Liliam Stark: The Dark Side Of Me
11 Everybody wants rule the world
Notas iniciais
"Me leve até as estrelas"
– NÃÃÃÃÃÃO!
Eu debatia em qualquer coisa, minhas mãos o sentia e eu socava ele com força, alguma hora teria que se afastar de mim. Eu não o queria! Aquilo era errado! Eu não podia tê-lo, nem me entregar!
– Agente Stark! — Aquela voz não era a dele, só se eu estava beijando uma mulher em vez de um deus dick vigarista.
Ergui meu corpo e abri os olhos, e percebendo que nada tinha passado de um sonho. Nada de fato aconteceu, eu não estava em sua cela, suas mãos não estavam em meu corpo, meu corpo não estava incendiado por uma chama interna. Não havia nada... E não sei dizer se aquilo me deixou feliz ou decepcionada.
Quando olhei para a pessoa que me segurava fiquei em dúvida se foi uma ideia muito boa ter despertado. Loki ou ela, os dois me traziam sentimentos raivosos. Encarei a mulher loira que me segurava, seus olhos eram frios e racionais enquanto me encarava.
– Madison! — Pronunciei como um palavrão, de todas as pessoas que já conheci ela deveria ser a última a estar naquele lugar.
Empurrei meu corpo para longe daquela vizinha encapetada. Como ela minha a audácia de me perseguir até ali? Ou era coisa da minha cabeça? Naquele momento eu já não sabia diferenciar o que era o que. Meu corpo todo estava em colapso, eu não sabia se chorava ou gritava... Passava a mão sobre mim tentando me livrar da sensação de ter as mãos dele em meu corpo.
E nem se preferiria ter Loki ou ela em meus pensamentos.
Ela se ajoelhou pedindo silêncio e como primeira reação chutei sua perna para se afastar.
– Aí sua idiota! Eu não sou a Madison. — Exclamou com a mão na onde eu acertei. Acho que foi forte porque ela fez uma baita careta de dor.
– E eu sou a Madre Tereza. — Respondi preparada para chuta-la novamente.
– Sua lista de ex-namorados diz outra coisa. — Meu pé levantou de novo mirando na sua cara, porém ela foi rápida o suficiente para segura-lo antes de atingi-la. — Para com a palhaçada, Stark. Sou a agente Carter, sua idiota.
Olhei para ela e vi o semblante da S.H.I.E.L.D costurado em seu uniforme. Mesmo assim a desconfiança não diminuiu e por incrível que pareça só aumentou minha raiva. Como assim essa vagabunda loira é uma agente?!
– Uma agente? — Repeti indignada. — Que por pura coincidência ficou no mesmo prédio que Steve e mudou o nome para Madison. — Comentei sarcástica.
– Você que é a boa para entender as coisas que deixam escapar, não eu. — Carter, se esse também não for um nome falso, levantou-se e ofereceu sua mão para me ajudar.
Respirei fundo antes de levantar, agora eu já tinha certeza que era real pois eu não teria imaginação pra criar uma Madison falsa que na verdade é uma agente. Essa parte da realidade era insana até pra mim. Se eu falar que fico surpresa por Fury ter infiltrado uma agente na minha missão isso seria mentira. Ele não permitiria que eu fracasse em aliar o Capitão América a S.H.I.E.L.D, talvez temesse que meu envolvimento com ele afetasse isso já que eu tenho a reputação de... bem, de ser alguém que magoa as pessoas.
Mas a parte que não era real que me preocupava. Lilith... Loki... Foram dois golpes que me afundou. A vagabunda daquela demônio alienígena me enganou o ano inteiro, com toda sua história de estarmos em perigo... Tudo invenção pra me fazer ficar afastada de Steve.
Por que ela iria me querer afastada de Steve? Ela e Loki estavam justos? Teria sido um plano dos dois dês do início? Por isso Loki quer tanto que eu mostre meu lado negro? Para que ela me domine?... Ah, quantas perguntas.
Aceitei a ajuda de Carter porque eu estava meio zonza pra me levantar sozinha, estou semelhante a um computador em pane.
– Steve sabe sobre você? — Cruzei os braços, mesmo com a minha cabeça rodando, eu não me mostraria mais frágil a "Agente Carter"
Como eu não desconfiei? Isso nunca teria sido deixado passar se eu não estivesse tão apaixonada pelo Rogers, eu deveria ter prestado atenção. Numa parte Lilith tem razão, eu me tornava vulnerável quando estava com ele.
– Não, e nem precisa saber. — Disse imitando meus movimentos. — Eu estou indo embora de qualquer jeito, Fury quer manter minha identidade secreta.
– Então por que se revelar pra mim? Sabendo que a qualquer hora eu posso bater nessa sua cara de pau. — Minha cabeça tinha parado de rodar, e eu já conseguia me concentrar em seu rosto.
Ela me lembrava alguém...
– Porque você estava gritando como uma doida e ninguém tinha coragem de vir aqui ver o que era. — Explicou olhando o estado do quarto.
Acompanhei seu olhar e vi o estado de destruição que deixei quando estava sendo atormentada por meu demônio interno. Fechei minhas mãos e tive a vontade desesperada de socar algo, imaginando a cara de Lilith nela.
– O que aconteceu aqui?
– Não te interessa. — Cortei. Recolhi minha jaqueta do chão e a vesti antes que Carter visse o estrago que Lilith tinha feito em meu braço.
–Tudo bem, não que seu estado me importe mesmo. — Ela abriu a porta e antes de sair falou. — Só um aviso: Dá próxima vez tente evitar ficar gritando o nome do prisioneiro que está alguns andares abaixo... Algumas pessoas podem interpretar isso de forma errada.
Avancei alguns passos pronta para confronta-la quando a porta se fechou na minha cara. Essa Madison, Carter, o diabo que seja... Não gosto dela! Ligando a revelação e aos acontecimentos do ano passado, sua presença na minha missão foi essencial. A vagabunda tinha conseguido arrancar a verdade sobre meus sentimentos a respeito de Steve, por isso Nick foi conferir porque não tinha ido embora. O beijo, o bar... Foi tudo arquitetado pela S.H.I.E.L.D. E eu fui muito burra de não ter percebido! Ah, como tenho sido idiota!
Acreditando em Lilith, não saber quem era Loki...
Seu nome surgiu em meu pensamento e me fez questionar: Teria sido aquilo um sonho? Lilith tinha implantado aquilo na minha cabeça? Ou teria sido ele...
Respirei fundo, precisava organizar minha mente. Primeiro iria conversar com Nick a respeito do meu estado na S.H.I.E.L.D (teria tempo de sobra pra brigar com ele a respeito da Agente Carter), isso me parece mais urgente. Depois, iria pessoalmente até Loki e colocaríamos um ponto final nas minhas dúvidas, isso incluía sobre Clint e sobre... Ele estar em minha mente.
Sai do quarto e perguntei a uma agente onde estava Fury, que me disse que ele estava subindo nesse exato momento para a sala de controle. Fiquei a espera na porta do elevador até a porta abrir e eu ver meu tão amado chefe caolho.
–Achei que adiaria nossa conversa até terminar o drama familiar. – Fury comentou assim que a porta do terceiro andar se abriu e revelou a ele uma agente Stark parada a sua espera.
–Precisa mandar Anthony embora. – Disse sem rodeios e já adentrando no cubículo.
– Você e seu irmão são mais parecidos do que pensa. — Fury apertou o botão do elevador e cruzou os braços.
– Eu não nada como ele! Anthony é egomaníaco, pensa que pode comandar tudo ao seu redor e não consegue ouvir absolutamente nada que não seja sua própria opinião. — Imitei seu movimento e bufei. Era ridículo me comparar a Tony, não sei como Nick depois de anos consegue olhar pra mim e dizer isso.
– E você está descrevendo ele ou si mesma? — Levantei meus olhos para encara-lo, incrédula. — Quando vi a briga que tiveram lá em cima me senti vendo dois espelhos: Os dois são tão orgulhosos que não suportam o fato de que precisam um do outro, e sei que não está chateada pelo o que aconteceu no passado, mas sim pelo fato de seu próprio irmão duvidar de sua confiança.
– Uau, Oprah, você é talentosa! – Comentei sarcástica revirando os olhos. – Você não acredita que eu tenha realmente traído a S.H.I.E.L.D, não é?
Fury tinha que ser o único a achar aquela acusação absurda, pois ele realmente sabe meus motivos para estar na S.H.I.E.L.D e os motivos do qual eu não possa sair dela. No meu tempo de Devil Lips a reputação manchada pela lista de pessoas que “eu” assassinei foi mais do que absurda (Todas as pessoas foram vítimas de Lilith, mas não significa que seja ela que arca com as responsabilidades) quinhentas pessoas ao todo. O conselho de segurança das nações (O que eu chamo de GPNS – Grandes Pés No Saco) praticamente ordenou minha morte pelos crimes que cometi em nome do Odorizze. Foi quase uma caças as bruxas até Clint me achar e me levar pra S.H.I.E.l.D; meses e mais meses vagando sozinha tentando fugir dos executores. Como uma forma de sobrevivência tive que abdicar meu livre arbítrio e entrega-lo a Nick Fury até que ele transfira para outra pessoa, significa que qualquer ordem que Nick me dê eu preciso fazer. Fury está literalmente com a minha vida nas mãos.
– Se eu desconfiasse por um minuto de você estaríamos tendo um tipo diferente de conversa. – Respondeu sem olhar pra mim.
– Então por que me fazer passar por tudo aquilo lá em cima?
– Porque eles não confiam em você. Mas no dia em que Tony Stark influenciar em alguma das minhas decisões será o dia em que passarei mais tempo em um bar do que na S.H.I.E.L.D. – Explicou com aquele tom irônico que sempre usava para falar do meu irmão.
– Você queria mostrar que eles podem confiar em você, ou pelo menos mostrar que esta ao lado deles. — Comecei a entender o que se passava na cabeça de Nick, pelo menos nessa parte, e um alivio se estendeu pelo meu corpo. Ele não estava pensando em me mandar embora.
– Steve Rogers me fez um único pedido depois de uma pequena reuniãozinha que fizemos após sua partida. Tente adivinhar o que foi? — Perguntou como um professor a sua pupila.
Não era muito difícil imaginar o que Steve iria querer. Ele sempre quer minha proteção.
– Me manter fora disso. — Respondi, aquilo era obvio.
– Exatamente! Stark e Rogers subestimam sua capacidade, agente Stark. Mas temos um relacionamento peculiar, concorda? — Fury apontou o dedo para nós.
– Plenamente. Você é o cara que limpa o sangue quando eu mato por você. – Comentei sendo o mais verdadeira possível.
– Parece que escuto Howard dizendo estas coisas. – Um sorriso brotou naqueles lábios, e me deixou curiosa para saber qual era a relação do meu pai e de Nick. — Bem, para conquistar a confiança do Capitão eu lhe deixei em paz por um ano...
– Mentira. – Deduzi sem piscar. Fury deve pensar que sou idiota, mas trabalhar quatro anos com ele me fez conhecê-lo bem. Ele nunca desperdiçaria uma agente como eu no momento que mais precisa só porque quer recrutar alguém. Ele apenas me mandaria ficar longe para não mostrar a verdade. — Nick, não precisa mentir pra mim. Acha que se eu estivesse na S.H.I.E.L.D durante este ano eles talvez relacionassem Thor e suas histórias a mim, isso é algo que você não quer.
– Garota esperta, Stark. Queria saber se seu sensor de mentira ainda apita. – Ele sorriu orgulhoso como se sua aluna favorita tivesse tirado A.
– Bem mais do que o barulho de uma bala. — Respondi enchendo o peito, pelo menos algumas habilidades como agente eu não tinha perdido. — Acha que Loki sabe sobre Lilith? – Aquela pergunta passava em minha mente dês do momento em que percebi que ele era realmente ele. Por que ir atrás de mim? Por que querer me envolver em tudo isso?
– Acho que não teria deixado você voltar se soubesse. Mas a sua função foi executada, deixou-os tontos como baratas à luz. – Explicou concluindo também algo que já pensei. Loki estava me usando como uma distração.
– Sabia que ele queria isso. Mas não acha que seria bem mais catastrófico se eu estivesse morta? Talvez tenha visto que não seja necessário. – Uma parte minha lembrou-se do que eu disse para ele no sonho: Você não me matara. Gosta de mim.
Queria acreditar que era realmente verdade.
– Ou seja questão de tempo. – Sugeriu Fury ríspido.
– Acha que ele me mataria? Eu não fiz nada a ele! – Exclamei indignada.
– Não tem haver com o que fez, e sim por que... Algumas de nossas vítimas nos fizeram alguma coisa?
A pergunta nunca esteve mais que certa. Eu e Fury já matamos pessoas, nem se interessando pela trágica vida que pode ter por baixo. Contanto ainda restava uma pulga atrás da minha orelha... Eu deveria estar bem longe disso, fugir de Loki e deixar os problemas nas costas deles... E as razões para ficar voltaram barrando meus pensamentos covardes. Na verdade "a razão"
– Eu só vou embora quando eu salvar Clint primeiro. – Disse convicta.
– Não a quero longe, sabe disso. – Ele novamente mentiu, mas dessa vez preferi não acusa-lo.
– "E sempre mais seguro te ter debaixo do meu nariz”, foi o que disse quando aceitei ser uma agente. – Lembrei de suas palavras e da forma como temia seu olhar. Porém ele era tudo que me restará como a imagem de um pai, por incrível que pareça, Fury tinha um significado bem maior do que apenas meu chefe. – Nick, se algo acontecer comigo...
–Nada vai acontecer. – Tentou corrigir usando seu tom áspero.
–Se acontecer eu quero que você saiba que eu não sou apenas mais uma de suas agentes, nem seu problema favorito. – Tentava ser o mínimo sensível possível, porque sei que Fury odeia sentimentalismo. Porém ele precisava saber disso. – Quero que saiba que fico grata por tudo que fez por mim, dês de sempre. Você é minha família, a S.H.I.E.L.D é a minha família. E eu vou lutar até que eu morra.
–Vamos esperar que isso não seja necessário, agente Stark.
Chegamos ao primeiro andar e Fury já caminhou diretamente para a sala de reunião, onde provavelmente deveria estar os Vingadores. Eu no soslaio dele o segui, mesmo depois de toda a briga que tive com alguns há horas, contanto eu não iria perder o que Fury tinha a dizer sobre Loki.
–Eu sou um grande fã seu, adoro quando você perde o controle e se transforma naquele monstro verde e furioso. – O comentário de Anthony foi o que escutamos antes de entrar na sala, e Nick me deu uma olhada repreensiva provavelmente pensando no nosso jeito repugnante Stark.
Minha resposta foi dar ombros e responde-lo com um olhar que dizia: você o trouxe.
–O Dr. Banner só esta aqui apenas para rastrear o cubo. – Nick comentou quando atravessamos a porta da sala e se ajuntamos com os Vingadores.
Olhares foram direcionados a mim, e acho que pude escutar Tony bufar. Mas eu sei o que é ser incômodo no lugar há muito tempo, tinha uma legião de pessoas que não gostavam de mim. Então para o agrado deles eu não sairia tão cedo dali, não até acharem Clint.
Joguei meu cabelo e fiquei no canto, apenas vendo a conversinha deles. Capitão e Fury comentaram algo sobre a lança de Loki e o funcionamento das armas da H.I.D.R.A, honestamente meu foco nunca foi essas reuniões chatas. Eu sou da ação, não da conversa.
Meus olhos pousaram na tela do computador onde mostrava a câmera da jaula de Loki. Eu precisava ir falar com ele, saber que o que aconteceu foi apenas da minha cabeça. Além disso tinha realmente uma parte de mim que só queria vê-lo. E eu fiz questão de ignorar essa parte tentando me concentrar no que Fury estava dizendo.
–E eu quero saber como foi que Loki transformou dois dos homens mais inteligentes que já conheci em macacos voadores. – Disse Nick referindo-se ao Selvig e ao Clint.
–Macacos? Eu não entendi. – Respondeu Thor.
–Eu entendi! – Exclamou Steve parecendo feliz por ter compreendido. – Eu entendi a referência.
–Meu Deus, vocês fazem jus a cor de cabelo. – Deixei escapar em voz alta.
Steve olhou pra mim encabulado e Tony quase deu risada. Eu não deveria ter dito aquilo, não na situação que estávamos agora. Ele deve pensar que eu fiz de propósito, mas foi apenas minha boca grande Stark que falou por mim.
Tony e Bruce foram para sala de controle, deixando apenas Fury, Natasha, Thor e Steve e eu ali.
–Tá e o que vamos fazer a respeito de Clint? – Todos me encararam quando me manifestei, e sem hesitar sustentei meu olhar confiante.
–O que acha que deve ser feito, agente Stark? – Fury cruzou seus braços a frente do peito e esperou por minha resposta.
–Ordene um grupo de busca. – Sugeri levantando um pouco a voz e fazendo com que os agentes olhassem para nós.
–Não sabemos onde eles estão, por isso estamos rastreamos o cubo. A não ser que Loki tenha feito muito mais do que te cantar na noite do baile não sei como poderia saber onde estão. – Fury tentou me dar às costas, porém tive a audácia de contornar e ficara sua frente.
–Então me deixe procura-lo, tentar coletar informação de forma mais rápida e...
–Não entendo sua determinação em salvar o agente Barton. – Aquele comentário poderia ter vindo de qualquer pessoa ali, até de Thor, mas não dele.
Eu ainda estava furiosa com ele, afinal ele não tinha acreditado em mim! Então não deu pra controlar e não demonstrar isso, minha raiva é a minha emoção mais forte e parece que nesses dias ela tem sido muito provocada.
–O que está querendo insinuar, Capitão? Que eu tenho algum envolvimento com Clint? Já não basta desconfiar de Loki também. – Meu tom saia venenoso, mas ele merecia! Aquele ciúmes idiota já estava me sufocando.
–Só disse que não consigo entender a sua determinação em salvar Barton, não sabia que eram tão próximos. – Ele usava aquela voz insistente, calma porem imparcial.
–Creio que ela apenas seja amiga dele. – Comentou Thor em meu favor, sorri pra ele agradecendo.
–Amigo ou não, temos prioridades aqui agente Stark. O mundo pode cair diante dos nossos olhos e eu não vou perder mais uma agente boa. Sei que considera o agente Barton um amigo, mas na guerra temos que deixar até o nosso melhor amigo para trás. — Depois de dizer isso Fury me deu as costas e saiu para fazer sei lá o que.
Respirei fundo tentando me controlar. Parecia que o mundo já estava caindo diante dos meus olhos. O homem que por quem estou apaixonada não confia em mim, meu irmão deve me odiar, minha credibilidade no trabalho foi totalmente zerada, a demônio alienígena que estava dentro de mim revelou-se estar me manipulando o tempo todo e ser capaz de me torturar, parece que estou atraída por um deus que quer reinar a força meu planeta e meu melhor amigo esta sumido. Poderia ficar melhor? O que faltava mais? Hulk cair em cima de mim?
–Liliam, podemos conversar. – A voz dele veio de novo, a voz que antigamente me atormentava nos sonhos e agora me atormenta na vida real.
Eu me virei para Steve e por mais que aqueles olhos azuis me faziam derreter não pude segurar em despejar:
–Pra que? Vai me apedrejar de novo? Já não basta o que Anthony fez na sala de reuniões ou vocês gostam de ver minha tortura? Quer saber, eu não vou permitir isso! – Apontei meu dedo na sua estrela e o pressionei na hora da raiva. – Você nem ninguém tem direito de me julgar, por mais que eu tenha cometido coisas horríveis não são melhores do que eu! Não me importo com suas palavras ou sermões porque eu retiro todo o direito que já te dei de palpitar na minha vida.
Me virei batendo meu cabelo em seu rosto e antes de sair pelos corredores eu me virei para dizer ao Capitão America:
–Só pra deixar claro; Clint é meu Bucky.
Sai andando para longe deles, tentando pensar direito no que eu tinha que fazer. Primeiro eu precisava falar com Loki de uma maneira ou outra, aquele sonho estava me deixando burra ou algo do gênero. Mas enquanto andava no corretor acabei avistando meu irmão no inicio do mesmo, caminhando na minha direção. Acho que ele não tinha me visto, pois parecia bem empenhado na conversa que trocava com Coulson e eu não seria nem louca de tentar interromper. Procurei alguma sala naquele corredor e acabei entrando na primeira que vi.
Entrei de fininho na sala, torcendo que Tony não tenha me visto percorrer o corredor, e fechei a porta o mais rápido que pude.
–Eu sabia que você seria a pessoa que enviariam pra me matar. – A voz de Bruce me assustou, fazendo que eu pulasse de susto ao encontrar o homem.
Bruce ergueu as sobrancelhas e deu um sorriso tímido pra mim. Sem perceber eu acabei entrando no laboratório, onde Bruce Banner tinha trabalho a tarde toda.
–Sim, com toda certeza sou eu! – Exclamei erguendo as mãos como se ele tivesse me pegado em flagrante. – O único problema que eu teria é encarar o Hulk depois.
–Então vou pedir que reconsiderasse essa ideia. – Bruce parecia bem mais cansado dês da última vez que o vi, os anos de fuga não o fizeram bem.
Parte da minha empatia com Bruce não era apenas porque eu entendia o que é ter medo de algo que tem em você. Mas porque ele, ao contrário de mim, nunca se permite ter um momento feliz. Desistiu de Betty, viveu isolado por tanto tempo e ainda consegue estar no lado do bem. Não consegue pensar: o mundo que se exploda!
Ele era um bom herói, mesmo que não consiga reconhecer isso.
–Prometo que vou pensar nisso se você não dizer ao meu irmão que estive aqui. Ele vai pensar que eu vim pedir desculpas e não vou deixar que ache que deixei o braço a torcer. – Quando eu brigo com alguém raramente peço desculpas, e com Tony não seria diferente.
O único problema era que somos orgulhosos na mesma medida, então nunca pediríamos desculpa por nossas palavras.
–Não vou me meter na relação de vocês, e perigosa até pra mim. – Respondeu indo até a tela e vendo os dados do rastreamento.
–Como estão indo as coisas? – Me sentei na cadeira perto da bancada, afinal eu não tenho nada pra fazer.
–Bem, estamos quase conseguindo rastrear o Tesseract. – Explicou.
–Isso é bom! Quem sabe esse pesadelo não acaba mais cedo. – Soltei apoiando meus braços na bancada e suspirando fundo.
Alguns minutos depois Bruce sentou-se ao meu lado.
–Está tudo bem?
Aquela pergunta ecoou em minha cabeça. Não estava nada bem... Não estava... E eu deveria fingir isso? Mostrar uma máscara impenetrável e me mostrar forte?
Não, eu não conseguia mais fazer isso.
–Eu estou aterorizada, Bruce. — Levantei meus olhos marejados para ele e percebi o choque do homem ao me ver assim. Mas eu precisava dizer a alguém, soltar as palavras que me sufocavam... Eu precisava. — Pela primeira vez em muito tempo eu não tenho ideia do que eu faço. Meu irmão me odeia, Steve não me olha mais como a Liliam que conheceu, a agência me vê como uma traidora e meu melhor amigo se tornou um vilão. Eu não sei o que fazer.
–Está tudo bem, Liliam. — Acalmava-me passando sua mão suavemente em meu cabelo. – Ele não a odeia. Não pode.
– Por quê? – Sussurrei olhando para aqueles belos olhos castanhos.
– Bem, vocês são irmãos... Uma ligação forte que não pode ser rompida, mesmo que talvez tenha feito coisas que tenha forçado isso.
Balancei a cabeça concordando com ele, esperando do fundo do meu coração que o que ele me diz seja verdade. Daí sorri e tive que perguntar:
–E você? Está bem?
–Por que acha que não? – Sua voz era carregada de ironia.
–Eu vi a maneira como sobrevive, e é tão triste. Digo isso porque entendo tanto quanto você tudo que passou. Acredite em mim, ninguém gosta de viver sozinho. – A frase de duplo sentido me fez ver cada vez mais como Bruce e eu somos parecidos.
–Agora estou realmente interessado na sua vida. – Comentou fugindo do assunto. — Quer dizer que Liliam Stark vai além de uma quebradora de corações?
–Muito além! só que não vou te contar nada! – Adicionei balançando a cabeça negativamente.
–Você sabe aparentemente tudo sobre de mim, seria injusto não me contar. – Buce pegou em minha não e começou a brincar com ela, abrindo e fechando devagar.
–Okay, eu concordo. – Não consegui resistir a aquela cara de doutor bonzinho que ele sempre tem. De qualquer jeito sei que Bruce é de confiança. — Quando eu era criança descobri que eu era mutante no primeiro dia da escola. Eu manipulei a mente de uma garotinha e fiz com que ela batesse na sua cabeça com uma pedra.
–Nossa! – Pelo tom dele eu já percebi que estava impressionado com como já comecei.
–É! Meus pais na época não souberam como lidar com isso e me trancafiaram em casa por um bom tempo. Quando tinha catorze anos meu corpo parecia não suportar mais aquele poder e então um mutante poderoso trancafiou meus poderes em minha mente para que eles não evoluíssem e acabasse me destruindo, porque eu não tinha capacidade de aguenta-los. – Querendo ou não essa foi uma das minhas maiores decepções com meus pais quando criança. Meus poderes, mesmo que fosse proibida de usar, era como asas imaginaria pra mim, me tornava diferente. Meu pai não hesitou um segundo em me pressionar tanto para que eu as cortasse.
–Então nunca os usou? – Perguntou preocupado.
–Involuntariamente ainda consigo ouvir alguns pensamentos, consigo sentir sensações de algo antes que aconteça, assim como senti antes de ir ao baile com Loki, senti algo ruim. – Como eu deveria ter escutado cada vez que sentia que algo ia acontecer...
–Deveria ter escutado. – Disse Bruce por mim. — Continue.
–Mesmo com a retirada dos meus poderes meus pais ainda me prendiam, me fazendo viver sozinha enquanto meu irmão mais velho vivia tudo que tinha para viver. Em um acidente de carro meus pais faleceram, deixando eu e Tony com toda a herança.
Mesmo sendo péssimos como pais eu ainda os amava profundamente, e o buraco no meu coração por tanto tempo sempre representara suas mortes.
–Seu irmão não sabia de seus poderes?
–Meu pai escolheu não contar pra ele, não sei se tinha medo de meu irmão me tratar diferente ou de acabar descobrindo que o filho dele também era mais um. Seu medo acabou sendo meu medo e aquele foi o primeiro segredo de muitos que escondo do meu irmão.
O primeiro, só que esse ao contrario dos outros eu quis contar.
–O que aconteceu depois da morte de seus pais? – Bruce percebeu o devaneio que fiquei e então teve que fazer a pergunta para me despertar.
–Quando voltamos do enterro Tony usou a desculpa que iria se encontrar com um amigo para afogar as mágoas longe do meu mártir. Eu o esperei para ficar comigo, mas ele não ia vir. Fiquei então vendo algumas coisas no computador do meu pai quando encontrei um vídeo do meu pai pra mim pedindo que eu investigasse sobre o tesseract e que sempre confiasse na S.H.I.E.L.D. Não sei se sabe, mais meu pai foi um dos fundadores da S.H.I.E.L.D.
–Seu irmão mencionou, com um pouco de raiva, mas mencionou.
–Meu pai sempre me criou para ser uma agente, treinada por um agente dês de criança que até então não fazia ideia que era. O vídeo terminou e o alerta da mansão começou a tocar, avisando que a mansão estava sendo invadida. Conhece Odorizze?
–Sim ele contrabandeava armas de tecnologia alemã para os caças hulks. – Aquela palavra me fez lembrar um tempo em que eu lutava contra caças hulks para proteger Bruce.
–Ele também considerava meu pai um arco inimigo. Como não teve o prazer de matar Howard com suas mãos queria matar os filhos dele e roubar os esquemas de armas. Infelizmente não esperava que eu lutasse e matasse quase todos seus homens naquela noite. Odorizze ficou impressionado com minha habilidade assassina e me ofereceu trabalhar pra ele. Eu recusei e ele matou meu professor e meu segurança na minha frente. Prometendo-me que a próxima bala seria na cabeça de Anthony. – Aquilo ainda me da o mesmo desespero que tive quando aquele velho disse aquilo. Por mais que meu irmão fosse um babaca, não permitirei que ninguém o machuque.
–Contou a ele? Ele soube do ataque?
–Do ataque ele soube, não era como se eu pudesse esconder nossa casa tinha sido quase destruída. Foi por isso que ele criou JARVIS, para me proteger a cada instante enquanto estivesse dentro daquela casa. Mas eu sabia que não era o suficiente, e na época meu irmão não era o Homem de Ferro. Não deixaria ninguém matar meu irmão.
–Então não contou?
–Não.
–Liliam...
–Eu estava apavorada, ok? Meus pais tinham sido mortos, meu pai colocou a responsabilidade de algo nas minhas mãos e um assassino me queria tanto a ponto de matar meu irmão! Além disso eu tinha dezesseis anos e era ingênua demais. – Isso era verdade... Naquela época eu podia acreditar em qualquer pessoa sem ao menos questionar.
–Então o que fez?
–Eu fugi. Tinha um namorado na época, Mark, cujo Anthony odiava e usei a desculpa que gostaria de ir pra faculdade e ele nunca deixaria. Fui embora e não voltei para casa tão cedo, pois Odorizze deveria ir atrás de mim e não mais dele. Vivi um tempo com Mark na faculdade, conheci Jane, a namorada do Thor, viramos melhores amigas . Estava perfeito até Orrizone me visitar na faculdade, ameaçando Jane na minha frente e meu desespero impulsionar uma loucura. Mark e eu encontramos uma matéria alienígena na fazenda de seus pais, meu gato acabou comendo um pedaço e ficou mais forte e imune a tudo. Mark era cientista e estava tão obcecado com isso que me pediu para ser uma cobaia. Loucura, eu sei! Contanto pareceu tão certo na época, se funcionasse poderia proteger as pessoas que amo, senão eu iria morrer e ela não seriam machucadas.
–Você aceitou não foi? – Bruce disse desesperado, e quando virei a cabeça ele já adivinhou minha resposta.
–Sem hesitar. A dor foi como a morte, senti ser levada. E de alguma maneira voltei, havia funcionado e me sentia perfeita. Só que Mark tinha me enganado, não tinha nada a ver com só uma gosma. Sim era alienígena, sim me deu força, imunidade e aumentou minhas habilidades. Aquilo não foi por um acaso, esse teste já tinha sido feita pelos nazistas e até onde sei ninguém sobreviveu... Exceto eu. O nome do projeto é "Projeto Lilith".
–Meu Deus... Você sobreviveu ao Lilith? – Sua voz me fez ficar surpresa. O modo como falou parecia que eu tinha cometido um grave crime do qual o julgamento fosse a morte.
–Sim, sobrevivi.
–Esse projeto é quase uma lenda no mundo científico, foi provado que ninguém sobrevivia à mutação da simbiose depois que injetado no corpo, ele muda todas as células humanas. – Explicou daquele jeito nerd que me faz assentir sem ter entendido nada.
–Talvez tenha sobrevivido por ser sobre-humana. – Tentei deduzi dando ombros. — De qualquer jeito não digo que sobrevivi. Terminei com Mark e fugi por um tempo, tentando despistar Odorizze. Nada adiantou, pois ele me achou e estava tão decepcionada com tudo que aceitei. Uma parte de mim tinha se transformado em escuridão, dominando-me cada vez mais. Posso dizer que uma parte daquilo era meu, eu me libertando da dor. Porém só foi uma comporta para Lilith agir, dominando meu corpo, matando e me fazendo pensar que eu tinha me transformado em um monstro. Entende o que a beira da loucura faz, entende melhor que os outros.
–O que você fez para tentar impedir?
–Tentei me matar, amarrei uma corda no pescoço e me pendurei até que me matasse. Foi aí que ela me contou que estava dentro de mim e não ia sair. Foi uma luta para a quebra do seu controle sob meu corpo. Reed Richards me ajudou a entender que ela só me domina quando a deixo a escuridão entrar na minha mente, quando cedo aos meus sentimentos ruins. Demorou, mais aprendi a controlar, mesmo que suas tentativas sejam constante para me possuir novamente.
Bem constante...
–E como entro na S.H.I.E.L.D? – O assunto já avançou para uma nova fase da minha vida com sua pergunta. Mas dessa eu gosto de falar.
–Essa é mais fácil. Em pouco tempo com Johnny Storm transformei-me do anonimato para a quebradora de corações e Odorizze achou-me novamente já que fugi dele depois que descobri sobre Lilith. Como não ia expor o quarteto em perigo por minha causa...
–Deixa eu adivinhar, fugiu de novo.
–Din -din din din din temos um vencedor! – Brinquei o fazendo rir também.
–Então a S.H.I.E.L.D te encontrou e te recrutou. – Tentou acertar, mas passou perto.
–Não, foi do mais tipo a Lilith causou muitas mortes e Clint foi enviado para me matar. Em vez disso me salvou do grupo Odorizze e convenceu Fury a me recrutar. – Não tive como conter meu sorriso ao lembrar de Clint.
–Eles iam matá-la? – Perguntou indignado.
–Eles não sabiam sobre Lilith, achavam que eu tinha feito aquilo então eu deveria pagar. – Na época isso me apavorou, porém pensando melhor Lilith tinha dado trabalho demais para sair em pune... Pena que eu pagaria o preço junto com ela.
–Lilith não domina mais você?
–Não consegue... porém não significa que não faça estrago. – Tirei minha jaqueta e mostrei os cinco arranhões que estavam no meu braço direito.
–Liliam! Está recente. – Bruce se levantou e agarrou meu braço.
–Eu e ela brigamos e ela não é muito gentil. – Doeu um pouco enquanto examinava e meu ego doeu bem mais.
–Não existe forma de tirá-la? – Seus olhos se encheram de preocupação e confesso que uma parte de mim ficou feliz com isso.
–Não... Reed disse que ela corrompeu meu DNA, então se tira-la pode ser que eu morra. Assim como você está unido ao Hulk eu estou unida a ela.
–Deve existir algo, ela pode te matar! – Exclamou impaciente.
–Bruce eu fui testada de todos os jeitos, se tivesse uma maneira teriam descobrido. O pior de tudo não é o fato de existir algo dentro de você, pois em casos como o nosso devemos aceitar viver com isso. Mas ela apenas me usou... Todo esse tempo. — Admitir isso em voz alta era muito mais humilhante e doloroso do que imaginava. — Não ter controle do seu próprio corpo era algo que eu nunca desejaria nem pros meus piores inimigos. Quando eu acordava de seu controle era como se uma parte de mim estivesse perdida, como se estivesse vazia.
– Liliam... — O tom de Bruce era condescendente, percebendo que éramos parecidos.
– O Hulk te deixa assim? — Perguntei o encarando. — Como se você fosse inútil, como se não valesse nada? Porque Lilith acaba comigo, ela acaba comigo! Eu preciso lutar constantemente comigo mesma pra não deixar que ela me dominar, pois se eu permitir tenho medo que ela machuque as pessoas que eu amo. Essa é minha única razão para lutar. Por que olhe a minha vida! Meu irmão me odeia, o cara que eu gosto não confia em mim, meus pais estão mortos, minha melhor amiga e eu apenas nos distanciamos mais... Eu sou uma vadia, e todos sabem disso... O que restou pra mim?
–Restou uma vida. — Respondeu. – Não acha que Tony precisa saber dessas coisas? Precisa proteger você.
– Bruce, eu não preciso de proteção. Eu tenho vinte cinco anos, sabe o que eu já suportei? Suportei meu pai me prender em casa aos sete anos porque sou uma mutante, suportei morrer e voltar por causa dos meus poderes, suportei a morte dos meus país e o fato de Tony não estar nem aí pra mim. Suportei meu namorado colocar um ser alienígena que quer que eu morra para controlar meu corpo, suportei ser assassina, e suportei ser a vagabunda dos estados unidos. Como eu preciso de proteção?
– Mesmo que diga tudo isso a ele não adiantara. Você é a irmã mais nova dele, ele sempre vai querer protegê-la.
Sorri ao homem e ele retribuiu. Acho que em uma tarde juntos ele se tornou a pessoa que eu mais confiei na vida.
Em um momento eu olhei para a porta e vi uma cabeleira vermelha atravessar o corredor.
–Bruce, eu preciso ir. — Beijei a bochecha do homem e sai em busca da pessoa que me ajudaria a cumprir minha segunda etapa: falar com Loki.
Corri atrás da mulher e quando a alcancei puxei Natasha pelo braço e a encurralei na parede, tentando ser o mais discreta possível, fingindo que estávamos apenas tento uma conversa amigável.
–Clint lutaria com unhas e dentes para nos resgatar e você só sabe ficar sentada concordando com tudo que eles estão dizendo! – Vociferei com raiva.
Natasha manteve a expressão fria, nem se incomodando com o que eu tinha acabado de dizer. Como era possível ela reagir dessa forma? Clint me dizia que tinha uma consideração enorme com Natasha, que confiava nela mesmo depois de seu passado, e ainda sim ela nem se importava se ele estava sofrendo ou não.
–Ao contrário de você não tento brigar com todos. — Respondeu. — Acho que é parte sua bancar a idiota.
Cerrei meus olhos, mas naquele momento não era hora de brigar com ela. Não quando vou a usar para me ajudar com algo.
Pedisse isso a mim!
– Sim, já que resolveu brigar com todos.
– Ele não vai te dizer nada. — Cruzei os braços.
– Não tenha tanta certeza, você não é a única boa o suficiente para arrancar respostas. — Ela tentou continuar o seu caminho, só que o aperto forte em seu braço a impediu.
– Preciso falar com Loki. — Pedi desesperada.
– Eles não vão...
– Nick quer que eu faça isso. Estamos em dúvidas sobre os planos de Loki pra mim, e pediu pra mim ir ver isso. – Menti.
– Você costuma saber mentir bem melhor. – Comentou revirando os olhos. – Mas se quer tanto entrar lá eu ajudo você.
– Tão fácil? – Minha testa se enrugou, se fosse Clint eu entenderia, agora Natasha... era de se espantar.
– Sim, porque eu sei que você vai me retribuir o favor no futuro.
Meus olhos se arregalaram e eu pensei bem se era uma boa ideia, afinal, ter que fazer um favor para Natasha Romanoff era sempre um risco.
(...)
Lá estava eu, escondida no canto da sala a espera as saída de Natasha para poder confronta-lo. Minhas mãos soavam de tanto nervosismo, seria a primeira vez que nos encontraríamos depois que eu descobri a verdade. Ele não era só mais um desconhecido bonito, era Loki o deus das maldades. Honestamente aquilo me deu calafrios.
Vi Natasha correr para fora da sala, aquela era minha chance. Respirei fundo e tomei coragem para enfrenta-lo, andando lentamente até seu campo de visão.
– Estava me perguntando quando viria... – Quando entrei no seu campo de visão pude ver a satisfação em seus olhos.
– Deve estar ansioso para que eu entre ai e lhe de uma surra. – Respondi sorrindo ironicamente.
– Ou para terminarmos o que começamos. – Provocou.
– Eu quero saber como entrou na minha mente?! – Gritei apontando meu dedo.
– Você me chamou, Liliam Stark. – Sua voz ainda era calma. – Criei uma conexão com você, no dia em que entrei nos seus sonhos. Achei que perceberia.
– E então me manipulo pra ter aquele tipo de... visão. – Eu queria que ele respondesse que sim, eu estava implorando por sim.
– Adoraria responder que sim, mas eu não minto pra você, não seria agora que eu começaria. – Fiquei estática com a sua resposta. – Por que? Gostaria que fosse culpa minha, para não ter que se condenar por pensar em mim daquela maneira. Porque seria mais fácil me culpar do que admitir a verdade.
– Você brinca com a minha mente. — Sussurrei deixando as lágrimas rolarem, chega de disfarçar meus sentimentos com o sarcasmo ou algo do tipo. Ele precisava saber que tipo de confusão estava fazendo comigo. — Eu não fiz nada, nunca te fiz absolutamente nada. Por que então gosta de me colocar em uma situação assim?
– Em que situação venho a colocado? — Sussurrou. — Ao meu ver você é a culpada de seus problemas. Mentindo para o capitão, seu irmão, a S.H.IE.L.D. Todos estavam perdidos demais nesses olhos bonitos e todas as belas mentiras que queriam escutar. Você tentava se convencer que era o melhor, que estavam o protegendo. Quando na verdade apenas pensa em si própria! Manipula todos a sua volta, esse é seu poder. — Loki levantou os braços demonstrando a inocência. — Então me explique como somos tão diferentes?
Aquelas palavras queimavam em mim como um doce veneno, vindo de suas presas maléficas. Todas as vezes que li sobre o deus da mentira, sua graduação em manipulação, subestimava aqueles livros infantis. Prometia a mim mesma que não podia existir uma pessoa tão baixa.
Como eu queria ser tão crédula em algumas coisas.
– Sinto sua culpa queimar seu coração, queimar o lado que acredita estar certo. — Mais palavras era proferidas de sua boca de demônio, pronto para saborear-se de minha confusão. De minha fraqueza.
– Eu não fiz nada de errado. — Balbuciei comigo mesma. — Como então continuo deixando as pessoas colocarem essa culpa em mim? Como me permito sofrer por pecados não cometidos?
– Porque os deseja. Porque me deseja. — Enfatizou. — Deseja o meu poder, meu conhecimento... Minha escuridão. Mas, especificamente, deseja ser livre de todos os fardos que o nome Liliam Stark tem lhe dado.
Era inacreditável sua habilidade em entrar em minha mente, mesmo quando tenho consciência que não o está fazendo. Ele me lê como um livro aberto.
Ele me conhece melhor do que aquele que amo.
– Eu... — Fechei os olhos tentando silenciar aqueles sentimentos desesperador de escutar cada vez mais de suas palavras.
Quando finalmente encontro alguém que me compreende esse alguém e o vilão! Isso é sua cara, Liliam Stark!
– Lute ao meu lado, seja a rainha que nasceu para ser. – Pedia como uma cobra antes de dar o bote. – Seja minha e se renda a todo esse fardo de esconder o seu lado obscuro.
Não vou mentir em dizer que aquele pedido mexeu comigo. Então os rosto das pessoas a minha volta apareceu em minha mente, como um lembrete de que eu não podia enfrenta-los.
– Não. – Chacoalhei a cabeça. – Eu os amo demais para trai-los desse jeito.
– O que fizeram a você? Diga-me! — Ladrou batendo no vidro, sua voz expelindo sua fúria. — O que o seu amado irmão, ou o precioso Capitão lhe deu além de dores e sofrimentos? O que ainda a faz querer lutar por eles? Além desse seu amor narcisista o que pode restar em seu coração além de todas as coisas ruins que fizeram a você?!
Amor narcisista... Estaria ele certo?
Estaria o deus dau mentira pela primeira vez mostrando-me a verdade?
– Meu irmão me ama. — Garanti, mesmo nem eu mesma acreditando em minhas palavras. — Eu o amo.
Toquei em meu pescoço, a procura do que sempre me fazia lembrar de que aquilo era verdade.
Mas havia uma ausência ali, assim como nas minhas palavras. O pequeno S não já mais estava ali, como meu irmão carinhoso e gentil também. Os dois deixaram um buraco em mim, insubstituível.
– Ele a acusou de traição! — Vociferou mais alto, batendo novamente no vidro. — Quando tudo que fez foi protege-lo! Aos dois! Se eles a ama como diz porque a dúvida?
Tony tinha um motivo, mesmo que não soubesse da verdade.
Quando fugi com Mark não foi por amor. Foi para protege-lo de Orrizone, foi para protege-lo de mim. Não espero que saiba disso, nunca deixarei esse fardo em suas costas.
E Steve? Eu lhe dei razões para desconfiar? Ou tudo que fiz foi lhe mostrar tudo que sou?
– Ele... Não pode confiar em mim pelo que fui. — Admiti derrotada, cada palavra como lança quente entrando em mim. Ele tinha sido tal como os outros.
Só que ele se esqueceu de mencionar alguém, uma pessoa que foi o motivo de eu ter entrado nessa confusão. Clint ainda acreditava em mim, mesmo depois dos meus erros ele acreditou. Poderia eu me opor a pessoa que quer minha salvação?
–Chega! – Limpei as lagrimas e bati no vidro. – Onde Clint está?
– Ah, então é ele. – Comentou. – Não se preocupe, Barton já está ao meu lado bem antes de você. Não precisa se preocupar, o seu reencontro com seu amigo está bem próximo.
– O que você quer dizer com isso? – Perguntei confusa. O deus apenas deu ombros.
Clint... Era estranho ninguém ter aparecido para tira-lo dali, não me parecia que Loki viria a Terra para ser preso tão facilmente. A não ser...
– Espera... você não está esperando que o resgate, mas sim que nos ataque... — Minha mente começava a fervilhar com todos os modos que poderiam invadir a S.H.I.E.L.D e quando me dei conta do ponto do seu raciocínio vi o sorriso do Loki se esticar mais numa mistura de sarcasmo e confirmação.
– Clint me disse que não era tão burra, que captava os pequenos pontos que ignoravam e...
– Meu Deus... — Sem esperar Loki terminar corri para fora da sala com toda a velocidade que poderia.
Uma distração, ele apenas foi uma distração assim como me usou para ser. O plano era perfeito, de maneira errada, mas não poderia não estar surpresa com sua perspicácia. Ele precisava de algo que os deixasse com a mente ocupada, se não servisse morta ele conseguiria usar como distração de qualquer jeito. Loki não tinha mudado de ideia para poupar minha vida, ele só tinha a prolongado para que não percebessem o que não se encaixava. A pergunta que Steve fez, por que se deixar ser capturado?
Eu tenho uma resposta. Para que os deixassem tão perdidos que não viriam o inimigo chegar.
Qual é a melhor maneira de destruir um alvo? De fora para dentro e no melhor estilo surpresa.
Eu detestava todas aquelas senhas de acesso, porque só roubava o único tempo que tinha para avisa-los. O único tempo que eles poderiam entender que Loki não é maluco, mas sim calculista.
Os agentes davam passagem automaticamente para que eu continuasse a correr. Era apenas nessas horas que eu ficava agradecida de ser uma Stark. Cheguei ao laboratório e encontrei todos os Vingadores espalhados pela sala em discussão.
– Pronto, chegou a mentirosa que faltava! — Exclamou Anthony ao lado de Steve.
Localizei Nick e andei alguns passos até ele, esquecendo totalmente o comentário de Tony. Meu fôlego demorou a voltar por conta do meu medo, excitação mas acabei dizendo:
– Eu falei com ele.
– O que descobriu? — Perguntou fazendo todos da sala se silenciar.
– Meu Deus. — Comentou Bruce olhando para seu painel.
Depois disso tudo que senti foi meu corpo sendo arremessado para trás.
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