Notas iniciais
Olá mermaids, foi rapidinho não foi? Dez dias não são tanto tempo assim. Desculpa por qualquer erro, mas eu não tive muito tempo para dar uma lida mais profunda no capítulo, e editar pelo celular é muito ruim, enfim... BOM CAPÍTULO!

Afastei-me dele e abri um pequeno sorriso. Ele fez o mesmo, mas algo em seus olhos não sorriu também, eu me perguntei por quê. Seus olhos eram sempre tão brilhantes e felizes, naquele momento não estavam daquela maneira, e isso fez com que algo em mim também não sorrisse.

Vi que ele aproximou o rosto do meu, eu virei rapidamente, fazendo-o beijar o canto dos meus lábios. Ele suspirou e eu também, era a segunda vez que eu o rejeitava naquela noite, e eu sabia que ele ficaria incomodado com aquilo, mas era por um bem maior.

—Por que não? -Fechei os olhos por alguns segundos. -É por causa do seu ex?

—Não. -Sussurrei. Até porque o meu ex não existia.

—Então, me dá um bom motivo.

—É complicado, Jonathan. -Me amaldiçoei por dizer o nome dele. -Eu não posso.

—Não pode? -Afastei-me dele e suspirei.

—Me desculpe, mas eu não posso. Por favor, não insista. -Girei os calcanhares e corri até o quarto da Izzy.

Faziam alguns minutos que nós estávamos na mesma situação, eu encarando a Izzy que se desmanchava em chorar e ela resmungava a todo momento que ele era um idiota. Eu a tinha feito tomar um banho, e eu mesma o havia feito a mesma coisa, até porque ambas tínhamos cheiro de fumaça e suor no corpo. O problema era, que não importava o que eu fizesse ela ainda chorava sem parar.

—Izzy… -Ela fungou. -Por que não me diz o que está acontecendo? Me diz o motivo de chorar tanto. -Sentei-me ao seu lado e a mesma deitou em meu colo. -Foi por causa do Meliorn?

—Não! Eu não gosto do Meliorn! -Franzi o cenho. -Oh, Clary! Eu gosto tanto dele. -Eu estava ficando perdida, ela não tinha acabado de falar que não gostava dele? -Por que ele tem que gostar dela? Por que tem que ser tão complicado? “Você é uma Lightwood! Tem que portar como tal.”. -Resmungou essa última parte. -O Hodge é tão… Eu o odeio às vezes. -Fungou.

—Do que está falando, Isabelle?

—Do Simon! -Sentou-se e me olhou. Isabelle tinha os olhos um tanto quanto inchados devido ao choro recente e os mesmos começavam a ficar avermelhados. Nós havíamos criado uma boa relação desde que nos conhecemos, e felizmente nessa relação havia um confiança mútua, entretanto, ela demonstrava um tanto de receio quando ao que ia me dizer. -Eu não gosto do Meliorn, -Começou com a voz em um tom baixo. -eu gosto do Simon, eu quero o Simon! Mas… É tão difícil. -Voltou a se deitar em meu colo. -Eu só queria poder ficar com ele, andar de mãos dadas, beijá-lo em público, é muito?

—Não é, não, Izzy. -Acariciei seus cabelos. -Então foi isso. -Concluí. — Você o viu com a…

—Não pronuncie esse nome! -Ela me cortou. -Era para ser eu, não ela. -A Isabelle parecia bem irritada. Aquele provavelmente era o motivo dela não gostar muito da Maureen. -Não é para ela que ele faz palhaçadas e piadas nerds, não é ela quem tem o apelido de Heartbreaker, não é para ela que ele deseja bom dia todas as manhãs, ou envia mensagem antes de dormir. Não é para ela! É para mim. -Fungou novamente. -Mas é com ela que ele dorme, é com ela que ele está. É para ela que ele diz “eu te amo”. -Eu sabia como a Isabelle se sentia. A dor dela era parecida com a minha, ambas amávamos alguém que não podíamos ter.

—Por que não fica com ele, então, Izzy?

—Você não entende, Clarissa. -Ela voltou a sentar-se enquanto passava as mãos nos cabelos com uma expressão cansada no rosto. -Não é apenas o Hodge, a mãe do Simon também é extremamente rígida, ela quer que o filho seja um grande economista, e acha que comigo ao lado dele, ele não sai nem de casa. -Ela bufou. -O Hodge quer alguém com nome, desde que nós nascemos é assim, podemos fazer o que bem entendermos, mas ele sempre tem que aprovar nossos interesses amorosos.

—Por quê?

—Eu não sei. -Ela deu de ombros. -O Hodge é estranho.

Abri os olhos lentamente, cocei os olhos e me sentei, avistei o relógio sobre a cabeceira e vi que eram 11h26min. Passei a mão pelos cabelos enquanto colocava os pés para fora da cama. Caminhei até o banheiro e lavei o rosto, agradeci mentalmente por ter pedido à Izzy um escova de dente extra na noite anterior. Olhei para a morena esparramada na cama e sorri. Foi difícil fazê-la dormir, mas por fim ela aceitou que já estava tarde e que nós precisávamos de um descanso.

Abri a porta e vi o corredor vazio, caminhei em silêncio até a cozinha, que graças à Deus estava vazia. Bebi água e aproveite a sensação do líquido descendo pela minha garganta, consegui esvaziar uma garrafa inteira e ainda me sentia com sede, enchi aquela garrafa e peguei outra, fiz o mesmo com mais duas garrafas. Ainda estava com sede, mas nada comparado com o que sentia antes. Uma das incríveis vantagens de ser uma sereia em terra firme: a sede.

—Nossa. Você estava realmente com sede. -Arregalei os olhos e olhei para o homem que se encontrava no batente da porta.

—Ah… Eu, é! -Abri um sorriso sem graça. Ele sorriu e aproximou-se de mim. Já era quase hora do almoço, mas considerando a hora que chegamos na noite anterior, principalmente, a hora em que fomos dormir, era de se imaginar que todos acordariam tarde.

—Clary, não é? -Assenti.

—Hodge, certo? -Havia encontrado com ele algumas vezes nos corredores da escola, ele era um cara alto com cabelos claros e olhos igualmente claros, devia estar na casa dos quarenta, e tinha um porte atlético, e aparentemente era um cara legal.

—Certo. -Ele me olhou por alguns segundos. -Pode pegar aquela frigideira para mim, por favor? -Olhei para o objeto atrás de mim, estiquei a mão para pegá-lo e me arrependi, assim que o toquei senti minha mão queimar.

—Aaaaaah! -Olhei para a minha palma vermelha. -Mas…

—O que quer com a Isabelle? -Perguntou enquanto abria a geladeira e tirava um vasilha de lá, eu sequer dei importância para aquilo; como diabos ele sabia?—O que foi? Achou que eu não iria perceber que jovem Clarissa Fray é uma Sereia? -Engoli em seco.

— Como…

—Poupe-me dos seus questionamentos. -Ele pegou a frigideira e a colocou no fogão. -Fique longe deles.

—Ou o que?

—Tem mais de onde veio esse. -O fuzilei com os olhos.

—Por que me quer longe da Izzy e do Alec?

—Isso não é da sua conta. -Aproximei-me dele.

—Passou a ser no momento que você me ameaçou. -Coloquei a mão na frigideira, dessa vez não senti nada, nem mesmo o calor. -Você vai precisar de muito mais do que ferro puro para me ameaçar da próxima vez.

—Onde você estava? -Minha mãe perguntou antes mesmo que eu cruzasse a porta de casa; e para piorar a situação dona Jocelyn tinha um expressão de poucos amigo no rosto.

—Com a Izzy. -Respondi enquanto fechava a porta.

—Maryse chega em 20 minutos. -Arregalei os olhos. -Por favor, vá se trocar.

Tomei um banho rápido e vesti a roupa que minha mãe havia deixado sobre a cama, era um vestido vermelho de mangas, e uma rasteirinha, o significava que nós iríamos nadar. Escovei os meus cabelos e os deixei soltos mesmo, não tive tempo de fazer nada além disso.

Sentei-me na sala e esperei, durante poucos minutos que faltavam, a Maryse chegar. Assim que a campainha tocou eu me levantei e a esperei. A Maryse era uma mulher alta, tinha longos cabelos negros, porte atlético e ar imponente, ela sempre me deu medo. Naquele dia ela usava um vestido vermelho com renda preta, que lhe caía muito bem, o salto fino ajudava a completar a elegância de seu look.

Sempre escutei coisas sobre ela, e é claro que já tive outros encontros com ela, mas seria sempre como a primeira vez, e eu nunca sabia o que poderia acontecer. A Maryse era como o mar, havia dias que estava calma, tranquila, e fria, em outros estava agitado, e na maioria das vezes parecia uma ressaca.

—Clarissa. -Saudou, sem sequer abrir um sorriso.

—Maryse. -Abri o meu melhor sorriso.

—Maryse, como foi a viagem? -Minha mãe perguntou enquanto passava por ela.

—Longa, mas tranquila. -A Maryse sempre foi uma mulher de poucas palavras, e sempre muito direta. -O que me traz aqui? -Como eu disse, direta.

—Os pesadelos da Clary. -Ela me olhou, e eu tive certeza que as minhas pernas tremeram diante daqueles olhos escuros. -Acho que não são apenas pesadelos.

—E o que seriam? -Ela continuou a me observar. -Vamos para a praia.

Como eu já havia dito, as sereias tinham alguns dons, algumas mais de um, mas a maioria só precisava de um, o que era o caso da Maryse. Ela conseguia ler as pessoas e descobrir seus segredos mais sombrios, conseguia entrar na cabeça dela e ver a verdade através das mentiras e artimanhas da mente. E se você pensa que era simples, é porque nunca invadiram sua cabeça.

Provavelmente, já tinha mais de uma hora que eu estava deitada naquela rocha e a Maryse tentava entrar na minha cabeça. Ela até conseguia, mas quando chegava até os meus sonhos minha cabeça parecia querer explodir.

—Clarissa, facilite! -Suspirei.

—Deixe-me tentar, Maryse. -Minha mãe se aproximou. -Clary, olha para mim. -Fiz o que ela pediu, seus olhos verdes pareciam se mover, até eu conseguir ver o movimento das ondas, que batiam em minha calda refletir em suas íris. -Qual o seu nome? -Sua voz era como música para os meus ouvidos, guiavam os meus pensamentos e as minhas vontades de acordo com o ritmo que ela quisesse.

—Clarissa Adele Fairchild Morgenstern. -Respondi automaticamente.

—Qual a sua idade?

—732 anos.

—Clarissa, me conte os seus sonhos. -Eu sabia do Dom da minha mãe, e sabia muito bem que ninguém conseguia resistir a ele, nem mesmo eu. Sereias já tinham o Dom de hipnotizar as pessoas, mas eram em coisas simples, como por exemplo o que eu havia feito com Isabelle na boate na noite passada, chamávamos aquilo de encanto, só que a minha mãe podia convencer uma pessoa a se matar com um simples olhar. E por o seu poder ser tão forte eu contei tudo a ela, mesmo que já houvesse feito antes. -O que acha?

—Peça detalhes.

—Clarissa, me dê detalhes do seu sonho, algo de diferente, algo que não devia acontecer.

—A praia, eu sentia um cheiro forte -Eu tentava me lembrar de algo que me desse uma resposta, ou pelo menos pudesse me ajudar no que estava acontecendo. -… E no banheiro, o Jonathan tentava me matar, ele não faria isso.

—E por que não?

—Porque ele não é assim.

—Talvez não fosse ele no sonho, e sim alguém que queira te machucar. -A vi balançar a cabeça em negação novamente. -Pense, Clary, o que estava errado?

—Os olhos. Os olhos do Jonathan, eles mudavam… O Jonathan tem o olho esquerdo manchado, no sonho ele mudava com o direito, ou se tornava totalmente dourado. Não era o Jace, eram os Jonathans, como se eles quisessem me alertar de algo, algo muito ruim.

—Só isso?

—Que eu consigo lembrar sim.

—Tudo bem. -Ela desviou os olhos. — Foi como parar bruscamente em uma montanha russa depois de várias quedas e voltas, meu estômago estava igualmente enjoado e a minha cabeça igualmente confusa. Demorei alguns segundos para voltar ao normal; embora pudesse ouví-las conversar não tinha ideia do que estavam falando.

—Vamos voltar. -A Maryse avisou quando percebeu que eu estava melhor, e sem esperar uma resposta ela mergulhou.

Durante o percurso até a praia eu sentia uma energia ruim vinda da Maryse, e tinha medo do que podia significar. Ela nadava afastada de nós, e isso me preocupava. Eu conseguia ver o brilho de sua cauda laranja refletir na luz do luar, e a escuridão do mar mais o preto dos seus cabelos, deixavam a cena ainda mais assustadora, pois sua cauda brilhava, e não só com o reflexo da lua.

Olhei para a minha mãe e ela balançou a cabeça em negação, fiz o mesmo e olhei novamente para a Maryse, ela mantinha expressão fechada, balancei a cabeça e nadei mais rápido, deixando as duas para trás. Sabia que a Maryse iria aprontar alguma coisa.

Emergi e olhei para os lados, haviam algumas pessoas caminhando pela praia, ou jogando vôlei. Nadei até as pedras que havia escondido minha roupa, e que, consequentemente, era a área mais afastada e deserta da praia.

Caminhei até a praia sentindo a água escorrer do meu corpo e voltar para o mar à medida que eu me aproximava da areia. Me vesti e fiquei esperando pelas duas, em alguns poucos minutos as duas apareceram. Esperei até a Maryse terminar de se vestir para me pronunciar.

—E então? Sabe o que está acontecendo comigo? -Ela jogou os longos e pesados cabelos negros para trás.

—Acho que isso não passa de uma paixonite ridícula!

—Maryse! -Minha mãe a repreendeu. -Você sabe que não é isso. É muito mais. -A morena suspirou e ajeitou o vestido.

—O melhor a ser feito é matar o humano. -Arregalei os olhos e olhei para a minha mãe, ela apenas desviou os olhos e baixou a cabeça. -Se ele morrer não vai ter mais problemas.

—Você não pode fazer isso! Não posso perdê-lo novamente, não assim! -Olhei novamente para a minha mãe. -Diz que não está concordando com isso. -Pedi, ela continuou com a mesma expressão. -Mãe. -Chamei.

—É o melhor para você, Clary. -Não acreditava no que estava ouvindo. -Eu sei que irá sofrer querida, mas…

—Mas nada! Vocês não vão encostar um dedo nele! -Olhei para a Maryse. -Eu prefiro morrer a ver algo acontecer com ele. -Ela estreitou os olhos.

—Morreria por aquela coisa? -A Maryse tinha um sério problema com humanos. -Aquela coisa frágil? Uma simples queda e ele morre. Simples assim. -Rosnei. Senti minha mãe tocar meu braço e me afastar dela. Olhei para a pedra e respirei fundo.

—Não vai encostar nele.

—E quem vai me impedir? Você? -Senti uma raiva descomunal tomar conta de mim. -Não pode me deter, Clarissa. -Girei para encará-la tão rápido que nem percebi. Senti algo se estender pelo meu braço e tocar seu busto, bem próximo ao seu pescoço. Era uma lâmina reluzente e transparente como a água, se olhasse bem podia ver o movimento das ondas.

—VOCÊ.NÃO.VAI.ENCOSTAR.NELE. -Falei pausadamente olhando em seus olhos. -Se fizer algo contra ele, pode ter certeza que eu mesma mato você. -Ela tinha os olhos arregalados e a boca entreaberta, afinal, nem eu esperava por aquilo. Aquelas eram as nossas lâminas de batalha, e bom, só apareciam quando estávamos correndo perigo ou sabíamos que entraríamos em uma luta, naquele momento, não havia acontecido nenhuma das duas coisas.

—Mataria alguém da sua própria espécie por um humano?

—Sim. Quantos forem preciso. -Respondi olhando em seus olhos. Eu queria que ela entendesse que eu não ia abaixar a cabeça para ela, e que se ela fizesse algo contra o Jace… Bom, ela teria um grande problema.

—Então, é pior do que eu pensava. -Ela murmurou. Deu um passo para trás e ajeitou o vestido. -Vou descobrir o que está acontecendo com você. -Assenti e me afastei. Senti minhas costas baterem contra a pedra e arfei. -Nunca mais me ameace novamente, Clarissa. -Olhei para a lâmina transparente e reluzente que estava próxima ao meu pescoço. Toda Sereia tinha sua própria lâmina, algumas tinham duas, como era o meu caso, mas mesmo que eu quisesse, não invocaria a outra lâmina. -Não vai querer esse tipo de problema. -Olhei em seus olhos.

—E nem você. -Empurrei a espada para o lado e comecei a me afastar a passos duros. Maryse seria um problema, um problema que eu precisava aprender a lidar. Ou nós duas seríamos as protagonistas da próxima grande rixa entre Sereias.

Notas finais
Desculpa por não responder aos comentários, mas acontece que eu eu estou postando esse capítulo escondida da minha avó. Por quê? Bem, eu torci o tornozelo na rua, e ela falou que a culpa foi do computador ( ¬¬ mereço), aí ela tá me monitorando... Desculpa! De qualquer maneira... Por favorzinho não me abandonem e me perdoem por favor... E continuem me dizendo o que estão achando, estou passando seriamente por um período em que estou com dificuldades para escrever, e até pensando em desistir, e os comentários de vocês me ajudam muito. Kissus Lightwood