Like a Vampire 4: Endgame Volume 2

7 Capítulo 6- Filhas da morte


Narração Cousie

Será que valia a pena?

Era isso que eu me perguntava, encarando pra taça de vinho que eu havia acabado de encher.

Dois meses sem vinho. Devia ser um recorde.

Um recorde bastante amargo, pois eu acho que nunca senti tanta dor de cabeça.

Até insônia estava tendo.

Pesando os prós e contras:

Prós: Eu mataria minha vontade de tomar vinho.

Contras: Poderia matar meu filho.

Não parecia uma troca justa.

Raio de biologia. Por que de todas as coisas que existem, logo o álcool tinha que ser o que fazia a gente passar mal durante uma gravidez?

Ninguém reclamaria de passar mal caso comesse alface, caro corpo humano, disso eu te garanto.

Bufei, apoiando o copo na mesa de canto.

E assim eu passaria os próximos sete meses, muito provavelmente.

A porta se abriu praticamente num murro.

Olhei assustada pra direção do barulho, sendo surpreendida com minhas duas irmãs praticamente marchando até mim.

—Eu não acredito, Cousie!- Haruka vinha na frente- Como assim você escondeu uma gravidez da gente? Se foi capaz disso, imagina o que mais pode esconder?

—Você fala bastante de lealdade dentro da patrulha para alguém que mente pra própria família!- Eliza veio logo atrás da mais nova- Ainda mais sobre esse tipo de assunto!

Massageei minhas têmporas, implorando que se existisse uma força divina, ela fizesse minhas duas irmãs calarem a boca de alguma forma.

—Você vai realmente ignorar a gente?- Haruka deu alguns passos até ficar na minha frente- Ignorar até desaparecermos que nem tem feito com todos seus problemas nos últimos meses?

Pressionei a taça na mesa, tão forte que eu consegui ouvir o barulho dos cacos de vidro se espalhando pelo quarto.

Se algum cortou minha mão nesse processo, não senti a dor.

—Eu ignoro meus problemas?- Encarei minhas irmãs mais novas- Vocês duas que se metem em uma encrenca diferente a cada cinco minutos,e eu limpo a bagunça. Uma é irresponsável o suficiente pra pegar uma doença mortal, e a outra é mimada ao ponto de não aceitar a sua missão de se casar. Mas eu que ignoro meus problemas?

—Não vire isso contra nós. Você sabe que agora está errada.- Eliza retrucou.- E se não se lembra, foi o seu marido que me contagiou. O mesmo que eu cuidei durante anos seguidos!

—E eu nunca menti sobre meu interesse por casamento, pelo menos. Você é uma irmã tão fantástica que nem se deu ao trabalho de me ouvir quando eu tentava negar suas ideias.- Haruka cruzou os braços.

—Vocês são tão egoístas!- Rugi, me levantando- Todos os problemas dessa patrulha são culpa minha agora. Eu tenho que ter um filho. Tenho que ser rainha. Tenho que agradar todo o bando de pessoas mimadas que vivem às minhas custas sem nem me agradecer. Mas claro, eu sou a vilã da história. Por não querer falar sobre minha gravidez pra meio mundo. Afinal, isso deu muito certo da primeira vez, não é?

—Mas nós não somos meio mundo!- Eliza retrucou- Somos suas irmãs! Cousie, por favor, estivemos com você desde o primeiro dia, não pode estar nos colocando no mesmo balaio do resto da Patrulha!

—E por que eu não deveria?- Massageei meu rosto- Vocês sempre preferiram passar mais tempo com elas… com eles.

Encarei Haruka feio na última parte.

—Já parou pra pensar que talvez isso aconteça porque quando estamos perto de você, viramos súditas e não suas irmãs?- Eliza estava com a voz esganiçada- Sabe o que mais me dói? É olhar pras Herbert e pras Hudison e pensar que eu nunca vou saber o que é ter uma família de verdade.

—Ah, não, você não disse isso.- Eu rosnei- Tudo o que eu fiz até hoje foi pensando no bem da nossa família! Eu tirei a gente da miséria! Se gostam de estar vivas hoje em dia, deveriam estar beijando meus pés e me agradecendo.

—Claro, beijando seus pés. Afinal, você sempre tem que estar superior, não é?- Os olhos de Eliza se arregalaram pra mim- Quem é você? Eu não te conheço mais! Eu sei que com certeza não deve ser minha irmã. Porque o que eu via e admirava, respeitava… sumiu. Desapareceu de você.

—Gente…- Haruka hesitou- Tudo bem a raiva, mas não precisa abaixar tanto o nível, né?

—Porque falando assim, Cousie, parece que você mais nos considera dois pesos do que família. Sangue do meu sangue, sabe?- Eliza ignorou totalmente a nossa irmã.- Se somos dois fardos, por que você não nos manda embora? É isso que tenta fazer com quem vai contra seus planos?

—Você não se atreva a falar assim comigo!- Eu levantei o tom de voz- Eu sou sua irmã mais velha, e eu sou a autoridade aqui.

—Então me trata como sua irmã mais nova, porra!- Eliza praticamente berrou, fazendo eu e Haruka nos assustarmos- Eu tô cansada de ter que lidar com você me tratando como fantoche e só sendo aclamada por você quando eu sou útil!

Eu estava abrindo a boca pra responder, mas a porta se abriu novamente.

—O que caralhas tá rolando aqui?- Shin entrou apressado.

Carla chegou logo atrás:

—Uma ótima pergunta.

—Quando você ia falar pra gente que a Cousie tá grávida?- Eliza se virou pro meu marido.

—Não responda ela.- Eu mandei.

—Ah, agora você comanda seu marido também? Bom saber que não era pessoal.- Eliza forçou um sorriso.

—Eliza, acho que talvez…- Haruka tentou falar.

—Eu não vou calar a boca! Já chega!- Ela gritou- Eu sempre fui essa, né? A irmã do meio, a bonita, a submissa, a que cala a boca e concorda. Mas eu tô cansada! Eu não aguento mais abaixar a cabeça enquanto você faz a vida de todo mundo ser miserável!

—ELIZA!- Eu gritei- Cala a sua boca! Ingrata! Não consegue ver o quanto você está sendo irracional? Parece uma criança birrenta! Se não notou ainda, o mundo não gira ao seu redor! Você sabia que seriam necessários sacrifícios pra chegar onde eu cheguei, e eu paguei eles! Tá na hora de você começar a aceitar isso ao invés de desejar que estivesse no meu lugar!

Eliza me encarou, e eu senti o clima pesar de repente.

Alguns cacos de vidro tremeram na mesa, e Eliza fechou os olhos pra respirar fundo.

—Eu acho que já deu por hoje.- Shin segurou o ombro da namorada- Eliza, você vem comigo.

Eliza passou mais alguns segundos parada, antes de abrir os olhos na minha direção.

Se olhares pudessem matar, acho que nunca na minha vida esperei morrer assim pela minha própria irmã.

—Claro. Vamos.- Eliza forçou um sorriso.

Ela estava já caminhando, mas Shin pegou pelo ombro e se teletransportou com ela pra sabe-se-lá onde.

—Você podia ter me defendido.- Encarei Haruka.

—Eu?- Haruka se assustou.

—Pelo menos uma das minhas irmãs podia estar do meu lado.- Bufei.

—Mas eu…- Haruka tentou começar.

—Eu ouvi um monte de xingamento e imaginei que pela baixaria, deveria ser vocês.- Kino apareceu na porta.

—E é claro que você está aqui.- Eu murmurei baixo.

—…Levarei isso como um elogio, mesmo sabendo que vindo de você, com certeza não é.- Kino entrou no quarto de vez.- Haruka?

Haruka estava de cabeça baixa, e o encarou.

—Achei que precisava de uma desculpa pra sair daqui.- Kino comentou- Quer me ajudar a tacar água gelada na cara do Yuma?

Haruka me olhou, insegura. Ela estava mais hesitante do que jamais esteve.

Mas ela não demorou mais do que cinco segundos pra ir até Kino, fechando a porta atrás deles.

Me joguei de volta na poltrona, nem olhando Carla.

—Vá na frente. Me fale como eu fui terrível.- Abaixei a cabeça- Como uma rainha de verdade deveria manter a pose a todo momento.

—Eu nunca poderia te achar terrível.- Carla comentou.

Eu levantei a cabeça, o encarando.

—Mas começo a me perguntar se você está bem.- Carla se sentou na cama ao meu lado.- Eu não te escolhi pra ser minha esposa por ser a mais fértil, ou a mais recatada.

Até porque tudo isso era mentira.

—Eu te escolhi porque é a mulher mais forte e inteligente que eu conheço.- Carla passou a mão numa das minhas madeixas- E essa briga só prova o que sempre achei. Você é teimosa, cabeça-quente e tem uma personalidade muito forte.

—Então por que ainda estou aqui?- Dei de ombros.

—Porque é isso que te faz uma ótima rainha.- Carla me olhava quase com certo…

Carinho.

Epa, não. Não. Isso já está ultrapassando alguns limites.

—Enfim.- Me levantei.- Talvez sua definição de boa rainha seja diferente da do resto do mundo. Eu devo ser a pessoa mais odiada dessa patrulha. Lá em cima, empatada com o Reijii, a Victoria e a Sarah.

—Isso não é verdade.- Carla retrucou.

—Não se preocupe. Eu li os livros de filosofia.- Respondi- Eu sei que entre ser uma rainha amada e temida, é melhor ser temida. Maquiavel, lembra?

—Você não precisa ser temida pra ser respeitada.- Carla falou alto.

—Como mulher, bastarda, ex rebelde? É… eu meio que preciso.- Respondi.

Carla suspirou alto.

—Cousie, você só tem um defeito, sabia?- Carla perguntou.

—Só um?- Eu ajeitei meu cabelo no espelho- Isso sim é novidade.

—Sim. Você tem uma barreira de titânio ao seu redor.- Carla respondeu- Aí você estraçalha qualquer um que tenta ultrapassar elas.

—Não ame qualquer um a não ser seus filhos. Nisso uma mãe não tem escolha.- Repeti pra mim mesma- Sabe quem me ensinou isso?

—Sua mãe.- Carla respondeu.

—Sim. E ela estava certa nisso.- Respondi, finalmente o encarando- Dá pra se afastar de qualquer um, mas não de uma vida que você mesma gera.

—Não era disso que eu estava falando.- Ele se aproximou de mim.

Me virei pra ele:

—Você é o homem mais inteligente que eu conheço. Mas, se gosta da sua reputação, deveria continuar avisado que eu não me apaixono. Você sempre soube disso. Somos marido e mulher. Teremos um lindo filho. E vai ser só isso. Pra sempre.

—Claro. Disso eu nunca duvidei. Se tem uma coisa que você é, é determinada.- Carla pigarreou- Eu vou… vou ver se Shin precisa de ajuda.

—…Com o que?- Me virei pra ele.

Mas ele já havia ido embora.

Me sentei, tomando cuidado pra não pisar em nenhum caco de vidro ou no vinho derramado.

Sentei na minha cama, e coloquei as mãos na barriga, já sentindo a leve elevação que ela havia ganhado dos dois últimos meses.

-Quando você chegar.- Eu comecei a sussurrar- Vão falar que eu não te mereço e que eu sou ruim. Mas… eu juro que não sou, tudo bem?

Corei, me achando idiota por estar falando com a minha própria barriga.

—Você vai ser perfeito. Ou perfeita…- Senti meus olhos começarem a se encher de lágrimas- E vai ter tudo. Não vai precisar lutar por nada. Eu vou garantir que cresça bem. E que seja bom, na medida do possível.

Me assustei quando lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto:

—Você vai ser a única coisa no mundo que eu não vou ser capaz de estragar.
—___________________________

Caminhar não era a melhor das atividades. Especialmente num lugar desconhecido, com pessoas querendo te matar a cada instante.

E como se não bastasse isso, Daayene estava tendo que lidar não com uma, mas duas crianças.

Devia ser um pesadelo.

—Ok, pessoal, descanso!- Igor comandou. Vou ficar de guarda, caso alguém chegue.

Daayene mal se sentou numa árvore, buscando o mínimo de sombra, quando Heisuke chegou até ela.

—…Boa tarde?- Falou, hesitando.

—Bruxa!- Heisuke riu, apontando pra ela.

—Não é…- Daayene percebeu que seria inútil retrucar com uma criança de 3 anos.- Bruxa. É.

—Faz magia?- Heisuke pediu, sua dicção ainda meio estranha.

—Não.- Respondeu.

—Tia Bruxa!- Oliver veio correndo e quase caindo- Magia!

Ela tentou olhar pra Lilith e pedir socorro, mas a pobre Sakamaki estava desmaiada de tanto sono.

—Só uma vez. E nunca mais.- Daayene brigou.

As duas crianças comemoraram.

—Mas primeiro, senta.- Ela pediu, e os dois obedeceram rapidamente.

Daayene estendeu sua palma, fazendo pequenas faíscas vermelhas saírem de seus dedos e explodirem levemente, como fogos de artíficio.

Ela encarou as duas crianças, que estavam maravilhadas olhando pra ela.

Heisuke tentou enfiar a mão no meio da faísca, mas Daayene felizmente o conseguiu impedir.

—Cuidado!- Ela repreendeu- Machuca. Não pode.

Heisuke tentou enfiar a mão de novo de qualquer jeito.

—Não…- Daayene revirou os olhos.- Olha o que acontece.

Daayene mirou a mão na arvore, deixando as faíscas acertarem o tronco e deixarem três furos profundos, praticamente carbonizados.

Heisuke pareceu assustado.

—Pois é. Machuca.- Daayene concordou- Até demais, de vez em quando.

—Você é uma super-heloína?- Oliver questionou.

—…Acho que bruxa é mais próximo do que isso.- Daayene suspirou- Mas não. Não sou. Eu… não luto contra o mal. Já lutei, mas parei.

—Mas… você tem magia!- Heisuke pareceu confuso- Devia virar pro vilão e fazer…

Ele deu vários socos no ar, como demonstração.

Daayene segurou a risada.

—É, na vida real é um pouco mais complicado. Você… não sabe quem é o vilão de verdade.

—É só ver quem é mais feio!- Oliver respondeu.

Daayene franziu o cenho, confusa.

—…Vocês dois parecem demais com a Família Sakamaki pro bem de vocês.

—Daayene!- Stephan se aproximou- Precisa de ajuda com os meninos.

—Por favor. Eu não me dou bem com crianças.- Daayene implorou.

—Engraçado, parece que eles gostam bastante de você.- Stephan soltou uma risada.

—É. Ainda acho perigoso crianças ficarem comigo.- Ela respondeu- A última… a última que eu entrei em contato… não acabou muito bem pra ela.

Ela queria soar ameaçadora, mas só soava trágica.

—Meninos, o que acham de ajudar a caçar flores?- Chronos chegou.

—Eca, flores são chatas!- Heisuke reclamou- Eu queria… caçar dragão!

—Você vai ter uma linda surpresa quando chegar na fortaleza.- Daayene riu baixo.

—E que tal contarmos histórias?- Ian sugeriu.

—Histórias de luta, combate e soldados?- Oliver questionou.

—Isso, onde as mocinhas saem vitoriosas no final!- Ian pareceu encorajado.

—É isso que você fez pra criar a Sarah e a Sofie?- Chronos questionou.

—Claro. Explorar a criatividade é uma parte extremamente importante da infância.- Ian estava alegre.

—Histórias são chatas.- Heisuke fez uma careta.

—Bem, não pra todas, claramente.- Stephan comentou- Heisuke, o que você acha da gente voar?

—Voar?- Heisuke pareceu alegre.

—É por isso que ele é seu parente sanguíneo, não meu.- Ian retrucou.

—Eu quero voar, vovô!- Heisuke pulou.

—E ninguém quer caçar flor?- Chronos pareceu decepcionado.

—Como você criou a Nikki e a Lua se a sua única ideia de diversão é caçar flor?- Stephan retrucou.

—Caçar flor é divertido!- Chronos retrucou- Além disso, é um ótimo exercício para se entrar em contato com a natureza, exercitar o corpo…

Ela parou de prestar atenção na conversa quando foi chegando perto da Lilith, que estava acordando.

—Cansada?- Perguntou.

—Não é fácil. Faz quase… dois anos que não sei o que é uma cama.- Lilith respondeu.

—Parece díficil.- Daayene então teve uma ideia- Estão numa fortaleza.

—Quem?- Lilith questionou.

—Todo mundo. Os seus primos. Os Mukami. As minhas irmãs. As Herbert. As Creedley e os Tsukanami. O Jackson, a Sol, o Mao… A Mun.

Lilith pareceu alarmada.

—Então ela chegou em segurança?!

—Claro. Mais forte do que nunca. Ela sabe se virar.

—É claro que sabe. É uma Sakamaki.- Lilith suspirou- Eu só estava em dúvida se ela seria pega depois da gente…

Ela ficou em silêncio, como se tivesse falado algo que não pudesse.

—…Depois do que?- Daayene perguntou.

—Da gente… fugir.- Lilith respondeu. Claramente mentindo.- É isso. Mas… como chegamos na fortaleza?

—É no extremo sul.- Daayene explicou- Precisam andar mais se quer chegar lá.

—Lá onde?- Igor chegou.

—Na fortaleza.- Sua esposa respondeu.

—Fortaleza?- Chronos se aproximou- E quem está lá.

—Todo mundo.- Lilith respondeu de volta.

—Por que vocês não chegaram a literalmente 10 segundos atrás onde eu expliquei pela primeira vez?- Daayene resmungou.

—Estão todos lá?- Ian chegou com Oliver no colo- Então precisamos ir pra lá!

—Eu ouvi que estamos indo pra um outro lugar?- Stephan chegou com Heisuke nas costas.

—Posso dar o caminho e as coordenadas. Chegarão em pouco mais de 3 dias a pé.- Daayene explicou.

—Isso se pegarmos o atalho dos 3 rios.- Lilith pensou- Correto?

—Isso.- Daayene concordou- É uma viagem díficil, mas…

—Espera… Você não vai vir com a gente?- Igor questionou.

Ficou um silêncio desconfortável.

—Eu… eu não poderia.- Daayene sorriu sem graça.

—Senhorita Hudison, não é a melhor amiga das nossas filhas?- Chronos questionou.- Deveria ir conosco. Ficarão feliz em te ver.

—Eu…- Daayene respirou fundo.

Não poderia sinceramente falar sobre o que aconteceu. Os três homens ficariam arrasados.

Tudo que eles haviam perdido…

—Senhorita Hudison, não sabemos sobre nossas filhas desde quando partiram pro festival.- Stephan deu um passo a frente- Está tudo bem?

—…Está tudo… perfeitamente bem.- Daayene mentiu.- Suas filhas estão ótimas. Da mesma forma que estavam quando partiram.

—Graças a Deus.- Stephan sorriu- Pensando agora, Victoria e Reijii devem estar bem comemorando seus quatro anos de casados, certos?

Daayene entrou em choque extremo:

—Cla…claro.

Lilith cerrou o cenho pra ela.

—Mas imagina, nossas filhas, essas moças solteiras, bonitas, numa fortaleza com todos aqueles homens?- Chronos questionou.

—Pois é. Um perigo. É quase um pedido pra coisas graves: gravidezes, sei lá.- Stephan deu de ombros.

—Jesus, me leva.- Daayene murmurou.

—Verdade.- Chronos concordou- Ainda bem que eu dei aquelas camisinhas pra Nikki. Eu sempre falo: filho só depois de NO MÍNIMO, um noivado.

—Também tem o Jackson com aquela namorada dele, né?- Chronos se lembrou- A Yui. Menina tão boa, tão bondosa. Não machucaria uma mosca, aquela, adoro ela.

Daayene sentiu sua alma sair do corpo.

—Acho que estamos saindo do tópico.- Igor pediu- Não podemos chegar lá sem você, Daayene.

—Eu fugi de lá.- Daayene mentiu. Quer dizer, meio que mentiu- Eu estava cansada. Mas… suas filhas não tiveram nada a ver com isso. É claro. São ótimas meninas. E amigas.

Daayene sentiu quase vontade de chorar.

—Sua família deve ser muito boa, é bom saber que ainda existem pessoas tão honestas e gentis no mundo.- Ian sorriu- Agradecemos pela sinceridade.

—Não podemos te forçar a ir, então.- Chronos coçou a cabeça- Mas agradecemos pelos seus poderes e ajuda.

—Claro. É claro que eu ajudaria. É isso que eu faço.

—Mas eu quero ir com a Tia Bruxa!- Heisuke choramingou.

—Ás vezes a gente tem que aprender a voar sozinho, criança.- Daayene sorriu- Foi… íncrivel conhecer vocês 3. Dá pra ver que a índole das Herbert não veio só da mãe.

—Gostamos de acreditar que 90% delas veio da Molly,mas agradecemos.- Stephan sorriu.

—Lilith, Igor. Sempre um prazer ver vocês.- Daayene sorriu.

—Digo o mesmo, Daayene Hudison.- Igor disse.- Que a lua siga sua jornada.

—Obrigada por tudo.- Lilith sorriu.

Daayene se despediu brevemente, antes de concentrar sua magia e levantar vôo com a névoa vermelha.

A última coisa que ouviu foi um:

—Tchau, Tia Bruxa!

E foi mais alto do que jamais havia ido.

Com alguns minutos de vôo acima das nuvens, ela sentiu uma dor de cabeça gigante.

Sua visão tremeu. Sentiu algo arrastando pela sua pele.

"Não pode estar falando sério", ela ouviu uma voz feminina na sua mente falando.

Fechou os olhos, se concentrando.

—É golpe baixo, até pra você.- A voz de menina continuou na sua cabeça.

—Tudo vai de acordo com o plano, cara Meg.- Uma voz masculina respondeu- Afastamos a maior arma deles de lá. E melhor ainda, agora eles estão brigando. Desconfiados um dos outros. Como poderão lutar uma guerra dessa forma?

—Até poderão.- Meg respondeu- Mas não vencerão.

—Exato. Está aprendendo.- O homem respondeu- Agora temos que focar na outra arma.

—Qual, senhor?

—Qual mais? Eve, é claro.

Um silêncio se passou.

—Essa energia… não estamos sozinhos. Não, claro que você não perderia essa oportunidade.- Ele parecia sorrir.

—Nos vemos mais tarde. Se você conseguir chegar a tempo de salvar eles.