"És um senhor tão bonito quanto a cara do meu filho. Tempo tempo tempo tempo, vou te fazer um pedido. Tempo tempo tempo tempo..." — Trecho 1 de Oração do Tempo — Maria Gadú.

E o tempo continuou passando... Juliana comemorava os cinco meses de gestação e a chegada de uma menininha, que iria se chamar Roberta. A família cada vez babava mais na barriguinha da morena, a que mais se emocionava era Fat, pois ela praticamente acompanhava a gravidez da amiga de dentro do hospital, porque fora dali elas quase não se viam, Fat não parava em casa e Ju quase não ia até o prédio do irmão. Bruno estava acompanhando de perto a gravidez da irmã, já havia comprado vários presentes pra sobrinha, ia junto com a irmã em algumas consultas, e até se emocionava vendo as ultras de Roberta. Era um dia de domingo e Fat tinha saído do hospital e ia passar direto no apartamento da amiga, estava com saudades e queria saber sobre como andava a Betudinha, apelido da filha de Ju. A loira chegou e foi atendida pelo amigo, que lhe deu passagem e ela encontrou Ju e Marina sentadas no chão da sala, não gostou de cara, mas resolveu ignorar.

- Vim visitar a mãe e a bebê mais lindas do Rio de Janeiro! — Fat gritou ao chegar mais perto delas. — oi amiga, oi betudinha. — ela abraçou a amiga e beijou a barriga da mesma.

- Uau! Lembrou dos pobres, Maria? — Ju reclamou a ausência da amiga.

- Larga de ser chata, você sabe como anda a minha vida. — riu e olhou para Marina. — oi Ma! — sorriu cínica.

- Oi Fat. Já viu que lindo o presente que eu trouxe pra Betinha? — Marina tirou da sacola de uma loja de roupas infantis, um macacãozinho lilás de recém-nascido que tinha escrito na frente a frase “sou o orgulho da dinda”.

- Como? Quem disse que você vai ser a madrinha da Roberta? Alias quem te enganou?

- Como assim quem me enganou? É obvio que serei eu, Fatinha. Você mal vê a Juliana, não vem aqui, não liga.

- Ei, pare de me cobrar! Se você não sabe, eu trabalho, tenho uma profissão e varias crianças pra cuidar. E a Ju sabe muito bem que se eu pudesse viria aqui todo dia. — Fat bufou se sentia triste, queria estar mais junto da amiga, da bebezinha, de Bruno. Enfim sentia saudades.

- Parem com isso, as duas. Depois vemos essa historia de madrinha. Bruno vem aqui me ajudar a levantar, que eu to parecendo um botijão encalhado. — Ju fez piada de si mesma e o irmão foi ajudá-la a levantar do chão.

- Fat vem aqui comigo rapidinho? — Bruno chamou e a loira foi até ele. Que a puxou para o corredor dos quartos, ele abriu uma porta branca desenhada de fadas e entrou junto com a amiga. Que na mesma hora começou a chorar. Tratava-se do quartinho de Roberta, que ainda faltava algumas coisas como o berço que só seria montado quando a menina já estivesse para nascer.

- Meu Deus, como isso ta lindo! — exclamou extasiada.

- Ow Maria, por que esta chorando? Está se emocionando tanto esses dias, parece até que a grávida é você! — tirou com a cara da amiga que se enfezou ainda mais.

- Não Bruno, felizmente a grávida não sou eu. Até porque né, não sei se você está lembrado eu estou tentando me divorciar do meu marido. E uma gravidez agora não iria ajudar em nada. — respondeu ríspida, saiu do quarto deixando Bruno sem palavras dentro do cômodo.

Fat voltou à sala agindo como se nada tivesse acontecido e ficou conversando com Ju e tentando de tudo que era jeito ignorar Marina. Bruno voltou a sala e se juntou a conversa, emendaram o assunto do chá-de-bebê e prolongaram pelo resto da manha. Na hora do almoço Lia e Vitor chegaram trazendo comida para todos. Almoçaram e voltaram pra sala enquanto Bruno e Vitor lavavam a louça.

- Amiga, cadê o Gil? Sempre que venho aqui ele não esta. Estou com saudades dele também. – Lia reclamou.

- Se você que vem aqui dia sim e outro também está com saudades imaginam eu né. – Fatinha zombou.

- Calma gente, o Gil foi à mãe dele ontem e daqui a pouco já deve estar chegando. Ele estava tão nervoso gente, vocês não tem noção. Quando a Beta mexeu pela primeira vez o coitado até chorou de emoção. – Ju falava do namorado enquanto acariciava a barriga que despontava linda. Foi só a morena terminar de falar, que Gil entrou no apartamento cheio de sacolas e tomou um sustinho que a fala cheia.

- Que festa é essa na casa na minha filha? – Ele perguntou quando viu Bruno e Vitor sem camisa voltando a sala após a louça. – E vocês? Seus cabeças, sem camisa na presença da minha filha? Vai agora se cobrir! – todos riram do surto do moreno.

- Amor, o que é isso? Ela não esta vendo nada, e é só o tio Bruno e o tio Vitor e para de graça e vem me dar um beijo e falar com ela, que esta inquieta aqui. – Gil chegou na namorada lhe deu um beijo e beijou também a barriga que abrigava a sua filha que não parava de mexer.

- Filha, você esta incomodada com a bagunça dessa galera é? O papai pode expulsar todo mundo se você quiser meu amor. – Ele conversava com a barriga e lhe dava carinho, até que a galera resolveu atrapalhar. Vitor empurrou o amigo e foi pra cima da barriga de Juliana.

- Oi Beta, é o tio Vitor. Seu pai é um bobão, não liga pra ele, a gente te ama. – Bruno tirou o rapaz de lá e foi a fez dele falar com a sobrinha.

- Beta você não acredita no que está acontecendo... Sim, eu papai está enlouquecendo e você nem nasceu ainda, imagina quando já tiver aqui. – Lia tirou o amigo de perto e abraçou Ju.

- Você é só da dinda, pense nisso! A dinda vai te levar pra fez os animaizinhos, que eu cuido. Você vai amar, mais fica ai dentro o tempo certinho hein? Te amo.

Gil cumprimentou os amigos e foi ate o quartinho da filha deixar as sacolas, não deixou que ninguém visse o que tinha dentro delas. Quando voltou viu Fatinha amuada em um canto da sala, resolveu ir conversar com ela e saber o que estava acontecendo.

- Ei loira, o que foi? Ficou triste de repente. – Ele perguntou sentando-se ao lado dela.

- Não foi nada, só estou preocupada com algumas coisas... Só isso! – levantou a cabeça e olhou na direção de Bruno que no ponto de vista dela estava perto demais de Marina. Gil acompanhou o olhar e entendeu tudo.

- Ah não, ainda com esse ciúme da Marina? Para loira, você sabe que o Bruno é viciado em você, apaixonado desde sempre. Ele te ama, sua coisa! – falou sorrindo e abraçando a amiga.

- Aham. Mas Gil você esta vendo o que ta acontecendo? Eu não tenho dito tempo, quase não vejo vocês, e Bruno. Ninguém, meu divorcio não sai, nada anda. E eu tenha certeza de que ela não quer ser só amiga dele. – suspirou – eu sou mulher, eu sinto Gil.

- Mulheres e seus hormônios, bom você é quem sabe. E se precisar de mim, estou aqui pra o que você precisar. – abraçou a amiga e ainda no abraço confessou – você e a Lia serão as madrinhas da Beta já soube que ta rolando uma torcida contra da Marina, mas quem manda sou eu. – sorriu e separou-se do abraço.

- Obrigada! – sorriu.

Eles voltaram para o centro da sala e ficaram de conversa com os demais. Gil falava da filha como se fosse um troféu e todo mundo ria da cara de bobo do rapaz. A noite já caia e todos resolveram ir embora, afinal segunda era dia de branco.

- Amor, vamos? Amanha tem aula par você, trabalho pra mim... – Vitor disse pra namorada.

- É, vamos mesmo, eu já estou cansada e ainda tenho que ver umas matérias, pra terça. – Lia se levantou do chão e foi cumprimentar a amiga. – barriguda, nós já vamos. Qualquer coisa me liga, cuida bem da minha sobrinha.

- Está bem, obrigada por terem passado o dia com a gente. Amamos vocês! – Ju sorriu e se levantou pra abraçar Lia e Vitor.

- Acho que eu vou também! – Bruno anunciou.

- Eu vou junto, to sem carro me da uma carona? – Marina perguntou.

- Não! Você vem comigo, Ma! O Bruno vai passar na Marta ainda. – Fat se intrometeu. E assustou os amigos, apenas Gil tinha entendido aquele surto... Mulheres.

- Mais eu não v... – Bruno começou mais a loira interrompeu.

- Você vai sim, esqueceu que ela disse pra você passar lá hoje, pra pegar as roupas limpas? – Franziu a sobrancelha e Bruno calou-se.

- Esta bem, Fat eu vou com você então. Obrigada. – Marina sorriu falsa.

- De nada, amiga! – Fat devolveu o mesmo sorriso com um pouco mais de veneno.

Todos se despediram de Juliana e Gil e saíram. Pegaram o elevador juntos e quando chegaram à garagem, Fat surpreendeu dando um beijo daqueles no moreno. A mais surpresa com certeza era Marina, pois ela não sabia que Fat “estava” com Bruno. Até onde ela sabia a loira era casada com um Brasileiro que morava na Espanha. Caso complicado de se entender. Fat apartou o beijo com uns selinhos e foi em direção ao próprio carro, deixando o amigo com cara de taxo. Lia e Vitor foram pro carro deles, Bruno mesmo atônito caminhou até o seu e Marina acompanhou a “amiga” que lhe daria carona.

- Com emoção ou sem emoção, Ma? – Perguntou acelerando o carro.

- Fatinha, para de graça e vai devagar aí! – a mulher prendia o cinto de segurança nervosa.

- Eu ouvi com emoção? — acelerou mais uma vez. – é assim que eu gosto. Segura amiga! – Fat saiu riscando o chão e logo pego a rua.

- Para Maria, brincadeira sem graça. Vai devagar! – gritou.

- Eu vou devagar quando eu quiser, e agora o que eu quero é brincar com você, um pouquinho. – fez uma curva rápida que Marina quase morreu do coração.

- Por favor, nós vamos morrer cassete!

- Vamos nada, que eu sou piloto de fuga. – Fat gargalhava do desespero da amiga. Reduziu a velocidade ao ver que a outra só faltava se urinar de medo. – Cansei isso é só um aviso pra você saber com quem ta lidando.

- Eu te odeio sua idiota. Se você pensa que assim vai conseguir que eu fique longe do Bruno esta muito enganada. Me aguarde! – Marina gritava ao menos tempo de que tremia.

- Que vença a melhor, gata! – Fat piscou e freou o carro parando em um ponto de ônibus. – agora desce, cansei de bancar a motorista.

- O que? Ta maluca cara? – perguntou assustada.

- To louca, sabia não? Agora desce e pega um ônibus. Anda! – gritou.

Marina desceu do carro revoltada da vida e viu a Fat cantar pneu saindo dali. Esta quando chegou a casa jogou a bolsa pelo chão da sala e correu até o seu quarto e só o que fez foi chorar, chorou como uma desesperada, talvez marina estivesse certa, talvez ela estivesse mesmo louca. Ela brincou com a vida da Marina e a dela própria, como assim dirigir daquele jeito? As coisas realmente pareciam não andar na vida da loira.

Notas finais
Dois capítulos no mesmo dia... Eu adoro, eu me amarro. Espero que vocês estejam gostando. Comentem para que eu saiba das suas opiniões, flw? Orem pelo Brunito, #LiberaFatinha #TiraACalçaJeans HUSHUSHUHUHUAUHUH beijos.