Like a Bad Dream
10 No Hospital
Notas iniciais
Quando acordou,três dias depois,Anne viu-se enfaixada da cabeça aos pés,sentia muita dor em todo o corpo.Respirava com muita dificuldade.Seus olhos rolavam procurando um ponto fixo no teto.Seus pensamentos também procuravam um ponto fixo.Não se lembrava de praticamente nada que veio a ocorrer depois do caminhão.Sabia que estava deitada porque sua cabeça doía.Ouviu a porta abrir-se e um gritinho de alegria.
-Tia Ann está bem!Tia Ann acordou,ela não vai dormir por cem anos que nem a Bela Adormecida-apesar de ser muito mais bonita que a princesa do meu filme.
Logo depois uma enfermeira entrou no quarto,olhou o leito e percebeu que a menininha não estava brincando.Apertou um botãozinho perto do leito e numa espécie de comunicador comunicou ao Dr.Smench que a paciente acordara,enfim,de seu coma.
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-Julia?
-Oh Ann!Não me dê mais sustos como este.Da próxima posso não aguentar e meu filho nasce.
-Sua boba,pára de chorar.
-Co-como você está-tá?
-Com um pouco de dor,mas bem.
-Fala a verdade.
-*sorriso sincero*Com muita dor.Como estou?
-Horrível.Parece uma múmia-rsrsrs.
Anne riu.
-Disso eu sei.Eu digo meu quadro.
-Ah.A coluna...danificada.Qua-quatro costelas quebradas,uma delas perfurou seu pulmão esquerdo,as duas pernas estilhaçadas como cristal que cai no chão,houve algumas fraturas expostas e hematomas e cortes pelo resto do corpo.
-Só isso?rsrsrs_Ai.É pouco em relação ao que parece.Como terminou a história toda?
-Pelo menos para isso teve um final feliz.Depois de te socorrer a polícia foi atrás do Gustav.Prenderam-no e a quadrilha dele.
-E...
-E a Ella?Bem...
Julia afastou-se um pouco para permitir que Ella entrasse no quarto.
-Vou deixar vocês conversarem.
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-Sua idiota!Por que fez isso?
-Nossa...
-Sem sarcasmo.Você não sabe como me senti ao pensar que tinha te perdido para sempre.Por que não me contou antes?Teríamos dado um jeito,não foi sempre assim?
-Essa é a minha Ella.Sempre_ahh_sempr
-Dificuldade de respirar?
Anne assentiu.
-Eu te amo demais e te perder seria quase como...morrer.Pior que isso:seria ter de viver sem a minha fonte de felicidade.
Ficaram caladas por um momento,só a olharem-se profundamente.
-Lembra-se do nosso primeiro beijo?
-Claro,foi a melhor coisa que acontecem entre nós.Você tremia tanto.A boca estava tão vermelha quando entrou na sala,achei até que tinha passado batom.
-rsrsrs.Seu hálito era doce e gélido.Quando seus lábios enconstaram nos meus,congelaram o tempo.O meu tempo.
-Eu te amo.Muito.
-Pensar que ia te perder,quando Gustav me ligou dizendo que você estava em risco,eu entrei em pânico.
-Posso te fazer uma pergunta?Sempre quis fazê-la,mas ou desistia ou você escapava.
-Faz!Escapar eu não posso,não amarrada aqui!
-rs.Quando estava presa naquela cadeira,em um ambiente deprimente.Tive uma discussão com Gustav.E disse a ele tudo o que me vinha à mente.Tudo o que achava certo dizer.Uma dessas coisas foi dizer que você nunca o amou.Até então tinha certeza,mas depois veio a dúvida.Você,ainda que por um único instante,o amou?
-Amei,dentro da minha cabeça eu o amava,mas no fundo no fundo sabia que não era paixão.Ele não passava de um amigo para mim,talvez até só colega.Essa paixão,esse \"amor sofredor\" de novela,em que a personagem chora o tempo todo e até se sacrifica eu só senti uma vez.Foi por uma colega de classe,aos quinze anos.Ela até hoje é um mistério para mim.Foi por você.Mas não a você de hoje,e sim a rebelde de cabelos curtinhos e durona.Hoje eu te amo de um modo melhor,muito mais estável e com a certeza de correspondência.
-Essa foi a mais linda declaração de amor que já me fez.
-Não foi uma declaração,foi uma resposta.
-Se eu pudesse te agarrava agora mesmo.
-Já ouvi essa frase antes.
-Eu sei,no mínimo zilhões de vezes,mas,juro,todas elas sinceras.
-Apesar disso,só me lembro da data certa da primeira.
-Quando?
-9 de dezembro,há dez anos atrás,na frente da escola,pouco depois de ter me deixado sem fala,por ter dito que me amava(com todas as letras)pela primeira vez.
-Você sempre guarda qualquer data.Isso só é ruim se não liga para desejar Feliz Aniversário a alguém.
-Nem sempre,tem uma que ainda não me lembro qual é.
-Qual?A do dia em que percebi que realmente te amava.
-4 de junho.
-hein?
-A data,já conversamos muitas vezes sobre isso e cheguei à conclusão de que te pedi para fazer a prova do livro Lucíola no dia 4 de junho.
Anne deu seu melhor sorriso,ou seja:o que pôde.
-Enfim essa história terminou bem,não acha?Agora vamos poder viver em paz,como antes.Sabe,eu tinha muito medo na época.Não sabia que podia despertar algo tão...grandioso em você,quer dizer:a gente era tão nova...
-Uma vez,em outro contexto qualquar a minha mãe me disse que é na adolescência que a gente faz escolhas para a vida toda.Incluindo essa.
-Ela estava certa.
-É.E a sua mãe?
-Você não devia ter contado à ela,mas mesmo assim obrigada.Parece que necessitamos de uma tragédia para reatar as relações.
-rsrsrsÉ.
-Ela está preocupada com você,quer te agradecer por tudo que fez por mim.
-Eu te amo.Ela não tem que me agradecer,não fiz nenhuma caridade.
-Também te amo.
Ficaram conversando até noitinha,quando o médico entrou para dizer que o horário de visitas havia terminado.Falaram sobre planos futuros e emoções passadas.Sobre amor e chances que a vida dá.
Naquela noite ambas dormiram tranquilamente.Necessitavam disso.Anne principalmente.Ela necessitava de paz.E teve.
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