Like a Vampire 4: Endgame
20 Capítulo 20- O lobo e o cervo
Notas iniciais
Narração Sofie
De todos os dias, aquele devia ser o mais alta emoção de todos que eu havia experienciado.
Acordamos às 5h30 da manhã e fizemos um mini-funeral pra Akira às 6h30. Não tinha sido nada gigantesco, já que nem o corpo dela havíamos achado. Então foi basicamente uma covinha na neve com uma cruzinha de madeira enterrada.
Logo depois, às 7h, assistimos a execução de alguns dos rebeldes. Cousie mandou que decapitassem o líder. A cabeça foi jogada no mar por Haruka.
Ainda, às 8h, abrimos a sala do trono da fortaleza pra Cousie e Carla ficarem. As duas próximas horas foram apenas de visitas de ex-rebeldes e lordes e ladies que resolveram jurar sua lealdade para nós.
E agora, às 11h20, eu estava na cama do meu quarto, ainda usando as roupas que usava desde o funeral, com Ayato ao meu lado.
Suas mãos passavam de forma nada sutil pelo meu quadril e barriga, os dedos gelados fazendo minha pele arrepiar até mesmo por baixo do tecido do vestido preto. Sua boca molhada revezava seus beijos entre meu pescoço e meus lábios.
Passei as mãos nos fios vermelhos dele. Senti um calor me subir e dominar por completo quando, finalmente, seu peso se apoiou por cima de meu corpo.
Os dedos deslizaram pelo meu pescoço. Só quando um rastro vermelho foi deixado na minha pele que notei que Ayato havia me mordido.
Seus olhos verdes encararam profundamente o meu rosto, e me senti completamente sem folêgo.
Ayato levantou brevemente minhas costas da cama. Só o tempo suficiente pra poder alcançar o zíper do meu vestido.
Meu coração já estava disparadom me sentia zonza, parecia que todo o sangue que devia estar na minha cabeça tinha descido pra outro lugar. Não deixando de me beijar, Ayato me imprensou de novo na cama.
Quase guiada por um impulso, eu envolvi minhas pernas na sua cintura, cruzando os tornzelos. Seu corpo agora estava mais pressionado do que nunca contra o meu.
De repente, estava sem o meu casaco. Não sentia mais frio. Na verdade, eu aguentaria estar com mebos roupas ainda.
Arranquei a blusa dele, estremecendo quando sua pele gelada se encontrou com meus braços. Ayato parou por um instante.
—Tudo bem?- Sua voz estava rouca.
Era óbvio o quanto autocontrole aquela pergunta exigia dele. Respondi com um beijo.
—Isso é um sim?- Ele perguntou, não desgrudando nossas bocas.
Concordei com a cabeça.
Estamos tão próximos. Estou basicamente nua se não fosse por esse vestido meio aberto, e ele também se não fosse por sua calça. Só consigo pensar em Ayato.
É agora. Vai acontecer. A persona adolescente e frustrada sexualmente que vive em mim quase chora de gratidão quando Ayato me puxa pelos quadris, seu corpo se prendendo entre minhas pernas.
E então elas surgiram.
Lembranças.
Travei. Ayato não percebeu de começo. E por alguns segundos horríveis, suas mãos percorrem meu corpo, sua boca se pressiona com força na minha.
É difícil descrever a sensação. Pânico,talvez medo. Mas estou imóvel. Passiva. Estou congelada e presa, numa sensação de que minha alma saiu do corpo.
Meus olhos não estavam nem fixados nele, e sim no teto branco do quarto. Minha visão se borrou.
As mãos de Ayato seguraram meu rosto, e ele ergueu minha cabeça com cuidado pra eu olhar nos seus olhos.
Ele se afastou quando notou que eu tremia.
Não sei se consigo recuperar essa parte de mim. Não sei nem da onde vem esse sehtimento. Num segundo eu ia transar com o homem dos meus sonhos, e no seguinte me lembrava de algo. Um corpo que não era dele. Mãos que faziam a mesma coisa de forma nada bem-vinda.
—Quer espaço ou um abraço?- Ayato saiu de cima de mim.
—Abraço.- Choraminguei.
Ele me puxou e pegou de volta meu casaco, colocando de volta nos meus ombros enquanto me abraçava com força. Minha cabeça estava no seu peito.
—Desculpa.- Murmurei.
—A culpa não é sua. Nada de desculpas.- Ayato acariciou meu cabelo.
Sorri trêmula pra ele.
—Ok.
Seu corpo estava tenso. Ele bufou. Irritação.
—Você quer que eu busque chá?- Ayato ofereceu. Pigarreou pra esconder que sua voz estava mais alta que o normal.
Assenti. Ele hesitou para me soltar.
—Isso foi…- Comecei enquanto o via buscar a blusa no chão- Foi horrível. Nem sei direito o que rolou.
—Outra memória?- Ayato não parou de me olhar mesmo se vestindo- Do mesmo dia?
Balancei a cabeça, sentindo minha testa se franzir.
—Não foi bem uma lembrança. Nào foi uma memória exata…- Tentei explicar.
—Tipo… uma memória muscular?- Ayato sugeriu. Não quis perguntar como ele sabia desse termo.
—É. Tipo isso.- Concordei.
Ayato me deu um beijo na testa e saiu do quarto.
Coloquei a mão no peito, tentando o acalmar. Limpei algumas lágrimas que caíram.
Pensei em Ayato. Coitado, devia ser tão frustrante namorar comigo.
Imagina tudo que eu estava fazendo ele perder por causa…
Por causa dessas malditas memórias.
Agarrei um travesseiro e gemi de frustração.
Namorar comigo já não devia ser a melhor das tarefas. E Ayato ainda era meu primeiro namorado. O primeiro de verdade, pelo menos.
E se isso fizesse ele desistir de mim?
Ayato chegou alguns minutos depois. Carregava uma bandeja com uma chaleira e uma xícara, além de dois cupcakes de chocolate.
—Yui estava fazendo. Pra Sol, eu acho.- Ayato colocou a bandeja numa mesa- Pedi dois cupcakes falando que era pra você. Ela nem questionou.
Dei uma leve risada. Ayato pareceu aliviado com meu gesto e me serviu uma xícara de chá.
Ele me entregou. Tomei um gole.
Canela. Não era meu favorito, mas não vai ser eu que vou reclamar de bebida quente nesse frio.
Ele também me entregou um cupcake. Dei uma mordida e deixei a delícia doce me dominar.
Ele pegou o outro cupcake e comeu. Terminamos os doces em silêncio.
—Então… eu queria sua opinião.- Respirei fundo.
—Como…- Ayato pareceu confuso.
—Como meu namorado.- Pigarreei- Será que eu vou surtar assim toda vez que a gente for transar? Porque isso ia ser bem deprimente.
Ayato hesitou um pouco:
—Imagino eu que não. Talvez leve um tempo pra gente descobrir quais são os gatilhos. E como a gente pode evitar eles até você se sentir segura.
Concordei com a cabeça, pensando.
—Eu estava pensando… Você devia ganhar um passe livre.- Afirmei.
Ayato me olhou confuso:
—Um passe livre pra que?
—Ah. Você sabe.- Me embolei pra explicar.
—É. Eu não sei.- Ayato disse como se fosse óbvio.
—Um passe livre pra você…- Pigarreei- Poder ficar… com alguma menina…
A expressão de Ayato ia piorando, mas eu continuei.
—…Quando… sentir necessidade…- Eu estava dando tantas pausas entre as palavras que eu estava me sentindo o Azusa.
Ayato arregalou os olhos.
—Então… um vale-traição?
—Não seria uma traição, porque eu estou completamente ciente e consentindo com todo o ato. As únicas coisas que eu te peço é que não seja alguém que eu conheço e que você use camisinha. Seria uma tragédia lidar com uma gravidez ou uma IST a essa altura do campeonato.
—Sofie.- Ayato pareceu indignado- O que te faz pensar que eu gostaria de um… passe sei lá das quantas?
—Um passe livre.- O corrigi- E não é uma coisa tão absurda assim. Você claramente quer transar, e se eu não sou capaz de te dar isso então…
—Socorro. Para de falar. Por favor.- Ayato me interrompeu- Sofie, você pirou?!
—Ok, isso foi desnecessariamente rude.- Franzi o cenho.- Eu só te ofereci…
—Eu não quero ficar com outra mulher, garota sonsa!- Ayato esbravejou. Tentei engolir que fiquei ofendida com o sonsa- Pra menina mais inteligente que eu já conheci, você claramente tem dificuldade de entender algumas coisas simples!
—Des…culpa?- Sugeri- Eu não sabia que isso ia te ofender. Eu só estava tentando…
—É. Eu sei.- Ayato respirou fundo e fechou os olhos- Eu exagerei. Não devia ter te chamado de sonsa.
—Então… você não quer o passe livre?- Questionei de novo.
Ayato veio até mim e me segurou pelo rosto.
—Chichinasi, se eu quisesse qualquer outra mulher…- Ayato me encarou- Por que diabos eu estaria com você?
Dei de ombros, finalmente me sentindo burra.
—Você é a minha namorada.- Ayato me segyroi pelos ombros então- E eu esperaria o tempo que precisasse pra ficar com você. Porque eu não tenho dúvidas que vai valer a pena.
Me levantei e dei um beijo mais leve nele, deixando meus olhos se fecharem com tranquilidade.
—Você é linda.- Ayato disse, parecendo confuso- Não sei como ninguém nunca notou antes.
Algo quente passou pelo meu corpo, como se fosse bombeado no coração e passasse num tremor por cada fio de cabelo e dedo meu.
Me deixou tonta. Feliz. Satisfeita.
—Eu te amo tanto.- Sorri, sentindo meu estômago se contorcer. Só que de um jeito bom- Você é o melhor namorado do mundo.
Ayato não reagiu por alguns segundos, antes de dar um sorriso debochado:
—É claro que ama. Eu sou o melhor mesmo!
Ficamos em silêncio. Ele pigarreou.
—Mas eu fico feliz de você me considerar o melhor, porque você…- Ele desviou o olhar do meu- É a melhor namorada que eu podia ter.
Olhei pra ele e fiz uma careta.
—Ugh. Olha pra gente. Desde quando a gente virou um casal tão brega?
—Fale por você, velha.- Ayato revirou os olhos.
—Vamos.- O puxei pela mão- Vão começar a suspeitar se a gente ficar o dia inteiro no quarto.
—Ah, não seria tão mentir…
—Ayato. Vem.- Reclamei, e ele foi rápido em obedecer.
Descemos juntos as escadas. Passei pela porta do quarto de Sol a tempo suficiente pra ver Yui entrando lá com uma bandeja de cupcakes.
Nós dois nos entreolhamos. Suspirei pesadamente, ajeitando a roupa preta.
Quando terminamos de descer pra sala, vi que estavam todos meio espalhados. Meio diferente, considerando que quase sempre estávamos planejando nossos próximos passos.
Numa esquina, o resto dos Sakamaki conversava. Quer dizer, pelo menos alguns. Shu parecia entediado demais, mas o assunto parecia ser sério.
Ayato me beijou na testa antes de ir até seus irmãos.
Me dirigi até a sala central, onde algumas pessoas estavam reunidas. Eliza e Haruka discutiam sobre algo, enquanto Kino jogava no seu celular. Brunna, Ruki, Yuma e Priya estavam também conversando, porém parecia bem menos sério. Minha irmã gêmea estava sentada no chão.
Me sentei ao lado dela.
—Olá, hermanita.- Sarah me provocou, um sorriso surgindo na sua boca rosada- Que surpresa te ver aqui. Achei que você e o Ayato iam demorar mais.
Tossi seco.
—Oi?- Fiquei vermelha.
—Relaxa. Não vou contar pra Marie.- Sarah riu- Palavra de escoteira.
—Mas a gente…- Tentei retrucar- A gente não…
—Ih, relaxa, Sofie. Eu tava zoando.- Sarah então sorriu de canto- A não ser que…
—Você é terrível.- Reclamei.- Como eu pude sair do mesmo útero que você?
—Azar ou sorte. Depende do seu jeito de ver as coisas.- Sarah então ficou séria.- Escuta… eu tô querendo conversar com você a bastante tempo. Só nós duas.
—Ah, claro!- Passei a mão no meu cabelo- Sobre o que?
—Em particular.- Sarah comentou- Será que podemos…?
Ela fez um gesto de círculo com o dedo. Pelo seu olhar, entendi que significava um "depois". Concordei com a cabeça.
—Você é terrível nisso.- Priya gemeu.- Eu achava que teria me livrado desse tipo se situação, mas olha onde que eu tô.
—Eu anotei mais uma!- Yuma retrucou- Escuta essa…
—Eu não quero escutar. Isso é um fato.- Ruki massageou a cabeça.
—É isso que você usou pra conquistar a Victoria?- Brunna debochou.
O rosto de Yuma caiu, de forma bem singela e discreta.
—Pelo menos minhas charadas tem classe!- Yuma reclamou- E o Ruki, o que ele usou pra te conquistar.
—Uma conversa bem excitante sobre escadas.- Murmurei.
—Falou alguma coisa?- Sarah parecia distraída.
—Hm? Nada.- Me assustei.
—Temos interesses em comum. Vários, inclusive.- Brunna pareceu ofendida.
—Ah é, tenho certeza que um dos grandes interesses em comum de vocês dois é aquela cama do quarto.
Eliza e Haruka até pararam de conversar pra escutar a conversa.
—Isso é…- Brunna começou a retrucar.
—Só porque seus relacionamemtos são guiados por carne, não significa que os meus também sejam, idiota.- Ruki provocou o irmão.
—Eu não sei sobre isso. Eu tinha um grande privilégio de audição de alta qualidade no castelo…- Yuma começou- Lá no festival, se lembram.
—Ok, já deu!- Eliza se assustou- Isso é mais informação do que qualquer um de nós precisa!
—Ah, a conversa tava ficando interessante…- Kino debochou.
—E claro, ele também é um tarado.- Haruka suspirou- Como é que em algum dia eu duvidei que você era um Sakamaki?
—Você fala como se fosse uma ofensa.- Kino debochou- Vocês duas querem fingir pra quem que são santas? Até eu, que não sei de muita coisa, sei que vocês duas já…
—Meu Jesus, vocês são terríveis!- Sarah arregalou os olhos- Como ousam falar dessas coisas perto da minha irmãzinha! Pura e recatada, tão jovem e…
—A gente tem literalmente a mesma idade.- Respondi, franzindo o cenho.
—O que, vai me dizer que a Herbert é a puritana do grupo?- Kino riu.
Fiquei levemente desconfortável. Haruka foi bem rápida em notar:
—Bem, e isso não é da sua conta.
—Muitas coisas não são, pe
lo que aprendi aqui.- Kino retrucou.
—Que bom que você aprende rápido.- Haruka forçou um sorriso.
—Bem, tenho certeza que uma mudança de assunto faria bem a todos.- Eliza sorriu de forma respeitosa.
Ele abafou uma tosse seca, e só quando ela se curvou pra se apoiar no braço do sofá pude ver suas costelas.
—Meu Deus, Eliza, você tá magérrima!- Brunna se assustou.
—Tem certeza que você tá comendo o suficiente?- Priya arregalou os olhos- Não acho que emagrecer tanto em pouco tempo seja saudável.
—É. Estou bem.- Eliza pigarreou- Só é… díficil comer qualquer coisa sólida hoje em dia.
Ficamos olhando pra ela, meio abismados.
—Se me dão licença, eu preciso ver Shin.- Eliza foi bem rápida em sair da sala.
—É a Endzeit.- Haruka suspirou- Parece que ela está ficando pior muito mais rápido do que deveria.
—Carla não parece nem metade de quão mal ela está.- Opinei- E ele está doente a vários anos.
Haruka concordou, seus olhos caindo.
—Carla recebeu muito mais cuidados desde quando foi infectado.- Ela explicou- Acho que por estarmos tão isolados e sozinhos estamos pela primeira vez vendo o que seria a doença sem nenhuma interferência.
Ficamos sem falar nada até a porta se abrir.
—GENTE!- Daayaene surgiu correndo- SEGURA QUE O BABADO É FORTE!
Anna veio correndo atrás dela.
—Eu achei que você tinha falado que ia ser discreta e calma…- A Hudison mais nova retrucou.
—Aninha, esse é o máximo de discrição e calma que eu consigo absorver no meu ser!- Daayene em suas mãos um envelope- UMA CARTA CHEGOU!
—É só isso?- Yuma reclamou- Você fez esse escarcéu todo por causa de um pedaço de papel.
—Depende. É convite pra algum baile? Porque se for eu tô tããão fora.- Priya grunhiu.
—Poderia ser.- Anna começou- Acontece que ouvimos os criados conversando e…
—É SOBRE OS ROSEMARY!- Daayene berrou.
Minha garganta se secou.
— Irmã sonsa, será que dá pra ser menos animada sobre esse nome?- Priya brigou, nada discretamente apontando pra mim.
—Espera. Rosemary são os que nos atacaram?- Kino se virou pra Haruka.
—Eles mesmo.- A de cabelos azuis concordou- Temos um… longo histórico com eles.
—É um bom jeito de descrever, sim.- Sarah me segurou pelo ombro.
—O que aconteceu?- Ayato surgiu.
—Carta dos Rosemary, surdo.- Shu bufou- Até eu ouvi.
—Vocês abriram a carta?- Subaru questionou.
—Não.- Anna respondeu.
—Eu queria, mas a Anna achou que seria sensato abrir com todos pra… discutirmos, dependendo de qual for a notícia.- Daayene nem se forçou a sorrir dessa vez.
—Bem, então o que estão esperando?- Kanato resmungou- Leiam logo.
Anna e Daayene olharam meio hesitantes pra mim. Pareciam quase pedir permissão pra abrir.
—É que…- Anna engoliu- A carta tá endereçada pra Sofie.
Eu não respondi. Porque eu sabia que minha resposta seria não. Não, por favor não leiam essa carta para mim. Não, eu não saber.
Anna pegou o envelope das mãos da irmã e o abriu, lentamente o suficiente pra que eu pudesse impedir.
Sarah apertou seu toque no meu braço.
Quando o papel foi totalmente aberto, Anna e Daayene passaram rapidamente os olhos pelo conteúdo do papel.
—Então…- Ruki pareceu lembrá-las que deviam ler.
As duas irmãs se entreolharam.
—Mais que merda, me dá isso.- Haruka brigou, se metendo no meio delas e arrancando o papel das mais novas. Seus olhos nem iam movendo do lugar enquanto lia.
"Prezada Sofie Herbert
É com todo pesar do meu coração que venho lhe informar sobre a morte de Robert Rosemary, rei do Reino Feiticeiro e antigamente seu noivo.
Sua morte foi repentina e causada de forma desconhecida. Resquícios ensaguentados do seu corpo foram encontrados após o fogo no Castelo Feiticeiro ser apagado.
O culpado ainda está a ser buscado, mas não se preocupe, a senhorita nunca estaria na lista.
Enquanto isso, o trono será ocupado pelo irmão mais novo de Robert, Tyrosh."
Nossas condolências á senhorita.
Atenciosamente, Conselho Real dos Feiticeiros"
Quando Haruka terminou de ler, já parecendo meio arrependida de ter o feito, todos caíram em silêncio.
Estavam esperando a minha primeira reação.
A verdade é que nem mesma eu sabia como estava me sentindo.
Uma vontade de sorrir e rir invadia meu peito. Alívio, felicidade. O fantasma que se sentava nas minhas costas parecia finalmente ter saído, e eu podia endireitar minha postura sem um peso gigante.
Mas meus olhos estavam enchendo de lágrimas.
—Eu… preciso de um tempo.- Engoli em seco e fui correndo até a cozinha.
Achei que alguém fosse me seguir, mas não ouvi passos. Bati a porta.
Me apoiei na janela e me deixei chorar. Chorei até eu sentir as lágrimas queimarem a minha pele sensibilizada.
Eu nem sabia por que estava chorando. Deveria ser de alegria, não? Eu deveria estar feliz.
Mas a minha dificuldade pra respirar, o suor que encharcava minhas mãos e o coração que batia de forma dolorosa no peito me diziam com muita clareza que eu não estava feliz.
Um homem morto. Grandes coisas.
Claro, isso talvez fosse bom. Ele não ia mexer com mais ninguém. E ele era nosso inimigo político.
Mas do que adiantava sua morte, se a semente que plantou sem meu consentimento ainda jazia dentro de mim? E sempre ficaria aqui, não importando o que eu fizesse ou o que sentisse. Estaria aqui, sugando as energias do meu corpo.
Sua morte realmente simbolizava tudo isso, quando os pensamentos dos meus braços marcados e do vestido rasgado naquela noite eram tudo que eu pensava quando eu me deitava.
Ou quando as pequenas humilhações diárias já haviam acontecido , o jeito grosseiro que falava comigo. O modo como amava falar que minhas roupas eram lindas em mim, mais seriam melhores rasgadas. O jeito como bebia e então me desferira um tapa no rosto uma vez?
Ou depois das ínumeras vezes que fui chamada de Molly? Ou depois do meu meio-irmão não ter chance de nascer por sua causa?
Moralmente falando, quanto vale a morte de alguém se ele já conseguiu estragar tantas vidas e coisas das formas mais trágicas possíveis?
Talvez fosse porque eu queria matar ele. Queria que sofresse. Queria que fosse demorado. Lento.
Então por que não o matei quando tive a chance?
—Achei que fosse precisar disso.- A voz de Laito me assustou.
Dei quase um pulo antes de me virar e perceber que ele estava me estendendo um lencinho.
Não consegui esconder o sorriso mais fraco possível que apareceu no meu rosto, e peguei o lenço das mãos dele.
—Acho que nunca te vi chorar~~- Laito murmurou- Não é a visão mais agradável de se ver em qualquer um, verdade.
—Laito…- Eu engoli em seco- Eu passei tanto tempo ignorando meus sentimentos. Tanto tempo só enterrando eles e fingindo que não existiam. Eu acho que considerando tudo que passei nos últimos 4 anos, está mais do que no meu direito chorar.
—Nunca questionei isso, Sofie-chan.- Laito sorriu.- É forte. Mais forte que eu fui.
Olhei confusa pra ele.
—Quando eu descobri o que aconteceu com você… acho que uma parte minha sentiu culpa.- Laito admitiu- Culpa porque talvez você crescesse achando que isso é normal. E porque você nunca… soube de nada diferente.
—Eu fui criada bem.- Limpei mais meus olhos- Posso ter me sentido o pior lixo da vida, mas pelo menos sempre me senti acolhida aqui. E nunca me senti culpada do que aconteceu.
—Viu? Você é forte.- Laito de repente ficou sério.- É um exemplo. Um caso a ser admirado.
Ficamos um tempo em silêncio.
—Laito…- Finalmente tive forças de falar.- Você já…
Laito meramente acenou com a cabeça. Senti um misto de vergonha e pavor me dominarem.
—Eu era pré-adolescente.- Laito deu de ombros- Não sabia de muita coisa da vida. Talvez eu até soubesse. Mas era mais fácil fingir que o que eu passei era normal e "amor". Sempre foi.
Olhei pra ele, sentindo vontade de chorar de novo.
—A Marie sabe?- Foi a primeira coisa que pude perguntar.
—Sabe. Descobriu de uma forma nada legal, mas sabe.- Laito condordou- Acho que foi a primeira pessoa que teve a paciência de sentar e me explicar.
—Explicar o que?
—Tudo.- Laito suspirou- Eu já sabia a muito tempo o que realmente rolava naqueles anos. Mas é tão melhor mentir pra si mesmo, fingir que nada errado está acontecendo… do que encarar a realidade.
Concordei com a cabeça.
—É díficil até pensar na pessoa que fez isso.- Laito olhou pra mim- Nós dois sabemos como é viver sob o mesmo teto de um monstro.
Engoli em seco quando entendi o que ele quis dizer.
—As pessoas acham que foi fácil eu fingir que ia me noivar do... Robert.- Proclamei seu nome com dificuldade- Você não tem ideia do quanto eu queria fugir. De todas as vezes que eu chorava enquanto ia tomar banho naquele maldito castelo.
—Eu vou falar que nem eu mesmo entendi por que você se noivaria com um homem como ele.- Laito bufou- E quando rejeitou o pedido de casamento do meu irmão? Fiquei pasmo.
—Eu teria rejeitado Ayato naquela época de qualquer jeito.- Apertei meu colar de proteção.
—Mas eu finalmente entendi.- Laito continuou- Você é uma Herbert. E não importa com quem se casar, ainda vai ser uma Herbert. E isso te traz uma força inigualável.
—Eu não sou…- Retruquei- Não me considero nem de perto a irmã mais forte. Não existem heróis. Se tem algo que eu aprendi, é que na vida real os monstros sempre ganham de alguma forma.
—Talvez não seja, realmente.- Laito deu de ombros- Mas sua jornada ainda não acabou. Eu pessoalmente estou ansioso pra ver seu próximo passo.
Respirei fundo.
—E dessa vez, com um fantasma a menos pra te assombrar.- Laito pegou o lenço da minha mão e limpou a minha bochecha.
—Assim eu espero.- Sorri.- Laito, eu…
—Não diz nada. Já é um milagre de alguma divindade você não querer me matar em cinco minutos de conversa.- Laito debochou.- Só… pode me prometer uma coisa?
—Claro.
—Cuide do Ayato.- Laito pediu- Ele finge que não, mas também tem vários fantasmas assombrando ele todo dia. E eu sempre achei que ele fica melhor graças á você.
—Bem, posso me esforçar.- Sorri levemente.- Proteger meu namorado nunca foi uma tarefa difícil.
Ele sorriu. Eu meio que sorri de volta, pegando o lencinho.
E ele foi embora como se nada tivesse acontecido. Senti meu coração se relaxar.
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Narração Kanato
—Bem, isso foi triste.- Shu opinou. Subaru o encarou:
—É sério que isso é tudo que você tem a dizer sobre o que aconteceu?
Shu abriu a boca pra retrucar, mas vimos Laito chegando.
—Como que ela tá?!- Ayato se preocupou.
—Precisa de espaço pra respirar.- Laito disse sério- Ela vai ficar bem, Ayato. Sério.
—E agora você nem pode falar que vai matar ele pelo que ele fez com a Sofie.- Respondi.- Então faça um favor e deixe a garota em paz.
—Eu sou o namorado dela!- Ayato brigou.
—Mais um motivo.- Retruquei- Você acha que eu fico como quando a Sarah entra em crise? Não adianta nada você ficar em cima dela abrindo a boca e deixando ela ainda pior.
Ficaram em silêncio.
—Quem diria que o Kanato seria o mais sensato dos trigêmeos.- Shu debochou.
—Nossa, Shu, assim você me ofende.- Laito suspirou.
—Foi o objetivo.- Shu concordou.
—Então estamos todos de acordo.- Subaru praguejou.- Ayato, senta aí e cala a boca.
—Você não manda em…- Ayato então deu um salto- Oi Marie.
Todos olhamos pra trás, dando de cara com Marie nos encarando.
—Ah, por favor, continuem. Não deixem a minha presença… interromper vocês.- Marie sorriu de deboche.
—Depois é a gente que não entende nada de privacidade nessa casa…- Shu resmungou.
Marie se sentou no braço de uma poltrona, e Laito foi rápido em se sentar ao lado dela.
Não consegui não notar em como a gravidez de Marie progredia rápido. A barriga dela já era mais do que perceptível, mesmo usando as roupas de Laito. 90% ficava descalça por conta dos pés inchados.
O rosto estava claramente cansado, apesar dela ficar deitada quase o dia todo.
—Então.- Marie começou a falar, me distraindo- Ouvi uma comoção aqui embaixo. O que aconteceu?
—Robert morreu.- Subaru falou sem cerimônia nenhuma.
—Ah? Como?- Marie se assustou.
Todos nós demos de ombros.
—E Sofie?- Marie pareceu preocupada.
—Vai ficar bem. Não se preocupe.- Laito colocou a mão na perna dela.
—Alguém tem alguma notícia da Victoria?- Ayato interrompeu a conversa.
—Eu não vi ela hoje.- Marie respondeu- Nem no funeral. O quarto do Reijii ficou trancado o dia inteiro, então imagino eu que esteja lá.
—Não quero nem pensar no que essa doida tá fazendo trancada com um corpo quase-morto.- Shu murmurou.
—Victoria está passando por um momento difícil.- Marie retrucou- Não deve ser fácil, passar por tudo que ela está passando.
—Ainda mais com toda a treta da…- Laito começou.
—Yui.- Eu terminei- Inclusive, o que a diaba tá fazendo aqui ainda? Ela vendeu informações da Victoria! E pode muito bem ter vendido sobre qualquer um de nós!
—Pirralho, não é tão simples assim.- Subaru bufou, e eu quis gritar com ele.
—Talvez expulsar Yui agora só vá causar mais desgraça.- Marie comentou- Sol literalmente acabou de perder a namorada, e Yui é uma grande amiga dela. Até mesmo Jackson e Mao estão passando por tempos difíceis.
—E por que diabos eles ainda são amigos da traidora?!- Kanato brigou- Olha, eu mesmo nunca gostei da Yui…
—Você mente tão mal, Kanato.- Laito debochou- Yui sempre foi uma das noivas mais especiais.
—É. Não é a toa que ela foi a única que fugiu com sucesso.- Shu retrucou- Nem você e suas irmãs conseguiram.
—Isso é verdade.- Marie concordou- Mas foi por tão pouco…
—Olha. Eu não ligo. Yui é uma traidora. E todo mundo que quer ficar ao lado dela deve ser tão traíra quanto.- Briguei- Já imaginam o que acontece se ela divulga sobre o estado do Reijii e da Marie?
—O estado do Reijii não vai demorar tanto pra passar.- Shu suspirou- Infelizmente, no meu caso. Agora como o Laito vai explicar quando a Marie morrer e deixar uma criança pra trás eu já não sei.
—É uma preocupação que não tenho por enquanto.- Marie admitiu- Tenho trilhões de coisas pra cuidar. Minha família, inclusive.
—Ok. Mas não ignorem que talvez deixar um traidor dentro do nosso teto pode ser a destruição das nossas famílias.- Briguei.
Marie então fez uma expressão de dor.
—Tudo bem?- Laito se preocupou.
—Ah. Tudo. Eu só…- Ela parecia sem ar- Acho melhor eu me deitar.
—Quer ajuda?- Ayato questionou.
—Pra me deitar?- Marie zombou- Muito sedutor da sua parte, Ayato, mas tenho namorado.
—Eu não…- Ayato tentou retrucar.
Quando Marie estava longe de ouvir, Shu soltou:
—A gente tem que contar pra elas.
—Deixa de ser idiota.- Subaru brigou- Não estamos em condições pra fazer isso.
—Subaru, a gente precisa aguentar a realidade.- Shu se levantou. Agora ficou sério.- Reijii não tem solução. Não podemos colocar Victoria sob tortura por um "talvez". Não temos nem habilidade nem ingredientes pra poção. Ruki não consegue achar nenhuma outra solução.
—Subaru está certo. As meninas não estão prontas pra essa notícia.- Concordei.
—Quem não estão prontos são vocês ou elas?- Shu questionou- Aceitem, perdemos essa batalha. Cordelia está no corpo do nosso irmão a semanas porque não conseguimos achar outro meio. Nossas escolhas são: deixamos Cordelia viver num corpo bem mais forte do que precisava e se tornar uma ameaça fatal a nós ou a gente sacrifica o Reijii por um bem maior.
—Você tem demência?- Subaru brigou- Victoria está péssima! Consegue imaginar como ela vai ficar com mais essa notícia?
—Eu estou salvando a garota! Ela está disposta a passar por tortura pra tentar acordar seus poderes!- Shu brigou- Se ela fizer isso e morrer, aí sim a gente tem um grande problema!
—Shu, para de pirar com isso só porque a Cordelia bateu na sua namorada.- Ayato rosnou- Ela é nossa mãe. A escolha não deveria ser nossa?
—Correção, ela quase matou a minha noiva.- Shu brigou- E se o que vocês três fizeram a tantos anos atrás é de alguma indicação, ela deveria ter morrido a muito tempo!
—Não vire isso contra a gente.- Briguei.
—Se Cordelia ficar aqui, ela vai arruinar nossas vidas. E todo o plano Eve.- Shu respirou fundo- Não podem estar seriamente considerando que ela ficar é uma decisão razoável.
—Ah, não, você não vai meter o plano Eve nesse rolê!- Subaru brigou.
—Subaru, Ayato, nossas parceiras são algumas das possíveis Eve.- Shu tentou raciocinar.- Sabem que Cordelia ficar aqui signfica a morte dolorosa de cada uma delas, né? Especialmente agora que sabemos que elas são filhas da Molly, que a Cordelia odiava.
—Temos a Anna ainda.- Ayato retrucou.- E se ela for Eve?
— Espera. Você não tá falando que…- Me assustei.
—Se Anna for Eve, Cordelia vai acabar matando ela. E até lá teremos um método de acabar matando a mulher. E tudo fica bem.- Ayato decidiu.
—Eu preciso te lembrar que a Anna é uma vida como qualquer outra?- Kanato brigou.
—Achei que odiasse as Hudison!- Ayato exclamou.
—E odeio. Mas as meninas gostam delas. Ayato, se você acha que as meninas vão ficar bem com a morte de uma das melhores amigas, você ainda é mais idiota do que eu achava.
—Eu vou me retirar.- Laito se levantou.
—Onde vai?- Shu questionou.
—Ficar com a Marie. Essa conversa tá me entendiando~- Laito falou num tom triste.
—Laito.- Subaru o chamou- Você não vai falar sobre a faca? Mesmo?
Laito paralisou.
—Que faca?- Ayato se assustou.
—Se não quer falar, eu falo.- Subaru resmungou- Não sei da onde ele roubou ou comprou. Só sei que achei uma própria coleção de facas de prata no quarto próprio do Laito. Facas que eu sei por saber que não estavam lá antes.
—Opa. Quem vai matar?- Questionei.- Coleção de facas? Material de assassino. A Marie sabe disso?
—Vocês não sabem de nada.- Laito pareceu furioso- E nem pensem em mencionar isso pra Marie.
—Eu na verdade pensei que você estava guardando as facas pra usar daqui a uns meses. Sete, oito, talvez?- Subaru falou.
—Pera. Que?- Ayato fez uma expressão confusa.
—Você tá planejando um assassinato?- Chutei.
—Não.- Shu fez uma expressão séria- Está planejando um suícidio.
—Cale a boca. Vocês não sabem de nada!- Laito pirou.
—Espera.- Pensei- Laito, está querendo se suicidar quando a Marie morrer?
Laito ficou em silêncio.
—E o seu filho, idiota?!- Ayato brigou- Vai deixar mais um descendente nosso perdido no mundo?
—Nem é certo se meu filho vai sobreviver.- Laito brigou- Podem jogar quantas pedras quiserem, mas eu pelo menos tenho coragem de admitir que eu não quero ter que sentar e assistir o meu mundo se acabando de novo.
—A Marie sabe disso?- Subaru questionou.
—Não.- Laito respondeu honestamente.- E nem vai. Eu fui ensinado desde criança que morte é sinônimo de amor. Então esse é meu sacrifício.
Todos o encaramos.
—Quando Marie se for, eu não estarei aqui também por muito tempo.- Laito engoliu- Vocês não tem ideia de como me doeu ouvir que o amor da minha vida estava morrendo aquele dia. Vocês tem o privilégio de não terem esse peso toda manhã.
Laito nem olhou pra trás quando foi embora.
O peso foi o que nos restou.
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Narração Sofie
Eu ri pra mim mesma enquanto via Brunna cantarolando baixo alguma coisa enquanto dançava pelo quarto.
—Você está estranhamente feliz.- Comentei
—Eu sou feliz.- Brunna me revidou.
—Não o tipo de feliz que fica dançando e cantando pelo quarto, com certeza.- Comentei, terminando de organizar sua fileira de livros- O que aconteceu?
Brunna hesitou.
—Sofie. O que você sente quando olha pro Ayato?- Me questionou.
Me assustei com sua pergunta.
—Porque eu sinto tanta paz perto do Ruki. Eu sinto que estou sendo enchida de amor 24 horas por dia.- Brunna suspirou- Eu sei. É idiota.
—Não é nem um pouco idiota.- Sorri de leve.- Eu costumava ser o tipo de pessoa que acha o amor uma estupidez. E eu ainda acho, quando ele é cego. Mas você e o Ruki são lindos juntos.
—Bem, eu digo o mesmo de você e do Ayato.- Brunna sorriu.- Eu não quero ser indelicada, mas vocês já…
—Não.- Fui rápida em responder.- Tentamos algumas vezes, mas eu só…
Não pude ser capaz de completar minha frase, mas Brunna pareceu entender.
—Sofie, você é uma garota maravilhosa. Ayato tem sorte de ter você como namorada. E ele é inteligente de não te forçar a nada.
—Se ele tentasse me forçar, seria bem rápido de lembrar que eu tenho seis irmãos e vários guarda-costas pra cuidar dele.- Zombei.
Brunna riu.
—Isso é um fato.
Ela então me olhou.
—Você está bem, né?- Questionou- Ou pelo menos vai ficar.
—Eu acho que sim.- Afirmei.- Acho que estou meio pronta pra… tentar superar de verdade.
—Se tem alguém que consegue, é você, Mater.- Brunna debochou.
—Você está zombando de mim.
—Sempre. Mas eu tô falando sério.- Brunna sorriu- Como sua melhor amiga, estarei com você pra sempre que precisar de ajuda e apoio. Feito?
—Feito.- Sorri.
Ouvi uma batida na porta.
Fui abrir, e apenas vi um papel dobrado.
Azul.
Peguei ele. Bem na hora, vi Nikki e Lua andando pelo corredor com Kou e Azusa.
—O que eu estou dizendo é que esse anime é uma obra de arte.- Lua comentava- Então eu super aceitaria essa oportunidade se fosse você.
—Um trabalho de dublagem seria realmente bom pra aumentar meu trabalho~- Kou pareceu animado.
—O grande trabalho.- Nikki murmurou- Gigantesco. Nunca nem ouvi falar.
Azusa riu baixo.
—E eu vou querer um autógrafo pra poder me gabar no TT quando você estreiar.- Lua riu.- Meus seguidores vão pirar quando verem que eu sou sua amiga.
—Somos… amigos…- Azusa confirmou.
—Pessoal?- Os chamei- Vocês que deixaram isso aqui?
Apontei pro papel.
—Ah. Acho que não.- Nikki fez uma expressão confusa- Acabamos literalmente de chegar aqui no corredor.
Todos os outros negaram com a cabeça. Agradeci e eles saíram rumo á sei lá onde, conversando sobre sabe-se-lá-o-que.
Olhei de relance pro final de corredor e pude ver Victoria fechando a porta de Reijii, com uma bebida na mão.
Seu olhar devastado e cansado se encontrou com o meu por breves segundos dela fechar a porta.
—Sôh?- Brunna me chamou do lado de dentro- O que rolou?
Abri o papel azul, onde se lia numa caligafria feita ás pressas, por pouco legível.
"CUIDADO COM O CERVO QUE RESTA"
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