Like We Used To.
2 Capítulo 2 - ... but you were never there for me.
Notas iniciais
Decepcionada comigo mesma. ;;
Eles perguntam: “Você está legal, Kou?”
E a coisa que eu mais lhe digo, que virou automático, é: “Lógico que sim, e você?” Mesmo quando não estou.
Não se trata de confiança, de ser a vítima ou qualquer coisa do tipo.. É só poupar saliva, poupar meu cansaço mental e principalmente minhas emoções.
Eu levei dois malditos anos pra me recuperar, e nesses dois anos os celulares não são mais somente celulares, eles são quase.. Computadores; surgiu algum cidadão com um novo programa de software que virou milionário; o custo de vida aumentou; E quanto a mim, eu não progredi nem regredi. Isso é no mínimo desestimulante para qualquer ser humano, inclusive a mim.
Talvez esse seja o preço por amar. Amar incondicionalmente, inexplicavelmente... Não saber quando seus pés saíram do chão e quando sua cabeça toca acima do limite do céu. Porque é assim, quando se ama tanto, você não consegue nem guardar isso dentro de você, você se torna.. Ilimitado. Seus pés saem do chão, e você não tem altura para parar de voar. E quando acontece a queda, a aterrissagem parece interminável e indiscutivelmente dolorosa. O pior é que após certo tempo, parece ser inevitável se apaixonar.
O amor chegava a ser tanto que era daqueles que te faziam mal. Aquele amor exagerado, possessivo. Aquele que você não cogitaria nem a ideia de perdê-lo, quanto mais imaginá-lo partir. E pensar nele com outro? Céus, seu coração se apertava tanto, que parecia ser esmagado por mãos.
— Uru.. Acorda! – O loiro menor me cutucou, me voltei para ele com cara de poucos amigos.
— Ruki, eu não gosto que me cutuquem, quantas vezes tenho que dizer isso? Que saco... – Eram palavras duras. Em dois anos, só saía isso. Dureza. O menos fez uma face de dar dó, mas logo a ocupou com rudeza.
— Você é um idiota, Takashima Kouyou. Descubra por si só. – Ele se levantou irritado, indo para o assento da frente, voltando a prestar atenção no professor que falava com a sala.
Eu devia pedir desculpas para o baixinho. Ele aturou sem reclamar essa ignorância aguda por dois longos anos. Nunca virou as costas quando precisei e foi o que me abraçou enquanto eu chorava.
Na última aula, eu falaria com ele, pediria desculpas e aproveitaria para agradecê-lo. Era o mínimo que eu podia fazer, após tantos anos me agüentando (como só ele conseguiu fazer).
Quando o sinal bateu, eu já havia guardado o que tinha, e desci as escadas até onde o loirinho estava.
— Ruu.. – Toquei seu braço – Me desculpe por ser rude por tanto tempo, eu sei que não devia ser assim, mas é difícil, mesmo após dois anos. – Eu não queria fazer o papel de vítima, mas como explicar sem fazê-lo? E isso soava deplorável para minha consciência.
— Tudo bem, eu só achei que você melhoraria com os anos, mas ‘tô vendo que não está sendo tão fácil como pensei...
— Obrigado, de verdade...
— Tudo bem, deixemos o melodrama pra lá! Eu preciso te contar algo sobre o Aoi, Kou.. Algo que não acho que será tão agradável para você. – Enquanto saíamos dos prédios da faculdade e íamos para a saída, eu sabia que o que ele precisava contar (o que na verdade, não precisou) já estava bem diante dos meus olhos.
— Acho que você não precisa mais falar, Ruki...
— Não, é sério, Kou.. Você não pode tapar seus ouvidos a hora que quiser só porque ouviu falar no nome do Aoi, já se passaram dois anos e...
— Se você olhasse pra frente enquanto anda, realmente entenderia o que eu quero dizer. – Suspirei pesado. Enquanto íamos chegando ao portão foi quando Ruki percebeu do que eu me referia, ele arregalou os olhos.
— Não acredito, Uruha... Sinto muito. – Se tivesse tempo, eu correria de volta para a sala (da qual não deveria ter saído mais cedo). Se tivesse tempo, falaria que eu também não acreditava e que sentia muito por mim também.
Ao pararmos diante dele, o sorriso do moreno era como sempre foi. O sorriso que eu disse a mim mesmo, mil vezes, que já não me recordava tanto, o que naquela hora me deu a certeza que era mentira.
Era o mesmo, de dois anos para cá. Mas já não me satisfazia tanto como há dois anos. Na realidade, só me causada náuseas.
— Aoi, o que você tá fazendo aqui? – Ruki se pronunciou assim que chegou perto o bastante do moreno. Porque eu não me sentia bem o suficiente para dizer sequer um ‘Seu filho da puta, maldito!’.
— Eu pensei em chamar vocês para sair... Eu voltei hoje de manhã, e pensei em almoçarmos junto! Reita já está no carro, Ruki. – Ele sorriu amarelo, como se evitasse encarar em meus olhos, lançava olhares de relance, enquanto eu matinha meu olhar para qualquer lugar, menos para ele. Porque vê-lo já não era mais prazeroso.
— Vamos almoçar então! – Nunca fora novidade que Reita sempre fora a paixão do baixinho, mas eles perderam contato quando o mais velho foi junto com Aoi, trabalhar em Tokyo. Eu sempre suspeitei que Ruki prometeu a si mesmo esperar pelo retorno do loiro.
— Eu dispenso. Tenho que ir trabalhar! – Sorri forçadamente para o menor, me machucando com esse próprio gesto. – Vejo você amanhã, Ruu! – E se ele me chamasse, eu viraria somente para virar um soco em seu rosto.
Porque era isso que ele merecia. Mas a voz que esperei ser direcionada a mim... Não veio.
Saber que a pessoa que você amou sem chão, sem limite, esqueceu-o primeiro... Dói. Se ele realmente se dissesse arrependido, implorasse por perdão, eu o perdoaria. Se ele ao menos tentasse dirigir a palavra a mim hoje, mesmo com medo de ignorá-lo, eu o perdoaria. Se ele ao menos tentasse recuperar o meu amor, eu o perdoaria. Mas ele nunca tentou.
Como dois anos atrás e agora.
Nunca.
Notas finais
Espero também, algum elogio/crítica por review!
Beijos, até a próxima
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