Like a Vampire 4: Endgame

15 Capítulo 15- As guerras que virão


Narração Haruka

Quando alguém disser que alguma situação "não tem como piorar", repense. E duvide um bilhão de vezes.

Cá estava eu, no Mundo Vampiro. Tudo parecia meio que bem. E aí do nada uma mãe demônia ressurge no corpo de um dos Sakamaki, uma das Herbert está de cama e a minha irmã...

Bem, essa era a pior parte.

Observei minha irmã deitada na cama, enquanto eu limpava o suor do seu rosto.

—Eu tô bem!- Eliza reclamou, mas não pôde falar muito mais antes de ser interrompida por um ataque de tosse.

—Se por bem você quer dizer "estou morrendo literalmente", então claro.- Murmurei, fazendo minha irmã revirar os olhos.

—Você não precisa se dar o trabalho de…

—Já estou me dando!- A interrompi- Você devia ter me avisado antes que estava doente. Já pensou se você acaba deixando outra pessoa doente?

—Quem, por exemplo? Você?- Eliza sorriu fraco.

—Eu sou a menor das suas preocupações.- Suspirei- Já pensou no que Cousie vai falar quando te ver? E Shin?

Eliza estremeceu, e eu não soube se foi pelo frio ou pelo pensamento.

Ouvi uma batida na porta.

—Tudo certo por aí?- Kino enfiou a cabeça no comôdo.

—Kino!- Eliza se sentou na cama- Pode forçar a minha irmã a escutar a voz da razão e ir aproveitar a vida dela, sem eu atrapalhar?

—Não acho que eu poderia convencer sua irmã a fazer nada que não queira.- Kino riu de leve, antes de entrar no quarto.

—Pelo menos ele me conhece.- Não pude deixar de debochar.

—Vocês precisam de alguma coisa aqui?- Kino ofereceu.

—Eu não.- Eliza tossiu- Talvez um pouco de água, na verdade.

—Com a Ariel do seu lado, certeza que isso não te falta.- Kino riu. Revirei meus olhos.

O Sakamaki foi até a mesa e serviu um copo de água da jarra, entregando logo em seguida para a minha irmã.

—Como todos estão?- Eliza questionou, bebendo logo depois um gole de água.

Olhei pra Kino, porque também não sabia.

—Perdidos. Assustados.- Kino se sentou aos pés da cama.- Sinceramente, com a gravidez da Marie, o sumiço das meninas e agora isso…

Me peguei arqueando as sobrancelhas.

—A Marie tá grávida?!

—Ah. Vocês não sabiam. Mals.- Kino se assustou- Nem acho que era pra eu saber. Ouvi de fininho a Marie conversando com o Laito e…

—A Marie tá grávida?- Eliza voltou a questionar- Isso não tá certo. Espera. Marie é humana. Isso não deveria fazer a gravidez dela ser super…

A realização nos atingiu feito um tapa na cara.

—Arriscada.- Completei, quase num sussurro.

—Bem, mas de qualquer forma é azar.- Kino tentou mudar de assunto.- Parece que desde quando eu cheguei aqui, tudo ficou ruim pra vocês.

—Talvez se te sacrificarmos pros lobos isso mude.- Comentei.

Kino me ignorou.

—Mas o que pode acontecer? Não é como se fosse acontecer algo pior do que isso tudo. Além disso, acho que até mesmo um cenário ruim, tipo o seu ex aparecer do nada…

Logo quando ele falou isso, ouvi o barulho do portão se abrindo.

Tentei olhar pela janela, mas não conseguia ter a visão do grande portão dali.

—Vocês podem ir, sabe.- Eliza insistiu- Sinceramente, acho que dou conta de ficar uns dez minutinhos sozinha.

—Disso eu nunca duvidei.- Kino riu quase de forma debochada pra mim.- Me acompanha até a porta, milady?

—Cai fora.- Reclamei.

—Credo. Assim você me machuca.- Kino se fingiu de magoado.

—Fico feliz em ajudar.- Forcei um sorriso.

Saí do quarto na frente dele, e fingi não notar o jeito que Eliza sorria pra mim.

—O que aconteceu?- Questionei assim que vi Daayene na ponta dos pés na escadaria.

—É isso que tô tentando descobrir!- Daayene murmurou.

—Por que você tá murmurando? É pra gente fazer isso também?- Kino perguntou, falando meio baixo.

Revirei os olhos.

Daayene apontou pra baixo da escadaria, onde todos os Herbert presentes conversavam.

Bem, só faltava Sofie. Mas até Jackson estava lá.

—O que tá rolando?- Anna chegou, falando baixo.

—Treta.- Daayene afirmou.

Anna concordou brevemente com a cabeça e ficou lá parada.

—Vocês tão bisbilhotando a conversa de família?- Subaru chegou com as mãos na cintura.

—Talvez?- Kino mentiu.

—Se afastem, colegues.- Ayato tinha algo em mãos- Vocês nem sabem fazer isso direito.

Um pequeno microfone que parecia de brinquedo estava enrolado numa corda, que levava até um micro alto-falante.

Ayato soltou a parte do microfone até que ela quase caísse no chão.

—Você devia ter falado antes!- Ouvimos a voz de Victoia pelo mini alto-falante- A nossa família não significa nada pra você?

—Ei, eu só estava esperando a Sofie chegar!- Marie apareceu brigando.

—Talvez Sofie chegar seja um evento muito longe ainda.- Ouvimos a voz de Nikki- Isso é, se acontecer.

—Vai acontecer.- Ouvimos a voz de Sarah- Não ouviram o que eu contei? Ela fugiu…

—De drakon, nós já entendemos.- Uma voz masculina surgiu. Jackson.- O que não significa necessariamente que ela esteja em menos perigo.

—É, nada impede ela de só ter caído do drakon.- Lua pensou alto.

—Então eu morrer por causa de um sacrifício é errado, mas você com esse seu filho é certo?- Victoria brigou.

—Não, você morrer por um sacrifício que pode ser evitado é burro.- Marie retrucou.

—Você tá falando que nem a Sofie!- Victoria comentou mais fortemente.

—Alguém aqui tem que ser a voz da razão!- O tom de Marie se tornou mais agudo.

—Podemos tentar não brigar?- Sarah comentou- Da última vez isso resultou em expulsão, e não estamos nem perto de um bom estado pra nos darmos esse luxo!

—Sarah está certa.- Nikki confirmou- Victoria, a sua gravidez foi tão arriscada quanto a da Marie e ninguém brigou com você por causa disso.

—Vocês descobriram que eu estava grávida quando eu mesma descobri!- O tom de voz de Victoria também ficou estridente.

Ouvimos um cacarejo.

Papanicolau veio voando baixo de um dos comôdos. Ele parou e começou a bicar o chão, antes de começar a andar.

Seu rosto bateu no pequeno microfone, e ele começou a bicar nossa fonte de fofoca.

—Papanicolau, solta!- Daayene tentou brigar baixo.

—O papagaio chama Papanicolau?- Kino franziu o cenho.

—Eu aprendi a não questionar.- Sussurrei.

—Papanicolau, não faz isso!- Subaru rosnou.

Ayato tentou puxar o cordão pra cima, mas isso só fez o pássaro se prender pelo bico no microfone.

—Passáro burro.- Anna sussurrou, e foram poucos que a ouviram.

O único som que ouvíamos era o do baixo cacarejo do pássaro.

E ele então caiu de costas no chão, o microfone na boca.

—Papanicolau feio!- Subaru brigou.

A discussão ainda parecia acalorada lá embaixo, mas dessa vez não tínhamos como ficar bisbilhotando.

—O que estão fazendo?- Kanato surgiu.

—As pessoas só aparecem aqui do nada?!- Kino se indignou.

—É, você se acostuma depois de um tempo.- Anna suspirou meio exausta.

—Sai daqui, Kanato.- Ayato revirou os olhos.

—Sua namorada nem tá na conversa, a minha tá. Eu tenho direito de me meter!- Kanato brigou.

—Vocês parecem duas crianças.- Bufei.

A discussão só parou quando ouvimos barulho de pessoas se mexendo e andando no andar debaixo.

—Bem, finalmente vocês acabaram!- Ouvi uma voz conhecida e me senti gelar.- A Sol estava ouvindo por trás da porta!

—Eu não! Você que estava!- Sol brigou.

—E ela disse bem claramente "Pode parar aí, porque esse é um momento particular!"- Ouvimos a voz de Akira.

—E você disse que basicamente era parte da família e merecia ouvir.- Yui respondeu.

—…Elas são terríveis. Jackson, me defende!

—Esquece. Não é como se todo mundo já não soubesse.- Marie massageou as têmporas.- Acho que vou voltar pro quarto.

—Mas a gente acabou de chegar!- Sol retrucou.

—Estou cansada.- Marie disse baixo.- Sempre estou cansada agora.

Ouvimos ela subindo as escadas e fomos rápidos em fingir que nada estava acontecendo.

Ela nos olhou estranho, e assim que ela foi embora Subaru sussurrou:

—Então ela tá grávida mesmo.

—Ferrou muito.- Ayato reclamou- Já tivemos um sobrinho. E como é que essa história está indo.

—Eu tenho um sobrinho?!- Kino se assustou.

—Bem, bem mal.- Daayene ignorou o bastardo.- Eu vou descer pra ver o pessoal. Você vem, Haru.

Arqueei as sobrancelhas:

—Não acho que seja uma boa ideia.

—O que? Só porque o seu ex tá lá embaixo?- Subaru questionou.

Gelei de novo, mas dessa vez quis socar a cara de Subaru.

—Seu ex?- Kino arregalou os olhos- Desde quando você tem ex?

—Desde quando ela namorou e terminou com o cara.- Daayene não pareceu entender o choque do rapaz.

E bem, não tive muita chance de discordar, pois fui prontamente arrastada pro andar de baixo.

—Boa tarde Daayene e Haruka!- Lua notou nossa presença, presa entre Jackson e Nikki.- Anna.

Anna vinha andando lentamente atrás de nós.

—Boa tarde meninas.- Jackson sorriu- Muito tempo sem nos vermos.

—Tempo demais, eu diria.- Daayene riu suavemente.

—O que traz vocês aqui?- Perguntei, nervosa.

—Bem, estávamos viajando pra cá depois da coroação da Cousie.- Yui veio e envolveu seus braços por trás de Jackson.

—E que bom que viemos.- Sol retrucou- Tanta coisa aconteceu, imagina se não chegássemos a tempo suficiente pra ajudar aqui.

—Nem me fale.- Mordi a bochecha.

—Mas, enfim! Chegamos!- Mao comemorou.- Finalmente! Ah, Haruka, você e Eliza vão ser tias.

Me asusstei.

—É o quê?- Lua deu um salto.

—Verdade, Cousie está grávida!- Akira afirmou- Carla anunciou no dia da coroação.

Era óbvio. Carla só coroaria Cousie se tivesse um filho.

Meu coração ficava leve. Depois de todos esses anos, finalmemente ela havia conseguido.

E Eliza não precisava tentar mais.

—Ah. Que bom.- Foi tudo que falei.

As Herbert me olharam como se eu fosse um alien.

—Sua irmã tá grávida e essa é sua reação?- Victoria estava indignada- Na minha gravidez a Marie desmaiou!

—Talvez por que você tivesse dezenove anos e o fato de estar grávida fosse um choque total.- Sarah olhou pras próprias unhas.

Anna e Lua a encararam.

—O que foi?- Sarah se assustou- É verdade! Até eu sei que a Cousie estava ativamente tentando ter um filho!

Bem, isso era verdade.

Percebi Mao me encarando e desviei o olhar.

—Quem caralhas é Cousie?- Kino chegou de repente atrás de mim.

Silêncio constrangedor.

—Acho que a pergunta certa seria quem é você?!- Jackson encarou o Sakamaki bastardo.

—Ah, prazer, eu sou…- Kino começou, mas eu interrompi:

—O nome dele é Kino. Ele é o irmão da Mun.

Kino me encarou meio com raiva por não deixar ele falar.

—Mais um Sakamaki?- Sol brigou- É sério, aquele homem não para de ter filho? Se a gente chacolha uma árvore, cai 20 vampiros em cima da gente que são filhos dele!

—Indelicado e dito de forma grosseira, porém a pura verdade.- Yui sussurrou.

—Quem são eles?- Kino perguntou pra gente- Eu tenho que decorar o nome de todo mundo? É muita gente, não pode ser apelido não?

—Ah, são nossos amigos e aliados.- Daayene desceu- Esse é Jackson, irmão mais novo das Herbert. Sol, Akira e Mao são nossos amigos e Yui é…

—Eu sou namorada do Jackson.- Yui confirmou.

—Ela é.- Jackson concordou.

—Ah. Muito bem.- Kino riu- E quem aqui é o ex dela?

Quando Kino apontou pra mim, eu fui dominada por uma vergonha intensa e uma vontade de lançar um soco na cabeça dele.

—SAKAMAKI!- Eu grunhi.

—Chama ele disso não, se não brota mais seis aqui.- Lua sussurrou.

—O que foi? Quero conhecer o azarado!- Kino não parecia nem um pouco afetado.- Ou sortudo, terminar com você e ainda estar vivo pode ser considerado um milagre.

Respirei fundo.

—Dar um soco nele seria produtivo?- Questionei.

—Tenho minhas suspeitas que não.- Anna me respondeu.

—Eu que namorei a Haruka.- Mao levantou a mão.

Fiz uma careta com raiva na direção dele.

Inferno. Dois homens que não sabem ficar quietos.

—Ah. Ok. Isso é inesperado.- Kino se assustou.

—Por que?- Nós dois perguntamos ao mesmo tempo.

—Pega a pipoca, isso vai ser bom.- Sarah murmurou. Lua e Victoria concordaram.

—Eu achei que ela era mais seu tipo.- Kino apontou pra Sol.

—Você achava que eu era lésbica?- Questionei.

—Ou bi. Ou pan.- Kino deu de ombros- Ou qualquer outra coisa. Sei lá. Ela parece alguém que você namoraria.

—Obriga…da?- Sol estava incerta se aquilo havia sido um elogio.

—A questão não é sobre a sexualidade, parem de ficar assim.- Kino revirou os olhos.

—É, a questão é que você não acha que a Haruka pudesse namorar um cara como eu.- Mao cerrou o olhar.

—É claro. Você parece uma planta.- Kino retrucou.

Mao abriu a boca, ofendido:

—E que tipo de cara pode namorar a Haruka.

—Por favor, calem a boca!- Nikki brigou- Vocês são insuportáveis, só ficam falando e falando!

—…Meu Deus, você falou i.gual.zinho o Shu.- Lua pareceu chocada.

Nikki ficou meio vermelha:

—Essa não é a questão! Vocês dois, parem de ficar falando! Quem a Haruka namorou ou deixa de namorar não é problema de vocês, e não vem ao caso. Devíamos aproveitar todo mundo junto pra pensarmos em como salvar o Reijii. Ou matar a Cordelia. Ou cuidar da Marie. E ao invés disso, estamos gastando tempo aqui, por uma questão que simplesmente não vale a pena!

Senti quase vontade de aplaudir. Me segurei e mordi a bochecha.

—Agora, se o senhor Sakamaki e o senhor Masa puderem deixar de se bicar pra poderem juntar o pequeno cérebro que têm, eu agradeceria.- Nikki gesticulou pra ambos.

—E se não?- Kino questionou.

—Bem, se você falar não você não me conhece a tempo suficiente pra saber do que eu sou capaz.- Nikki afirmou- Lua, quer dar meu histórico pra ele?

—Você estudou em escola militar até os 15 anos. Sabe quatro lutas e como usar uma arma.- Lua começou a falar- Também tem um fuzil. Aos 17 anos lutou com espada contra os homens da guarda e ano passado matou uma galera queimada.

Nikki encarou Kino:

—Alguma dúvida?

—Ahn, não?- Kino sugeriu.

Sarah fez um joinha, como se ele tivesse dado a resposta certa.

—Então é isso. Deixem as picuinhas pra depois. Temos 99 problemas pra resolver agora, e vocês não vão ser um deles.- Victoria sorriu em aprovação.

Ouvimos passos apressados da escada.

—Pessoal, acho que vão querer ver isso.- Era Subaru.

—O que aconteceu?- Anna se preocupou.

Kou chegou atrás do Sakamaki:

—Tem alguém lá fora. E quer ver vocês.