Line of Fire
8 Salt
Notas iniciais
A água estava gelada. Bom, pois Joan Watson pensava estar com febre.
Quando fora a última vez em que se prendera tanto a uma investigação? Em que sentira tanta compaixão pela vítima?
Olhou para a própria imagem refletida no espelho do banheiro da delegacia. O rosto molhado, os longos cabelos negros e os olhos castanhos, cansados de procurar pistas nas expressões apáticas de suspeitos com álibis.
Sentia que não conseguiria trazer justiça a Sofia.
Precisava beber algo.
Pensou, enquanto caminhava sob o crepúsculo de New York, que não deveria dar-se por vencida. Não podia desistir.
Só um dia havia se passado. As investigações mal haviam começado e ainda havia muito a ser descoberto.
Ainda nem eram sete da noite e o bar já estava cheio.
O álcool nunca fora um dos vícios de Watson; nem mesmo durante a adolescência conturbada. Somente era usado quando era preciso clarear ou silenciar sua mente.
Agora, estava frustrada.
Estava sentada em uma mesa no canto, passando os olhos pelos rostos de seus colegas de bebidas. Por que estariam ali? Frustração, como ela? Medo? Raiva? Ou o vício simplesmente falara mais alto?
Quase não percebeu quando uma garçonete chegou até ela, com um copo de limonada.
–Um homem me pediu para que lhe entregasse isso.
Joan recebeu o papel com pouco entusiasmo. Uma dúzia de encontros mal sucedidos lhe ensinara que não deveria confiar em qualquer homem que lhe pagasse uma bebida no bar.
Ela bebeu um gole da limonada, fazendo uma careta logo em seguida.
Alguém trocara o açúcar por sal.
O papel dizia: ‘‘Não acredite em toda bondade do mundo. – Sherlock’’
Watson já sabia o que fazer.
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