Linha Tênue
22 Capítulo 22
Notas iniciais
“Sinto ciúmes de tudo o que é meu, e de tudo o que eu acho que deveria ser.” – Bob Marley.
Chegou ao prédio cumprimentando o porteiro com uma buzinada, e entrou com o carro para logo estaciona-lo na vaga. Pegou o elevador na garagem e quando chegou a térreo a porta de aço se abriu o por ela entrou uma bonita morena, que cumprimentou-a cordialmente com a cabeça.
- Bom dia. – Fat devolveu o cumprimento e a morena sorriu.
- Olá, bom dia. Tudo bem? – ela perguntou ainda sustentando o sorriso no rosto e apertou o botão do sexto andar. Fatinha reparou e ficou curiosa.
- Tudo bem sim, você é nova moradora do sexto andar? Não sabia que havia vagado um apartamento. – perguntou tentando enfim matar a sua curiosidade.
- Oh, não. Eu estou indo pra casa do meu namorado. Ele se chama Bruno, mora no 601. Você conhece? – a morena explicou e Fatinha deve que se segurar onde estava. Então essa era a vadia, que estava namorando o seu amigo?
- Ah! Seu namorado, claro. Conheço sim, sou Fatinha melhor amiga dele! – a medica estendeu-lhe a mão direita pra cumprimenta-la. Que logo devolveu o cumprimento.
- Verdade, tem mesmo uma foto sua na sala dele. – sorriu – me chamo Lorena, é um prazer te conhecer Fatinha.
- O prazer é meu, Lorena. – sorriu falsa. – bom, acho que já chegou o seu andar. – apontou pro painel eletrônico indicando o sexto andar.
- Chegou mesmo. Bom, tenha um bom dia, Fatinha.
- Você também querida! Dê lembranças minhas ao Bruno. – Lorena apenas assentiu e deixou o elevador. – vadia lambisgoia, e você hein Bruno? Que vivia dizendo que me amava, e agora ta ai, pegando qualquer uma. Me amava o cacete, ai que ódio! – Ele falava sozinha enquanto o elevador subia até o seu andar.
Chegou em casa, ainda revoltada com a namorada de Bruno. Estressada pela partida de Arthur para a Espanha, cansada do plantão. Enfim estava exausta, tomou um banho colocou um pijama qualquer e se jogou na cama, iria dormir até cansar. E conseguiu pois pegou no sono rapidinho.
Lorena ao chegar no apartamento de Bruno, viu o namorado estudando concentrado com uns projetos, ele estava lindo. Apenas com uma calça de abrigo e um óculos de grau. Gato, em meio a tantos papeis, réguas, lápis e marcadores.
- Você fica tão lindo assim, todo concentrado amor. – Ela chegou perto dele e o puxou pelos braços querendo carinho.
- Obrigado, Lorê! Você é linda também. – ele sorriu, beijou-a e foi voltar ao trabalho.
- Acabei de encontrar sua amiga, no elevador. – Ela disse e no mesmo instante ele parou o que estava fazendo e deu total atenção a ela.
- Quem a Maria? – perguntou surpreso.
- Se o nome da Fatinha, for Maria, foi ela mesma. – ela sorriu. – ela é muito bonita e simpática, Bruno.
- Isso ela é mesmo. Desde que éramos crianças, ela tem um sorrisão, cativante. – afirmou orgulhoso.
- Ela parecia estar cansada e nem por isso deixou de ser cordial comigo.
- Devia estar chegando do plantão, ela é médica, pediatra. E vive fazendo plantões malucos!
- Nossa é uma profissão muito bonita, mais como deve ficar a família, dela. Filhos, marido... – Bruno tossiu nervoso só de pensar na hipótese de Fatinha ter um filho com Arthur. – Está tudo bem, amor? – Lorena perguntou preocupada, dando tapas nas costas dele. Ele negou se recompondo.
- Ela não tem filhos, Lorê! Está casada a pouco tempo, eu fui um dos padrinhos.
- Ah, que legal, isso que é amizade né? fiz gosto. – a morena sorriu e Bruno voltou a sua atenção ao trabalho.
Bruno terminou o que estava fazendo e foi dar atenção a namorada, ficaram conversando enquanto viam um filme na tv a cabo. A manhã passou e ambos almoçaram juntos, no fim do almoço Lorena anunciou que precisava ir embora. Pois tinha que ir trabalhar, também. A morena saiu e Bruno voltou ao trabalho, quando já havia posto o óculos e já estava novamente concentrado no notebook, a campainha tocou. O moreno bufou e foi atender achando que fosse Juliana. Quando viu quem era pelo olho mágico, quase pulou de emoção. Era Fatinha.
- Loira? O que está fazendo aqui? – Bruno perguntou sorrindo ao abrir a porta.
- Oi, posso entrar? Ou vou ter que ficar plantada aqui no corredor? – Ela sorriu.
- Entra, desculpa. – Deu passagem pra ela e entrou fechando a porta atrás de si. – tudo bem? — perguntou e foi cumprimentando-a com um beijo na testa.
- Tudo bem, sim. E você parece que está ótimo, né? – fez uma pausa e o encarrou – conheci sua namorada hoje.
- Ah, você viu a Lorena? Linda ela né? – comentou rindo da amiga, que estava com uma cara carrancuda.
- Muito bonita, linda. – riu irônica. – Deixa de ser palhaço, eu preciso conversar com você, logo vamos esquecer a sua namoradinha.
- Pois bem, comece! – ele deu de ombros e seguiu pro quarto com ela nos seus calcanhares.
- O Arthur foi pra Espanha. – ela indagou e ele começou a prestar devida atenção no assunto.
- Foi pra Espanha, tipo voltou pra lá de vez? – sentou-se na cama e puxou-a pra perto dele.
- Acabou as férias dele, e ele teve que voltar. – ela bufou. – E eu estou me sentindo sozinha, liguei para as meninas e elas não podem ficar comigo.
- E você quer que eu fique com você, acertei? – Perguntou enquanto fazia carinho nos cabelos dela.
- Não! Eu vim justamente para o contrário, vim pra pedir pra você não chegar perto de mim, nem pra me ligar, nem nada. Eu não gosto de ficar sozinha, mas eu preciso. – vociferou com uma falsa convicção na voz.
- Maria, eu não te entendo, eu estou aqui quieto no meu canto há semanas que não te procuro, eu fiz exatamente o que você havia me pedido, te deixei em paz. Estou com a Lorena, tentando ser feliz e você vem até aqui pra me pedir pra não te procurar? – fez uma pausa e se levantou na cama se pondo de pé frente a ela. – e você veio fazer o que aqui, se não me procurar e destilar o seu veneno pra cima do meu namoro?
- É o que? Pare de falar besteiras eu vim porque você é ou era meu melhor amigo, por que agora eu nem sei mais. E quer saber o que eu acho desse seu namoro? – se levantou e ficou de frente pra ele. – Eu acho que esse namoro é um capricho machista seu, pois até semanas atrás você foi até mim e disse que me amava, Bruno! Que amor é esse que acaba quando você pega a primeira vadia que te der mole? – indagou nervosa.
- Ah! Agora eu entendi tudo, você está com ciúmes! – ela prontamente negou com a cabeça. – Está sim, pare de mentir que eu te conheço. Você está morrendo de ciúmes da Lorena.
- Eu não estou nada, eu tenho um marido, que gosta de mim. E eu também gosto dele, e nada vai mudar isso.
- Você não o ama! Acorda mulher, você se casou com ele pra esquecer o que sente por mim. – ele riu e ela arregalou os olhos. – confessa Fatinha, você me ama da mesma forma que eu te amo. – ele a pegou pelos braços e a fez encara-lo.
- Isso não é verdade... Me solta! – pediu com a voz falha – ainda eu preciso ir pra casa, me solta.
- Tenta se soltar! – indagou e começou a roçar o nariz no dela, depois desceu para o pescoço. Afrouxando os braços ao entorno dela, de modo com que se ela quisesse se soltar conseguiria.
- Não... me beija. – pediu e ele logo subiu os beijos do pescoço para os lábios dela.
Os dois ficaram aproveitando um do outro, tanto que Bruno sentiu o quão vulnerável a amiga era quando estava com ele. Finalizou o beijo e abraçou apertado.
- Te amo. – falou carinhoso no ouvido dela. E se separou do abraço.
- Fica comigo, hoje? – perguntou voltando a se aproximar dele. – fica Bruno, por favor. Sobe comigo.
- Eu não posso, eu já te falei pra você que eu quero ser feliz com a Lorena, ela é legal comigo. E ao contrário de você, ela sabe o que quer. Ela não casou com outro pra tentar esquecer ninguém.
- Bruno, para de jogar isso na minha cara. – iniciou um choro contido – Você me ama, não custa ficar comigo, custa? – perguntou agarrando-se a ele.
- Fatinha, para! Eu estou bem se você, eu não vou subir pra matar a sua carência, pra depois ouvi você dizer que está casada, que não foi certo fazer isso com o Arthur. – disse fazendo carinho nos cabelos dela.
- Eu não quero saber, muito menos quero falar do Arthur agora. Vamos por favor? – Pediu ainda aninhada a ele.
Ela sentiu que a resposta ia demorar, ou talvez não fosse chegar, então o puxou para outro beijo esse mais candente. Foram se beijando, se acariciando e saindo do apartamento do moreno, que quando Bruno deu por si, ambos já estavam no apartamento de Fatinha e mais precisamente no quarto dela. Aos beijos, é claro.
- Se você continuar assim, eu não vou conseguir parar... – disse ofegante durante o beijo.
- Eu não quero que você pare... – disse beijando toda a face de Bruno. – eu só quero você, dentro de mim, agora. – rogou ofegante.
Bruno levantou trazendo-a consigo em meio aos beijos e se despiu de suas roupas enquanto fazia o mesmo com as roupas dela. Ele resolveu não mais pensar e fez o que queria fazer desde que a viu subir no altar com “aquele cara” no dia do casamento. Fez amor com ela, novamente, passava pela cabeça dele que nunca havia sido tão carinhoso assim com mulher nenhuma, nem mesmo com a própria Fatinha, das outras vezes que haviam dormindo juntos. E ela? Ah, ela parecia estar tão entregue quando ele. Quando ambos chegaram ao ápice juntos, Bruno secou uma única lagrima teimosa que caiu dos olhos de sua loira. Eles voltaram a se beijar e dormiram abraços. No momento, o marido de uma e a namorada do outro era o que menos importava ali. Bruno a amava, e ela estava finalmente começando a deixar o amor transparecer, também.
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