Notas iniciais
Hehehe, vocês me desculpam por demorar tanto? Foi mal mesmo, eu confesso, tive preguiça, mas aí para piorar, me mudei e fiquei quase dois meses sem internet. Triste vida. Gomenasai.

Lílian.

Eu estava dormindo tranquilamente quando fui acordada por um berro:

– Lily!

Eu me levantei de supetão olhando para os lados sem entender nada. Então uma juba de cabelos castanhos me abraçou.

– Melinda?

– Eu mesma – ela disse se separando de mim com um enorme sorriso.

Eu passei a mão no rosto e grunhi.

– Puxa, por que me acordar desse jeito? Não podia ser de um modo mais normal.

– A culpa é sua por ser dorminhoca. Já são dez horas, querida, e eu não vejo você tem uns três anos.

Eu olhei para ela e vi sua cara de criança mimada. O olhar pidão e o biquinho. Não aguentei.

Sorri e a abracei novamente.

– Agora será que eu posso, sei lá, lavar o rosto, escovar meus dentes em paz ou você vai vir me assustar também?

Ela riu: — Não, tudo bem, pode ir.

Ao chegar ao banheiro eu vi meu estado. Cabelos assanhados, olhos inchados, marcas do travesseiro no rosto...

Melhorei minha aparência e desci as escadas.

– Ah, como é bom ver minha filhinha caçula em casa – disse minha mãe logo vindo me abraçar.

– E sua filha mais velha, não é bom? – perguntou a própria.

– É claro que é, mas você já é adulta e mora aqui.

Petúnia rolou os olhos.

– De qualquer forma, estou indo me encontrar com Válter.

– Ah e como está indo o casamento? – perguntei.

– Vai indo. Hoje vamos escolher o Buffet.

– Legal e você já escolheu o vestido de noiva?

– Sim, é um de ceda branca lindíssimo.

– E caríssimo – disse minha mãe.

– Bem, eu tenho que ir. Tchau.

Ela deu uma jogada de cabelo e foi embora rebolando.

– Sua irmã se tornou ainda mais distante de você – notou Melinda.

– É, mas já estou acostumada Mel, não ligue para aquela exibida.

– Não chame sua irmã de exibida – disse mamãe.

– Ok ok — disse imitando a jogada de cabelo de Petúnia e arrastando Melinda para a cozinha.

– Então, ouvi dizer que você tem um namorado? — perguntou Melinda enquanto bebíamos limonada.

– Sim.

Ela fez um som estranho entre um grito e uma risada.

– Como ele é? Quando isso aconteceu? Como aconteceu? Onde aconteceu?

– Qual pergunta você quer que eu responda primeiro?

– Qual é o nome dele?

– James Potter.

Ela franziu as sobrancelhas e inclinou levemente a cabeça.

– Não era aquele garoto que você odiava que vivia fazendo brincadeiras de mau gosto com seus colegas?

– Eu nunca odiei ele.

– Então você já gostava dele?

– Também não. Eu só... não gostava dele, mas ódio nunca tive por ninguém.

– E como passou a gostar dele?

– Foi esse ano, ele parou de ser tão infantil, apesar de ainda continuar um pouco idiota.

– E quando vou conhecer ele?

– Hoje mesmo.

– O quê?

– Eu contatei com ele ontem e ele vai vir para cá encontrar comigo e para aproveitar vai falar os detalhes do jantar com nossas famílias.

– Legal eu quero muito ver esse garoto.

– Vamos lá para fora, quem sabe não encontramos com ele.

Melinda balançou a cabeça e foi andando. Ela estava mais alta que eu e bem bonita. Com toda aquela alegria, todos os garotos deviam estar atrás dela.

– Mãe – eu gritei – Estou saindo com a Mel.

– Tá – gritou ela de volta.

Mas antes de botar o pé para fora de casa, olhei meu reflexo num espelho da casa. Ajeitei rapidamente o cabelo e saí.

Assim, fomos andando conversando animadamente para um parque próximo. Ele estava cheio de crianças correndo, brincando no escorregador e se pendurando em árvores.

Sentamos em um banco e ficamos observando as crianças. Estava falando sobre Hogwarts para Melinda, nada anormal, só coisas em comum com as outras escolas. O ritmo puxado dos estudos, professores chatos, outros legais, um diretor diferente, seleção de casas.

Então levei um susto ao me abraçarem por trás no pescoço.

– Lily – disse uma pessoa pela segunda vez no dia, mas dessa vez eu reconhecia a voz.

Ele fazia força sobre mim e eu ia me curvando sob seus braços.

– Ai, James, já pode me largar.

Ele virou a cabeça de um jeito que podia me olhar. Seus cabelos espetados penderam para um lado.

– Poxa, Lily, não nos vemos tem dois dias e já me manda te largar.

Rolei os olhos com um sorriso no rosto e depois o beijei.

– Muito bem, o casalzinho já pode se largar não é? Não vim ficar de vela.

– Almofadinhas! – exclamei alegre.

– Ruiva.

Separei-me de James e o abracei.

– Então você veio também.

– Claro, não perderia a chance de conhecer algumas garotas tro...

– Almofadinhas, James, gostaria que conhecessem minha amiga Melinda.

Apontei para ela e eles viraram a cabeça como se só percebessem agora que ela estava lá. Almofadinhas se empertigou, tossiu e estendeu sua mão.

– É um prazer conhecê-la, senhorita – disse beijando a mão de Mel.

– Muito prazer.

– Olá, e eu sou James – cumprimentou James, mas ele não beijou a mão de Mel.

– Já ouvi falar de você.

– Sério? E o que acha da minha pessoa.

– Combina com a Lily.

James sorriu largo – Eu sei.

Eu bati de leve no seu braço.

– Então, foi difícil conquistar essa daí?

– Você não tem ideia.

Almofadinhas riu e eu senti o rosto esquentar. Idiotas.

Assim, ficamos andando pelas ruas enquanto conversávamos, mais longe estava Almofadinhas e Melinda, que pareciam estar achando um ao outro muito interessante.

– Então, o que você acha? Dos dois? – perguntei ao James.

– Hum, eu acho que talvez dê certo. Almofadinhas parece estar bastante interessado nela.

– Como estava com Marlene?

– Não sei dizer, o relacionamento dele com Marlene foi algo mais lento, com essa Melinda foi mais rápido. Talvez ele goste dela ou só seja um interesse momentâneo.

Mais tarde voltamos para casa.

– Mãe, tem alguém aqui querendo falar com a senhora.

Rapidamente passos dela foram ouvidos e ela veio.

– Oh, olá James o quê... – Então ela reparou em Sirius – E quem é você, querido?

– Sirius Black, senhora – disse ele estendendo a mão, mas ele não beijou a da minha mãe.

– Muito prazer. Amigo da Lily?

– E de James.

– Então senhora Evans – disse James – Vim aqui falar sobre o jantar dos nossos pais.

– Oh claro, deixe-me só terminar de arrumar algumas coisas. Por enquanto podem ficar a vontade.

Mamãe saiu e eu levei os meninos para a sala de estar.

– Então é assim uma casa de trouxas – comentou Sirius de repente.

– Sirius!

– Trouxas? – perguntou Melinda.

– É como, ahn, a família dele chama pessoas do subúrbio.

– De trouxas? E o que é que tem a sua família?

– Ahn, minha família é bem poderosa, digamos.

– E rica, suponho?

– Sim, mas eles são muito chatos.

– Mas a minha não é, então ele se instalou lá na minha casa.

Eu estava quieta, sentada no sofá e acariciando Luigi, um gato branco antigo da família. Ele na verdade nunca tinha sido da família, apenas se afeiçoou um pouco à gente vinha às vezes passear pela casa.

– E quem é esse? – perguntou James notando agora.

– Luigi.

Ele se sentou do meu lado e coçou as orelhas do gato. Luigi ronronou.

Talvez James tivesse esse poder de encantar todos a sua volta.

– Não me contou sobre ele.

– Ele não é exatamente meu, ele vive pelas ruas. Só aparece aqui algumas vezes por comida e carinho.

– Hey – falou Almofadinhas – E quem é o bichano?

– Luigi, um gato preguiçoso e aproveitador.

Sirius também se moveu para acaricia-lo, mas algo engraçado aconteceu. O gato chiou para ele, demonstrando claramente que não gostava nada do nosso amigo sangue-puro. Almofadinhas rosnou para ele, fazendo soar quase como um cão.

Eu e James rimos muito.

Passado alguns minutos, mamãe voltou e se sentou.

– Agora pode falar.

– Bem – começou James – Minha mãe estava pensando em fazermos o jantar em dois dias. O que acha?

– Muito bem e aonde?

– Na casa em que for mais conveniente para a senhora. Poderia ser na minha casa, mas caso for incomodo, podia ser em outro canto.

– Não, não, pode ser na casa dela. Que horas?

– Às sete horas.

– Confirmado. A senhora Potter gosta de suflê?

– Gosta, mas não precisa se incomo...

– Não, não, não, será um tremendo insulto se ela recusar provar meu suflê de chocolate.

Eu sorri. Essa era minha mãe, uma tremenda cozinheira. Para ela, a melhor do que cozinhar era ver os outros provando de sua comida. Ela trabalha em uma pequena confeitaria pelo bairro e nas horas vagas, cozinha para os mais pobres.

– Tudo b...

A porta as sala se abriu rápido e Petúnia entrou correndo.

– Mamãe, mamãe, quero te mostrar... – ela se interrompeu ao perceber a presença de James e Sirius – Ahn, bom dia.

– Oi Petúnia, estes são James Potter, namorado da Lily e Sirius Black, amigo deles.

O olhar de Petúnia recaiu principalmente sobre James. Ela o olhou dos pés à cabeça, parando um bom tempo em seus cabelos. Ela detestava cabelos assanhados. Uma curva na boca dela mostrou que não o tinha aprovado.

– Prazer, mas será que posso chamar minha mãe um instante.

– Muito bem, confirme com a senhora Potter, James, eu e John estaremos lá. Fiquem à vontade.

Então ela saiu junto da filha mais velha.

– Então essa é sua irmã? – perguntaram James e Sirius em uníssono.

– Que nem gêmeas, não é? – disse Mel com um sorriso torto.

– Mas ela não se parece nada com você – disse James surpreso, então começou a rir – E eu estava preocupado que houvesse uma segunda Lily para encher meus olhos.

Eu corei na mesma hora.

– Então, Sirius – falou Mel – Por que não vamos lá no jardim enquanto me explica esse seu apelido?

– Ahn? Ah, claro.

Os dois saíram e nós ficamos sozinhos.

– Então, o que está achando da casa de Lily? – perguntei.

– Igual a você, bonita, charmosa e aconchegante.

Eu sorri vermelha.

– Isso porque não viu meu quarto. Vamos.

Peguei-o pelo pulso e o levei até meu quarto. Ele não estava em seu dia mais organizado, mas não estava ruim. As paredes eram lilás claro, tinha um guarda roupa, uma escrivaninha e minha cama. No chão estava minha mala, alguns pôsteres de cantoras trouxas nas paredes, várias fotos com minhas amigas e na escrivaninha, vários livros trouxas e da escola.

Olhei para James e vi seu sorriso.

– Ainda mais sua cara, mas sabe acho que prefiro o dormitório feminino de Hogwarts.

– Por quê?

– Porque lá posso te chamar a hora que quiser. Gritar por você. Aqui eu nunca vou poder fazer isso.

Pus minhas mãos para trás e dei de ombros.

– Bom, não tem ninguém aqui para conferir.

James sorriu daquele jeito maroto – Acho que está andando muito comigo.

Então ele me agarrou pela cintura e me trouxe para um beijo. Um verdadeiro beijo. Um que demonstrava o quanto demoramos a perceber que éramos imperfeitos, mas perfeitos juntos.

O beijo estava se aprofundando e ele me puxava mais para si enquanto meu coração martelava contra o peito. A sensação era ótima. Parecia que toda a felicidade do mundo havia pairado sobre mim.

Mas uma voz nos separou.

– Lily...

Era meu pai. Ele fez uma carranca enorme ao perceber James ali.

Eu olhei rapidamente para meu namorado e vi que ele estava da cor de um pimentão. Eu deveria estar da cor dos meus cabelos.

– Er, oi pai.

Mas ele apenas continuou encarando James. Como James não era idiota, tratou logo de se despedir.

– É, então daqui dois dias, Lily. Digo tchau ao Sirius por você.

Ele provavelmente ia me beijar, mas ficou atrapalhado pela presença do meu pai e apenas me deu tapinhas no ombro. Inclinou levemente a cabeça para meu pai e saiu. Também pude perceber pelo som que dois passos depois, ela correu como um louco para a escada.

Eu apenas fiquei desviando meu olhar do meu pai e batendo no chão com o pé.

– Eu não quero aquele garoto aqui no seu quarto.

– Não precisa agir assim, papai, não se preocupe.

– Eu já decidi, vocês só vão ficar aqui em casa em um lugar em que eu possa ver vocês.

– O senhor realmente quer ver, digo, ver a gente junto?

– Não, pensando melhor, não. Mas vocês vão ficar em um canto que saibam que não vão poder passar disso que estavam fazendo.

– Papai! Não precisa fazer uma insinuação dessas.

– Você logo vai fazer dezoito anos e está com um namorado desses, é bom se acostumar com essas insinuações.

– Mas você deveria saber que sua filha não faria o que está insinuando tão precipitadamente. Ela tem consciência e o namorado dela também.

– Ela tem certeza?

– Absoluta.

– Mesmo assim. Quarto ou qualquer outro lugar pouco movimentado da casa nunca mais desacompanhados.

Assim, sem esperar uma resposta, ele fechou a porta. Eu provavelmente ainda estava vermelha e um sorriso boboca no rosto. Então esperei um tempo antes de chamar Melinda para conversarmos.

–Ei por que James saiu correndo daqui?

– Ahn, papai nos pegou nos beijando aqui.

Mel caiu na gargalhada.

– Nossa, eu queria estar presente para ver isso.

– Idiota.

– Mas realmente você me surpreendeu. Eu não esperava um James como aquele.

– E como você esperava?

– Um garoto chato, implicante e burro.

– E por que achava isso?

– Pelo o que você me contava dele. Então, de repente, aparece um garoto lindo, gentil e divertido. Garota, você tirou a sorte grande.

– Acho que sim, visto que a maioria das garotas em Hogwarts quer ele.

– Vamos, dê adjetivos de apaixonada. O que mais ele é?

– Hum, brilhante, um dos garotos mais inteligentes da escola, um pouco travesso, um pouco sério. Ah e é jogador de um time nosso da escola.

– Futebol?

– Não, está mais para basquete.

– Hum.

– E também é um dos maiores encrenqueiros da história da escola.

– Lílian Evans, quem diria, hein? Namorada de um encrenqueiro.

– Felizmente, ele se ajeitou esse ano.

– Felizmente, hum?

– Felizmente.

Notas finais
E aí??