Like a Vampire 4: Endgame

4 Capítulo 4- Um presente para o rei


Haruka acordou num lugar estranhamente escuro.

Ela se sentia movendo, mesmo tendo a certeza que estava parada.

O cheiro de madeira molhada e de mofo era horrível, por sinal.

Ela já ia umedecer os lábios, mas não conseguiu quando percebeu que uma corda estava no meio da sua boca.

Ela mexeu as mãos e os pés. Novamente. Sem sucesso. Ela estava presa.

Algemada. Daquelas que cobriam até os dedos.

Ela se sentiu grunhir.

Só se lembrava de estar cansada por ter ficado sem dormir fazendo planos e mais planos.

Havia se despedido de Daayene. Estava andando pelo corredor e depois…

Preto.

Ela tinha quase certeza que levara uma porrada na cabeça, considerando a dor que sentia.

Mas agora, onde diabos ela estava?

Não era estúpida, com certeza havia sido pega por alguém.

Mas quem? Quem era idiota o suficiente pra tentar agarrar ela.

—Ora, ora, parece que a princesinha acordou…- Era uma voz masculina. E debochada.- Como

está se sentindo, Nikki?

A luz então foi acesa, e Haruka se encontrou numa espécie de sotao.

Um rapaz magricela e alto desceu as escadas. Seus cabelos eram negros e seus olhos vermelhos.

Ele tinha um sorriso irônico no rosto e um celular no mão quando se aproximou dela e tirou a mordaça da boca.

—Bom dia, sequestrador.- Haruka forçou um sorriso- Ótimo trabalho!

—Eu dou meu jeito.- Ele riu.

—Mas talvez você queira checar seus dados. Eu não sou a Nikki.- Haruka deu de ombros.

Ele então pareceu confuso.

—Mas eu recebi dados de uma menina de cabelo azul…

—É, eu sei. Acontece. Nós duas temos cabelo azul.- Haruka revirou os olhos- Agora que eu sei que isso foi tudo um mal entendido, dá pra me soltar pra eu voltar pra casa?

—Quem é você?- Kino me segurou pelo queixo.

—Alguém que vai quebrar seu dedo se você continuar me segurando assim.- Haruka resmungou.

—Ui, selvagem. Ok.- Ele riu- Gostei de você.

—Ah, ótimo.- Haruka ironizou- Agora que tenho sua aprovação, posso morrer em paz. Seguinte, me solta. Eu deixo você e seus possíveis capangas sobreviverem. Cada um volta pro seu canto.

Felicidade. Yay!

—Eu preciso de uma de vocês.- Ele cerrou o cenho- Infelizmente, sinto que soltar você não será possível.

—Ah, já saquei.- Haruka grunhiu- Você é da Rebelião? Porque profeta com essa carinha não deve ser. E você ia procurar pela Daay e nao pela Nikki se fosse. A não ser que você seja capanga de um dos reinos. Vampiro não deve ser porque o KarlHeinz tá mais preocupado com a Victoria e a Marie. E feiticeiro estaria mais preocupado com a Sofie.

—…Você talvez seja mais útil viva, considerando que eu entendi um total de três palavras das que você acabou de falar.- Kino pareceu meio surpreso.

—Ah. Você não manja.- Haruka também ficou assustada.- Puts. Tenso. Você devia tentar se atualizar mais. Essa treta já tem uns três anos.

—Que treta? Não tô interessado em treta nenhuma.- Kino me segurou pelo queixo de novo.- Me diga. Quem é você?

—Você não me conhece. Relax. Tô acostumada. Vida de irmã mais nova é assim. E eu ainda sou mais lembrada que a irmã do meio.- Haruka enrolou- Mas deve ter ouvido falar da minha irmã mais velha, Cousie Creedley.

Ele negou com a cabeça.

—Nunca?- Haruka se assustou- Nossa, ou você é muito desatualizado ou minha irmã tá mal na fita MESMO.

—Você é uma Demônia?- Kino questionou.

—Renegada. Mas sim.- Haruka concordou- E pelo seu jeito insistente e chato, você deve ser vampiro.

—É.- Ele pareceu orgulhoso- Até que você é inteligente.

—Eu não diria o mesmo sobre você. Qualquer vampiro que se preste tem alguma noção sobre o cenário político atual.- Haruka explicou- Até as crianças. Você nem sabe das tretas do Rei Vampiro?

—Meu pai?- Kino riu.

Haruka engasgou:

—Não sei como eu deveria responder isso.

—KarlHeinz é meu pai.- Ele sorriu- Prazer, Creedley, sou Kino Sakamaki.

—Ah, não. Eu tô fora.- Haruka tentou sair das algemas. Eu não me meto mais na sua família por vontade própria nunca.

—Então você conhece minha família!- Kino pareceu satisfeito.

—Hã… Eles são literalmente príncipes. Todo mundo conhece seus irmãos.- Haruka então arregalou os olhos- A não ser que seu parentesco seja com a mulher mais velha, porque aí voce é primo dos príncipes.

—E uma garota?- Kino tensionou- Sabe de algo sobre uma garota?

—Uma menina Sakamaki?- Haruka se lembrou que aquilo deveria ser mantido em segredo- Talvez…

—Não acredito que levei uma garota errada pro meio do oceano e ela não tem o que eu preciso.- Kino bufou.

Haruka arregalou os olhos quando ele começou a ir embora:

—Espera! Você disse pro meio do oceano?

Kino se virou curioso.

—Eu controlo água.- Haruka respondeu- Procura sua irmã Mun, não procura? Sei como ela é. Não tem ninguém que pode te guiar no oceano melhor do que eu.

—Sabe onde ela está?- Kino se aproximou.

—Não exatamente. Mas posso achar ela.- Haruka conseguiu se soltar um pouco do toco de madeira que a prendia- Sua irmã é aliada da Patrulha das Mulheres, que eu faço parte. Se eu achar ela, o que eu vou achar, você entra na nossa.

—Hm… depende.- Kino cantarolou.- Sobre o que é essa Patrulha?

—É só um nome. Minha irmã vai se tornar rainha dos quatro reinos. As seis namoradas dos seus irmãos estão do nosso lado também. Eu sou uma mulher de palavra.- Haruka então rangeu os dentes.- E eu digo que se você quer alguma chance de achar sua irmã, conosco é o melhor caminho.

Kino pensou por um tempo e então sorriu:

—Bem vinda á bordo, Creedley. Vou pedir que um dos meus homens te solte. Mas sem fugir.

—Meu nome é Haruka.- Ela sorriu- E eu não fujo. Não antes de dar um presente especial pro rei.

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(Narração Victoria)

De todas as formas que eu esperava voltar pra casa um dia, com certeza aquela não era uma delas.

Casa. Ainda era estranho chamar disso, quando eu sentia que não tinha mais nada lá pra mim.

Pegamos um dos navios mais rápidos para irmos até o Reino Lobisomem. E depois Carla e Shin foram educados o suficiente de nos deixarem na fronteira do Reino Feiticeiro e Vampiro.

Me despedir do resto das minhas irmãs e amigas não tinha sido a situação mais fácil. Mas era necessária.

Quer dizer. Não que eu quisesse voltar pro Reino Vampiro.

Era perigoso, me trazia as piores lembranças possíveis e estava ainda mais cheio de pessoas desgostaveis do que outros reinos.

E, não surpreendendo ninguém, eu estava mais do que certa sobre a primeira parte.

Passar pela fronteira e os guardas não havia sido a parte mais difícil. Ah, não. Isso havia sido fácil.

Era a única parte feliz sobre eu ainda ter um anel de casamento Sakamaki no dedo.

As coisas simplesmente eram mais fáceis.

Mas foi quando eu, Marie, Nikki e Daayene começamos a chegar mais perto da cidade que as coisas começaram a ficar mais difíceis.

Estávamos minimamente disfarçadas, não querendo causar nenhum tipo de tumulto. Mas a cidade estava cheia.

Pessoas magras corriam pelas ruas, dando gritos de guerra. O cheiro de algo queimando fez meu nariz arder por dentro.

Era só olhar pros lados pra entender a situação de tanta revolta.

Se tinha uma coisa que eu aprendi nos meus dois anos de Sakamaki, além de como manipular pessoas, era as prioridades da economia de um reino.

Infelizmente, o assunto era chato e burocrático demais pra eu entender as entrelinhas de tudo.

Mas o que eu sabia?

KarlHeinz estava em guerra, e tinha que investir em exército e armas se quisesse ganhar. O que significava mais impostos e menos dinheiro gasto pros benefícios da população.

Tremi quando percebi que talvez os Sakamaki estivessem em perigo por toda aquela revolta.

Mas tentei esquecer.

Não. Aquilo não me pertencia mais.

Nós quatro, sendo as teimosas que éramos, nos recusamos a parar até chegarmos na Mansão Mukami.

Claro, Daayene teve que dar umas visões loucas pra gente lembrar onde diabos ficava.

Quando chegamos na porta, não pude deixar de soltar um longo suspiro.

—E…chegamos.- Daayene tirou o capuz dos cabelos levemente albinos.

—Parece que fazem anos.- Marie opinou.

—Mas só faz duas semanas e meia.- Nikki continuou- É. Eu sei.

A sensação era de puro medo quando conseguimos abrir o portão e passamos pelo jardim.

Aquela casa fora o segundo lugar do Mundo Vampiro pra onde fomos. Foi onde eu conheci as Hudison.

Foi o lugar pra onde eu fui levada com apenas um dia de casamento.

Eram memórias demais. Eu também estava certa sobre essa parte.

Mas eu levantei a cabeça e puxei a maçaneta.

A sala era a mesma coisa de duas semanas e meia atrás.

Era quase como se nada tivesse acontecido desde então.

Daayene pediu licença pra ser a primeira a entrar. Eu deixei.

Ela morava lá.

A Hudison olhou ao redor da sala como se tentasse reviver tudo que havia acontecido lá.

Como se tentasse se lembrar de tudo.

Ela respirou fundo.

—Onde estão os meninos?- Marie foi a segunda a entrar.

Assim que ela disse isso, eu vi Yuma na hortinha dos fundos.

Senti uma coisa despertar dentro de mim. Um calor se espalhou pelo meu corpo e eu senti minhas bochechas corarem.

—A gente acabou de chegar, te controla Victoria.- Nikki revirou os olhos.

—RUKI!- A voz de Kou surgiu- ACHO QUE OS MENINOS CHEGARAM DA…

Kou desceu as escadas meio cantarolando, e ele simplesmente congelou quando nos viu.

—Bom…dia?- Sugeri.

—…GENTE!- Kou gritou- DESCE AQUI!

—KOU, SE VOCÊ CONTINUAR GRITANDO EU JURO QUE EU…- A voz furiosa de Subaru soou.

Kou pareceu bufar, irritado com a petulância do cavalo que era Subaru.

Ele então se aproximou de Daayene.

—Se você resolver usar seu olho em mim, eu agradeço que me deixe dormir um pouco porque

eu...- Daayene começou, mas foi interrompida por um abraço.

Kou envolveu os braços na cintura dela, como se tentasse entender que aquilo era a realidade.

—Ah, oi pra você também, Kou.- Marie brigou- Sempre bom perceber como a gente é amado nesse grupo.

—O que… foi…?- Azusa desceu as escadas e então nos viu- Ah, oi… meninas…

—E aí, Azusa.- Nikki cumprimentou e então pareceu de repente preocupada- Cadê o resto dos meninos.

—Bem, os trigêmeos saíram pra comprar alguma coisa.- Kou explicou- Shu está dormindo. Como sempre. Certeza que Ruki e Reijii estão em seus devidos quartos. Subaru está sendo um chato como sempre e Yuma está...

—Aqui.- Yuma bateu a porta, o que me fez estremecer.- Era pra vocês estarem aqui?

—Não. Mas estamos.- Eu respondi, sendo de repente tomada por um desejo adolescente de cavar um buraco e enfiar a cabeça lá.

Pelo amor de Deus. Eu sou uma mulher adulta. Eu me casei. Eu tenho um filho.

Já era hora de eu parar de sentir esse tipo de coisa infantil.

Mas a estatura alta e musculosa de Yuma só me fazia... Arrepiar.

Não. Foco. Deixa isso pra depois.

—Cadê… a Eve?- Azusa olhou pros lados.

—E o resto das meninas também, já que ele só lembrou da Anna.- Yuma repreendeu o irmão.

—Nos separamos.- Nikki explicou- É um plano. Eu explico depois. Agora… precisamos dos meninos pra...

—Nikki?- Uma voz preguiçosa fatídica me chamou a atenção. E claramente não só a minha.

Ao pé da escada, estava Shu.

Suas roupas e seus cabelos estavam bagunçados, e seu rosto sonolento dizia tudo sobre o que ele estava fazendo a trinta segundos atrás.

E claro, rolou um reencontro lindo onde a Nikki e ele se abraçavam, se beijavam e trocavam aquele olhar 43.

Quer dizer, eu acho que foi isso.

Não prestei muita atenção na verdade.

—Por que…- Shu estava confuso- Onde…Como?

—Aqui tem uma sala de reunião?- Marie questionou.

—Tem a cozinha.- Kou sugeriu.

—Ah, dá pro gasto.- Daayene deu de ombros- Chamem os outros meninos. Temos uma conversa longa pra por em dia.

Enquanto todos os meninos subiram pra avisarem mais ou menos o que estava acontecendo,

Daayene nos serviu de comida de verdade e nós quatro tentávamos nos comunicar por olhares sobre qual ia ser a melhor forma de contar tudo das últimas duas semanas pra eles.

O primeiro que desceu foi Subaru.

—Pera aí, que?- Subaru estava confuso- Kou, você disse que era o jantar...

—Só porque sua noiva não está aqui, não desmereça as outras meninas, Subaru-kun~- Kou cantarolou.

—Ela é minha namorada.- Subaru o corrigiu- E mesmo assim… o que vocês...

—Dá pra esperar só um teco?- Eu pedi- É que meio que todo mundo vai perguntar as mesmas

coisas, e a gente tem que agir rápido.

Logo depois veio Ruki, meio empurrado por Yuma. Ele nos olhou com uma cara extremamente confusa.

Kou fez só um sinal de silêncio e ele concordou com a cabeça.

Depois veio Reijii, com Shu e Azusa ao lado dele.

Nós dois trocamos um olhar e eu engoli em seco.

Desviei na hora.

Não precisava de mais alguma coisa pra bagunçar minha cabeça.

—Então. Podemos começar a reunião?- Yuma questionou.- Eu começo. Por que caralhas vocês

tão aqui se fizeram todo um drama sobre terem que ir embora porque era mais seguro?

—Primeiramente, não foi um drama.- Nikki explicou- Segundo, algumas… complicações fizeram a gente mudar de planos. E é exatamente por não ser seguro em nenhum lugar que estamos todas separadas.

—As outras…- Subaru pigarreou- As outras estão bem?

—Sim. Quer dizer.- Marie então arregalou os olhos- Desde a última vez que vimos elas. E quase todas.

Vendo que os meninos só estavam ficando mais confusos, eu falei:

—Haruka sumiu.

Todos arregalaram os olhos.

—A menina da água?- Shu debochou- Sério? Eu achei que ela era mais forte que isso.

—O que Victoria quis dizer é que Haruka foi sequestrada.- Daayene me corrigiu.- Não. Não sabemos onde ela está ou quem foi.

—E vocês vieram porque…?- Ruki tentou entender.

—Escuta, enquanto não estamos aqui KarlHeinz basicamente consegue mais e mais força contra nós.- Marie explicou- E claramente nós quatro aqui somos as mais poderosas politicamente aqui já que…

—Já que duas de vocês são perseguidas por entidades diferentes e as outras duas tem um filho ou ou filho falso procurados?- Reijii não pareceu muito confiante.

—…É, eu não tinha pensado por esse lado.- Nikki admitiu- Mas mesmo com isso tudo, eu ainda sou uma das melhores conexões da Patrulha das Mulheres. Daayene é a mais poderosa de todos nós e Marie e Victoria tem conexões boas o suficiente pra elas não morrerem.

—…Ok, já pode falar que é uma ideia terrível esse plano de vocês?- Subaru opinou- Porque é.

—Você nem me deu uma chance!- Daayene resmungou.

—Subaru está certo.- Ruki retrucou- E onde diabos estão as outras meninas?

—Nos outros reinos.- Marie explicou- Chama tentativa de controle.

—…Por amor de tudo que é sagrado pra vocês, quem vocês mandaram pros Feitceiros?- Reijii questionou.

Nós nos entreolhamos.

—Vocês não mandaram a Sofie pra lá, né?- Kou riu de nervoso.

—Então...- Daayene começou.

—AE,AE!- Ayato começou a cantar- Cheguei com a comida!

—Para de cantar.- Kanato criticou.- Você é mais terrível nisso do que no resto de tudo que faz.

—Que rude, Kanato-kun~~- Laito riu- Não é como se ele…

E então eles entraram na cozinha. Dando de cara com a gente e com o resto dos meninos.

—METAMORFOS MALDITOS!- Kanato já estava pegando uma faca- Quando foi que eu disse que…

—Se você me matar, considere todas as bençãos que eu posso ter dado pra você namorar minha irmã retiradas oficialmente.- Marie levantou as mãos.

—Pera, que? O que estão fazendo aqui?- Ayato questionou.

—Se vocês tivessem chegado pelo menos um pouco mais cedo teriam participado da reunião.- Ruki brigou- Mas não. Preferiram ficar vagabundando na rua.

—ESCUTA AQUI SEU MERD…- Ayato gritou.

—Podemos focar no que realmente importa aqui?- Reijii pediu- Vocês aqui é um perigo fatal. Principalmente nessa Mansão.

—Cousie nos enviou.- Nikki brigou.

—Então ela ja pode ser chamada de Cousie, a rainha suicida.- Subaru estralou a língua- Reijii está certo. Precisam achar um outro lugar pra ficar.

—Precisamos.- Yuma corrigiu- Se mesmo nós ficarmos aqui, vão acabar invadindo a Mansão assim que souberem que elas vieram. Todos temos que nos mudar.

—Vamos…sair?- Azusa pareceu confuso.- Todos nós.

—Yuma está certo.- Ruki suspirou- Se queremos ter a minima chance de sobrevivermos e de garantir a sobrevivência das outras, temos que sair daqui.

—Ah, beleza.- Shu deu de ombros- Quando você der alguma ideia sobre "lugar totalmente seguro" a gente se muda.

Nikki fez uma expressão que repreendia o namorado.

—Não precisamos buscar tanto.- Daayene disse.- Vamos nos mudar amanhã. Quanto mais cedo começarmos, melhor é.

—Eu não quero me mudar!- Kou reclamou.

—Bem, eu não quero fingir que estou grávida nem lutar contra exércitos do meu sogro, mas cá estamos.- Marie revirou os olhos.

—O que fazemos enquanto isso?- Kanato pareceu se preocupar.

—Ah, sei lá.- Eu dei de ombros.- Façam o que tem vontade.

E com isso os meninos foram saindo aos poucos.

—Marie?- Era a voz de Laito.

A minha irmã se virou finalmente pra encarar o namorado.

Ela abraçou ele com força.

—Senti sua falta.- Laito sussurrou nos cabelos loiros.

—Eu também.- Marie se afastou um pouco- Mas estou aqui. E vou ficar. Eu juro.

Não pude deixar de sentir um teco de inveja.

Até Daayene tinha recebido um abraço caloroso. E ela nem namorava.

Ninguém queria me receber daquele jeito mais.

—Victoria?- Reijii me chamou.- Eu preciso falar com você sobre...

—Não tô interessada.- Fui rápida em responder.- Tô cansada. Acho que vou dormir um pouco.

—É sobre o Heisuke.- Reijii continuou do mesmo jeito- Sabe, seu pai mandou mensagem falando…

—Eu disse que não tô interessada.- Respondi de forma grosseira- Por que você não cuida disso, já que ele é seu filho?

Reijii pareceu envergonhado e assustado pela minha reação.

—Sinto muito pelo incômodo.- Reijii fez uma pequena reverência- Pode deixar comigo.

—Nossa.- Nikki fez uma careta.- Podia pelo menos ter disfarçado.

—O que?- Cerrei o cenho.

—Ou você só podia pedir o divórcio logo pra acabar com esse drama todo.- Daayene sugeriu.

—E perder tudo o que eu ganho sendo uma Sakamaki?- Sorri- Não, valeu.

—Por favor, todo mundo já sacou que você quer ficar com o Yuma e não com o Reijii.- Marie opinou- O que é super compreensível. Mas pensa em como o Heisuke vai crescer com vocês dois desse jeito.

—É por isso que Heisuke está com meu pai, não é?- Questionei.

—…Não.- Marie fez uma careta- Ele está com o nosso pai porque aqui ele vai ser caçado e sabe-se-lá o que mais.

—Ah.- Arregalei os olhos- Bem, ele está vivendo melhor lá do que estava comigo.

—Victoria.- Daayene se aproximou de mim- Todo mundo entende que agora você vê o Heisuke como um… Enfim. Sabemos que você não considera ele seu filho. Mas ele continua considerando você uma mãe, então se você puder…

—Bem, eu não quero lidar com isso agora, ok?- Senti um peso no meu peito- Tô cansada.

Sai da cozinha e bati a porta com força, deixando as meninas pra trás.

Me senti tremer um pouco e resolvi beber um pouco de água.

Peguei a garrafa na minha mochila e virei os últimos goles.

Minha boca continuava meio seca, e isso estava me agoniando.

Passei a língua sob os lábios repetidas vezes.

Eu sentia uma espécie de formigamento no corpo todo.

Não consegui pensar muito enquanto eu subia as escadas.

Nem quando eu bati na porta de Yuma.

Ele demorou alguns segundos mas abriu a porta.

Seus cabelos estavam soltos pela primeira vez que eu havia os visto.

Ele ainda usava uma blusa grande e larga branca, além de uma calça preta.

—…Posso ajudar?- Yuma hesitou um pouco.

—Eu…- Olhei pra ele de cima a baixo- Eu posso entrar?

Yuma não respondeu, so me deu passagem.

Quando eu entrei no seu quarto, ele fechou a porta atrás de nós.

Seu quarto tinha as paredes negras e o chão branco. Era cheio de janelas, e tinha duas poltronas de couro espalhadas junto de uma mesa de madeira.

Mais ao fundo do quarto, sua cama de lençóis pretos e uma planta do lado marcavam pre

—Então.- Yuma se aproximou- O que voce precisa?

Eu me virei na direção dele e me dei de cara com seu peitoral.

—Eu…- Me peguei admirando a beleza daquele cara. Como que eu não conhecia tantas fãs dele na escola?- Eu… É…

Alguma coisa na minha mente pedia pra eu sair correndo.

A outra pedia pra eu tascar um beijo naquele homem.

Adivinha qual parte eu resolvi escutar?

Num ato brusco, o puxei pelos ombros até ele ficar da minha altura. Um arrepio percorreu meu

corpo quando ele envolveu suas grandes mãos em minha cintura, que esfriavam meu corpo quente.

Nossos lábios se encontraram de forma apaixonada e selvagem, e eu senti memórias crepitando em meu cérebro.

Estranhamente, memórias de quando eu beijei Priya Hudison.

Do gosto de canela de seus lábios. De quão pequena ela era comparada a mim.

Apesar do pequeno arrepio, tive que abrir os olhos pra lembrar a posição que eu estava.

Isso, Yuma Mukami.

Era com ele que eu estava.

E Yuma Mukami era cheio de uma paixão que eu nunca havia sentido antes.

Ele era ainda maior do que eu, o que me deixava ainda mais atraída e fazia eu sentir todo o calor do mundo.

—Você deve ser uma das mulheres mais lindas que eu já vi.- Yuma se afastou de mim por alguns segundos.

—Eu podia dizer que você não é tão mal assim.- Eu respondi sem fôlego.

Meus lábios estavam parecendo ficar inchados com o quão feroz o beijo era.

Meus dedos passavam nos fios castanhos longos dele, enquanto suas mãos passavam explorando sem muita paciência minhas curvas e todo o meu traje grosso da Patrulha das mulheres.

Ele desfez o laço que prendia minha blusa de botões, e eu me afastei:

—Espera. Deixa eu fazer isso.

Dei as costas pra ele e fui até um outro canto do quarto.

Respirei fundo.

Yuma Mukami estava bem atrás de mim. E era meu pra ter.

Quer dizer, não meu.

Mas quase isso.

Era meu último resquício de toda a liberdade e poder que eu ainda podia ter. Virar uma com ele.

Talvez havia sido pra isso que eu havia nascido.

Não era pra ser uma esposa. Ou mãe.

Era pra ser uma amiguinha colorida. Ou ficante. Ou qualquer coisa nesse meio termo.

Se é isso que eu tenho para oferecer, então é melhor eu dar o que eu tenho de melhor.

Literalmente.

Olhei pra aliança no meu dedo.

Era o símbolo de tudo que eu menos quis. Um casamento. Um símbolo de propriedade.

A marca de uma traição.

Eu me doei inteiramente pra alguém, e olha no que deu.

Então que tenham meu corpo, mas não meu coração. Ele já tá trancado demais pra isso.

Coloquei meu cabelo de lado e deixei ele se bagunçar ao redor do meu rosto.

Me senti chorar.

Tirei o casaco preto dos meus ombros. Desci das botas.

Me sentia indefesa.

Limpei o rosto.

Não. Essas lágrimas não são pra hoje.

Eu tenho um cara que me acha linda aqui do lado. Não posso sofrer por eu não ser… tudo.

Eu tenho que me satisfazer com o que eu tenho.

Peguei meu anel do dedo e o coloquei em cima da mesa.

Seu fantasma pode me assustar ainda, Reijii Sakamaki.

Mas hoje não.

Hoje eu vou retomar meu poder e minha beleza no que eu sei fazer de melhor.

Conquistar os outros.

Desabotooei minha blusa e deixei ela escorrer pelo meus ombros.

—Você quer parar?- Yuma questionou de repente, me fazendo virar pra ele- Não parece muito bem.

—Não!- Falei meio alto- É só...

Olhei de relance pro anel na mesa.

—É o Reijii, né?- Yuma estralou a língua- Você não consegue esquecer ele mesmo depois do que ele fez.

—Eu nunca fiz isso com outra pessoa.- Gesticulei pra mim mesma.- Eu posso odiar, mas ele foi o homem da minha vida.

—Victoria, eu fazer isso com você não significa que você é minha propriedade.- Yuma retrucou- Você não é minha. Eu não sou seu. Mas a gente gosta de se beijar. E daí?

Eu tentei falar tudo que eu queria.

Que Reijii mesmo sem querer havia sido o único que me viu como mais que um pedaço de carne.

Ele disse que me amava.

Não dava pra esquecer essas coisas tão facilmente.

Se fosse só por querer, eu ja havia conseguido a muito tempo.

—Mas você precisa deixar ele ir se quiser ser feliz.- Yuma segurou seu rosto- Você é linda. Consegue qualquer um que quiser.

Eu o puxei pra outro beijo, mais íntimo.

—Sem nenhuma pressão ou rótulo, ok?- Yuma questionou enquanto descia a calça de minhas pernas.

—Só…- Eu tirei sua blusa, revelando uma marca de queimadura em seu ombro esquerdo- Eu quero ficar por cima.

—Há. Como se você aguentasse o contrário.- Yuma zombou. Eu quase esmurrei ele por estragar o momento.- Sem problemas, eu sou só pesado.

O deitei na cama, deixando nossos lábios se derreterem juntos.

—Eu aguento.- Sorri- Aguento o que quiser.

Yuma segurou meus pulsos e beijou meu tronco e colo, depositando mordidas em vários lugares. Algumas eram mais fortes e eu sentia um pouco de sangue escorrer, mas não ligava.

Meu corpo queimava de desejo. Eu tinha que fechar a boca pra não fazer barulho.

Eu estava livre.

Sem consequências.

Sem rótulo.

Sem pressão.

Só eu e Yuma.

Mais do que suficiente pra mim