Like a Flower
1 Pétala 1 - Finalmente em casa.
A viagem era longa e demorada, estava chovendo, não era uma chuva tão agressiva, e, a maioria das pessoas que se encontravam no avião estavam dormindo calmamente, ao contrário de mim, Alice, que era a única com fones de ouvido, tocando uma baixa música clássica enquanto olhava para fora da janela, em meio á suspiros pesados, eu estava finalmente voltando para lá. Faz bastante tempo desde a última vez em que vi Nathaniel, deveria ser por isso que eu estava tão ansiosa para o reencontrar? Não sei, mas eu estava realmente inquieta naquela viagem. A última vez em que nos vimos, nós tinhamos 14 anos, tivemos que nos separar desde então, pois fui fazer intercâmbio na China, e finalmente, terminei faz alguns dias, e agora, tenho 17, assim como ele também deve ter, pois fazemos aniversário em Setembro, na mesma semana. Como será que ele está? Mais alto ou mais baixo que eu? Quando tinhamos 14 ele era bem mais baixo que eu, o que era um tanto quanto engraçado naquela época. Soltei uma pequena risada sem perceber, o que fez umas 3 pessoas olharem para mim, ficando levemente envergonhada, limpei a garganta e continuei em silêncio. Nós sempre fomos bastante iguais, apesar de sermos primos, pareciamos irmãos. Não pela a aparência, claro, e sim personalidade. Por que não pela aparência? Simples, o Nathaniel tem os cabelos loiros e olhos extremamente azuis e perfeitos, apesar dele ser baixo da última vez que eu o vi. E eu tenho cabelos rosas e olhos azuis, que não são tão claros assim, e podem facilmente serem confundidos com negros. Antes eles eram curtos, porém, os deixei crescer, por preguiça de ir os cortar novamente, e também medo de algum cabeleiro não fazer exatamente como eu quiser. Agora, pela personalidade, posso dizer que somos idênticos; ou éramos. Nathaniel sempre foi um garoto divertido e levado, e eu, era muito mais atrevida e rebelde que ele, e sempre éramos os responsáveis por jogar ovos na casa dos vizinhos durante o hallowen. Porém, posso dizer que me tornei mais séria e adulta, já ele eu não sei muito bem.
Fiquei ali, totalmente perdida em meus pensamentos, até chegar a hora em que eu dei meu primeiro bocejo, e finalmente, dormi. Eu não ouvia mais o barulho da chuva, e apenas sentia uma brisa reconfortante do ar condicionado e o toque macio da lã de meu casaco, no qual eu estava enrolada. Passou-se algum tempo, questão de horas, para eu sentir uma leve clareza em meu rosto e um tipo de "apito" suave ecoar pelo avião, e logo, ouvir a voz de uma mulher, dizendo que iriamos pousar. Acordei, aliás, meu sono era bem leve. Permaneci com o casaco, e apenas arrumei meus fones no meu pescoço e coloquei meu celular em meu bolso, antes, olhando as horas, percebendo que era cedo de manhã. Cocei meus olhos, já pronta para descer, senti o avião pousar por causa do leve solavanco, logo, retirando minha mala do compartimento, fui uma das primeiras pessoas á sair do avião, pois, os outros ainda estariam sonolentos demais por causa da viagem, provavelmente. Pisei no chão de mal jeito e suspirei, abri um sorriso de orelha á orelha, olhando ao redor; Paris, aqui estou eu novamente. Tirei meu celular do bolso e liguei para Ariel, para vir me buscar. Ariel era meu amigo, melhor amigo na verdade. Sempre falei com ele no celular durante todo o intercâmbio, e então, comecei a mandar vários SMS pra ele, enquanto eu andava e mexia em alguns aplicativos, até ele responder, me mandando esperar na praça que ficava em frente ao aeroporto, e foi isso que fiz, andei até lá e sentei-me em um banco de madeira, o aguardando. Meu coração batia rápido, pois Nathaniel nem sabia que eu estava voltando, será que ele ficaria surpreso? Ou com raiva de eu não ter falado nada? Um frio percorreu todo meu corpo, eu não era de ficar preocupada assim, mas, foi o que aconteceu. Fiquei uns minutos ali, até sentir um toque frio em meu ombro, e então, me virei para olhar, era Ariel. Ariel é um garoto alto de cabelos alaranjados e olhos verdes, que, realmente, apenas deixava ele mais gay do que já era. A única coisa que não deixava evidente a sexualidade dele era a voz, que, meu deus, nessa piscina eu me jogava.
Alice: Ariel. Bisha, você tá poderosa viu?
Ariel: Não precisa jogar na cara não. Tava com saudades bisha.
Eu me levantei e o abracei, o que deu oportunidade para eu sentir seu leve cheiro de baunilha, um tanto quanto atraente e gostoso. Ele era bem mais alto que eu, nem conseguia acreditar que ele era realmente gay, o que me fazia sentir um pouco triste, porque eu babo nele, e tenho certeza que qualquer menina também. Nós conversamos um pouco e ele pegou minhas malas, mesmo eu insistindo pra que eu mesma levasse até o carro, ele me pegou e me pôs no ombro, e saiu andando, puxando a mala amarela, cheia de gatos coloridos. Eu o beliscava e murmurava vários palavrões, enquanto ouvia a leve e calma risada dele, o que me fazia corar certas vezes. Ele andou um pouco até chegar no carro vermelho, no qual pôs minha mala no banco de trás e eu fui na frente, junto dele, que em não muitos minutos começou a dirigir. Eu ia ficar no mesmo apartamento que ele, e também estudar junto dele, meu gosh, não sei como eu estava me contendo de alegria. Em cerca de 18 minutos chegamos no apartamento dele, era realmente imenso e luxuoso, apesar de estar meio bagunçado, o local era realmente lindo; A cozinha era direto na sala, tinha um balcão enorme e dentro dele ficava a cozinha, bem estilo americano. A sala era gigante e tinha vários puffs gigantes e coloridos, no qual me conti para não pular em nenhum deles. Logo, ele me levou até meu quarto e pôs minha mala lá, eu sorri e agradeci, e então, comecei a guardar minhas coisas, enquanto ele fazia um tipo de janta, pois, já tinha passado da hora do almoço. Ao terminar de arrumar tudo, nós comemos juntos, ele também tinha um extraordinário dom de culinária para a idade dele. Eu andei até meu quarto, que na verdade era um tipo de suíte, e logo, corri para o banheiro, tomei banho e fiz minha higiene pessoal, lavando meus cabelos, pra eu não precisar lavar amanhã de manhã, apesar da água ser extremamente quente e agradável. Me vesti e fui á minha cama, em não muito tempo, caindo num sono profundo, nem sei como consegui dormir tão rápido, eu estava tão ansiosa, pois, amanhã, eu iria finalmente o ver.
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