Like a Hell

1 Capítulo Único


Eu me revirava na cama, sem conseguir dormir os galhos secos batiam com força na minha janela, o vento zumbia la fora... Mas apesar do tempo, eu estava suando, minhas roupas estavam pregadas e o suor escorria pelo meu corpo.

Era como se eu tivesse saído de uma piscina. Não fazia muito sentido, mas era verdade. Levantei-me irritado, meus pés descalços fizeram um baque surdo no chão de madeira do meu quarto, minha respiração estava pesada e me sentia um pouco mal. Dessa vez o barulho dos galhos realmente me assustaram, dei um pulo e meu coração disparou. Meu estômago fez voltas desagradáveis. Corri para acender o abajur. Não que me ajudasse muito, agora os galhos lançavam sombras estranhas para dentro do meu quarto, com passos rápidos, puxei a cortina preta com força e fiquei ali respirando pesadamente.

Que vergonha! Mantenha a calma! Não é nada demais, apenas uma ventania. Sendo assim me forcei a colocar um sorrisinho bobo no rosto e me dirigi para o banheiro, acendi o lâmpada e me fitei no espelho, o que eu vi, me fez dar dois passo para trás e cair estatelado no chão. Um rosto horrendo com cortes sangrando por todo o rosto completamente desfigurado. Olhos injetados expressão maligna, aqueles rostos que entram na sua mente e se entrelaça a você, que o faz querer arrancar os próprios olhos.

Levantei-me com a cabeça rodando e me fitei novamente no espelho, simplesmente aquela imagem havia sumido, era apenas eu, o sorrisinho completamente extinto. Eu peguei o espelho com cuidado e o joguei dentro da minha banheira. Ele se quebrou instantaneamente, fazendo mais barulho que eu imaginava ser possível, foi como um surto de adrenalina. Não pensei, apenas agi. Sai do banheiro o mais rápido que consegui, tranquei a porta e joguei a chave em um canto. O pânico era irracional eu sabia disso, mas eu tinha certeza que não havia imaginado aquilo. Estava enlouquecendo!

A noite de dias atrás entrou na minha cabeça com fervor, uma festa com amigos... Depois a garota morta, o sangue, o corpo, a cova. Não, eu não a havia matado, havia sido um acidente. Nada mais. Cada osso do meu corpo parecia tremer, eu não acreditava em meus próprios pensamentos.

— Desculpe-me! — Disse no auge do desespero. Mas não tinha ninguém ouvindo, ela morreu, estava enterrada onde ninguém nunca a acharia. Deitei novamente em minha cama, queria trocar de roupa, mas não conseguia me mover. Fiquei deitado em silêncio por um bom tempo, e sentia a culpa me corroer por dentro. Até que a porta do meu quarto se abriu com uma rajada de vento frio, por pouco não gritei, seria ridículo, eu sei disso. E indo contra todos os meus instintos... Cheguei até a porta, e olhei para as escadas que acabava em uma escuridão sem fim. Eu devia descer? Até que um estalo vindo lá de baixo, tomou essa decisão por mim.

Não sei de onde eu tirei coragem, mas coloquei meu pé descalço no primeiro degrau, coloquei o outro e desci mais um. Outro estalo. Por fim, tomei coragem e cheguei até o primeiro andar, a casa estava vazia devido ao fato que meus pais estavam viajando. Maldita hora que eu decidi não ir com eles, mas quem queria ir a um aniversário de um bebê? Quando adentrei mais na sala, chutando os brinquedos de meu irmão mais novo que estava espalhado no chão. Vi que a porta que ia para a rua estava aberta, o vento levava folhas secas para dentro de casa. Corri para a porta com o intuito de fechá-la, mas algo la fora me fez hesitar. Uma garota, em um vestido de festa arruinado, parada há algumas ruas da casa, no pico de um pequeno morro que tinha ali. Estreitei os olhos para tentar ver melhor... Era mesmo uma garota?

— Hey... Você está bem? – Perguntei gritando, ela não respondeu e daqui eu não podia ver seu rosto. Quem mais fica na rua de madrugada com esse tempo?

Enfim, não era da minha conta, e recuei três passos para voltar para a casa. Mas me detive ela balançava a mão... Estava me chamando. Juntei as sobrancelhas, uma garota te chamando à uma hora dessas... Só podia ser encrenca. Mas a curiosidade definitivamente é uma droga. Antes de perder a coragem, fui seguindo a garota, que pareceu correr e ficar longe de mim, o vento era frio e jogava meu cabelo para os lados. E o chão estava frio, parecia congelar os ossos. Mas ainda sim a segui, a perdi de vista por um momento, me virei para procurar e dei de cara com o cemitério da cidade. E nem preciso dizer, a visão era assustadora. Quase não havia luz ali, e eu odiava aquele lugar, desde quando era criança. Engoli em seco, o que eu estava fazendo? Idiota. Engolindo minha própria estupidez, ia dar meia volta. Mas vi a garota novamente. Entre as lápides. E ainda não podia ver seu rosto. O vestido que outrora fora rosa escuro, agora estava em um tom pálido de rosa, desbotado, rasgado em várias partes, e pele de uma cor... Azulada, cabelos desgrenhados e negros. O que ela queria comigo? A esse momento o tempo ficara pior, e o vento estava mesmo violento. Coloquei as mãos no grande portão e empurrei. Minha esperança era que estivesse fechado e eu pudesse rir disso tudo depois. Mas estava aberto, nunca fui supersticioso e nem tão medroso... Nada ali iria me machucar... Não havia nenhuma pessoa ali para isso, repetindo isso como um mantra e não ferir meu orgulho de fugir de um simples cemitério, finalmente adentrei ali. E a garota ainda estava ali, comecei a andar devagar, tentando vê-la, dois passos... Cinco passos, dez passos. E depois, Um passo em falso e uma dor que de repente, subiu lancinante pela minha perna. Olhei em volta assustado, eu havia caído no que parecia um buraco, e olhei para minha perna e deixei escapar um arquejo tremulo. Estava quebrada por que via o osso saindo de minha coxa. Gritei de dor, segurando minha perna que estava em agonia.

Olhei para cima desnorteado. O buraco que eu havia caído tinha a forma exata de uma cova. Tentei me levantar, mas a perna estava doendo de um jeito insuportável, e o sangue não parava de sair. Tentei gritar, tentei de tudo. Era isso, eu estava perdido. Ouvi um barulho acima de mim.

— Ei, tem alguém ai? – Gritei desesperado.

O rosto que apareceu ali em cima me fez querer morrer. A garota... A que estava morta... O mesmo rosto que eu vi no espelho, ali, me encarando. Não tive outra reação, mas senti o sangue sair de meu rosto. Não podia ser possível. Não podia. Eu estava sonhando. Sonhando, ela havia morrido! Droga, eu tinha visto! Arfava, aquilo não podia ser real. Ela estava apodrecendo dentro daquele maldito rio... Não podia ser... De repente um monte de terra foi jogado ali. A dor não me deixava pensar direito, o frio não me deixava pensar direito, eu estava morrendo. Mais terra, em quantidade maior. Mais que pudesse ser possível.

— Não, não! Eu sinto muito. – Eu disse desesperado.

— Não há perdão para pessoas como você. Foi sua culpa. – Disse uma voz que podia ser de tudo menos de uma garota.
O lugar se encheu até meus olhos e além deles, os minutos seguintes foram os mais terríveis da minha vida, os mais agonizantes. Enterrado vivo, sentia a terra já em minha garganta, eu gritava, mas isso só piorou as coisas... Não havia ar. E eu não conseguia me mexer, a terra fez um peso esmagador em meu peito.

De repente já não estava fazendo mais frio, não estava mais sentindo dor, não estava mais sufocando. Não estava sentindo mais nada, parecia que eu estava flutuando no meio do nada. Mas não durou muito tempo, de repente começou a ficar muito quente, muito. Já estava insuportável, como se cada membro estivesse em chamas. Gritei sem puder me controlar. Era cáustico, era abrasador. Da mesma forma que seria... O inferno.

Notas finais
Entãao, o que acharam? Eu ficaria completamente agradecida se alguém puder comentar, mesmo se for para dizer que odiou, ok? Mas se não quiser comentar, agradeço por te lido ♥ kkk Então, é isso, bye :3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!