Like a dream
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Acordei muito bem, por sinal. Mais do que esperava. Graças! Eu já estava meio atrasada, então fui correndo me arrumar e desci pra tomar café. Mariana já estava pronta e comendo, rs. – Que feia, nem me esperou! – Enfim... Terminamos o café e saímos. Fomos de ônibus. Quando vi que iríamos assim, minha animação até baixou. Também né, não era pra menos! A primeira vez que o peguei, fiquei perdida e quase... quase... Ahh, esquece. Entramos, nos sentados e tricotamos um pouquinho, haha!
-To vendo sua recuperação! – Mari falou rindo
-Pois é, percebi também! Mas sei lá porque estou assim... É tudo tão recente. – Falei diminuindo o tom
-Ihh amiga, relaxa! Pode ter certeza que de uma hora pra outra, tudo vai se acertar! – Falou pegando minha mão e apertando
-Assim espero né!?! – Falei virando lentamente pra janela e apreciando a paisagem
Enfim saltamos no ponto e andamos mais alguns minutos. Foi como todos os dias.
-Oieee! Bom dia meninas! – Falou Mason vindo correndo e dando um pulinho, até parar do nosso lado
-Huuum, que animação é essa? — Perguntou Letícia curiosa
-Ahh, nada ué. Vamos dizer que... Tudo está dando certo pra mim! – Ele falou com um sorriso de orelha à orelha
-Que bom, maaas... Quero saber o motivo! – Exclamei
-Queremos! – Bia corrigiu
-Eu conheci uma pessoa uns dias atrás... – Ele começou a falar meio envergonhado
-Ihh, já até sei onde isso vai dar! – Exclamou Joshua
Ele terminou de contar a TAL história, e como Josh já havia dito... É, deu no que pensávamos, haha! Fomos pra aula, que pra constar, só porque eu estava nos meus “melhores dias”, foi meio chata. Eu não sei se estava achando isso por estar mesmo ou se era porque eu não parava um segundo de pensar naquela criatura repugnante. Acho que nem preciso fazer um esforço pra saber a resposta. Ao decorrer da aula, eu fui me distraindo com outras coisas e finalmente tive vontade de me esforçar pra fazer algo, rs. Deu a hora de irmos. Fomos percorrendo o corredor e enquanto o pessoal conversava, na minha cabeça, se passou várias cenas dele me buscando, das nossas conversas. Aff! Foi igual a filme. Parecia que a câmera se focava em mim, a fala das pessoas iria diminuindo lentamente e quando percebi eu estava andando tão lerdamente, que quando Letícia tocou no meu braço, levei um susto. Parecia que tinha acordado de um transe.
-Fê, tudo bem? — Ela perguntou tentando olhar pra mim, enquanto estava com a cabeça inclinada pra baixo
-Ahh, eu? To sim, foi mau, hehe! – Falei levantando a cabeça e dando uma sacudida
Me juntei aos outros e andamos até a porta. Era um saco olhar pros lugares e ver a cena inteirinha, como se fosse real, sabe!?! Só que... Aquela estava real demais pro meu gosto. Sim, era o carro do Harry estacionado na calçada e ele dentro. Eu não acreditei naquilo que via. Minha vontade era de dar meia volta e ficar dentro de uma sala sozinha. Eu estava lá, mó alegre conversando com o pessoal. E quando saímos, eu que estava na frente. Só percebi quando vi que todos fecharam a cara e deram uma leve olhada pra mim. Quando me virei, vi aquilo. Ele olhou pra mim com uma cara de que já estava engolindo a seco a situação. Só o vi abrindo a porta do carro. Na mesma hora, dei “tchau” pra todo mundo, puxei a Mariana e apertei o passo.
-Fernanda, espera aí. – Ele falou, me impedindo de passar
-Oque você está fazendo aqui? — Falei olhando diretamente em seus olhos. Mariana discretamente foi se afastando
-Bom... Pelo que eu saiba, a rua é pública.
-Ahh, é assim que você quer resolver as coisas? — Falei e saí
-Pera, por favor! Desculpa! – Ele falou me impedindo novamente
-Estou esperando e... Já faz 10 min. – Falei batendo o pé e olhando o relógio – Eu não sei você, mas tenho afazeres, preciso ir
-Agente precisa conversar – Ele falou fazendo uma cara de pidão
-Eu já ouvi isso antes, conheço o enredo. Eu sinceramente não preciso ouvir e falar mais nada. Oque eu vi antes de ontem foi o suficiente
-Aquilo tudo foi um mal entendido, é sério. Nós bebemos, mas só aconteceu por conta disso. Eu não queria. Me desculpa! – Ele falou pegando em minhas mãos
-Já ouviu o ditado: “Quando a bebida entra, a verdade sai”? Não né? Então... Já sabe por que eu disse isso. Mas pensa só, se da próxima vez que vocês estiverem juntos, conversando amigavelmente, como dessa vez. E beberem de novo, acontecer de novo? Harry, vai virar vício. Se for pra beber e isso acontecer de novo, sinal de que tudo oque aconteceu entre nós dois foi simplesmente... Nada! – Meus olhos se encheram de água e ao tentar limpá-las, virei pro lado e vi as pessoas nos olhando com cara de espanto
-Fernanda, por favor... Eu amo você, você sabe! Nós somos sim amigos, mas eu jurooooo que nunca mais irá acontecer. Oque importa pra mim, somos nós! – Ele falou, pegando meu queixo e virando pra ele
-Não precisa mais se preocupar com isso... – Falei retirando sua mão
-Porque? — Ele fez uma cara de tipo: "A um min. você estava se preocupando e agora...!?!"
-Porque “NÓS” nunca mais existirá. – Falei, me virei, chamei Mariana e saí. Sem olhar pra trás. Aquelas palavras por mais que me machucassem, eram necessárias e eu já me sentia mais leve.
Eu só o vi parado com os olhos cheios d’água e depois voltando, indo até o carro. Eu me segurava pra não desabar. O caminho inteiro, Mari foi segurando minha mão bem forte. Eu ouvi o barulho do motor ligando e depois, indo embora com tudo que restava entre nós.
Ao sentar no banco do ônibus, bebi bastante água, respirei fundo e seguimos viajem. Saltamos. Quando Mari botou e girou a chave na porta, eu ali mesmo cai no chão e me matei de tanto chorar. Eu havia aliviado tudo oque estava preso. Ela levou um susto e quase chorou junto comigo, de triste que tudo aquilo estava sendo. Ela me ajudou a levantar, fechou a porta e imediatamente me botou no sofá. Foi até a cozinha pegar um calmante, pois a única coisa que eu precisava era da minha mãe ou remédio, como não tinha a primeira opção, era o remédio mesmo. Depois de quase meia hora tentando me acalmar, eu finalmente consegui juntar meus cacos e subir pra tomar um banho e me afogar no meio dos travesseiros. Eu estava decidia a não ir ao curso no dia seguinte, sem mais palavras.
-Ma-ari... Amanhã? Sem condi-ições... – Falei entre soluços
-Também acho melhor. Eu aviso ao professor, pode deixar! – Ela falou dando um sorriso doce e passando a mão no canto do meu rosto
Peguei minha bolsa e joguei-a na bancada. Quando peguei a toalha e virei para ir a caminho do banheiro, escuto um “bip” vindo do meu celular. Eu estava em dúvida se olhava ou não, mas pensei que seria muita cara de pau dele me mandar um sms depois de tudo isso. Resolvi olhar. Vi que era do Zayn e que dizia: “Fê, está tudo bem? Oque houve entre você e o Harry? Ele chegou aqui acabado, largou as coisas, voltou a pegar a chave do carro e saiu. Já está quase noite e ele ainda não voltou”. Eu fiquei meio preocupada, mas não dei sinal. Apenas respondi: “Nem preciso responder se estou bem ou não... Não, não sei onde ele está”. Do jeito que ele é, ou foi à torre ou a casa de alguém, porque pra ir de carro né... Como não queria mais estresse naquele dia, deixei por isso e fui tomar o banho. Saí e o sono já foi tomando conta. Arrastei as cortinas, fechei a porta, desliguei a luz e finalmente encostei a cabeça em algo confortável.
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