Linha tênue
5 Capítulo V
Notas iniciais
– Char, você consegue acreditar na cara de pau dela?
A amiga apenas assentiu, suspirando levemente.
– Eu deveria imaginar que essa história de aposta era só um joguinho. Como pudemos ser tão cegos, Lizzie?
– Cegos? – Elizabeth deu uma risada sarcástica. – Apesar de ela ter começado, esta aposta só diz respeito a Darcy e a mim. Se Caroline cometeu o erro de tentar prever minhas ações, pior para ela.
Charlotte riu também.
– Você não tem jeito. – Abraçou-lhe apertado. – Por favor, ganhe. Odiaria desperdiçar meu ombro amigo com algo tão fútil.
Elizabeth deu-lhe um soco de leve, sorrindo.
– Não se preocupe, Char. Esta aposta já está ganha!
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Uma semana depois.
– Charlotte Lucas, querida amiga, diga-me: o que fiz para merecer uma família tão extravagante?
Era aniversário de uma das primas de Elizabeth, Kitty, alguns meses mais velha que Lydia e definitivamente uma cópia desta, A festa, que incluía convidados de todas as idades e lugares, era ideia de Lydia, é claro.
Para completar o desastre, Darcy, Caroline e Charles haviam sido convidados e comparecido. O que mais poderia dar errado?
– Onde está a irmã de Kitty, Lizzie?
– Oh, Mary? Ela não gosta deste tipo de festas, Char. É completamente dedicada ao estudo de música e livros. – Disse Elizabeth com uma pontada de orgulho. Mudando de assunto, apontou para a pista de dança: — Veja, Charles e Jane estão dançando novamente. Embora não aprove a ideia de minha irmã se perdendo para um sentimento tão bobo, Charles é um ótimo rapaz. – Cochichou: — Estou certa de que Jane já tem a marca.
Charlotte arregalou os olhos.
– Fala sério?
Elizabeth assentiu.
– Será que Charles sabe, Lizzie?
A outra levantou uma sobrancelha diante da expressão preocupada da amiga.
– As duas marcas apareceram juntas diante de meus olhos, Char. Só sendo cego para não notar.
– A marca física demonstra que ela está apaixonada. O problema é que Jane é reservada demais. Charles não a conhece como nós, não seria tão impensável que ele interpretasse sua timidez como rejeição.
– É impossível mudar a personalidade de uma pessoa.
– Eu sei, Lizzie, mas ele é muito influenciável e tem pouca segurança diante das próprias decisões. Sem o devido encorajamento, não duvido que Charles pense que Jane não o ama tanto ou até mesmo que ela não o ama de verdade, mesmo com a marca.
– Tenho de discordar: a marca não mente.
Foi a vez de Charlotte levantar uma sobrancelha.
– Que mudança de postura é essa?
– Estou constatando um fato. – Elizabeth deu de ombros.
Suspirando, Charlotte replicou:
– Que os olhos e ouvidos de Charles também constatem e acreditem no amor de Jane.
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Elizabeth não se sentia muito bem. Sentou-se em um canto e liberou Charlotte, que estava louca para dançar.
Sentiu suas mãos fecharem-se em punhos ao ver Darcy sentar-se em um dos bancos próximos. Ainda não conseguia perdoá-lo pela indelicadeza. Ele era enfurecedor!
– Olá, meu jovem. – Elizabeth viu o tio aproximar-se e teve de segurar a risada diante do olhar entediado de Darcy. “Será que ele odeia todo mundo?”, pensou. O homem sentou-se entre os dois. – Por que não está se divertindo com os outros? – Olhou para o lado. – E, minha querida Lizzie, você também? Se vão ficar aqui sentados, conversem. Sabe, rapaz, minha sobrinha é uma moça muito, muito inteligente. Deveria ouvi-la expressar suas opiniões sobre política, uma dádiva!
Um meio sorriso tomou conta dos lábios de Darcy.
– Já a ouvi na sala de aula, senhor, e não posso discordar.
O sangue de Elizabeth ferveu de raiva ao pensar que ele ousava zombar dela, mas conteve-se a tempo.
– Se é amigo de Lizzie, confio que retórica e dialética sejam seus pontos fortes.
Darcy apenas assentiu, o sorriso desaparecendo de sua face.
– Gostaria de ouvi-lo algum dia, filho. – Tornou a se virar para Elizabeth, uma expressão preocupada tomando-lhe conta do semblante. – Não interrompi nada, não é? Se vocês estavam...
Elizabeth levantou-se bruscamente.
– Tio, o senhor não interrompeu nada. Sentei-me em busca de paz, minha cabeça dói.
O homem assustou-se.
– Mas, Lizzie, sua inteligência é tão admirável!
Darcy levantou-se também.
– Não há razão para incomodar-se, Elizabeth. Fique.
– Obrigada. – Com um sorriso sarcástico, Elizabeth virou-se e se afastou, seguida de perto pelo tio.
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Caroline juntou-se a Darcy mais tarde. Este mal se movera do lugar.
– Posso adivinhar o que está pensando, Fitzwilliam? – Perguntou a moça com um bocejo.
– Duvido que consiga.
– Sua cabeça está se torturando ao pensar na companhia de pessoas sem cultura como essas. Concordo plenamente, meu caro, embora lamente o desperdício dos pensamentos de uma mente como a sua.
– Não poderia estar mais enganada, Caroline. Eu meditava sobre o deleite que lindos olhos no rosto de uma bela moça podem proporcionar.
O coração de Caroline disparou, pois a única moça ao alcance do olhar de Darcy era ela. Tentando manter-se modesta, perguntou suavemente:
– E a quem pertencem os olhos inspiradores?
– Elizabeth Bennet.
Foi preciso todo o autocontrole de Caroline para não franzir a testa ou engasgar.
– E desde quando ela lhe é tão deslumbrante? – Sorriu com desdém. – Acho que sabemos quem irá ganhar, não é? Pobre Will... É claro que, vencida a aposta, Elizabeth se apaixonará por você. Convide-me para o lindo casamento, sim?
As feições de Fitzwilliam endureceram. Sentindo-se vingada, Caroline levantou-se, deixando o “amigo” sozinho com os próprios pensamentos.
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