me olhava como fosse uma mercadoria valiosa, cobiçada – E desde que você voltou à vila, tem sido difícil sua reintegração. As pessoas estão desconfiadas, não querem entregar seus bens ou repassar missões dignas de um shinobi como você. Você virou uma pária, exatamente o oposto que desejava quando saiu daqui, há alguns anos atrás, em busca de vingança e reconstituição de seu clã.

Quem ele pensa que é? Qual o direito dele de falar assim de minha família, de meu nome ou minha posição?

- Não sou obrigado a ser ofendido em casa estranha –

Levantei-me e fui andando, pronto para ir embora, quando o tom de voz firme dele suspendeu minha decisão.

- Ainda não terminei, apreciaria se pudesse esperar.

Aquilo foi um pedido, mas a mim parecia uma ordem. Não gostei da entoação nem de uma, nem de outra, voltei para o lugar que ocupava antes, pronto para me levantar ao sinal de qualquer tentativa de ofensa.

- Mas ainda assim, creio que tenho a solução para nossos problemas. O clã Uchiha jamais será o mesmo sem o apoio da elite de Konoha. Por contrapartida, não creio que com a ascenção de Hinata, os Hyuuga terão qualquer influência. Seremos ambos párias. Não posso aceitar um destino tão humilhante, pelo infortúnio de ter uma filha como ela. Mas Hinata ainda pode cumprir seu papel, ou ao menos não danificar a imagem que durante anos custei para preservar.

O rumo daquela conversa começava a ficar mais claro para mim e com isso uma estranheza não podia deixar de tomar conta de mim.

- Sasuke-kun minha oferta é a seguinte: Hinata assumirá o controle do clã em 27 de dezembro, dia do seu aniversário de dezoito anos. No dia 28 de dezembro seria realizada a cerimônia de casamento dela... com você.

Já estava imaginando que essa seria a proposta dele, mas o que! Escutar era muito mais impactante que imaginar. Lá estava, o líder do clã mais prestigiado em Konoha, me oferecendo a filha em sacrifício para manter o nome do clã.

Não ousei repreendê-lo, entendo a necessidade de manter o nome, carrego também esse sentimento.

- Hinata ainda seria líder do clã, mas apenas em teoria... tenho plena confiança em Neji para conduzir os interesses dos Hyuuga.

Achei curioso o comentário do homem, não me aguentei:

- Então por que não promove uma união entre Neji e Hinata?

Ele já esperava pela pergunta, era óbvio.

- Neji e Hinata são primos, mais que isso, primos-irmãos. O pai dele era meu irmão gêmeo, logo, entende o que quero dizer. Se Neji fosse um primo distante, não exitaria. Mas além disso, a missão dele sempre foi proteger Hinata, papel que cumpre muito bem. Mas já é hora de o verdadeiro gênio da família cuidar dos nossos interesses. Para mim, também é uma retribuição ao grande sacrifício que meu irmão fez em nosso nome, anos atrás, mas isto não vem ao caso.

Permaneci em silêncio, assimilando todas aquelas informações. Mas parece que ele não queria me dar tempo.

- Ambos temos habilidades oculares, nossa união representaria a criação de uma nova kekkei genkai, quem sabe um novo doujutsu. Mas ainda assim, Sasuke, será um acontecimento de enorme prestígio. A vila o respeitaria e você teria de volta o controle das propriedades Uchiha, uma coisa leva à outra... logo os Uchiha seriam novamente um clã respeitado dentro de Konoha e os Hyuuga teriam influência em outro clã tão bem conceituado quanto o nosso.

Agora eu estava entendendo... o velhote era bem esperto... oferecia a filha como cordeirinho, esperando que eu renovasse o clã, para que depois ela me cativasse e mostrasse as garras, me pressionando para ouví-la e me influenciando... nada mal... mas para o azar dele, sua falta de conhecimento sobre mim pode ser seu maior erro. Mas era necessário que ele soubesse que tinha entendido.

- Compreendo, Hiashi-Sama. Espero que entenda que não é uma decisão fácil de se tomar.

- Certamente. Mas não se arrependerá de ter Hinata como esposa. Ao menos para isto, tenho certeza absolluta que servirá exemplarmente.

Levantei, fiz uma leve reverência e me retirei. Quando acordei naquela mesma manhã, jamais imaginaria uma oferta como aquela. Ainda assim, parecia bom demais. E eu não gosto da Hinata, não que tenha qualquer pretensão em amor, ou coisas do tipo, mas não creio que ela pense assim. Pelo pouco contato que tive, me pareceu ser daquele tipo “carente e romântica”.

- Hinata, hum... – Distanciei-me da propriedade Hyuuga e fui para o antigo bairro dos Uchiha.