Like a Vampire Extra: Be my Valentine?
5 Capítulo 5- Sarah e Kanato
"A primeira vez que vi seu rosto
Achei o sol nasceu em seus olhos
E a lua e as estrelas
Eram presentes que você deu aos céus escuros e sem fim"
Sarah estava se sentindo melhor do que nunca.
Havia acordado cinco horas mais cedo do que ela costumava acordar (O que significava uma hora da manhã). E já estava arrumada e preparada pra começar o que devia ser o melhor dia dos namorados da sua vida.
Quer dizer, se ele dissesse sim.
A verdade é que Sarah tinha quase certeza que os dois estavam namorando. Ela e Kanato. Mas eles nunca haviam realmente conversado sobre isso e Kanato nunca a apresentava como namorada.
Isso a deixava confusa. Porque eles estavam teoricamente juntos a quase três meses.
Mas hoje era o dia de sanar todas essas dúvidas, porque ela ia pedir a mão dele.
Em namoro, no caso. Não tinha maturidade ainda pra casar.
Kanato e ela se identificavam em vários níveis. Sarah havia passado por um... ano difícil, e estava determinada a agradecer a pessoa que conseguira fazer ela voltar pra si da melhor forma possível.
Kanato amava quando ela deixava bem claro pra todos em público que ela era "dele". E era isso que ela ia fazer. Uma coisa pública.
Só que sem a parte da orquestra e dos flashmobs. Sarah não sabia se tinha tanta cara de pau e coragem assim.
Mas coisinhas românticas pela cidade? Ah, ela dava seu jeito.
Tudo estava preparado. Ela havia mandado mensagem pra Kanato falando que havia reservado uma mesa especial pra eles lancharem juntos. Ele havia aceitado, é claro.
E não era mentira. Sarah conseguiu fazer amizade com as garçonetes pra deixarem ela colocar uma cartinha na mesa reservada.
Ela sabia que Kanato ia encher seu celular de mensagens e ligações a cada etapa, então ela deixou uma mensagem de voz automática e fofa pra quando ele tentasse falar com ela.
E então ela só ia esperar no parque até ele chegar.
Enquanto isso, Kanato estava uma pilha de nervos.
Ele conseguiu suportar não acordar com Sarah ao seu lado ou um café da manhã especial. Conseguiu porque ela tinha deixado um bilhete fofo no travesseiro dela falando que ela tinha ficado ansiosa e acordou mais cedo pra ver seu sobrinho Heisuke.
Kanato tinha quase certeza que era mentira, mas tentou relevar essa parte.
E então ela mandou uma mensagem que dizia "Reservei uma mesinha na Cosy Bear pra gente ás 11h30. Veste uma roupa legal ♥".
Ás 11:20.
É claro que ele ia reclamar e achar um saco, mas não tinha como recusar um pedido fofo desses, então ele colocou uma roupa "legal" e foi até a cafeteria/lanchonete/padaria/sei lá.
Chegando lá, ele disse seu nome e a garçonete o levou até uma mesa perto da janela, cheia de luzinhas e flores.
Mas vazia.
Kanato sentiu vontade de apertar alguma coisa.
Ele segurou gritos.
Sarah não gostava quando ele gritava.
Mas ele ainda assim achou um papel de carta na mesa quando ele se sentou.
Não aguentou a curiosidade e leu.
"Querido Kanato,
Se você achou essa carta é porque eu morri.
Mentira, sempre quis falar isso.
Mas se você achou essa carta significa que você confiou o suficiente em mim pra ir até a padaria e provavelmente não quebrou nada quando não me viu na mesa.
Então parabéns pra você!
De qualquer forma, seja bem vindo á sua aventura de dia dos namorados! A sua surpresa final é... surpresa! Bem, além de mim. Eu vou te encontrar no final.
Mas essa não é a questão! Então aí vai uma dica pra próxima fase:
Imagina o lugar que eu te disse que sempre quis trabalhar em Okyo. E... na minha cor favorita! É isso!
Com amor, Sarah"
Kanato praguejou. Sarah tinha talentos maravilhosos e era uma pessoa linda e maravilhosa, mas era péssima em criar enigmas.
Com a carta em mãos, ele saiu da padaria sem comer ou beber nada e foi em direção ao centro da cidade.
Ele sabia onde Sarah brincava falando que ia trabalhar. Era um lugar que, pra surpresa nenhuma, também era um café.
Só que tinha uma galeria.
E ela estava cursando Artes Plásticas então...
Pra ser verdadeiro, Kanato sempre achou o plano uma bobagem.
Ele sempre achou que ia ser o sustentador de Sarah. Mas essa parte foi fácil de superar. Ele entendeu que ela e suas irmãs e aparentemente 95% das mulheres jovens de atualmente querem trabalhar pro próprio dinheiro.
Mas ele achava o sonho pequeno demais pra ela. Okyo? Sarah era uma gênia. De vez em quando era estúpida, claro. Mas mesmo assim uma gênia.
E Okyo era pequena demais pra abrigar um cérebro e um coração daquele tamanho.
Foi com esse pensamento que Kanato entrou no café-galeria do centro.
Agora a cor favorita de Sarah... essa era meio difícil.
Até uns dois anos atrás, Kanato teria chutado rosa. Ela só usava rosa e derivados, mas no último ano ela havia se apropriado da moda gótica de um jeito estranho.
Basicamente, só usava preto.
Mas Kanato não demorou nada pra entender que ele estava errado nos dois chutes, já que recebeu um sorriso do dono e viu seis balões de corações lilases pendurados numa das mesas do fundo.
Chegando lá com vergonha dos olhares, Kanato pegou o outro papel de carta:
"Sim! Lilás!
Ok, talvez essa tenha sido um pouco fácil demais! Mas mesmo assim, eu gosto muito desse lugar e dessa cor!
E lilás é a cor dos seus olhos e cabelos, então eu acho que estou no caminho certo ♥
Enfim, pra terceira fase eu preciso de uma memória boa: Pense no primeiro lugar que nos beijamos"
Dessa vez Kanato pediu um chocolate quente antes de sair.
Pensou bastante na resposta. Primeiro beijo?
Bem, o primeiro beijo de verdade deles havia sido na sala de estar Sakamaki. Depois de uma missão quase suicida, ele diria.
Tinha sido de surpresa e na frente de todos, mas não tinha como ser mais especial.
Mas como a jornada estava sendo pela cidade, ele duvidava muito que pudesse voltar pra casa pra procurar uma carta.
Também já tinha quase se beijado nas ruas do festival, quando ele encontrara ela pela primeira vez depois de sua expulsão.
Mas foi um quase, então....
Ah, ele se lembrava.
O primeiro toque dos lábios dos dois não fora especial. Ou apaixonado e emocionante.
Fora aterrorizante, cheia de sentimentos ruins e sangue.
Hoje, ele olhava pra trás e sentia vergonha das coisas que fizera com Sarah.
Ele estremecia só de pensar no que ela sentia durante aquela situações de terror.
Mas é. Ele havia dado um selinho nela depois de furar ela com um garfo e chupar o sangue dela por ciúmes.
Da ex namorada ridícula dela.
Kanato se sentia patético hoje.
Sarah tinha todos os motivos pra abandonar ele. Merecia algo mais, algo maior.
Então Kanato sempre pessoa que ia entender se ela o abandonasse, mas no fundo sabia que não era bem assim.
Sabia que se Sarah tentasse ir embora, o seu lado mais macabro e sombrio ia aparecer de novo e machucar ela.
E ele tinha mais medo disso do que tudo.
...Talvez ele devesse perguntar pra Anna o número da terapeuta dela.
Mas essa não era a questão. Algo naquele pensamento nada romântico tinha algo a ver com a cidade.
Eles haviam se beijado no jardim da casa Sakamaki.
Ah. Jardim.
Kanato estava revirando os olhos enquanto ia pro Jardim Central.
Ele estava completamente abismado pela falta de criatividade de uma artista como Sarah.
No tronco de uma árvore, estava preso um ursinho de pelúcia com fita durex.
A carta estava presa na orelha, onde se era visível escrito por fora "Para Kanato. Se você não for ele CAI FORA."
Ele adorava aquela menina.
Ele teve todo cuidado e impaciência do mundo pra tirar o ursinho da árvore e pegar a carta:
"É, não foi a melhor memória que eu consegui arrumar, mas foi o que eu consegui lembrar pra te levar pro jardim mais lindo de Okyo!
Ah, e esse é o Teddy II! Ele é tipo descendente distante do Teddy I, mas ele tem o olho esquerdo porque ele é mais sensato e saudável pra não perder ele!
E ele também é mais carinhoso, porque quem fez ele fui eu!
E... não tem restos e memórias de uma mulher ridícula e nojenta nele, então! É isso!
Eu espero que você goste, foi difícil costurar ele por duas semanas sem você notar!
Eu tô com saudades de você, vem até o Parque Municipal."
Kanato olhou a pelúcia em suas mãos. Era claramente costurado á mão de forma amadora, mas era bem parecido com Teddy.
E tinha uma coisa refrescante em olhar praquela pelúcia tão familiar e tão... especial ao mesmo tempo.
Kanato sentia o coração driblar. Ele se teletransportou pro Parque Municipal.
Quando ele a viu, sentiu uma coisa estranha na barriga e no coração.
Um aperto e um relaxamento ao mesmo tempo. Era sufocante.
Que Sarah era linda ele já sabia a muito tempo, mas ela parecia brilhar.
Ela usava tênis pretos com cadarços brancos, além de um top cropped negro que combinava com a saia de botões longa. Os óculos escuros estavam em seus cabelos castanhos, e ela tinha uma pequena bolsa preta de ombro.
Estava sentada num banco, e pareceu se iluminar quando o viu.
—Kanato!- Ela deu um salto- Você nem me ligou...
—Suas cartas foram bem auto-explicativas.- Kanato tentou não resmungar- Até demais, eu diria.
Sarah pareceu envergonhada:
—Saquei. Mals.
—Eu queria te agradecer...- Kanato forçou as palavras, porque sabia que se não falasse agora não ia ter coragem pra falar nunca.
—Espera!- Sarah o interrompeu- Eu preciso falar uma coisa antes que eu perca a coragem!
Ela então se ajoelhou, o que fez todos os neurônios do cérebro de Kanato explodirem em confusão.
De sua bolsa, ela tirou um anel de plástico.
—Olha, não é a melhor coisa do mundo, mas minha família reduziu minha mesada desde que eu surtei daquela vez.
Kanato só concordou com a cabeça de forma ansiosa.
—Escuta, eu sou uma das pessoas mais irritantes do mundo.- Sarah começou- Eu me perco de vez em quando. Eu piro. E até hoje eu não me achei. Talvez eu seja um caso perdido.
—Mas eu...- Kanato tentou falar.
—Mas você pelo menos tenta me entender.- Sarah desabafou- Você tenta me fazer voltar a ser o que eu era sem toda a parte de fingir estar bem. Você tenta me tirar da escuridão. E eu sei que eu faço o mesmo com você. Eu sei que você tem potencial de virar uma pessoa maravilhosa e eu quero te ajudar a melhorar até virar a melhor versão de si mesmo.
Kanato não respondeu nada, então ela continuou:
—A gente não pode se prometer uma eternidade de amor, porque a gente teve exemplos claros nas nossas famílias que isso de vez em quando não rola. Mas eu gosto de verdade de você Kanato. Pode ser difícil de acreditar, mas eu gosto. E não importa o que as pessoas tenham te falado antes, eu não vou te trair, eu não vou te abandonar. A não ser que você queira que eu te abandone.
Kanato se sentiu meio emocionado.
—Eu sinto que eu estou no caminho certo desde que você me achou. Eu sinto que eu tô me encontrando aos poucos e melhorando. E eu quero que você esteja do lado durante esse processo- Sarah estava quase chorando- Então se você me ter, por favor seja meu namorado.
Kanato sentiu um peso cair dos seus ombros:
—Você parecia que ia me pedir em casamento.
—Ainda dá pra mudar a palavra namorado pra marido se você quiser.- Sarah sorriu fracamente.
Kanato levantou ela do chão e deu um beijo nela.
—Eu aceito muito. Tudo.- Kanato segurou o rosto dela- As partes quebradas, a escuridão, tudo. Mas eu não vou usar esse anel.
Sarah riu:
—Tudo bem, é cenográfico. Foi só pelo drama.
Kanato apertou Teddy em suas mãos, felizes.
Ele sentia uma coisa diferente. Como se ele fosse amado e desejado.
Sarah o dava esse sentimento com tanta pureza e carinho que era difícil saber se não era sonho.
Então Kanato se deixou levar.
Porque se fosse um sonho, pelo menos ele estaria feliz.
Mas felizmente não era.
Ele soube disso quando depois os dois foram dormir com Teddy II e quando ele acordou Sarah estava deitada perto dele ainda, o ursinho em suas mãos.
Ele sentiu muita adoração naquela noite.
Leveza.
Vontade de viver.
De melhorar.
E ele sabia que ia conseguir se tivesse ela ao seu lado.
"Se cair, vou te segurar
Estarei esperando hora após hora
Se estiver perdido pode me procurar
Vai me encontrar, hora após hora"
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