Like We Used To.

1 Capítulo 1 - I was always there for you...


Notas iniciais
Comecei a escrever essa fic uns belos 2 meses atrás. E finalmente arranjei coragem para postá-la aqui! Espero que vocês leiam, se divirtam, chorem, fiquei bravos, tenham mil e um sentimentos!

:*

Nunca sabemos quando o ‘pra sempre’ se estende. Pode ser daqui a alguns minutos, horas, meses, anos..
Quando dizemos “Eu te amarei pra sempre” será que somos precipitados de prometer algo que não podemos cumprir? Afinal, ‘pra sempre’ é uma promessa.

E é o que nós somos: Precipitados e limitados. Sempre prometemos amor eterno, dizemos o pra sempre em voz alta, mas sem saber o que é tempo.

Tudo que começa, termina. Tudo que nasce, morre.


O amor não chega com data marcada ou hora prevista, mas ele vai antes de tudo terminar, como se fosse marcado. E é irônico pensar que ele pode vir e ir à hora que quiser.
É algo que chega sem intenção e às vezes, torna-nos dependentes. Mas ele vai mesmo quando ainda precisamos dele. É muitas vezes um incômodo. Quando queremos, precisamos, chamamos.. Ele não vem. Mas quando estamos bem, sem precisar ele sempre aparece.. Tão inoportuno.

Kou? – Sua voz soou doce, doce demais para palavras tão duras. – Me desculpe por estar fazendo desse jeito.. É só que eu não encontrei outro modo de—

— Não encontrou outro modo, Yuu? – Ri. Talvez a dor fosse tanta que eu não sentia vontade de chorar, e sim de rir. Às vezes é bom se enganar com o riso. – É, realmente, esse deve ter sido o único modo menos baixo de se terminar, porque o mais baixo seria uma mensagem. – Sorri, me ferindo com minhas próprias palavras. Terminar era algo que simplesmente não existia. Até aquele telefonema do moreno se dizendo incapaz de continuar com aquilo.

— Eu estou saindo do Japão amanhã, Kou... – Ele suspirou contra o bucal do telefone, fazendo meu coração se machucar mais um pouco. E essa dor era insuportável. Cada palavra proferida, meu coração doía. Pouco a pouco. Se machucando lentamente. Como eu odiava me machucar, ainda mais nesse ritmo, lentamente, sem previsão pra acabar e SE acabar. Porque a dor nunca vem à conta gotas.

— Ah. – Inevitável não ficar surpreso. A pessoa com quem dividi uns bons tempos estava indo embora amanhã, a pessoa quem disse – “eu te amarei até quando estiver em um caixão’ –, a pessoa que era sempre a primeira que eu contava minhas novidades, medos, dores, fracassos... A pessoa em quem eu confiei, simplesmente achou que não era necessário falar para mim que estava de saída. E isso era... Decepcionante, em busca de outra palavra para definir melhor. Se é que existe outra palavra que melhor se encaixe.

— Kou... – Seguiu-se outro suspiro. Ele poderia suspirar uma, duas, três.. Mil vezes se quisesse, mas suas palavras, seus suspiros, seus sorrisos, nossas lembranças... Eu preferia que não chegassem mais até mim.

— Esqueça. Vá, seja para onde for ou o que for fazer. – E o que eu poderia dizer? Implorar para ele ficar? Perguntar o porquê dele não ter me dito? Não vejo mais propósito nisso. Quando o amor acaba, é melhor deixá-lo ir. Porque eu sei que é mais doloroso tentar mantê-lo ao seu lado do que vê-lo partir. Mas eu rezo, para que eu esqueça sua partida, suas lembranças e que o tempo cure essa dor que parece ser incurável.

— Kou, olha... – Sorri novamente, colocando o telefone, tirando a linha da base, não queria mais que ele me procurasse. Não queria mais suas explicações. O que eu queria ouvir era nada. O que está feito, está feito.

Às vezes tudo está errado demais, cansativo demais, irritante demais, confuso demais e longo demais. Tudo excessivamente demais..

E não importava quanto tempo tivesse passado desde àquelas lembranças. O que importava é que ela ainda era nítida, tão nítida que parecia real, assim como a dor. Que era tão presente naquela época tanto como agora. Não como aquela dor de dois anos, afinal.. Acostumamo-nos com a dor até ela se fazer parte de nós.
Mesmo que houvessem se passado dois anos, nada parecia ter mudado. Quando dissemos dois, achamos pouco, mas quando pensamos em setecentos e trinta dias, nos assustamos. Muitas coisas acontecem em dois anos. Boas, ruins, normais e nada. E o que eu vivi dois anos foi exatamente isso: Nada.
Talvez quando as pessoas recebem notícias chocantes daquelas que fazem seu chão sumir, mesmo que seja por um segundo ou por anos, você simplesmente tende a caminhar sem rumo, sem chorar, sem rir (e quando o faz, não é como se estivesse realmente expressando seus sentimentos. Porque esses choros e risos são passageiros). Mas continua a caminhar, sem propósito, sem esperança. Uma casca vazia seria a melhor comparação. Sem ter o prazer de viver.

Fechei meus olhos, tapei meus ouvidos e me emudeci por dois anos, quando finalmente decidi me tornar uma pessoa (não um vegetal), percebi que o tempo realmente tinha passado, e que ele não havia me esperado. Uma vez achei um texto que dizia:

“É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejo de razão. O importante é aproveitar o momento e aprender sua duração, pois a vida está nos olhos de quem souber ver.”

Às vezes me surpreendo por ter chego numa situação digna de pena. Enquanto o tempo passa, acabamos aprendendo algo, nem que seja uma única coisa que achamos ser inútil (até o dia em que precisarmos dela). Quando penso em dois anos, eu joguei fora quase oitocentos dias, quando o tempo passa, nós envelhecemos. Com a velhice vem a sabedoria (nem sempre nessa ordem) e quando nos tornamos mais ‘maduros’ pensamos realmente que a vida é curta. E o medo dela acabar e não termos feito coisas grandiosas ou que nos orgulhamos, nos... Assustam.

O mais doloroso nisso tudo é saber que infelizmente sua vida estava pendente de um ser humano. Aquele que comete erros, te desaponta, te faz sofrer, que tem sentimentos. Mas inevitavelmente, ele te fez sorrir, te deu esperança, te amou e deixou ser amado.

Isso soa pior que ironia.
E não importe quantas vezes aconteça, você nunca vai aprender definitivamente. E sabe por quê?
Porque viver é amar, se machucar e viver novamente.

Tristeza se instala e permanece, enquanto a felicidade é passageira. Vem, brinca se cansa e vai embora.
Aprendi tantas coisas e desaprendi tantas outras.. Em momentos como esse, acho que aprendi de tudo, fiz errado de monte e não cresci em nada.
A solidão me abraça, me acalenta e algo que devia estar.. Não está.

Tudo está tão incerto, tão... Longe.
Imagino que muitos cansam e desistem, só os fortes continuam. Talvez eu me declare um fraco, porque estou cansado de tentar persistir. De vez em quando é bom aceitar a derrota de uma batalha já decidida.

Notas finais
Então, me digam o que acharam! Emoções podem tentar serem escritas através de um review.
Espero que tenham realmente gostado desse primeiro capítulo, de verdade!

Beijos, e até a próxima!