Like a dream
30 Capítulo 30
Notas iniciais
Acordamos muito em cima da hora. A noite anterior nos tinha deixado acabados. Eram 10:00 e pouca. Meu voo era 13:15 e até almoçar, arrumar tudo, conseguir chegar no aeroporto, lá se vai horas.
-Harreeeeeeh! – Gritei e o sacudi
-Puta que pariu! – Ele resmungou – Oque houve Fernanda? — Falou coçando o olho e olhando pros lados
-Olha a hora cacete. Já são 10:00. Agente vai se atrasar
-Ta, ta! Calma! – Ele logo despertou e se levantou. Eu fui direto pro banho. Separei minha roupa e peguei minha toalha, enquanto ele botado o chinelo e descia pra fazer algo pra comermos. Saí correndo e de consequência dei uma topada no pé na cama
-AI CARALHO! – Gritei, pulando ao mesmo tempo. Segurando meu pé. Foi lindo! Minha toalha caiu e meu dedo estava mais vermelho que batom. Eu só esperava que não tivesse acordado ninguém. Larguei meu pé e ainda assim, mancando, fui até a porta tranca-la. Me troquei e com pressa, fui botando tudo o que faltava, dentro das malas.
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Eu sei que lá no Rio vai estar quente, então... Catei a bolsa, junto com as malas, destranquei a porta e virei pra trás novamente. Um sorriso escapou do meu rosto naquele instante. Eu iria sentir falta daquilo. Daquela cama com o cheiro do perfume do Harry, da bagunça que era o armário e principalmente dos momentos em que pude passar com ele.
Balancei a cabeça, voltando o foco. Olhei pra tudo quanto era lado, pra ver se não havia esquecido nada. Quando finalmente terminei a revisão, engoli o choro e abri a porta. As portas dos quartos do pessoal já estavam escancaradas. Sinal de que já tinham levantado. Desci cuidadosamente, pois meu dedinho ainda doía. – Como sou jegue! Dou porrada com o dedo e boto tênis. É pedir pra ser imbecil mesmo! – No final da escada, Liam veio caminhando pra me ajudar com as coisas.
-Bom dia raio de sol! – Ele falou
-Huuuum! Bom dia Mr. Payne! – Brinquei e dei um beijo em seu rosto
-Agente vai sentir sua falta! – Ele falou, enquanto caminhávamos até o sofá
-Eu também Liam! – Paramos e fui direto em cima dele pra arrancar um abraço
Ele encostou as malas no sofá e eu joguei a bolsa em cima. Eu não tava mais aguentando meu dedo latejar. Corri pra cozinha pegar um gelo.
-Bom... dia pra você também! – Mari se espantou ao me ver indo direto à geladeira
-Bom dia meu povo! – Falei
-Oque que houve? — Niall perguntou enquanto eu tirava o sapato. Eu sei que eu tava na cozinha, mas pelo menos não apoiei o pé na mesa. Uhuu!
-Dei uma topada – Fiz careta
-Hahahahah, tinha que ser... – Harry zoou. O gelo derreteu e saí correndo pro banheiro, pra pegar um papel e secar meu pé. Voltei já calçada e me juntei pra comer com eles. Não sei quem tinha feito waffles. E eu amoooo isso! Ainda mais com calda de chocolate por cima. O problema é que não dava pra comer chocolate essa hora. Enfim... Terminamos e nos dirigimos aos carros. Eu precisava me despedir das meninas. Então Louis certificou-se de que elas estariam no aeroporto à tempo. Os meninos me ajudaram com as malas, oque não eram muitas e então entramos. Tava tudo tranquilo. Fomos nos despedindo antes mesmo de chegarmos, até que recebo um sms da minha mãe. Ela queria saber se estava tudo certo. Respondi: “Bom... Por enquanto sim. Nem cheguei no aeroporto pow!”. Botei de volta na bolsa e voltei pra conversa.
-Aiiii Fê, vou sentir falta de você lá em casa! – Mari falou
-Oooow, eu também!
-Promete que vai dar sinal de vida? — Ela perguntou
-Sim, prometo! Bom... – Ela nem deixou eu terminar de falar e já fez cara feia – Okay, okay! Pode deixar!
-Você sabe que o Harry vai ter uma síncope né? — Niall zoou
-Hahahahahahah... – Nos rachamos de rir
-Há há há, muito engraçado – Harry falou
-Mas olha só... Vocês não vem com essa não, porque podem ir me visitar!
-Isso é um convite? — Carol perguntou
-Informal, mas é! Hahah! – Respondi
-Em falar nisso... Onde vai passar o natal? — Zayn perguntou
-Não sei. Devo passar com a minha família né!?
-Seria legal se pelo menos, esse ano você viesse passar aqui!
-E ainda tem o aniversário do Louis. Mais um motivo! – Harry acrescentou
-Eu vou ver...
Com um pouco de trânsito, chegamos. Antes mesmo de entrarmos, meninas histéricas, com cartazes nas mãos, gritavam. Os seguranças nos ajudaram a passar, mas mesmo assim, algumas conseguiram prender o pessoal. Eu passei junto com o Harry, direto pra fila do check in. Agente saiu rindo, porque o resto foi barrado pelas gurias. A fila por graça ao senhor não estava grande. Já eram 12:30 e eu comecei a soar frio.
-Que foi? — Harry me perguntou
-Acho que to atrasada – Apontei pro relógio em seu pulso
-Relaxa! – ele me deu um beijo na testa e abraçou minha cintura. Chegou minha vez e fiz tudo certinho. Como da primeira vez. Quando a mulher botou a etiqueta naquelas malas e saíram rolando pela esteira, minha vontade era de sair correndo atrás. Eu não queria de jeito nenhum ir embora. Apesar de eu ter ficado um mês e mais uma semana, pra mim foi pouca coisa. É claro que a saudade do pessoal no Brasil era imensa, mas o fato de deixar minha outra família pra trás, também incomodava.
Terminando, saímos pelo lado e fomos ao encontro do povo, que por fim, foram liberados pelas fãs. Liam e Louis chegaram pelo outro lado com as meninas. Fiquei imensamente feliz! Por um lado né, porque aquela gritaria já estava me deixando surda e irritada.
-Que pena que você tem que ir – Els fez carinha triste e me abraçou
-Pois é, mas pode deixar que eu volto pra perturbar mais! – Mostrei a língua e todo mundo riu
-Vou sentir saudade também! Foi tão pouco tempo! – Dani fez a mesma cara e me abraçou
-Também acho que foi pouco, mas fazer o que... Tudo que começa, tem um fim – Torci a boca. Demos um abraço em grupo e no meio, todo mundo ficava falando coisas intercaladas. Tava uma bagunça! Tava tudo de boa, até que escutamos: “Voo 047 Inlgaterra/Londres – Brasil/Rio de Janeiro. Saída em 30 minutos”. Levantamos a cabeça e olhamos na direção de onde vinha a voz. Na hora o sorriso no rosto de todo mundo tinha saído. Eu não aguentei e comecei a chorar. As meninas e os meninos do meu curso não puderam ir, não sei o motivo, mas a Mari era a única do curso que estava lá e foi ela a primeira irmã que ganhei lá. Eu fui direto abraça-la. Ela desabou também. Os meninos não sabiam que expressão faziam. Se sorriam, faziam cara de choro ou os dois. Eu abracei forte cada um e deixei o Harry por último. A Mari era minha irmã, mas o Harry... Ahh, o Harry era realmente a primeira pessoa com que me encontrei em Londres. Foi essa pessoa que esbarrou em mim na rua, no meu primeiro dia. Foi ele que me mostrou tudo. Ele foi minha bússola todo esse tempo. Não havia porque não agradecer por tudo! Eu virei e parei a uns metros de distância dele, ainda chorando. Dei um sorriso e apertei o passo em sua direção. Pulei em seus braços. Agarrei no pescoço, enquanto ele abraçava minha cintura e me levantava do chão e rodava lentamente. Nessa hora, todo mundo se afastou um pouco. Queriam nos deixar sozinhos. Precisávamos desse momento. A partir desse instante eu não sabia mais como seria minha vida longe disso tudo. E era de se arrepiar em pensar que eu ficaria meses sem vê-los novamente.
-Promete que vai ficar bem? — Ele já tinha me botado no chão e nessa hora, enquanto ele chorava, eu passava as mãos em seus cachos, tirando da frente do rosto
-Prometo! – Ele me deu beijos e beijos
-Desculpa por qualquer coisa. Só saiba que você não mora apenas em Londres, mas também no meu coração! Okay? — Ele acenou com a cabeça. Acho que era a única coisa que poderia fazer.
-Eu te amo! Muito! – Ele falou
-Eu também meu amor! – Tentei dar um sorriso e novamente avancei em seus lábios. Mais uma vez aquele aviso voltou. Já faltavam 20 minutos. Segurei um pouco o choro, sequei meu rosto e retirei as lágrimas dele. – Olha, eu não quero ver você triste, ta bom? Pensa por outro lado... Mesmo distante, podemos nos comunicar e talvez, em um futuro próximo, nos veremos de novo! – Tentei amenizar o clima de tristeza
-Vou tentar! Não se esquece de dar notícias, por favor. Nenhum dia. – Acenei com a cabeça e dei o último beijo do dia. Foi demorado, mas nem me importei. Ele logo soltou suas mãos, da minha cintura e pegou na minha mão, indo até o pessoal. Meu último recado foi:
-Eu amo vocês! Para sempre amarei! Nunca se esqueçam! – Nos abraçamos em grupo de novo. Eles caminharam comigo até um certo ponto. Meu coração quase parou quando soltei a mão do Harry e caminhei sozinha. Eu não queria mais virar pra trás, mas não resisti. Lá da frente, já na fila pra entrar, virei dei um “tchau” com as mãos e mandei um beijo no ar. Eles retribuíram, mas na parte do beijo, em vez de Harry mandar de volta, ele pegou com a mão e a botou no peito. Meus olhos pediam “Pelo amor de Deus”, pra derramar mais lágrimas. Dei um sorriso e dessa vez, definitivamente, virei as costas, mostrei o papel pro homem e entrei. Eu estava tremendo. Caminhei e caminhei. Cheguei já com as pessoas na fila. Mais uma vez mostrei o papel, me desejaram boa viagem e fui pelo corredor. Eu sentei na janela e ao meu lado um casal. – Ótimo! Um casal plenamente feliz, bem do meu lado. Valeu! – Sequei oque restava em meu rosto, me ajeitei na cadeira, peguei meu iPod, enfiei os fones e encostei minha cabeça no encosto da poltrona. Fechei os olhos e seja oque Deus quiser...
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