Linha Tênue

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Tenho uma paixão incondicional por música. Por isso começo aqui minha aventura em escrever songfics... A música da vez é Linha Tênue da Maria Gadú. Uma música muito bem composta tanto em letra quanto melodia. Em minha opinião, um exemplar incrível da MPB. E no momento em que a escutei visualizei perfeitamente o casal Vegeta e Bulma. O link da música, pra quem quiser ouvir, está nas notas finais. Boa leitura!

Mais um novo dia amanhecia e a rotina parecia ser a mesma na Corporação Cápsula. A única coisa que mudara foi o número de guerreiros treinando por ali.

Quando receberam a notícia do jovem do futuro sobre os andróides que destruiriam a terra, Bulma levou para casa Yancha, seu namorado e Vegeta um sayajin. Porém depois de algumas semanas, Yancha teve uma crise de ciúmes e resolveu ir treinar no deserto.

Claro que ele viu coisa onde não existia, pois Vegeta nunca deu importância para as implicações de Bulma. Ela estava sempre o importunando com coisas desnecessárias, indo atrás dele, atrapalhando seus treinos.

Encontraram-se no jardim. Ele estava indo para a sala de gravidade quando Bulma o chamou, pedindo para que a esperasse.

-Vegeta, hoje está um dia tão bonito e eu pensei que você poderia me acompanhar em um mergulho na piscina. Você tem treinado bastante, não acha que precisa de um descanso?

Vegeta nem se dignou a olhá-la, apenas parou de andar e respondeu ríspido:

-Você não tem nada melhor pra fazer mulher? Tipo: DESAPARECER???

Ela ficou parada o vendo se afastar. Foi até seu laboratório e ligou a tela comunicadora. Quando ia começar um sermão, deparou-se com a sala vazia.

Todo o lugar que chego você não fica. Tudo o que eu te peço você não dá
Se dou opinião você implica. Toda vez que ligo você não está

Por mais irritante que fosse aquela mulher, Vegeta acabou cedendo à idéia que ela tivera, e foi para a piscina. Ele chegou lá e não havia ninguém, para sua felicidade. Tirou a roupa que vestia ficando apenas de cueca e mergulhou.

Tinha que concordar, o mergulho estava sendo ótimo, sem a companhia dela. Quando emergiu notou a presença da mulher inconveniente que estava parada segurando uma toalha e olhando em sua direção. Vegeta revirou os olhos e deu as costas a Bulma, antes que ela começasse a falar, foi até a borda da piscina para sair. Não queria dar a entender que aceitara a idéia de Bulma, ela com certeza ficaria mais insuportável.

Bulma por sua vez estava calada e não conseguia pensar em nada para falar para ele. Quando achou que tinha as palavras certas para proferir, o sayajin saiu da piscina e ela se perdeu no físico daquele homem. O que estava acontecendo com ela, sempre tivera contato com homens lindos, mas nunca ficou tão boba diante deles como ficou diante de Vegeta.

Ele caminhou até Bulma e notou o efeito que estava causando na humana, chegou bem próximo a ela e lhe arrancou a toalha das mãos. Com um sorriso de canto e convencido saiu dali deixando Bulma perdida em pensamentos.

Vegeta teve plena noção de que estava mexendo com a terráquea e ele estava, absurdamente, gostando disso.

Por que fazer questão deste jogo duro? De me mostrar o muro a nos dividir?
Seu coração de fato está escuro. Ou por de trás do muro. Tem mais coisa aí.

Mas isso não ficaria assim. Bulma já desperta de seus pensamentos tentava entender como ela não esboçou reação alguma na presença de Vegeta. Para esfriar a cabeça tirou o vestido e mergulhou na piscina.

Passado um tempo e já de tardezinha, eles se encontraram novamente, dessa vez na cozinha. Vegeta estava revirando os armários em busca de algo para comer.

-Nossa, mas que bagunça você está fazendo aqui!- Bulma parada na porta olhava para ele que estava com a cabeça enfiada num armário no alto.

-Ah, lá vem você novamente! Será que é impossível ter paz nessa casa? – ele terminou de falar e olhou para a porta, mas Bulma já estava na pia de costas pra ele. E ela não viu a cara que Vegeta fez ao vê-la. Bulma estava com um short jeans curtinho e uma blusa de ombro caído.

Vegeta a olhou de baixo para cima repetidas vezes até voltar a realidade, e a realidade era ainda melhor, afinal ela era real! Mas ele preferiu ignorar, novamente, as idéias maliciosas que insistiam em passar-lhe pela cabeça.

E Bulma não pode perceber as intenções do sayajin e nem ver a sua cara de perturbado pela presença dela. E sem saber que estava mexendo, e muito, com Vegeta resolveu desafia-lo.

-Ei Vegeta, você era que tipo de príncipe no seu planeta?

-Como assim, “que tipo de príncipe”?- Vegeta sentou-se com um pacote de salgadinhos que enfim encontrou, e não olhou na direção da mulher por achar que seria mais seguro agir dessa forma.

-Oras, do tipo que dava festas e estava sempre rodeados das mais belas mulheres ou pensava só em estratégias de guerra com muitos soldados fortes a sua volta? – Bulma soltou uma risada debochada ao terminar. Só aí Vegeta resolveu olhar para ela.

-Não sei ao certo o que está querendo insinuar, mas eu sou um tipo único de príncipe! Superior a qualquer expectativa que tenha! – levantou e foi andando até Bulma a virando para si e pressionando-a contra seu corpo continuou. – Então muito cuidado garota, você não sabe o quão perigoso posso ser.

Toda vez que passo você não nota. Eu conto uma lorota você nem ri.

Me faço fina flor, vem e desbota. Me boto numa fria não socorre.

-Você com certeza tem tudo pra ser perigoso Vegeta. E eu não sei onde estou com a cabeça, mas adoraria ver esse seu lado. A pergunta é: será que consegue? Digo, sendo o príncipe que diz ser, poderia se dar ao luxo de me mostrar tudo que é capaz de fazer?

Bulma soltou tudo isso de uma única vez e ao final empurrou Vegeta para longe de seu corpo. Porque ela não queria de fato levar essa brincadeira a diante. Era apenas algo para passar seu tempo, disso ela tinha certeza, não é?

-Talvez você tenha razão. Porque eu me daria ao trabalho de me envolver com uma raça inferior? E quando digo “me envolver” falo em qualquer tipo de envolvimento.

Vegeta já estava saindo da cozinha e ao ver como a cientista ficara levemente entristecida com a atitude dele, resolveu deixa-la mais pra baixo ainda.

-Você não achou que iria acontecer alguma coisa entre a gente, achou?

Eu cavo um elogio isso nem te ocorre. A indiferença escorre fria a me ferir.

Será porque você não me suporta. Ou dentro dessa porta tem mais coisa aí.

A noite se fez presente naquela região e Bulma ficou atordoada com o acontecido daquela tarde. Poderia ela querer seguir ainda com a brincadeira? Sim, era a resposta. Ela havia chegado longe demais e agora estava curiosa e tentada para saber até onde Vegeta poderia chegar.

No quarto Vegeta também pensava no ocorrido das últimas horas. Ele realmente não queria ter levado as coisas tão longe. Como pudera ter se interessado e caído nos encantos daquela mulher. Claro que nem haviam chegado perto de fazer alguma coisa, mas ele estar cogitando a idéia de fazer, isso era ir longe.

Mas era óbvio que ele não pode ficar por muito tempo com sua paz momentânea. A porta de seu quarto foi aberta bruscamente e fechada da mesma maneira e era a dona de seus pensamentos que havia passado pela porta.

-Mas será que eu não vou ter paz?!?! Você já ocupou todo o meu dia hoje! – Vegeta se colocou de pé encarando a cientista a sua frente, que usava uma camisola nada decente.

-E você já ocupou a minha semana, a minha casa e os meus pensamentos!- Bulma colocou a mão na boca quando se deu conta do que dissera. –Droga!

Nos lábios de Vegeta havia um sorriso irônico e quase convencido.

-Mas isso estava na cara! Toda aquela cena com o terráqueo, e depois você não saia do meu pé. Eu causo esse efeito nas pessoas...

-Você se acha mesmo não é Vegeta? Mas a pergunta que tenho pra lhe fazer é: você também me deseja?

Entre o bem e o mal a linha é tênue meu bem. Entre o amor e o ódio a linha é tênue também.
Quando o desprezo a gente muito preza. Na vera o que despreza é o que se dá valor.

-Eu desejar você?- aquela pergunta tinha fundamento e Vegeta iria procurar responde-la, vendo Bulma daquela maneira em seu quarto ele já tinha a resposta.

Puxou a mulher para si e sem pensar mais a beijou demoradamente. No instante seguinte estavam contra uma parede, deslizavam as mãos um pelo corpo do outro, com urgência e sofreguidão. Estavam dispostos a se entregarem completamente um ao outro.

E se entregaram, eles se necessitavam e porque não dizer que se amavam, pelo menos naquele momento entre um desafio e outro, se amaram sem dúvida alguma.

Ao final dessa entrega absoluta estavam ofegantes e sorridentes, quer dizer sorrindo apenas Bulma. Ela não teve coragem de descansar a cabeça junto ao peito de Vegeta, sabia como ele era e demonstrar carinho não fazia parte de suas características. Virou-se ainda com o sorriso estampado na face e voltou a provocá-lo:

-Eu sabia que você me queria... E ainda me quer!

-Como você é irritante e odiosa!- foi o que Vegeta respondeu antes de puxá-la e lhe beijar uma vez mais.

Falta descobrir a qual desses dois lados convém. Sua tremenda energia para tanto desdém.
Ou me odeia descaradamente. Ou disfarçadamente me tem amor!

Não se sabe ao certo quando Vegeta e Bulma se envolveram, se entregaram, se amaram. É complicado perceber exatamente onde aconteceu.

Isso se deve ao fato de ambos nutrirem sentimentos que não se distinguem facilmente, que sempre se confundem no caminho.

Sentimentos que seguem tendo entre si uma linha tênue.

Ou me odeia descaradamente. Ou disfarçadamente me tem amor!

Notas finais
O que acharam?
Deixe sua opinião, comentário beijo ou abraço!
Link da música>>> http://www.youtube.com/watch?v=ZgrEI1KEc5I
Até uma próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!