Like a Vampire 4: Endgame

8 Capítulo 8- Mate o garoto


Haruka e Kino andavam durante a madrugada lado a lado, em puro silêncio e afastados.

Ela cruzou os braços, respirando fundo tentando recuperar suas forças. Passou as mãos pelo cabelo molhado.

Se sentia tonta. Seu estômago revirava. Estava exausta e com fome.

E ainda tinha que passar sabe-se-lá quanto mais tempo perto do Príncipe Encantado.

O que podia ser traduzido para: Seu pior pesadelo.

E claro, isso não era suficiente… além do príncipe encantado estar presente, ele também parecia gostar de falar que nem um papagaio.

—Estou exausto.- Kino reclamou pelo que parecia ser a vigésima vez- E tenho fome. Como isso foi acontecer? Devíamos só entrar no Reino Lobisomem e pedir abrigo e comida.

—Cada dia que passamos longe do nosso objetivo é perda de tempo.- Haruka escondeu que estava revirando os olhos- Eu achava que você estava super preocupado e desesperado em achar sua irmã.

—Querer achar ele nao significa que eu não possa reclamar, ué.- Ele então passou as mãos nos bolsos- E no naufrágio, meu celular ainda estragou.

—Oh, o grande pesadelo.- Haruka ironizou- Claro, tem pessoas morrendo. Pandemias. Violência. Mas vamos parar pra pagar um tributo pelo celular do Kino.

Kino estreitou os olhos vermelhos na direção dela.

—Está sendo irônica?- Kino questionou.

—Eu? Imagina. Nunca faria isso, vossa alteza.- Haruka revirou os olhos de novo, sem se preocupar em esconder dessa vez.

—...Ok, agora você está só zombando de mim.- Kino parou abruptamente- O que foi?

—O que foi? Nao sei, que tal perguntar isso pro macho que nao para de reclamar e encher meu saco desde quando começamos a andar?- Haruka parou um pouco a frente dele.

—Encher o saco? Eu perdi um navio inteiro. Um que eu nem tinha acabado de pagar, inclusive.- Kino pareceu abismado.

—Você que pagou? Uau, me considere chocada.- Haruka colocou as maos na cintura- Eu tinha certeza absoluta que seu papai pagava suas despesas.

—Você tem algum problema? Ficou com raiva de mim do nada? Eu nao te fiz nada, garota.- Kino arqueou as sobrancelhas.

—Eu nao gosto de gente que nao sabe a hora de fechar a boca, só isso.- Haruka continuou andando.

—Pode parar aí, aquamarine.- Kino a puxou pelo ombro- Eu não fiz nada pra você resolver ser grossa comigo desde o primeiro dia.

—Você...me sequestrou.- Haruka olhou estreitamente- Você pelo menos lembra disso? E eu salvei sua vida, e fui agradecida pelos seus homens me chamando de bruxa.

—E o que eu tenho a ver com isso?- Kino estava abismado- Eu ainda estou aqui, não estou? E eu sou a parte importante desse plano todo, então diminui sua bola porque eu tenho certeza absoluta que outros nobres por aí te tratariam bem pior do que eu te tratei.

—Uau, que honra.- Haruka bufou- Por que não posta isso no seu celular? Kino Sakamaki, Sequestrador de Honra do ano. Tenho certeza que Hollywood vai amar te dar uma estatueta por isso.

—Eu nao…- Kino começou, mas Haruka o interrompeu com uma risada cínica:

—Tenho certeza que vão querer fazer sua história virar filme. Sabe, quem não ia querer ver a história do pobre filhinho bastardo que nem pai teve direito buscando sua irmã que fugiu de casa aos… dez anos? Deve ser isso. E aí, no clímax da história, ele ainda consegue sequestrar a garota errada. Uau. Belíssima história. Chorei litros.

—Você nao sabe nada da minha vida.- Kino rosnou.

—Jura? Porque eu acho que sei. Eu lidei com caras como você minha vida toda.- Haruka se aproximou de Kino- Rapazes mimados, que querem o mundo aos seus pés, que não aceitam nao e acham que são o novo centro do universo. Bem, novidade, você não é. Na verdade, você é tão irrelevante que eu duvido que seja até mesmo o centro da própria vida.

Kino nao respondeu nada, mas seus olhos brilhavam de ódio.

—Vai ficar bravo comigo? Bem, aceite. Se você nao consegue lidar com a verdade, o problema nao é meu.- Haruka deu de ombros.

—Por favor, Sereia do Paraguai.- Kino disse em tom mais alto- Isso é tudo o que consegue fazer? Ofender os outros pra esconder o quanto você é insegura e medrosa? È isso que te ensinaram na Patrulha?

—Você…- Haruka começou, mas foi a vez dela ser interrompida:

—Nao, Marimar, agora você me escuta.- Kino deu um passo a frente- Eu posso ser um rapaz nao muito inteligente…

—Descoberta do ano.- Haruka sussurrou.

—Mas nao preciso ser gênio nenhum pra descobrir que essa sua cara de Ui, eu sou uma menina poderosa. "Olha como eu afogo todos pra provar como sou rebelde. E depois, eu choro no meu quarto quando eu percebo o quão solitária" e sem amigos eu sou é falsa. Sabe por que? Por que eu sei que no fundo você tem medo de ser ignorada. Você usa essa fachada toda de Elsa sem coração porque acha que se não fizer isso não vão acreditar no seu potencial.

Haruka engoliu em seco.

—Mas adivinha? Funcionou. Você conseguiu enganar todos pra acharem que você é uma vaca sem sentimentos como bem queria. O que mudou?- Kino riu de deboche- Você é mais feliz e realizada? Você é mais amada? Menos rejeitada?

—Eu prefiro ser solitária do que ser que nem você.- Haruka levantou o tom de voz- Pelo menos eu tenho irmãs que realmente me amam e não me abandonam. Diferente de você, né?

—È? E cadê as irmãs que te ama. m tanto?- Kino debochou- Não lembro de ter ouvido notícias sobre ter te procurado. Você acha mesmo que eu sou o irrelevante aqui?

—Completamente diferente. Você me sequestrou. Sua irmã te abandonou. E quer saber? Eu acho que ela deve estar bem mais feliz agora sem você do lado dela.- Haruka parecia raivosa- Não deve ser fácil ter um irmão tão irresponsável e egoísta que nem você. Da última vez que eu vi ela, estava brilhando.

Kino pareceu meio abatido, mas não se deixou levar:

—Se você acha que minha irmã está tão feliz, pode ir embora. Você nao faz diferença agora pra mim.

—Eu te salvei, cara.- Haruka pareceu ofendida.

—Eu nao vou sentar aqui e aguentar xingamento sobre mim e da minha família sobre alguém tão hipócrita que não tem senso nenhum de lealdade ou carinho.- Kino falava cada vez mais alto- Eu tenho alguém pra amar, e você? Quantas pessoas ainda estão dispostas de ficar no seu caminho ao seu lado depois de anos de você tratando todos como lixo?

Haruka não teve respostas pra isso. Nem quis se dar ao trabalho de pensar em uma.

—Nao vale a pena gastar minha inteligência com você.- Haruka se virou.- Por que não vai descansar? Seus pés reais e delicados de príncipe devem estar cheios de calos e sangrando por ter que usá-los ao invés de uma carruagem de cavalos brancos.

—Pois saiba que eu vou. Talvez você possa usar o descanso para se hidratar no mar. Ou só use o veneno da sua babaquice, pode ser que funcione.- Kino deu as costas pra ela e se apoiou numa pedra.

Haruka engoliu em seco.

E os dois dormiram. Sem sonhos ou pesadelos, apenas um breu cobria os dois. E o ódio completo por quem estava do outro lado da pedra.

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Narração Marie

Acordar nunca havia sido tão pacífico, considerando as situações atuais.

Já faziam alguns dias que havíamos chegado no Mundo Vampiro, e apesar disso as coisas haviam sido estranhamente pacíficas.

A Mansão Mukami parecia só lar de uma família completamente maluca, e não um abrigo de guerra.

E isso era falar demais. Até pra mim.

Estávamos procurando um segundo lugar pra ficar. Aqui era perigoso demais pra todos.

Mas, bem, não eram todos que estavam totalmente dispostos a só dar algum lugar seguro pra nós.

Já sentindo dor de cabeça pelo estresse logo de manhã, abri meus olhos.

Ainda era meio estranho acordar no quarto de hóspedes dos Mukami.

Ainda mais estranho imaginar que nem quarto próprio mais eu tinha.



Me sentei na cama, tentando absorver um pouco do sol que escapava por trás das cortinas.

—Bom dia..~- Uma voz baixa cantarolou a meu lado

Olhei pra quem estava deitado ao meu lado. Laito pareceu ter acabado de acordar.

Seus cabelos ruivos estavam bagunçados. Seu tronco pálido estava exposto debaixo das cobertas e seus olhos verdes estavam meio fechados ainda.

Uma visão surpreendentemente adorável.

—Bom dia.- Acabei me espreguiçando- Espero que não tenha sido eu que te acordei.

—Pelo contrário, me acorde assim todos os dias.- Laito sorriu de forma brincalhona e beijou meus dedos da mão, mordendo fracamente.

—E você já começa logo cedo. Você não cansa de ficar assim comigo?- Revirei os olhos.

—Eu nunca me cansaria de você.- Laito passou a mão pelo meu colo e meus ombros expostos.

Me senti estremecer, mas tentei ignorar sorrindo pra ele.

Laito me olhou por vários momentos, e senti que eu podia me afogar nos olhos de esmeralda dele.

—Você é tão linda…- Ele sussurrou- Sabe o que eu pensei quando eu te conheci pela primeira vez? Que você tinha lindos olhos. Que eu podia me afogar neles.

—Isso não parece verdade.- Eu respondi.

—Bem, eu ainda penso isso. Nesse exato momento.- Laito passou as mãos em fios dos meus cabelos.

Ouvi o barulho da porta se abrindo.

—Galera, chegou um mens…- Nikki então se assustou quando nos viu- AI! MEUS OLHOS! MEUS OLHOS!

Ela saiu do quarto tampando os olhos.

Eu revirei os olhos e sorri pra mim mesma.

—Quem olha ela assim nem parece que é namorada do Shu.- Ele debochou.

—Noiva.- Eu corrigi ele- Se o anel gigante no dedo dela não te disse nada, pode deixar que eu digo. Agora vamos nos vestir e descer antes que mais alguma criança acabe traumatizada.

Ele me deu um último beijo demorado, e eu resolvi me levantar e colocar alguma roupa antes que qualquer coisa pudesse avançar.

Demoramos 10 minutos para nos aprontamos e descemos as escadas rapidamente, nos deparando com todos reunidos na sala de estar.

—Ah. Graças a Deus, vocês estão vestidos.- Nikki revirou os olhos.

—Calada, irmã.- Victoria deu uma risada fraca- Até onde eu saiba, a privacidade do quarto deles é só deles.

—Você só fala isso porque tá trepando com o Yuma desde quando chegou!- Nikki se exaltou, fazendo aproximadamente sete pessoas presentes engasgaram com a saliva.

—Nikki!- Eu a repreendi- Olha o jeito que você fala!

—Mas é verd…- Nikki começou, mas foi interrompida por Daayene:

—Bem, eu acho que essa é a parte onde eu nada sutilmente mudo de assunto pra não causar nenhum assassinato ou constrangimento.

—Por favor- Kou fingiu vomitar- Não quero ouvir sobre a vida sexual de ninguém. Especialmente do Yuma.

—NÃO VOLTEM AO ASSUNTO!- Subaru brigou- Diana, prossiga.

Daayene resolveu ignorar o nome errado.

—Bem, eu estava de boas no jardim pensando na vida.- Ela também resolveu ignorar a falsa cara de choque de Yuma- Até que recebemos uma mensagem do Mundo Feiticeiro.

—E foi por isso que você fez todo esse drama pra reunir todo mundo?- Ayato questionou.

—Eu sei lá, achei que todos gostariam de estar aqui caso fosse uma notícia sobre a Sofie ou a Brunna terem, sabe? Morrido.- Daayene fuzilou o Sakamaki com o olhar- Preciso mesmo te lembrar que a sua namorada está lá, Ayato?

—Ele é burro, deixa ele.- Kanato retrucou.

—O que estamos esperando?- Ruki se intrometeu antes que Ayato pudesse reclamar- Vamos ler, vai que é urgente.

Daayene pegou a carta e rasgou o envelope ao meio, pegando o papel que estava lá dentro.

Logo de primeira eu pude ver um símbolo da rebelião bem marcado de vermelho na parte de trás da carta, e Daayene pigarreou e começou a ler.

"Prezados

senhores Sakamaki,

Veio de nosso conhecimento que duas de suas aliadas, as senhoritas Brunna Hudison e Sofie Herbert, foram encontradas vagando pelas áreas livres do Reino Feiticeiro.

Considerando que uma delas é considerada nossa inimiga de sangue por ter matado um dos nossos, venho esclarecer que elas estão sendo tomadas como reféns.

Aqui também queremos oferecer uma troca entre as duas humanas e o que vocês tem para nós. Pegaremos a oferta em cavalos ou dinheiros. Então pedimos para que vocês venham resgatar as meninas aqui e nos tragam sua parte da troca.

Enquanto isso, elas serão bem cuidadas pelas nossas mulheres na Casa Feminina.

Assinado, Valari

Líder da Rebelião, chefe da Colônia Rebelde Feiticeira."

—Eu vou matar esse desgraçado!- Ayato rosnou.

—Bem, se fizer isso eles matam as meninas.- Ruki opinou- Temos que fazer o que estão pedindo. Não é nossa vida que estamos arriscando, e sim a delas.

—Parece que você não se importa com a própria namorada falando assim!- Ayato brigou.

—Ruki está certo.- Reijii respondeu- Não sabemos como esse tipo de coisa acontece na rebelião. E se executarem as meninas pelas nossas atitudes? Precisamos agir com cautela.

—Eu voto em matar todo mundo.- Victoria sugeriu.- E a Nikki.

—Eu o que?- Nikki cerrou as sobrancelhas.

—Achei que você gostava da ideia de matar várias pessoas, sei lá.- Victoria segurou um sorriso.

—Há, muito engraçado.- Nikki revirou os olhos- Já pensou em ser comediante?

—Pessoas!- Eu bati palmas algumas vezes- Seu que é uma situação complicada, que estamos todos nervosos, mas sinceramente a última coisa que precisamos é de mais briga e rivalidade aqui.

—Mah está certa. Passamos o ano passado inteiro separadas.- Daayene suspirou- Eu não sei vocês, mas não quero repetir a dose.

—Quando acham que podemos ir lá?- Subaru questionou.

—Cara, a gente mal sabe onde é essa colônia rebelde.- Eu respondi- Pra ser sincera, não sabemos nem o que diabos é essa Casa Feminina.

De repente senti um cheiro horrível e franzi o cenho.

—Que cheiro é esse?- Eu questionei.

—Ah, deve ser o novo desinfetante que usamos pra limpar a casa.- Victoria respondeu- Você não gostou? Eu achei que tem cheiro de rosas.

—Eu…- Não pude falar nada, porque inspirei mais uma vez o odor perfumado demais e senti meu estômago embrulhar.

Não pude dar tempo de ninguém me perguntar se algo estava errado, já que eu corri pro banheiro e vomitei na privada rápido demais pra isso.

Caramba, será que eu tô de TPM?

Deve ser, eu não costumo ficar tão sensibilizada em dias normais assim.

—Ei, você tá bem?- Nikki bateu na porta- Quer que eu segure seu cabelo?

—Já vomitei, mas valeu.- Eu ainda estava agachada no chão.- Devo estar quase naqueles dias pra vomitar desse jeito.

Nikki concordou com a cabeça, como se entendesse.

—Eu já vou indo.- Revirei os olhos quando ela ainda não havia ido embora.- Fala que eu tô… me recuperando. E podem ir discutindo sobre a Sofie e a Brunna.

Nikki, meio perdida, concordou e fechou a porta quando saiu.

Me apoiei na parede, sentindo algo estranho em mim.

Bem, isso sim era um jeito bizarro de começar meu dia.

Com um pouco de dificuldade, me levantei e fui direto escovar os dentes e lavar minha boca.

Me olhei no espelho por alguns segundos.

Surreal como apenas passar mal pode deixar sua cara toda acabada como se eu não tivesse dormido bem a noite inteira.

Ouvi uma batida na porta.

—Estou indo!- Dei uma ajeitada no meu cabelo e abri a porta , dando de cara com Laito.

—Você me deixou assustado, Mah-chan…- Laito forçou um sorriso.

—Foi só um susto, juro.- Sorri de leve.- Sei lá, talvez meu corpo esteja reagindo ao estresse também.

—Se você se sentir mal, avisa.- Laito ajeitou meu cabelo.

—Claro.- Eu beijei a bochecha dele.- Agora podemos ir discutir sobre como vamos salvar a minha irmã e minha amiga?

Ele sorriu na minha direção:

—Seu desejo é minha ordem.

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Quando voltamos pra sala de estar, fui obrigada a lidar com piadinhas e comentários meio constrangedores sobre minha súbita.… Mudança de estado.

Resolvi ignorar eles me sentando entre meu namorado e Victoria.

Ruki e Reijii tentavam liderar a conversa da maneira mais madura e sensata possível, e eu me intrometi às vezes quando eles falavam besteria.

Porém Ayato e alguns dos outros garotos aparentemente tinham grandes problemas... De raiva. Eu literalmente perdi a conta de quantas vezes Nikki e Daayene tiveram que segurar o terceiro Sakamaki pra ele não pular do sofá e pensar em ir pro Reino Feiticeiro sozinho.

Depois de quase três horas discutindo sem chegarmos a decisão alguma, percebi que estava um pouco cansada e avisei que ia me deitar.

Fiz questão de trancar a porta do meu quarto de hóspedes lá antes de me jogar por completo na cama, deixando um resmungo escapar meus lábios.

Sei lá. Eu tava estranha. E me sentindo meio mal.

Não havia sido o melhor dia de todos, até eu tinha que admitir.

Passei a mão pelas pontas do meu cabelo, já quase nem nenhuma tonalidade rosa.

Já fazia tanto tempo que eu não pintava esse treco que eu nem sabia como ainda tinha qualquer cor que não fosse o loiro quase platinado do meu cabelo natural.

Eu estava bem distraída filosofando sobre meu cabelo e se talvez os fios platinados na verdade eram apenas brancos e eu estava em negação. E então ouvi um barulho estranho.

Eu não entendi direito o que era. Parecia uma pequena explosão.

Me sentei na cama, e senti o cheiro de algo queimado.

Corri para a frente da casa o mais rápido possível.

Olhei ao redor, podendo ver Daayene, Nikki e Victoria já agachadas em um silêncio tenso. Sem uma palavra, me aproximei delas.

Eu não conseguia nem ver os meninos pela janela. Isso era um bom sinal. Eles não podiam se meter.

—Brincando de esconde-esconde?- Uma voz feminina surgiu.

Nos viramos rapidamente para encará-la.

Meg tinha os cabelos mais escuros do que antes, mas seus olhos tinham o mesmo tom e o brilho perverso que combinava com o sorriso vermelho.

—Por que toda vez que alguma coisa acontece,você é a primeira a aparecer pra encher nosso saco?- Victoria questionou, claramente irritada.

—Nossa, grande update nas suas redes sociais!- Meg sorriu- Victoria ficou raivosa segundos depois de estar super animada sobre um outro homem definindo sua vida!

—E sobre o que você fica animada? Mexendo com névoa na rua? Flertar com todos os homens que vê?- Victoria disse de forma irônica- Meg, eu já te saquei. Você gosta de fingir que é uma vadia poderosa e sem sentimentos quando na verdade você é uma garotinha assustada com baixa auto-estima que tem medo de fazer qualquer outra coisa.

—Foi o Yuma que te ensinou isso?- Meg cruzou os braços- Sabe, durante as rapidinhas que vocês dois tem durante os intervalos dos planos de vocês na varanda da horta? Ela fica assim tão excitado por mães adolescentes que mal visitam o próprio filho?

Meg foi respondida com um alto tapa na cara.

Victoria estava tremendo de ódio quando recebeu outro de retorno.

—Ei, vocês duas!- Nikki me ajudou a segurar Victoria antes que ela pudesse revidar- Sinceramente, Meg. Por que você não vai embora e deixa pra ser uma completa babaca outro dia?

Meg sorriu e ouvimos um barulho agudo chegando.

—Foi um prazer distrair vocês.- Meg deu uma piscadela e um sorriso antes de sair levitando em sua névoa vermelha.

Daayene colocou as mãos na cabeça:

—São os profetas. Nos acharam.

— Você tá sentindo alguma coisa?- Questionei, segurando seu braço.

—Só… muita presença. Ao mesmo tempo.- Daayene fez uma breve expressão de dor.- Alguém tem que avisar pros meninos saírem de lá. Tipo. Agora.

—Eu vou.- Victoria limpou as próprias roupas.- Acho que se eu passar mais um segundo aqui Meg não vai conseguir respirar mais.

E sem falar mais nada, ela saiu berrando até entrar em casa.

—..Só eu que tô achando que ela tá parecendo…- Nikki começou.

—A Sarah? Não é só você.- Eu respondi- Espero que não tenhamos mais um caso de rebeldia pós-puberdade. Já estou quase sem cabelo pra ficar branco de tanto estresse.

—Essa é a hora que você diz que eu e a Lua somos as melhores irmãs.- Nikki sorriu.

— Eu prefiro o Jackson.- Assumi.

—Meninas. Não tá na hora.- Daayene nos repreendeu.- Alguma coisa não está certa.

— Você quer dizer, tirando o fato que estão atacando a Mansão Mukami?- Questionei.

—É, eu acho que…- De repente Daay empalideceu e caiu dura no chão.

—Daay?- Nikki se aproximou da menina.- Você está bem?

Os olhos de Daayene estavam vermelhos, vidrados. Era como se ela estivesse em outro universo, quase.

Ela simplesmente não e movia, mas estava claramente viva.

—Que bruxaria é essa?- Eu questionei.

—Não acho que seja esperto perguntar isso pra uma profeta em coma.- Nikki respondeu.

Um homem profeta tentou se aproximar dela, mas antes que eu pudesse gritar Nikki tirou o fuzil do cinto e atirou cinco vezes no peito dele, o fazendo cair no chão se contorcendo de dor.

—…Você é uma psicopata?- Questionei.

—O que foi? Eu não matei ele! Nem consigo fazer isso com esse fuzil!- Nikki revirou os olhos.

—Queria que você não conseguisse matar pessoas com seu drakon também.- Tirei as mãos da cintura desembainhei minha espada.

—Achei que você tinha superado isso!- Nikki reclamou.

Ouvi mais passos furiosos chegando.

—Daayene! Acorda!- Nikki chutou a perna da menina. Sem reação.

—Fica aí com ela.- Eu passei os dedos pela minha bainha- Eu cuido deles.

—Pirou, filhota?- Nikki brigou- Não vou deixar você encarar esses bicho sozinha!

—O que está acontecendo aqui?- Ruki saiu preocupado de casa.

—Profetas. Vic não contou?- Questionei.

—Ela só guinchou e mandou a gente sair, na verdade.- Ayato disse.

— Eu entrei em pânico.- Victoria admitiu.

—Seguinte. Vocês cuidam da Daayene, a gente vai dar um jeito neles.- Nikki apontou pra si mesma e pra mim.

—Não vai não.- Shu arregalou os olhos.

—Ué. Vou sim.- Nikki já estava com o fuzil na mão.

Shu olhou pra Laito, que deu de ombros:

—Se tem uma coisa que eu aprendi nesses quatro anos, é que não dá pra tirar nada da cabeça de uma Herbert.

—Que bom que você me conhece.- Sorri e beijei sua bochecha.- Nikki, pronta?

—Vamos nessa.- Nikki riu.

Segurei minha espada com ambas as mãos, já sentindo um calor e uma adrenalina passarem pelo meu corpo.

Eu e Nikki nos escondemos por trás de uma pequena árvore.

Eu podia ver profetas se aproximando. Não eram muitos. Uma dúzia no máximo. Talvez eu até conseguisse levar eles.

Demorou menos de cinco segundos pra que eu conseguir enxergar as primeiras chamas preenchendo a lâmina da minha espada.

Dei passos rápidos na direção da multidão. Girei minha espada flamejante pelo ar com até que maestria, pegando pela lâmina mesmo é girando até acertar algum rapaz, que caiu com as costas queimadas.

Ouvi barulhos de tiro e pude ver Nikki no meio, sua mãos mestramente dominando o fuzil enquanto atirava em círculos, fazendo os pequenos pinos das balas atingirem a pele dos profetas e os deixarem agonizando no chão.

—Precisa de uma mãozinha?- Ouvi uma voz detrás de mim.

Sorri ao ver Laito com uma espada em mãos.

—Seria sensato você se machucar em batalha assim, Príncipe?- O zombei.

—Ah, pela minha namorada, por que não?- Ele piscou pra mim.

Com agilidade ele acertou a espada no peito de um dos homens que vinha em sua direção.

Eu podia ver que vários dos meninos já haviam entrado na luta.

Daayene, num canto do Jardim, parecia abrir os olhos e conseguir se mover.

Percebi que seus dedos estavam sangrando e ela parecia pálida. Victoria a ajudou a se levantar com o apoio de Kou.

Me assustei quando senti minhas pernas serem puxadas pela rua.

Acabei com os cotovelos e os joelhos ralados. A pele das minhas panturrilhas estava queimando e apertada.

—Enfim, só nós duas.- Meg desceu do céu e desfez as cordas de névoa que me prendia.- Hora daquela conversa de meninas, fofa.

—Aceita, Meg.- Eu me sentei no chão.- Vocês já perderam. De todos os quatro poderes, os profetas são os mais desajustados e menos queridos.

— Eu não teria tanta certeza disso se fosse você.- Meg se agachou até ficar do meu lado.- Somos bem mais poderosos do que você pensa. E aquela ali…

Meg apontou pra Daayene.

—Vocês podem achar que ela é uma benção poderosa, mas ela é uma bomba relógio. Perigo pra vocês.

Ela fez uma pequena névoa com a mão e fechou o punho.

Senti dor. Como se algo se contorcesse e virasse dentro de mim.

— Eu te avisei. -Meg cerrou mais o punho- Seu destino será como o de sua mãe. Sofrido. Sangrento. Sua maior mentira virará sua verdade.

A familiaridade da profecia que eu havia recebido antes de embarcar para o Reino Demônio me atingiu de jeito. Fiquei zonza.

Instintivamente, coloquei a mão na barriga:

— Eu...

—Sinto muito que tenha que ser dessa forma.- Meg soltou seu punho, e eu senti minhas entranhas relaxarem.

—EI, SOLTA MINHA IRMÃ, DESGRAÇA!- Ouvi Victoria correndo.

Victoria desembainhou sua espada e tentou acertar a profeta, mas ela desapareceu instantaneamente.

Assim como todos os profetas ainda vivos.

—Não!- Ouvi o choramingo de Yuma.

Olhando pra Mansão Mukami, vimos ela começando a ser consumida por chamas.

—Marie?!- Laito se aproximou de mim preocupado- Marie, você tá bem? Fala comigo.

Senti minha visão borrar. Tudo ficou um breu.

E eu apaguei.