Like We Used To.
3 Capítulo 3 - I grow up. At least, I tried.
Notas iniciais
Eu posso ter perdido dois anos, mas eu passei dois anos esperando-o. Mesmo que intimamente.
Esperando um telefonema; um cartão postal; se quer lembranças mandadas pelo Ruki, que constantemente ligava para o moreno, já que o loiro também estava com ele.
Não culpava o baixinho, afinal eu o entendo melhor do que ninguém, mas eu optei por não esperá-lo, mesmo quando optar não se torna uma ação, infelizmente.
Aquele papo de trabalhar era furado, eu estava voltando pra casa, porque eu não trabalhava, mas eu estava em busca de algum bico de meio período.
E vi como uma boa oportunidade procurar algum emprego. Já que não faria nada, ocuparia minha cabeça, e faria algo produtivo.
O dia estava acabando, e eu não conseguia nenhuma contratação. Em nenhum bar, lanchonete, o que quer que fosse. E isso piorava meu ânimo, fazia-me sentir... Insuficiente.
Eu estava cansado de ser a vítima. De ser o primeiro que chora e o último que esquece; de ser o primeiro que da o braço a torcer e o último que joga tudo para o alto; o primeiro que se condena e o último a ver que estava certo.
Senti que o ‘eu’ de antigamente devia existir, em algum lugar em meu coração. Senti que se eu o procurasse, eu o acharia.
Mas como achá-lo? Como achar quando ele transformou-se? Transformou-se com a chegada dele. Como dizer que posso voltar a ser eu mesmo, quando o que eu costumava ser foi danificado por ele?
E tudo que parecia saber fez-me achar que eu não sabia de nada.
Porque tudo que eu sabia era de amor. Que amor existia; que amor vencia; que amor não se esquecia; que amor... Acabava e doía.
Mesmo sabendo que tudo acabou, que tudo se tornou passado... O marco daquela história era tão presente que chegava a ser ridículo. Memórias de dois anos.
O pior era saber que eu fui o único a não esquecê-lo; o único a desejá-lo intimamente; o único a esperá-lo. Enquanto jurava a mim mesmo, que eu o superei; que eu o odiava; que eu não sentia falta... Foi quando o vi. Que todos esses argumentos se viraram contra mim. Eu preguei uma peça em mim mesmo, porque era mais cômodo mentir, achando que um dia.. Eu passaria realmente a sentir isso.
Ao sentir o celular vibrando no bolso da calça, puxei-o e atendi.
— Kou, onde você tá?
— Hmm, voltando pra casa, por quê?
— Eu acho que consegui um ótimo trabalho pra gente! É uma lanchonete!
Sorri. Ele era o único que vinha cuidando de mim (quando nem eu mesmo o fiz por mim), quando sempre ouviu que eu dizia estar bem (mesmo querendo acreditar em falsas palavras); ele era o único que mesmo recebendo patadas estava ao meu lado.
E eu queria tanto que esse nome não fosse Matsumoto Takanori, mas sim Shiroyama Yuu.
Mesmo após dois anos, em vez de soar como ridículo sempre soou como esperança. Digno de pena.
Devia ter desconfiado. Devia ter investigado.
Era muito repentino o baixinho conseguir um emprego, sendo que estávamos buscando há uns bons meses.
Quando cheguei ao local indicado, o que deveria ser uma cafeteria, confeitaria, ou o que quer que fosse. Vi três pessoas conhecidas. E quatro expressões.
Alegria; Travessura; Envergonhada e Constrangimento.
Matsumoto Takanori; Suzuki Akira; Uke Yutaka e ninguém mais que Shiroyama Yuu.
Por que eu deveria ainda me surpreender? Minha dor era o divertimento de todos ali. Mas para um, ao menos, eu devia mostrar o quanto eu amadureci (o que eu achava que sim, ou ao menos tentei) em dois anos.
— Você veio rápido, Kou! – Ruki sorriu, mas notei que em seu olhar havia culpa. E era bom sentir-se assim mesmo.
— Estava perto, por isso cheguei rápido. – Tentei ser educado, mas meu sorriso demonstrou falsidade.
— Kou! Desculpe, não o cumprimentei hoje de manhã! Como você tem passado? Senti saudades. – Ao ouvir o dono da voz, sabia que era Akira. O que sentir por Akira depois de dois anos? Talvez meu sentimento por ele nunca houvesse mudado, ele sempre foi um ótimo amigo, mas nos afastamos um pouco com sua ida para Tokyo. Porque eu não desejaria ligar para ele e ouvir a voz do moreno atendendo ao telefone. Eu não suportaria.
— Reita! – Sorri e fui abraçá-lo. Eu senti os olhos do moreno observando cada movimento que eu fazia. Mas eu demonstrava (a realidade era que eu fingia) não me importar e nem perceber aquilo.
Poderia soar infantil demais para uma pessoa de uma idade com a minha. Mas era simplesmente impossível não ter como não o fazer. Talvez aquilo fosse como uma honra manchada. ’ E quando você tiver a oportunidade mais uma vez, não a desaponte. ’ Algo assim.
E a pior babaquice, era que eu nem tentava provar a mim mesmo, e sim a ele. Sempre em função dele. Para ele, por ele e em função dele.
Sua volta mostrou como tudo era insanamente nítido. Sorriso, atitudes, jeitos, manias.. Era ridiculamente... Lembrado por mim.
O que me abalava, era que mesmo não sabendo, eu sempre fazia algo relacionado a Shiroyama Yuu.
Fossem sorrisos falsos, demonstrações de amadurecimento ou superioridade. Desde sua chegada, tentei mostrar a ele (e só a ele) que eu não havia ficado para trás após sua partida (o que era uma mentira). O fato, era que minha vida, ainda girava em torno desse ser, que havia me abandonado por um emprego em Tokyo.
Notas finais
Espero também que vocês mandem reviews, sejam críticas ou elogios!
Beijos
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