Lilith Darkmoon é uma paladina do Deus Arawn, O deus dos Submundanos. Paladinos, mesmo que possuindo fé em Deuses diferentes sempre são unidos pelos seus juramentos de coagir as forças sobrenaturais. Alguns paladinos juram sua lealdade a seu Deus diante o altar com um sacerdote como testemunha, outros tem seu juramento em uma clareira sagrada de frente aos espíritos da natureza, mas o juramento de Lilith foi diferente. Aos 16 anos de idade , ela era orfã em um mundo duro e cruel. Esta bela garota sobreviveu fazendo tudo que podia dia apos dia usando sua astucia e inteligência. A fome era quase que constante, e uma certa vez, tentou roubar uma tenda de um mercador na cidade de Amhor, foi então seguida por um grupo de pessoas que começaram a espanca-la sem piedade alguma. Ela tentou se defender, tirando uma adaga de seu cinto e acertando um deles mortalmente, mas eles eram numerosos, desarmando ela com facilidade e voltando a ataca-la. Quando estava quase a beira da morte, esses monstros asquerosos tentaram molesta-la. Em um momento de desespero e aflição, ela orou para diversos Deuses, mas somente um deles respondeu. O cadáver do homem que Lilith havia acabado de matar se levantou, e atacou todos eles. Cada vez que um dos homens morria , logo em seguida ele se erguia novamente tentando protege-la , até que não sobrou nenhum ser vivo de pé naquele lugar com exceção da jovem garota. Com os mortos como únicas testemunhas e com um sentimento de gratidão ela jurou lealdade a seu Deus e criou um laço poderoso entre eles de fé. Desde aquele dia Arawn se tornou uma fonte de poder que transformou Lilith de uma devotada guerreira a uma campeã abençoada pela escuridão.

Arawn não é exatamente como os clérigos e paladinos de outros deuses o julgam. As regras do Deus do Submundo podem parecer a primeira vista severas a seres mortais, contudo os devotos que iniciam sua fé neste Deus começam a enxergar uma visão do todo. Arawn é o Deus que controla o destino das almas e ele julga o bem e o mal com mão de ferro, sem piedade. Contudo Arawn apenas pune aqueles que merecem, libertando as almas dos que se saem justos e puros sob sua concepção. Para Lilith ele não é um Deus ruim, pois se fosse, não teria protegido ela de ser morta e molestada, e sim mataria todos sem hesitar. Mas ele apenas quer que o seres mortais aprimorem as fraquezas de suas almas podres e corruptas.

Lilith possui um corpo forte e bem definido, com diversas marcas e cicatrizes. Marcas estas que já seriam consideradas normais em aventureiros do mundo de Notra, porem grande parte das cicatrizes no corpo de Lilith são recentes, vindas do tempo que ela permaneceu presa nas masmorras de Aisira. Ela foi condenada a alguns meses a prisão perpetua por roubar junto de alguns outros aventureiros um objeto mágico muito raro.

Lilith e seus amigos , em pouco tempo presos já haviam sido espancados , torturados e abusados. O mundo de Notra é cruel e o preconceito das classes sociais é evidente. Eles aguardavam julgamento dentro de uma masmorra na arena recém-construída do reinado. Todos são aventureiros de classe baixa, ainda não possuíam fama ou status sociais que os destacassem no mundo de Notra, e foram incriminados injustamente por uma transgressão que, de fato não cometeram.

Miliel Galanodel, uma guerreira implacável, com longos cabelos loiros e um olhar sério mas ao mesmo tempo caloroso, estava acorrentada próxima a Lilith. De todos os integrantes do grupo, Miliel era a que Lilith mais confiava. Miliel, desde que Lilith se lembra, sempre esteve ao seu lado, protegendo-a quando necessário e sendo uma mãe nos momentos indispensáveis de sua vida.

Amista Lhamo, é outro integrante do grupo. Um monge das terras ocidentais de Notra, o hoje devastado império de Yudron. O monge Amista estava do outro lado da masmorra. Ele olha com desdém para Lilith:

—Fomos pegos pois não confiaram em meus planos. Eu tinha avisado a vocês para sairmos rápido do templo com o objeto.

Lilith se enfurece com a blasfêmia de Amista e retruca:

— Pela ruina dos mortos. Você estava o tempo todo mais afim de derrotar aquelas monstruosidades do que realmente querendo tentar fugir do templo.

O monge continua seu monologo sem nem ao menos dar atenção aos retrucamentos de Lilith:

— Alem do mais , eu sou a arma secreta de nosso grupo. Sem mim vocês não ganhariam uma batalha sequer.

Lilith exaspera diante tamanha ousadia e prepotência de Amista, mas antes que pudesse dizer algo ao monge, uma voz a interrompe:

— Pelo tamanho de seu ego rapaz, essas paredes não deveriam prende-lo ou ao menos você não devia estar preso com pessoas como nós.

Lilith não conhecia o dono daquela voz. Era mais um prisioneiro da arena de Aisira. Olhando-o com mais atenção, percebia-se que ele vinha de uma sociedade tribal de Notra, suas poucas vestes eram rusticas, ele possuia uma barba por fazer e tatuagens rúnicas por todo o seu corpo. Lilith sabia que estas tatuagens representavam a tribo ao qual ele pertencia, mas não conseguia identificar de qual tribo ele vinha.

— E quem você pensa que é pra se dirigir a mim neste tom arrogante?_ Amista indaga as opressões do bárbaro_ você também está preso, não é?

— Eu sou Eliah Axel. Sou líder da tribo Ragnar. Fui preso considerado um regicida após assassinar o antigo governante de Nohed.

A masmorra fica em silencio por breve momento. Todos estavam pasmos com a resposta do bárbaro.

Adley Al'ud era uma bela barda ruiva e jovial. Como todos os bardos era uma pessoa encarregada de transmitir histórias, mitos, lendas e poemas de forma oral, cantando as histórias do seu povo em poemas recitados. Adley estava próxima a Eliah Axel, e apos alguns segundos de silencio tenta amistosamente cortar aquela sinistra quietude:

— Já toquei diversas canções ao seu respeito nas tavernas de Notra, de como você sozinho invadiu o castelo do rei Alastor Benevento, matou toda a guarnição de soldados que estavam protegendo o castelo. Depois exterminou um a um os membros da família Benevento até que por fim tirou a vida do rei_ A jovem barda se entusiasma com seus próprios pensamentos_ Sempre me perguntei se tinha algum motivo real pra tal fúria e força de vontade.

Eliah Ragnar abaixa sua cabeça, olhando para o chão com tristeza:

— O rei Alastor_ Eliah soca a parede, batendo sua mão e as correntes que o prendiam, se machucando_ AQUELE BASTARDO MISERAVEL!_ o barbaro se controlar novamente_ Ele atacou minha tribo apenas por que a região era repleta de diamantes vermelhos. Ele chacinou todo o meu clã, não distinguiu mulheres, crianças ou idosos. Matou sem piedade. Um monstro como ele tinha que ser punido_ Eliah pausa sua resposta por um momento, as palavras se tornavam lembranças em sua mente, e a dor ainda recente o faziam perder a força de continuar. Ele olha para a Barda Adley, ela estava compenetrada em sua historia e possuía no olhar uma benevolência e uma profunda compaixão a sua dor. Eliah recupera nela as suas forças e continua_ Mas eu não desejava apenas puni-lo, queria dar a ele a dor que eu senti quando perdi todos a quem eu amava. Assassinei todos os descendentes dele, e faria de novo sem pensar duas vezes.

O monge Amista fica boquiaberto a historia de Eliah, mas tenta não demonstrar nenhum tipo de expressão.

— E você supos que eu, Amista Lhamo, um dos últimos sobreviventes da destruição da Império de Yudron, Discipulo do Mestre D´lay Yong deveria me impressionar com tal história? Ou lhe reverenciar bárbaro?

O bárbaro encara o monge com desdem:

— Eu posso dizer que mesmo preso viverei até o fim dos meus dias sabendo que vinguei a morte de todo o meu clã. Mas você Amista Lhamo _Eliah abre um leve sorriso mal-intencionado para o monge_ sobreviverá cada um de seus dias , sabendo que fugiu como um covarde medroso, ao invés de morrer com honra , defendendo seu povo e seu mestre até o fim.

O rosto do monge volveu-se em um vermelho rubro, que misturava cólera e constrangimento. Ele teve que remoer aquelas palavras dentro de si, afinal de contas, bem no fundo de sua alma ele acreditava que o bárbaro tinha razão. A tragédia de Yudron, tirou a vida de seu mestre, e após isso Amista suportou o peso da culpa por todos os anos seguintes. Em fato ele não foi o culpado da morte de D´lay Yong, mas ele considerava o contrario por pensar que se fosse mais forte e tivesse treinado com mais afinco , poderia ter impedido o destino dele.

Meliel em silencio observava Eliah e Amista. Em sua mente cada um tinha uma ferida a carregar, um fardo que acompanharia eles até o fim de suas vidas, portanto já estavam sofrendo o suficiente. Ela lança um ultimo olha para Eliah e Amista. Suspira e inicia:

— Quieto monge_ O olhar de Miliel era mais austero que o normal_ Seu povo, que Deus o tenha e você, pregam a humildade. E o silêncio é a melhor maneira de provar isso.

O monge estava com seu ego ferido, se sentindo humilhado. As contestações de Eliah e a exposição de Miliel eram como laminas cortando sua língua ou raízes imobilizando seu corpo, o impedindo de expressar qualquer reação ou resposta. Assim apenas manteve-se em silencio.

Neste momento um portal magico aparece no centro da masmorra.

— Yabai!_ Adley sobressalta-se em curiosidade_ O que é isso?

— É um portal dimensional_ Outro prisioneiro que estava na masmorra responde. Seu nome é TeseusTenebris, um bruxo. Os bruxos são precursores do conhecimento que existe escondido em Notran. Através de pactos feitos com seres misteriosos detentores de poder sobrenatural _ ele leva quem atravessar para outro lugar.

Os soldados que estavam do lado de fora da masmorra abrem a porta, entram e se direcionam a Lilith.

— Lilith DarkMoon!_ Dois dos soldados removem as correntes que a prendiam, enquanto o terceiro continua sua mensagem_ O governador Yeda Crusius decidiu que você será a primeira desta cela a participar da arena.

Ela caminha até o portal, se aproxima e fecha os olhos instintivamente. Atravessa-o. O silencio da masmorra é interrompido por uma serie de gritos , vaias e escárnios. Lilith abre os olhos, e agora estava no centro de um coliseu. Uma arena de combate do reino. É um anfiteatro oval localizado no centro da cidade de de Arisia. Construído com concreto e areia, é o primeiro coliseu já construído. O chão da arena tinha vestígios de sangue fresco, deixando evidente que ali acabará de ocorrer um combate. Lilith tinha certeza que que sua vida estaria em jogo daqui em diante. Ela olha para a parte de cima do coliseu, uma arena circular rodeada de degraus a céu aberto, abarrotada de pessoas eufóricas. No centro da Arena uma área particular, melhor estruturada onde um homem se encontrava sentado em um assento elevado. Este homem era o soberano de Arisia, Yeda Crusius.

Yeda hastea sua mão direita, um brilho magico aparece no ventre de seu pescoço:

— NOSSA NOVA PARTICIPANTE É LILITH DARKMOON_ o volume da voz de Yeda era estrondoso, podendo ser ouvido a todo canto da arena _ ELA É UMA PALADINA DO DEUS ARAWN, POSSUI 26 ANOS.

Yeda ergue a mão novamente, e um portão na arena se abre. De dentro dele um homúnculo gigantesco acorrentado por pesadas correntes de ferro em seus pulsos surge. Tinha uma aparência selvagem porem humanoide, com enormes proporções físicas. Era um Hobgoblin. Uma criatura, que geralmente mede uma media de 1,40 m. Porem o Hobgoblin que estava diante de Lilith tinha mais de 2m. Provavelmente foi modificado fisicamente por Alquimistas. Era um goblin mais robusto que o normal chegando a ter um tamanho parecido com o de um Orc.

O portão da arena se fecha no mesmo instante que Yeda prossegue sua elucidação aos ali presentes no espetáculo.

— O DESAFIANTE DE LILITH SERÁ UM HOBGOBLING ESPECIAL_ enquanto o governador falava, o gigante hobgobling caminhava para o centro berrando em fúria. O publico em volta da arena eufórico clamava em empolgação_ ELE FOI DESENVOLVIDO ESPECIALMENTE PARA ESTE COMBATE.

Yeda ergue a mão uma vez mais. As correntes nos pulsos do Hobgobling se desfaz. Uma espada Grande surge magicamente ao lado do Hobgobling, e o Martelo de Guerra de Lilith surge ao mesmo tempo ao lado da jovem paladina juntamente com um escudo.

— PEGUEM SUAS ARMAS, E QUE O MAIS FORTE VENÇA.

O hobgobling enfurecido pega abruptamente sua espada e parte em direção a seu alvo. Lilith se arma com seu martelo e escudo, se preparando pro ataque do hobgobling. A criatura ergue sua espada e desfere o primeiro golpe. Lilith posiciona seu escudo e intercepta o impacto do golpe, porem a força do Hobgobling modificado era demasiadamente elevada e arremessa a jovem 3 metros para traz. Ela se levanta rapidamente, e tenta acertar o gigante com seu martelo. O martelo golpe o tronco do gigante, que não demonstra sinais de dor. O hobglobing segura o martelo de Lilith com a mão esquerda, impedindo Lilith de se reposicionar, então ele tenta golpea-la novamente com sua espada, forçando a jovem a largar seu machado de batalha, dando um salto para traz , evitando o impacto. O hobgobling joga o martelo da paladina no chão e desloca-se iniciando um novo golpe. Lilith desvia com maestria do ataque, saltando, movendo seu corpo em direção a seu martelo. Ela o apanha novamente, pegando impulso em seus pés , dando um salto em direção a criatura , preparando-se para golpear sua cabeça. O impacto do martelo agora foi eficaz. Pelo som ao colidir o martelo ao crânio do Hobgonling dava-se para prever que os ossos do gigante foram quebrados. A criatura ficou atordoada ao receber o golpe, e ajoelha-se.

O publico vai a loucura, em puro êxtase, chocados com o desfecho da batalha.

—PARECE QUE A JOVEM LILITH NÃO ERA TÃO INDEFESA QUANTO PENSAVAMOS_ Yeda ergue sua mão, um novo portal surge na arena, e dele Amista Lhamo aparece. O monge vê a criatura gigantesca ajoelhada e o publico gritando pelo nome de Lilith. O governador prossegue_ VEJAMOS ENTÃO, O QUE AMISTA , O MONGE SOBREVIVENTE DE YUDRON FARÁ.

Amista senta-se no chão cruzando suas pernas e mantendo suas mãos unidas , em uma espécie de posição de meditação.

— Parece que você já tem tudo sobre controle não é mesmo Lilith?_ indaga o monge _ apenas acabe logo com ele.

A plateia parece não gostar da atitude de Amista e começa a vaiar aquela situação.

Lilith sorri em resposta as palavras de seu amigo. Por mais que Amista sempre provoque Lilith, eles já se conheciam a bastante tempo, criando um laço de fraternidade entre eles.

— Pode deixar. Eu irei terminar o seu trabalho, seu monge preguiçoso_ Lilith ergue seu Martelo e desfere mais um golpe na criatura gigantesca, que cai inconsciente no chão.

O publico do coliseu começa a vaiar o espetáculo com mais afinco. Ofensas como preguiçoso, ridículo e farsa podiam ser ouvidas entre vaias e berros.

Yeda levanta-se de seu assento:

— ESTAMOS FACILITANDO DEMAIS, NÃO É MESMO._ o governador exclama com uma fúria que podia ser ouvida a vários metros de distancia _ DEIXAREMOS ENTÃO ESTE ESPETACULO MAIS INTERESSANTE PARA O MONGE YUDRONIANO.

As mãos de Yeda levanta-se novamente e o portão na arena abre-se uma vez mais. Porem agora 3 gigantes hobglobins adentram o coliseu. Eles estavam acorrentados como o anterior. Yeda estala seus dedos e as correntes desaparecem, surgindo magicamente Espadas Grandes em suas mãos.

— ESPERO SUPERAR SUAS EXPECTATIVAS DESTA VEZ MONGE _ Yeda senta-se novamente, com um olhar de satisfação no rosto e o portão da arena se fecha. O governador olha para os 3 Hobgoblings e aponta o dedo na direção de Amista _ DEEM BOAS VINDAS AO MONGE.

Os três Hobgoblins partem em disparada na direção de Amista que não tem muito tempo de reação. Ele recebe um amontoado de golpes que o atingem em varias partes de seu corpo. Amista por ser um monge não utiliza de armaduras ou armas para atacar ou se defender. Anos de treinamento fizeram de seu corpo uma arma viva, capaz de produzir com os punhos o impacto de um martelo ou defende-se com seu peito de um impacto de um machado, mas Amista foi pego desprevenido, e é ferido gravemente. Um dos Hobgoblins o pega pela nuca e o arremessa para longe.

A plateia se anima novamente.

— E AGORA MONGE, É UM DESAFIO SUFICIENTE PARA VOCÊ_ Yeda pergunta em um tom irônico.

Os cortes recebidos das Espadadas dos Hobgoblins em outro ser vivo seria fatal, contudo Amista recebeu enquanto discípulo do mestre D´lay Yong um duro treinamento que intensificou a resistência física de sua pele. Estar sem armaduras não o tornavam um alvo fácil de se ferir, pelo contrario, sua pele era tão resistente quanto a mais solida das armaduras de Notra. Porem ele recebeu inúmeros golpes consecutivos e estava bem machucado.

Lilith move-se para próximo de Amista, ajoelhando-se:

—Você deveria levar sua vida mortal um pouco mais a serio meu amigo, ela é um presente dado a você pelos deuses, e pode ser facilmente tomada_ Lilith estende a mão sobre as feridas de Amista e começa a proferir uma oração_ Arawn, tu que és o grande portador da luz negra, iluminas como um farol o recôndito da alma de Amista, para que eu possa remover suas feridas e sua dor! Minha Divindade, sou a precursora viva dos ancestrais devotos. De-me o dom de invocar a luz sombria, manifestando toda a potencialidade de seu ser, Arawn Ethan!_ ao terminar suas preces o corpo de Amista foi envolvido em escuridão. Suas feridas começaram a cicatrizar-se e a dor em seu corpo extinguira-se _ agora levante-se Amista, e lute a serio pois só consigo invocar as bênçãos de meu Arawn uma vez por dia.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.