Limbo

1 arce etiam in aeri


Sozinho?

Sozinho, outra vez.

Hoje é apenas mais um dia, no qual me sinto completamente solitário, eu sou? Talvez não, bem provável que não, mas é assim que me sinto, principalmente em uma noite quente como essa, em que sinto frio, metaforicamente falando, claro.

Essa nevasca que me atinge, diz muito sobre mim, e sobre minhas órbitas e anéis. Eu sou como um pecador, com muitas decisões ruins ao longo dessa trajetória que nomeamos como “vida”, mas eu não congelei no tempo, mesmo diante dessa nevasca, eu estudei sobre os sentimentos, e os tentei entender, não apenas sobre mim, mas sobre tudo e todos.

Eu venho em uma crescente, melhorando e aprimorando-me muito mais a cada dia, em busca do autoconhecimento, eu quero me compreender, eu quero entender a vida humana, e de toda forma genuína de vida deste belo planeta.

Porém, com todo o conhecimento, também vem coisas ruins, eu estou sempre sozinho e não consigo me acostumar com isso. A nossa vida gira de forma veloz, e com isso as mudanças agem e as pessoas simplesmente conhecem outras e cada vez vão deixando as origens, simplesmente abandonando os esquecidos.

Eu sou esquecido, mesmo que existam pessoas que gostem de mim, elas nunca estão aqui de verdade, o que me leva a crer em duas hipóteses, ou eu sou muito egoísta ou realmente estou só.

Tentei salvar a todos, mas no fim quem me salva? Nessa noite, eu quero apenas desistir e me ver em frente a nevasca, congelando aos poucos… Mas, dentro de todo esse limbo que vive minha mente, eu compreendo e tenho fascínio em saber que tristeza, é algo momentâneo, mas dói de forma fervorosa.

Eu não tenho coragem para me expressar para nenhum de vocês, então é aqui a onde eu simplesmente me expresso em versos livres, dizendo sem dizer, dizendo palavras que nunca foram ditas.

Sinto minha alma chorando, e a solidão está oprimindo o meu coração, e ele é apenas um coração, coitado. Sem o vislumbre de uma perspectiva ampla e hábil.

Eu gostaria de gritar, bem alto, bem forte, eu gostaria de sentir minha voz rasgando toda a vibração do som… Mas não importa o quão alto eu grite, sinto como se estivesse preso no limbo de minha mente, num espaço num céu fechado, onde ninguém pode escutar-me. Sou o único aqui, estou completamente sozinho, eu fui abandonado, eu não sei quando essas sensações irão parar de aparecer em tempo e tempo, são como meus demônios, é como se fossem só meus, ao menos esses demônios me acompanham.

Sozinho, outra vez?

Sozinho.

Notas finais
Gosto de como isso soa tantas coisas, mas termina como começou.

Indeciso e incompreensível.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!