Limiar entre o amor e intrigas
15 O resultado
Notas iniciais
POV AVA
Desde meu encontro com Theodore estou mais agitada. Por que ele agora cismou comigo? Esse homem deve está louco, ou muito perdido mesmo para achar que tenho saudades dele, ou algo do tipo. Mas o que mais me agitou foi ver Cristo com uma mulher tomando um café. Quando sai em disparada quis passar perto da empresa do meu marido, mas para minha surpresa o avistei em um café e com uma mulher. Nunca senti tanta raiva, ciúmes e sei lá o que como naquele momento. Fiquei observando os dois até que eles se despediram com um beijo no rosto. Cristo andou até o prédio da Technologic Vidal e eu fiquei ali deixando lagrimas escorrerem. Será que a desconfiança de Cristo o levou a se interessar por outra? Eu nunca vi essa mulher. Quem poderia ser? Cheguei em casa descontrolada.
__ Ava o que aconteceu? – Alexa me intercepta na entrada.
__ Eu odeio seu irmão. –digo e subo correndo para o quarto. Eu preciso de carinho, de amor. Resolvo visitar minha mãe, a tempos não vou lá. Saio de fininho de casa, não quero dar explicações a Alexa. Ela está sendo muito bacana mas não quero me abrir com ela.
Seguir para a casa dos meus pais. Preciso deles nesse momento tão delicado. Por sorte minha mãe está em casa.
__ Ava? Está tão pálida querida.
__ Eu quero morrer mamãe.
Ela me puxa para um abraço enquanto nos encaminhamos para a sala.
__ Não fale isso. Em breve tudo será esclarecido e tudo voltará ao normal.
__ Como mamãe? Cristo saiu de casa. Ele pediu um exame de DNA. Eu nunca vou perdoá-lo por isso.
__ Mas filha você não pode julgá-lo por isso. No lugar dele não faria a mesma coisa?
__ Se ele me amasse como disse confiava em minha palavra e pronto.
__ Ava relacionamento não é assim. Você deve conversar com ele. Vocês terão outro filho. Ele precisará de vocês juntos. Além de Cris que ama o pai.
__ Daqui a pouco ele questiona a paternidade desse filho também.
__ Meu bem você está tão chateada. Não tem duvidas mesmo do resultado?
__ Não mamãe. Ate à senhora vai me questionar?
__ Desculpa. É que está tudo uma bagunça. Seu pai quer matar Theodore. Você sabe que ele gosta muito de Cristo e não quer vocês separados.
__ Eu também gosto muito de Cristo, mas não vou perdoá-lo. Eu pedi, implorei e ainda assim ele levou isso até o fim.
__ Você esta sendo muito radical. Não era assim quando devia ter sido com Daniel e Theodore.
__ Eu não os amava como amo Cristo. A senhora não tem noção da dor que sinto a cada vez que me lembro do olhar de frieza, de desconfiança de Cristo. Quando me lembro daquele comunicado de DNA. Isso me feriu mais que perder um noivo para uma prima, o um namorado idiota como Theodore.
__ Ava eu vou ficar do seu lado sempre. Só acho que vocês estão sofrendo de bobos que são. Se amam e estão sendo orgulhosos.
Passo mais um tempo com minha mãe, ela faz um chá e me deita em seu colo. A nossa relação é outra. Desde que estou com Cristo minha vida mudou para melhor. Sua presença aquece meu coração e me dar forças para enfrentar o que vem pela frente.
Vou a escola buscar Cris e encontro com Alice. Hoje sem duvidas é meu dia. Ela me olha com desprezo, eu mais ainda.
__ Ava!
__ Parabéns Alice vocês conseguiram. Graças a sua visitinha Cristo agora desconfia da paternidade.
__ Enfim saberemos a verdade. –ela diz.
__ Se isso te faz feliz. –digo e saio indo a sala de Cris.
__ Mama. Achei que o papai viria me buscar.
__ Ele ainda não voltou amor. Agora vamos?
__ Sim mamãezinha. –diz pegando minha mão. Sinto-me tão abençoada pelo filho que tenho.
Chegamos em casa e logo de cara. Alexa me vêm com a bomba.
__ Chegou isso.
Já consigo imaginar do que se trata.
__ Cris? Suba e vai tomar banho. Eu já vou.
__ Posso tomar na sua banheira mamãe?
__ Pode amor. Vou lá encher a banheira para você.
__ Eu já sei fazer isso mama.
Olho para ele com uma careta. __ Então sem bagunça.
Ele sorri e sai pulando nas escadas. __ Cris sem se machucar também.
__ È o resultado neh?
__ Sim Alexa.
Ela fica me olhando esperando que eu abra.
Me dirijo a cozinha e pego água.
__ Ava, você não vai abrir?
__ Não. Só estou imaginando que Cristo também recebeu. Há essa hora ele já sabe de tudo.
__ Mamãe já ligou um monte de vezes, porque Cristo não a atende e ela quer saber logo.
__ Deixa Ireland um pouco mais curiosa quem sabe assim ela aprende não ouvir conversa alheia e transmitir ao próximo sem saber de nada. -Digo e subo para meu quarto. Vou até o banheiro e sorrio ao ver Cris na banheira. Ele colocou um monte de brinquedos.
Pego uma peça de roupa e vou tomar uma ducha.
__ Mama não quer entrar aqui?
__ Não amor. E não demore muito aqui que sua pele vai enrugar. –ele rir alto e isso aquece meu coração.
Seco meu cabelo e fico me olhando no espelho. Desde que Cristo saiu de casa e isso já faz mais de uma semana estou assim, com olheiras, magra, feia. Eu preciso tanto pensar no meu bebê.
Cris aparece atrás de mim. __ O que foi mamãe? Por que chora?
Eu quero falar alguma coisa, mas não consigo e meu choro silencioso se transborda em soluços. Ele me pega pela mão e me leva para a cama. Se senta na cabeceira. __ deite aqui no meu colo. Vou fazer cafuné. Papai sempre me faz quando quer me acalmar.
“papai”, sempre Cristo. Faço como ele pede e ele começa a fazer carinho nos meus cabelos. Ficamos tanto tempo assim. Eu adoro ser cuidada. Pelo meu filho então.
__ Mama porque papai não volta logo?
Essa é uma boa pergunta. Eu imagino que nesse momento ele já sabe e ainda assim não veio me enfrentar. __ Ele deve vim te ver hoje. –digo meio vaga.
__ Me ver? Ele não vai mais ficar aqui?
Meu Deus como vai ser difícil Cris se acostumar com a ausência do pai.
__ Cris...
__ Eu não vou ficar sem meu pai.
__ E ficará sem mim? –pergunto com vontade de rir, me emociona ver o quanto ele ama Cristo, até mais que a mim.
__ Papai não vai ficar sem mim, sem a senhora e sem meu irmão. Ele voltará para ficar. – ele afirma e tenho esperança que isso seja verdade.
__ Tomara filho. –é o que consigo dizer.
De repente sinto Cris dando um pulo abandonando minha cabeça __ Papa!
Ah meu Deus ele está aqui.
Levanto-me em um pulo e observo os dois. Cris pega o envelope da mão dele e sinto uma pontada no peito.
__ O que é isso papa?
Cristo vem com ele até a cama e se senta ao meu lado. Continuo imóvel.
__ Você está bem?
Estou péssima. Mas ele não precisa saber disso. Continuo calada analisando o envelope que é igual ao que recebi.
__ Você não abriu? –pergunta meio fraca.
__ Eu já sei a resposta. Eu não preciso abrir. E você porque não abriu? –sou áspera.
__ Cris desce um pouquinho e fica com tia Alexa. Quero falar com sua mãe e já descemos também.
__ Papai você voltou não é?
__ Eu nunca fui embora meu filho. Agora vai. Depois conversamos.
Ele bufa e sai relutante. Ficamos ali os dois nos olhando sem dizer nenhuma palavra. Eu tenho saudades. Eu amo esse homem.
__ Está com medo Christopher? –pergunto lhe encarando.
__ Não. Não abrir porque não me importa o que está escrito aqui. Cris é meu filho. Minha luz.
Como eu queria ter escutado isso desde que ele descobriu a suspeita. Lagrimas descem já não posso conte-las. Esses hormônios da gravidez sempre me deixam chata.
__ Eu te pedir que não fizesse esse exame e mesmo assim você fez. E agora diz que o resultado não importa? – eu o ataco.
__ Eu não queria fazer esse exame Ava. Eu não preciso dele para saber que Cris é meu filho. Isso eu sinto. Nunca senti nada em minha vida como quando a médica disse que você estava grávida. Eu me senti grávido. E o nascimento dele? Estive tão concentrado que juro que podia sentir a dor.
Sorrio diante das lembranças. Eu consigo enxergar cada momento, cada reação. __ E quando ele pegou seu dedo e não soltava. Você gritou para que eu visse. Você o amou desde que soube dele.
Ele concorda com a cabeça. __ Eu o amo tanto que tenho medo de não saber amar igual nosso outro filho.
Eu não sabia disso. Cristo é sempre tão forte.
__ Cristo... Eu sei que será um bom pai para ele ou ela também — digo acariciando o ventre.
__ Eu quero ser.
Ficamos nos encarando por longo tempo. Queria seus beijos, seu corpo.
__ Posso voltar para casa?
__ Foi você quem quis sair. Nunca disse que saísse. Eu estou magoada com você Cristo. Dói tanto aqui. –aponto o coração. __ Você sempre confiou em mim, até quando não tinha motivos para tal. E agora depois de construirmos uma vida juntos, você duvidou. Você me deixou.
__ Não amor. Não fala isso. Eu fiquei sufocado. Eu não sabia o que pensar. Só não quis ficar aqui e descontar em você minha frustração. Eu não quero ficar longe de vocês. Quero estar presente em cada momento de sua gravidez.
Eu quero tanto também. Mas não posso esquecer que ele ainda não sabe qual resultado.
__ Cristo e se Cris não for seu filho?
__ Ele é.
__ E se não for de sangue?
__ Ava...
__ Fale a verdade. Nós dois conseguiremos nos acertar?
__ Eu não sei. Se você tivesse me contado, talvez sim, mas saber que você mentiu. Acho que não suportaria isso.
__ Então você não abriu por medo. – ele sabe que esse pode ser nosso fim.
__ Não. Eu não abri porque queria que você soubesse e principalmente Cris que ele é meu filho independente da porcaria de um papel e que ninguém vai tirá-lo de mim nunca. Eu nem quero ver esse resultado.
Diz saindo do quarto.
Fico ali pensando nessa conversa. Olho os dois envelopes. Ele esqueceu o dele, ou deixou de propósito. Me levanto e desço correndo para a sala.
Pego ainda uma parte da conversa dos dois.
__ Papai me leva?
__ Hei você é o homem da casa na minha ausência. Quem vai cuidar de sua mãe e de seu irmão? Eu conto com você para isso.
__ Tudo bem, mas não demore muito. Mamãe só chora. Essa casa está muito chata.
__ Agora eu vou. Promete-me que me ligará se precisar.
__ Sim papai. Eu te amo.
__ E eu a você filho. Cuide da mamãe.
Beija seu rosto e se levanta para sair.
__ Cristo você esqueceu isso. – Digo com os envelopes nas mãos.
__ Pode jogar fora. –sua voz é fria.
__ Cristo quero abri-lo com você.
Ele olha para Cris. __ Ava não precisamos disso.
Eu nunca poderei duvidar do amor que Cristo sente por Cris. Ele é grande demais.
__ Eu sei que vocês dois não precisam disso. Por achar isso não queria esse exame. Mas os Grey precisam para me deixarem em paz.
__ Eles te deixaram de qualquer jeito. Eu não permitirei ninguém te ferindo.
__ E quando esse alguém é você Cristo?
__ Mama do que estão falando? Eu não entendo nada.
__ Nada amor. –Me sento ao lado de Cris. __ Vem Cristo vamos acabar logo com isso. Digo lhe entregando os dois envelopes lacrados.
Ele abre e ler com atenção. Cris está agitado sem entender nada e eu tento não demonstrar nada pelo meu olhar.
__ Então Cristo?
Ele continua calado. Sinto meu coração disparado no meu peito. E se eu estiver errada?
__ Ava...
__ Diz Cristo...
__ Com 99,9999% Cris não é filho de Theodore Grey. Ele é meu filho!
Solto um suspiro de alivio. Cristo pega Cris no colo e beija onde consegue.
__ Papa o que é isso? Por que disse que sou seu filho? Eu já sei. Por que chora?
__ Você é ,meu filho, sempre foi, só que agora ninguém vai questionar isso. –ele diz embargado pela emoção.
Cristo coloca Cris no sofá e se ajoelha diante de mim. __ Me desculpa por tudo que eu te disse, que eu fiz? E obrigado por não ter mentido e pelo presente que é nossa família.
Eu nem sei o que responder quero me jogar em seus braços. Mas ele me magoou e não posso esquecer-me disso.
__ Ava me perdoa?
__ Eu não posso Cristo. Estou muito magoada. –digo e me levanto saindo da sala. Corro para meu quarto e me jogo na cama chorando. De alivio por enfim ficar livre de suspeitas e de tristeza por isso significar perder meu marido.
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