Linha Tênue
29 Capítulo 29
"És um senhor tão bonito quanto a cara do meu filho. Tempo tempo tempo tempo, vou te fazer um pedido. Tempo tempo tempo tempo..." — Trecho 1 de Oração do Tempo — Maria Gadú.
E o tempo continuou passando... Juliana comemorava os cinco meses de gestação e a chegada de uma menininha, que iria se chamar Roberta. A família cada vez babava mais na barriguinha da morena, a que mais se emocionava era Fat, pois ela praticamente acompanhava a gravidez da amiga de dentro do hospital, porque fora dali elas quase não se viam, Fat não parava em casa e Ju quase não ia até o prédio do irmão. Bruno estava acompanhando de perto a gravidez da irmã, já havia comprado vários presentes pra sobrinha, ia junto com a irmã em algumas consultas, e até se emocionava vendo as ultras de Roberta. Era um dia de domingo e Fat tinha saído do hospital e ia passar direto no apartamento da amiga, estava com saudades e queria saber sobre como andava a Betudinha, apelido da filha de Ju. A loira chegou e foi atendida pelo amigo, que lhe deu passagem e ela encontrou Ju e Marina sentadas no chão da sala, não gostou de cara, mas resolveu ignorar.
- Vim visitar a mãe e a bebê mais lindas do Rio de Janeiro! — Fat gritou ao chegar mais perto delas. — oi amiga, oi betudinha. — ela abraçou a amiga e beijou a barriga da mesma.
- Uau! Lembrou dos pobres, Maria? — Ju reclamou a ausência da amiga.
- Larga de ser chata, você sabe como anda a minha vida. — riu e olhou para Marina. — oi Ma! — sorriu cínica.
- Oi Fat. Já viu que lindo o presente que eu trouxe pra Betinha? — Marina tirou da sacola de uma loja de roupas infantis, um macacãozinho lilás de recém-nascido que tinha escrito na frente a frase “sou o orgulho da dinda”.
- Como? Quem disse que você vai ser a madrinha da Roberta? Alias quem te enganou?
- Como assim quem me enganou? É obvio que serei eu, Fatinha. Você mal vê a Juliana, não vem aqui, não liga.
- Ei, pare de me cobrar! Se você não sabe, eu trabalho, tenho uma profissão e varias crianças pra cuidar. E a Ju sabe muito bem que se eu pudesse viria aqui todo dia. — Fat bufou se sentia triste, queria estar mais junto da amiga, da bebezinha, de Bruno. Enfim sentia saudades.
- Parem com isso, as duas. Depois vemos essa historia de madrinha. Bruno vem aqui me ajudar a levantar, que eu to parecendo um botijão encalhado. — Ju fez piada de si mesma e o irmão foi ajudá-la a levantar do chão.
- Fat vem aqui comigo rapidinho? — Bruno chamou e a loira foi até ele. Que a puxou para o corredor dos quartos, ele abriu uma porta branca desenhada de fadas e entrou junto com a amiga. Que na mesma hora começou a chorar. Tratava-se do quartinho de Roberta, que ainda faltava algumas coisas como o berço que só seria montado quando a menina já estivesse para nascer.
- Meu Deus, como isso ta lindo! — exclamou extasiada.
- Ow Maria, por que esta chorando? Está se emocionando tanto esses dias, parece até que a grávida é você! — tirou com a cara da amiga que se enfezou ainda mais.
- Não Bruno, felizmente a grávida não sou eu. Até porque né, não sei se você está lembrado eu estou tentando me divorciar do meu marido. E uma gravidez agora não iria ajudar em nada. — respondeu ríspida, saiu do quarto deixando Bruno sem palavras dentro do cômodo.
Fat voltou à sala agindo como se nada tivesse acontecido e ficou conversando com Ju e tentando de tudo que era jeito ignorar Marina. Bruno voltou a sala e se juntou a conversa, emendaram o assunto do chá-de-bebê e prolongaram pelo resto da manha. Na hora do almoço Lia e Vitor chegaram trazendo comida para todos. Almoçaram e voltaram pra sala enquanto Bruno e Vitor lavavam a louça.
- Amiga, cadê o Gil? Sempre que venho aqui ele não esta. Estou com saudades dele também. – Lia reclamou.
- Se você que vem aqui dia sim e outro também está com saudades imaginam eu né. – Fatinha zombou.
- Calma gente, o Gil foi à mãe dele ontem e daqui a pouco já deve estar chegando. Ele estava tão nervoso gente, vocês não tem noção. Quando a Beta mexeu pela primeira vez o coitado até chorou de emoção. – Ju falava do namorado enquanto acariciava a barriga que despontava linda. Foi só a morena terminar de falar, que Gil entrou no apartamento cheio de sacolas e tomou um sustinho que a fala cheia.
- Que festa é essa na casa na minha filha? – Ele perguntou quando viu Bruno e Vitor sem camisa voltando a sala após a louça. – E vocês? Seus cabeças, sem camisa na presença da minha filha? Vai agora se cobrir! – todos riram do surto do moreno.
- Amor, o que é isso? Ela não esta vendo nada, e é só o tio Bruno e o tio Vitor e para de graça e vem me dar um beijo e falar com ela, que esta inquieta aqui. – Gil chegou na namorada lhe deu um beijo e beijou também a barriga que abrigava a sua filha que não parava de mexer.
- Filha, você esta incomodada com a bagunça dessa galera é? O papai pode expulsar todo mundo se você quiser meu amor. – Ele conversava com a barriga e lhe dava carinho, até que a galera resolveu atrapalhar. Vitor empurrou o amigo e foi pra cima da barriga de Juliana.
- Oi Beta, é o tio Vitor. Seu pai é um bobão, não liga pra ele, a gente te ama. – Bruno tirou o rapaz de lá e foi a fez dele falar com a sobrinha.
- Beta você não acredita no que está acontecendo... Sim, eu papai está enlouquecendo e você nem nasceu ainda, imagina quando já tiver aqui. – Lia tirou o amigo de perto e abraçou Ju.
- Você é só da dinda, pense nisso! A dinda vai te levar pra fez os animaizinhos, que eu cuido. Você vai amar, mais fica ai dentro o tempo certinho hein? Te amo.
Gil cumprimentou os amigos e foi ate o quartinho da filha deixar as sacolas, não deixou que ninguém visse o que tinha dentro delas. Quando voltou viu Fatinha amuada em um canto da sala, resolveu ir conversar com ela e saber o que estava acontecendo.
- Ei loira, o que foi? Ficou triste de repente. – Ele perguntou sentando-se ao lado dela.
- Não foi nada, só estou preocupada com algumas coisas... Só isso! – levantou a cabeça e olhou na direção de Bruno que no ponto de vista dela estava perto demais de Marina. Gil acompanhou o olhar e entendeu tudo.
- Ah não, ainda com esse ciúme da Marina? Para loira, você sabe que o Bruno é viciado em você, apaixonado desde sempre. Ele te ama, sua coisa! – falou sorrindo e abraçando a amiga.
- Aham. Mas Gil você esta vendo o que ta acontecendo? Eu não tenho dito tempo, quase não vejo vocês, e Bruno. Ninguém, meu divorcio não sai, nada anda. E eu tenha certeza de que ela não quer ser só amiga dele. – suspirou – eu sou mulher, eu sinto Gil.
- Mulheres e seus hormônios, bom você é quem sabe. E se precisar de mim, estou aqui pra o que você precisar. – abraçou a amiga e ainda no abraço confessou – você e a Lia serão as madrinhas da Beta já soube que ta rolando uma torcida contra da Marina, mas quem manda sou eu. – sorriu e separou-se do abraço.
- Obrigada! – sorriu.
Eles voltaram para o centro da sala e ficaram de conversa com os demais. Gil falava da filha como se fosse um troféu e todo mundo ria da cara de bobo do rapaz. A noite já caia e todos resolveram ir embora, afinal segunda era dia de branco.
- Amor, vamos? Amanha tem aula par você, trabalho pra mim... – Vitor disse pra namorada.
- É, vamos mesmo, eu já estou cansada e ainda tenho que ver umas matérias, pra terça. – Lia se levantou do chão e foi cumprimentar a amiga. – barriguda, nós já vamos. Qualquer coisa me liga, cuida bem da minha sobrinha.
- Está bem, obrigada por terem passado o dia com a gente. Amamos vocês! – Ju sorriu e se levantou pra abraçar Lia e Vitor.
- Acho que eu vou também! – Bruno anunciou.
- Eu vou junto, to sem carro me da uma carona? – Marina perguntou.
- Não! Você vem comigo, Ma! O Bruno vai passar na Marta ainda. – Fat se intrometeu. E assustou os amigos, apenas Gil tinha entendido aquele surto... Mulheres.
- Mais eu não v... – Bruno começou mais a loira interrompeu.
- Você vai sim, esqueceu que ela disse pra você passar lá hoje, pra pegar as roupas limpas? – Franziu a sobrancelha e Bruno calou-se.
- Esta bem, Fat eu vou com você então. Obrigada. – Marina sorriu falsa.
- De nada, amiga! – Fat devolveu o mesmo sorriso com um pouco mais de veneno.
Todos se despediram de Juliana e Gil e saíram. Pegaram o elevador juntos e quando chegaram à garagem, Fat surpreendeu dando um beijo daqueles no moreno. A mais surpresa com certeza era Marina, pois ela não sabia que Fat “estava” com Bruno. Até onde ela sabia a loira era casada com um Brasileiro que morava na Espanha. Caso complicado de se entender. Fat apartou o beijo com uns selinhos e foi em direção ao próprio carro, deixando o amigo com cara de taxo. Lia e Vitor foram pro carro deles, Bruno mesmo atônito caminhou até o seu e Marina acompanhou a “amiga” que lhe daria carona.
- Com emoção ou sem emoção, Ma? – Perguntou acelerando o carro.
- Fatinha, para de graça e vai devagar aí! – a mulher prendia o cinto de segurança nervosa.
- Eu ouvi com emoção? — acelerou mais uma vez. – é assim que eu gosto. Segura amiga! – Fat saiu riscando o chão e logo pego a rua.
- Para Maria, brincadeira sem graça. Vai devagar! – gritou.
- Eu vou devagar quando eu quiser, e agora o que eu quero é brincar com você, um pouquinho. – fez uma curva rápida que Marina quase morreu do coração.
- Por favor, nós vamos morrer cassete!
- Vamos nada, que eu sou piloto de fuga. – Fat gargalhava do desespero da amiga. Reduziu a velocidade ao ver que a outra só faltava se urinar de medo. – Cansei isso é só um aviso pra você saber com quem ta lidando.
- Eu te odeio sua idiota. Se você pensa que assim vai conseguir que eu fique longe do Bruno esta muito enganada. Me aguarde! – Marina gritava ao menos tempo de que tremia.
- Que vença a melhor, gata! – Fat piscou e freou o carro parando em um ponto de ônibus. – agora desce, cansei de bancar a motorista.
- O que? Ta maluca cara? – perguntou assustada.
- To louca, sabia não? Agora desce e pega um ônibus. Anda! – gritou.
Marina desceu do carro revoltada da vida e viu a Fat cantar pneu saindo dali. Esta quando chegou a casa jogou a bolsa pelo chão da sala e correu até o seu quarto e só o que fez foi chorar, chorou como uma desesperada, talvez marina estivesse certa, talvez ela estivesse mesmo louca. Ela brincou com a vida da Marina e a dela própria, como assim dirigir daquele jeito? As coisas realmente pareciam não andar na vida da loira.
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