Lilium
2 Final Alternativo
Notas iniciais
Mais cinco anos se passaram. 2020. Foi a primeira vez que ela descobriu... que não estava só.
— Senpai! — Misaki gritava em agonia, enquanto se jogava no chão, sentindo fortes dores de cabeça. — Senpai! Socorro! Tá doendo muito!
Seiji corre até a sala, onde encontra Misaki deitada no chão, curvada, rolando, com suas mãos na cabeça.
— Misaki! O que está acontecendo?! Misaki! Misaki!
Seiji tenta aproximar-se, mas é lançado para longe, contra a parede, derrubando um grande quadro.
— Senpai! Faz parar! Por favor!
— Misaki! Misaki!
De repente, a porta da entrada se abre. Uma garota de cabelos rosados surge, com seus cabelos esvoaçando pelo ar. A dor de Misaki cessa no mesmo instante.
— Você. — a garota diz, séria, com seus olhos cor de rosa fixos em Misaki.
— Você... você... é... você é como eu?! Seus cabelos... seus olhos... suas orelhas... sua força!
— Você é uma de nós. Precisa vir comigo. Agora.
— Não! Eu não posso!
— Quem é esse com você?!
Seiji olhava para as duas, mas na verdade, não ouvia nada. Elas se comunicavam por telepatia. A única coisa que percebia era a troca de olhares.
— Ele... ele é meu Senpai.
— Seu o quê?! Eu vou me livrar agora desse humano imprestável! Você não sabe o mal que essa raça nos causa?!
— Mal?! Ele cuidou de mim por todos esses anos!
— Ele vai usar você. Vai fazer pesquisas com você. Te torturar. Acabar com sua vida... se você não acabar com a dele primeiro.
— Eu não vou fazer isso! — Misaki gritou. Foi a primeira frase da conversa que Seiji pôde ouvir, o fazendo pular de susto.
— Misaki... fazer o quê?
— Você não vai fazer? Então faço eu!
Seiji começou a sentir a asfixia novamente, dessa vez de forma muito mais intensa. Como se a qualquer segundo sua cabeça fosse explodir.
— Eu não sou um deles! Nunca serei! — Misaki gritou.
— Você... você... não pode... negar... suas... raízes... — disse, à beira de sua morte.
— Eu... eu... eu não quero ser um deles! — Gritava cada vez mais alto. Correu até ele, em pranto.
Neste momento, sangue voou para todo lado. Uma explosão, uma carnificina contra uma pessoa só.
— Não! — Um berro estridente ecoou por toda a casa.
Caiu. As paredes estavam infestadas pela cor de escarlate, como se quisessem fazer parte da decoração. Uma decoração mortal.
— Não! Eu... eu... — repetia vez após vez, inconformada, com os olhos marejados.
Misaki olhou para o corpo decapitado, estirado perto da lareira. Virou-se para a porta da entrada, tremendo e chorando.
O que você... O que você fez?! — berrou com todas as suas forças.
— Salvei a sua vida. Não precisa me agradecer.
De repente, outra explosão acontece. Mais uma morte. Fora a primeira vez que Misaki domou seus vetores. Fora a primeira vez que usou a força deles contra alguém. Permanentemente.
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