Like a Dream: Além-Mar
5 Quarto Capítulo
Notas iniciais
Quarto Capítulo
— Acabei de perceber que não gosto de navegar. – comentei com Edmundo assim que sai do camarote. Lucia vinha logo atrás, aparentemente divertida e preocupada com minha atual situação.
O vai e vem da embarcação provocava uma reviravolta em meu estomago, me deixando enjoada. Era uma sensação horrível de se sentir.
— Você só não está acostumada a isso, Sam. Logo passa. – disse carinhosamente, segurando minha mão e a levando até seus lábios para depositar um singelo beijo. Em questão de segundo uma expressão de confusão ficou visível em seu rosto, me olhando logo depois com as sobrancelhas arqueadas – Por que você está descalça?
Abaixo da dobradura da calça, meus pés se encontravam em contato direto com o frio chão amadeirado do navio.
— As galochas de Caspian eram muito grandes, me deixaram desconfortáveis. – falei com um dar de ombros, afinal, não era grande coisa ficar descalçada. – Vou esperar minhas sapatilhas secarem.
— É nisso que dá ter pés tão pequenos. – brincou a mais nova indo até a esfinge de ouro do grande leão, acariciando as duras jubas douradas – Aslam.
— Meus pés têm tamanhos normais! – resmunguei para a menina – E onde está Eustáquio? — perguntou ao moreno.
— Na cama — respondeu Edmundo. — Acho que não podemos fazer nada por ele. Fica ainda pior quando tentamos ajudá-lo.
Não podia condená-lo por estar mal, no fim das contas também não me sentia nada bem.
— Sam, olhe! – Lu me chamou, eufórica, enquanto apontava para um dos cantos da cabine.
A espada prata de quase um metro de comprimento refletia o brilho do sol que atravessavam a janela. O cabo encapado com couro negro, possuía desenhos de arabescos em tom dourado em sua empunhadura. Que se encaixava perfeitamente em minhas mãos.
— Minha espada! – deslizei mina mão sobre a grossa lâmina curva, em busca de sua talha. Avante Nárnia.
— São tesouros importantes para Nárnia e para mim, tanto que foram considerados patrimônios reais. – comentou Caspian colocando a mão em meu ombro – Eles carregam histórias incríveis e lembranças maravilhosas, por isso fiz questão de trazê-los comigo nessa mais nova aventura. – Afastando-se de mim, Caspian foi até um armário e abriu uma gaveta e tirou de lá uma caixa com um frasquinho de diamante e uma adega. — Restituo-lhe o que é seu. – disse o moreno entregando os pertences a Lucia.
— Meu elixir de cura! E a adaga. – A alegria de rever os presentes recebidos do papai Noel eram notáveis em seu olhar, ao se aproximar para pegá-los. – Obrigada. – disse a menina.
— Agradeço por tê-la trazido, Caspian. É bom poder estar com ela novamente. – Agradeci ao moreno enquanto a fixava firmemente em meu cinto, de maneira que fosse facilmente desembainhada.
Ali ao lado havia outra espada, foi esta que chamou a atenção de Edmundo.
— A espada de Pedro. – disse o menino se aproximando do objeto.
— Sim. – disse o mais velho – Tomei conta dela, como prometi.
O moreno chegou até a espada e a tomou nas mãos, logo se virando para Edmundo.
— Tome. Pode pegá-la se quiser. – falou ele a estendendo.
— Não, é sua. – Negou-se Edmundo — Pedro a deu a você.
— Também guardei isto para você. – Caspian voltou ao armário e abriu uma das portinhas e de lá ele retirou um objeto cilíndrico, o jogando para Ed.
O menino apenas riu. Não imaginou que o mais velho fosse guardar a simples lanterna – Obrigado.
— Seu tesouro é uma lanterna? — perguntei divertida ao moreno, que revirou os olhos e me deu um empurrãozinho com os ombros.
— Bem, agora, precisamos conversar — disse Caspian se posicionando ao lado de um homem, a qual não tardou a apresentar — Este é o meu capitão, lorde Drinian.
Um homem de cabelos raspados pôs um joelho em terra, em respeito e saudação ao antigos.
— É um enorme prazer conhecê-los, Majestades. – disse o homem respeitosamente.
—O prazer é nosso, lorde Drinian. – falei ao homem.
— É bom conhecê-lo, também — concordou Edmundo. — Antes de tudo, acerca do tempo. Para nós passou um ano desde que o deixamos, antes de sua coroação. Quanto tempo passou em Nárnia?
—Três anos precisamente — respondeu Caspian.
— Vai tudo bem por lá? — quis saber Edmundo.
— Iria eu deixar o meu reino e viajar se alguma coisa não estivesse bem? — respondeu o rei. — As coisas não podem ir melhor. Não há agora nenhum problema entre os telmarinos, os anões, os bichos falantes, os faunos e todos os outros. E no verão passado demos uma lição tão grande naqueles turbulentos Gigantes do Norte, que eles não apenas se renderam, como agora já me pagam imposto. Logo depois derrotamos o exército da Calormânia, no Grande Deserto. Há paz em toda Nárnia.
— Paz? – perguntei, surpresa com tal informação.
Não podia imaginar que finalmente Nárnia vivia em paz.
— Em apenas três anos. – afirmou o mais velho.
— E encontrou uma rainha para você nesses três anos? – Lucia perguntou, curiosa pela situação do rei.
— Não. Nenhuma que se compare a sua irmã. – a saudade era visível em seu olhar. Ficar longe da pessoa amada não deve ser fácil.
— Durante nossa estadia em Galma, pareceu-nos que o Duque de Galma teria ficado muito contente se o rei tivesse casado com a filha dele, mas isso não aconteceu...
—Tem olhos tortos e sardas — disse Caspian para o seu capitão.
— Caspian! Coitadinha! — exclamei. – Isso é maldade com a pobre garota.
— Eu sei, mas é que nenhuma outra se compara a Susana
— Espere. Se não há guerras para lutar, e ninguém está em apuros, por que estamos aqui? – indagou Edmundo, confuso.
— Boa pergunta. Eu também estou me perguntando isso. – respondeu o outro.
— E para onde estamos navegando? – em busca de uma solução, perguntei ao capitão e ao rei.
— Antes de retomar o trono, meu tio tentou matar os amigos e melhores aliados do meu pai. Os sete lordes de Telmar. – comentou Caspian — Eles fugiram para as Ilhas Solitárias. Ninguém soube mais deles desde então.
— Acha que algo possa ter acontecido com eles? – Lucia perguntou
— Eu não sei, é o que gostaria de descobrir. Tanto que, no dia da minha coroação, com a aprovação de Aslam, jurei que se um dia estabelecesse a paz em Nárnia navegaria durante um ano para encontrar os amigos de meu pai, ou ter a certeza da morte deles e vingá-los caso pudesse. Seus nomes eram lorde Revilian, lorde Bern, lorde Argos, lorde Mavramorn, lorde Octasiano, lorde Restimar e lorde Rupe.
— E o que há além das Ilhas Solitárias? — perguntou Lucia.
— Ninguém sabe, real senhora. A não ser que os próprios habitantes das ilhas saibam nos informar. – disse o capitão – Tudo o que sabemos é que são águas não exploradas. Onde o inimaginável habita. Contos de serpentes marinhas e coisas piores, por exemplo.
— Serpentes marinhas? – Edmundo, descrente, perguntou.
— Certo, capitão. Chega das suas histórias. – disse o atual Rei, divertido com o tema, mordendo uma maçã.
— Acho que vou dar uma olhada em Eustáquio. Como sabem, o enjoo é uma coisa terrível. Agora que estou com o meu elixir, posso curá-lo. É podemos curar o seu enjoo também, Sam. – disse a menina com um sorriso no rosto.
— Graças a Aslan. – suspirei de alivio. Poderia finalmente parar de sentir aquele embrulhar de estomago.
Saímos então do camarote, e voltamos para a luz do sol do lado de fora.
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