Like I'm Gonna Lose You

21 Capítulo 19 - Isabelle's Tail


Notas iniciais
Olá, Mermaids! Tudo bom? Espero que sim. Se eu não me engano, e ainda entendo algo de exatas eu estou no prazo, certo? BOM CAPÍTULO!

P.O.V Clary

— Izzy, eu po… — Maryse colocou a mão sobre a minha em um pedido silencioso para que eu não continuasse a falar.

— Deixa, Clarissa. — Ela disse e se colocou de pé. — Alexander, Isabelle… — Rapidamente os olhos do Alec desviaram para mim. Isabelle havia me dito que tinha contado para o irmão a verdade sobre mim porque, segundo o mais velho, ele havia tido uma conversa com o Jace, e o loiro havia contado a ele sobre mim, mas ele não havia acreditado. Então, ela fez com que ele acreditasse. — Meu nome é Maryse Lightwood, e eu sou mãe de vocês. — Ambos continuaram estáticos, enquanto a Maryse parecia prestes a desmoronar.

— Isso é verdade? — O Alec perguntou para mim, e eu balancei a cabeça em afirmação.

— Você sabia disso?! — Isabelle me olhou, e o seu olhar acabou comigo. — Há quanto tempo? — Eu tentei responder mas ela continuou a falar. — Por quanto tempo mais continuaria a mentir para mim?

— A Clary não tem nava a ver com isso, Isabelle! — Ela desviou o olhar para a Maryse. A semelhança entre elas era absurda. Era a primeira vez que eu as via juntas, e me perguntei como eu não tinha percebido aquilo antes. — Se quer ter raiva de alguém, tenha de mim.

— Pode ter certeza que eu tenho raiva o suficiente de você. — Ela murmurou.

— Por favor, Isabelle…

Isabelle deu, pelo menos, três passos para trás ao notar uma tentativa de aproximação por parte da Maryse, esta que recuou a mão que havia estendido e permitiu que um suspiro escapasse pelos seus lábios. Ao perceber como a irmã estava abalada, Alec a segurou pelos ombros transmitindo, por aquele pequeno gesto, que ele estava ali por ela, e não a deixaria por nada no mundo.

— Por quê?! Por que nos abandonou? — A voz da Izzy estava embargada, e era nítido para qualquer pessoa que ela segurava as lágrimas que brigavam para sair, mas conhecendo a minha amiga como conhecia, ela não choraria na frente da Maryse nem que a vida dela dependesse daquilo.

— Eu e o pai de vocês… — Eu já havia ouvido aquela conversa, e a Maryse tinha a mesma dor na voz que tinha naquele momento quando me contou. — Nós não estávamos em uma boa situação no casamento.

— E ainda assim conseguiu engravidar duas vezes?! — Isabelle perguntou em uma tentativa de de sarcasmo, mas apenas conseguiu soar raivosa.

— Estávamos tentando salvar o casamento, Isabelle! Estávamos planejando a gravidez do Alexander, mas quando fui contar a ele que estava grávida, o mesmo disse que não queria mais aquela gravidez, mas não tinha mais como voltar atrás. E quando descobri que estava grávida de você, entrei em completo desespero, pois tinha certeza que aquela gravidez não era desejada. Por isso recorri à Jocelyn!

— Você sequer tentou ficar conosco? — Era nítido que a Isabelle estava sendo machucada com toda aquela história, mas, infelizmente, ela precisava ouvir.

— EU NÃO TIVE ESCOLHA! — Ela fechou os olhos e respirou fundo. — Robert mataria vocês se essa fosse uma escolha… Deixá-los com outro cardume não era mais uma opção. Eu… — Ela voltou a abrir os olhos e encarou o Alec, que até então estava mudo. — Abandonar o seu irmão foi a coisa mais difícil que eu já fiz, Isabelle!

— Obrigada, pela parte que me toca. — Izzy murmurou magoada.

— Eu não consegui. Um ano depois eu voltei à terra. Procurei por vocês, e quando os encontrei, bom… Seu irmão já estava para completar dois anos e você… Era seu aniversário de um ano, e… Eu me apaixonei por você no momento que os meus olhos repousaram sobre você. Você não passava de uma coisinha de cabelos escuros e sorridente e batendo palmas enquanto todos cantavam “Parabéns”. Todos os anos eu ia visitar vocês na mesma data, acompanhei o crescimento de vocês, sem jamais deixá-los me ver. A única coisa que vocês carregam que é minha, além do meu sobrenome, é o presente que eu dei a vocês no dia que os deixei; e fiz o Hodge me prometer que vocês sempre usariam. — Automaticamente a mão tanto da Isabelle quanto do Alec voaram para os respectivos pescoços. Vi a corrente brilhar entre os seus dedos, e entendi o que aquilo significava. Eu também carregava o meu próprio pedacinho do Mar. Como pingente havia uma concha em cada colar, e eu sabia que aquilo era a única coisa que os impedia de reagir ao Mar. Era um feitiço para impedir que nos transformasse apenas quando quiséssemos, e como eles não sabiam que eram filhos do Mar, não tinha como eles quererem. — Vocês pertencem ao Mar. E eu tirei isso de vocês, e jamais me perdoarei por isso. Como jamais me perdoarei por tê-los deixado.

O silêncio reinou quando a Maryse terminou de falar. Ninguém parecia ter nada a dizer, nem mesmo eu, que até então era uma mera espectadora. O que para mim foram minutos, pareciam ter sido horas para a Maryse, dias para o Alec e 18 anos para a Isabelle. Os três pareciam travar as suas próprias batalhas internas, e o que me parecia, era que eles estavam perdendo.

A mão da Isabelle que segurava o cordão fechou-se com força e os seus olhos escuros focaram na Maryse, e eu vi algo que jamais havia visto antes naqueles olhos: ódio, puro e verdadeiro ódio. Sua expressão estava fechada e ela não parecia estar em um estágio além da mágoa; e com um único puxão ela arrebentou a corrente em seu pescoço e a jogou aos pés da Maryse.

A mulher encarou a joia aos seus pés, e quando os ergueu parecia horrorizada, enquanto a Isabelle estava deixando todo o seu ódio transparecer em suas feições; tanto que o Alec se afastou alguns centímetros dela.

— Você não é minha mãe. — Disse com firmeza. — Você e esse colar estúpido podem ir para fundo do Mar, ou o mais próximo do Inferno que você conheça. — E sem dizer mais uma palavra sequer virou-se e saiu andando para fora da minha casa.

— Isabelle…

— Deixe-a. — O Alec segurou o braço da Maryse, o que foi suficiente para fazê-la ficar parada. — Eu gostaria de não acreditar em uma maldita palavra do que você disse. — Ele murmurou. — Mas sonho com o seu rosto desde que consigo me lembrar. — Automaticamente os olhos da Maryse ficaram marejados, e ela não conseguiu segurar as lágrimas. — Eu sempre tive o mesmo pesadelo. Sou uma criança e estou me afogando no Mar, não consigo chegar à superfície… E então, você aparece e tenta me ajudar, mas… Você não consegue me ajudar… É como se alguma coisa a puxasse para longe de mim. — Maryse ergueu as mãos e limpou as lágrimas que o Alec havia deixado escapar.

— Oh, meu menininho… — Os olhos do Alec encontraram os dela e eu tive certeza do que ela estava fazendo, estava entrando na cabeça dele, provando que tudo o que ela havia dito era verdade, e ele sentiria exatamente tudo o que ela havia sentido naqueles momentos. — Me perdoe. — As mãos do Alec seguraram os braços dela, mas ele não parecia ter intenção alguma de afastá-la.

P.O.V Isabelle

— Hey, Heartbreaker! — Ergui os meus olhos para ele deixando-o ver, pela primeira vez, que todas as minhas barreiras haviam sido desmontadas, deixando que ele visse o quão quebrada eu estava. — Iz… — Em questão de segundos ele estava ajoelhado à minha frente segurando os meus braços de forma carinhosa, como se quisesse se certificar, que, pelo menos, no exterior eu estava bem. — O que…

— Por favor, me abraça. — Pedi em um sussurro e felizmente ele entendeu e o fez no mesmo instante.

Deixei que tudo o que eu estava sentindo saísse em minhas lágrimas, me deixei chorar como nunca havia chorado antes, e não me importei com o fato de encharcar a camisa dele. Agarrei-me ao Simon, como se ele fosse a única coisa real no meio daquilo tudo, como se ele fosse uma boia no meio do oceano de emoções que eu me encontrava.

Em momento algum ele parou de me apertar contra si, ou deixou de me confortar. Fazia carinho no meu cabelo, passava as mãos em minhas costas eou braços, beijava o topo da minha cabeça, e em momento algum falou uma única palavra… Apenas ficou ali comigo sendo exatamente o que eu precisava.

Eu sempre precisaria dele.

Quando ameacei me afastar ele voltou a me puxar para perto de si, me mantendo aquecida em meio aos seus braços, afinal, a brisa que vinha do Mar estava bastante fria.

— Fica. — Pediu em um sussurro. Ergui os meus olhos para ele e tentei abrir um sorriso.

— Sempre. — Uni os nossos lábios em um beijo lento e intenso. Deixei que as minhas mãos escorregassem até a sua nuca o mantendo ainda mais perto de mim. Precisava que ele ficasse perto, precisava sentir algo real. — Isabelle você… — Começou quando eu me sentei sobre a sua cintura.

— Por favor, Simon… Eu preciso disso agora. — Voltei a beijá-lo.

“— Você sequer tentou ficar conosco?

EU NÃO TIVE ESCOLHA! Ela fechou os olhos e respirou fundo. -Robert mataria vocês se essa fosse uma escolha… Deixá-los com outro cardume não era mais uma opção. Eu...Abandonar o seu irmão foi a coisa mais difícil que eu já fiz, Isabelle!”

Eu me apaixonei por você no momento que os meus olhos repousaram sobre você.”

— Isabelle… — Sem que eu percebesse as lágrimas haviam voltado a rolar pelos meus olhos, grossas e quentes. Respirei fundo passando as mãos pelos meus cabelos e em seguida escondendo o meu rosto entre elas. — O que aconteceu, Heartbreaker?

— Eu não sei por onde começar. — Murmurei e olhei em seus olhos. Ele sorriu e usou uma das mãos para limpar as lágrimas em meu rosto.

— Comece por onde quiser, e quando quiser. — Suspirei e tomei coragem para falar.

— Minha mãe está viva e é uma Sereia. — Saí de seu colo me levantando para poder encarar o Mar.

— Espera… O que? — Juntei as minhas mãos em minha nuca e abri um sorriso forçado para ele.

— Minha mãe está viva, se chama Maryse Lightwood e é uma Sereia, e pelo que eu entendi, ela é uma Sereia bem fodona. — Balancei a cabeça em negação rindo. — Isso soa tão ridículo. — Ele se levantou e parou ao meu lado.

— Pode me contar como isso aconteceu? — Assenti e comecei a contar a ele tudo o que havia acontecido na última hora. Quando comecei a falar sobre a Maryse foi como se houvesse uma bola na minha garganta e eu não contive as minhas lágrimas ao contar tudo a ele, eu sabia que chorar na frente do Simon jamais seria um sinal de fraqueza; pelo contrário, aquilo, a meu ver, só significava que eu podia confiar nele sem medo algum. — Deus, Isabelle! — Ele voltou a me abraçar. — Como você está?

— Mal… Eu… — Franzi o cenho ao sentir um frio súbito em minhas pernas, mesmo que estivesse de calças. — Não sinto nada.

— Como não sente nada?

— Não… Simon. — Me segurei nele ao me sentir desequilibrar. — Não sinto minhas pernas, Simon. — Tentei mover as pernas e era como se elas não existissem. Senti o desespero se apoderar de mim. — Simon, não consigo mexer as minhas pernas.

— Calma. — Ele me colocou no chão. Passei as minhas mãos pelas minhas pernas eu podia senti-las nas minhas mãos, mas… Era como se não fizessem parte do meu corpo, como se não houvesse sensibilidade alguma. — O que…

— Parece que eu cheguei bem na hora. — Ergui os meus olhos encarando a ruiva que se aproximava, ela tinha um sorriso solidário aberto. — Está na hora de você conhecer sua calda, Isabelle Lightwood.

A encarei por alguns segundos querendo rir. Ótimo, primeiro eu descubro que tenho uma mãe, e que... Deus! Maryse era uma Sereia!

— Você só pode estar brincando! — Anunciei a fazendo rir. — Clary… Oh, meu Deus! Você está falando sério. — Ela assentiu ao se ajoelhar ao meu lado.

— Você é uma Sereia de 18 anos que nunca entrou no Mar como uma filha dele. — Ela olhou para as minhas pernas, tocou-as e fez uma careta ao ver que eu não tive reação alguma. — Vamos, ou a coisa vai ficar complicada. — Ela se levantou e começou a tirar o moletom de que vestia. -— Simon, ajude-a se despir. Agora. — Encarei-o, e o mesmo arregalou os olhos. — Não me diga que é a primeira vez que faz isso? — Ao ver suas bochechas corarem eu acabei rindo e comecei a puxar a minha blusa para cima. — Espero por vocês na água.

Quando deixei a minha camisa ao meu lado, lancei um olhar ao Simon o incentivando a fazer o que a Clary havia pedido. E novamente o vi corar, me fazendo abrir um sorriso. Não seria a primeira vez que um menino iria me despir, ou até mesmo o Simon; mas eu sentia como se fosse. Tanto que quando ele abriu o botão da minha calça eu segurei as suas mãos o fazendo me olhar. Após respirar fundo balancei a cabeça em afirmação e o deixei continuar. E com cuidado ele livrou o meu corpo da peça.

— Você não vai ficar nua aqui. — Ele me pegou no colo me fazendo rir.

— Não seria a primeira vez. — Ele revirou os olhos me fazendo rir.

Sem se importar em se molhar ele entrou comigo dentro d’água e assim que as minhas pernas tocaram a água eu senti um arrepio atravessar o meu corpo inteiro. Uma sensação de calor e prazer tomou conta do meu corpo, tanto que eu me senti mole nos braços do Simon.

— Termine de despi-la, Lewis. — Ouvi a voz da Clary e abri os olhos. Seus olhos já estavam brilhando e com aquela íris que me assustaram da primeira vez que as vi, na verdade, ainda me assustavam pra caramba.

— Segure em meu pescoço, Izzy. — Fiz o que ele pediu e o senti soltar as minhas pernas. Eu já as sentia, mas não tinha firmeza alguma nelas. Assim que as suas mãos abriram o meu sutiã eu o vi corar, mesmo com a pouca luz do local. A peça logo deixou o meu corpo, e o Simon manteve o olhar para o horizonte, em momento algum cogitava olhar para mim, o que me fez rir. — Não é engraçado. — Ele murmurou enquanto tirava a minha calcinha.

— Não vou julgá-lo se olhar para os meus seios. — Ri novamente ao ver sua cabeça balançar em negação.

— Falamos sobre os seus seios em outro momento, Isabelle. — Sua voz estava em um sussurro, o que fez um arrepio atravessar a minha espinha.

— Eu vou cobrar isso. — Ele riu.

— Tudo bem. Eu cuido dela, agora. — Ele assentiu e me lançou um olhar encorajador, balancei a cabeça em afirmação e antes que o Simon pudesse se afastar eu roubei um selinho dele, o fazendo sorrir ao se afastar. — Eu gosto disso. — A Clary murmurou me fazendo sorrir.

— Eu também. — Virei para encará-la. — E então?

— Me desculpa, mas eu precisava fazer isso. — Quando estava pronta para perguntar sobre o que ela estava falando, uma mulher apareceu atrás da Clary, e não demorou mais do que alguns segundos para eu poder reconhecê-la. Mesmo que os seus olhos tivessem um brilho esbranquiçado ao redor, e os seus olhos estivessem tão assustadores quanto os da Clary, e ela tivesse uma calda laranja; eu conseguia reconhecer a mulher por trás da Sereia.

— Maryse. — Murmurei. — O que…

— Você precisa dela aqui, Isabelle. — A Clary afirmou dando espaço para que ela se aproximasse de mim.

— Eu quero essa mulher longe de mim. — Comecei a me afastar, mesmo sentindo as minhas pernas fracas.

— Isabelle… — Sua voz foi como um ímã aos meus ouvidos, pois automaticamente eu parei onde estava, mesmo contra a minha vontade, e em segundos ela estava atrás de mim. — Você vai entender. — E então, suas mãos estavam segurando o meu rosto, e a sua imagem começou a se distorcer em minha frente.

A primeira coisa que eu vi foi o Mar. Profundo e gigantesco ao meu redor, e então, alguns corais a minha frente. Próximo aos corais havia um Tritão; embora eu acreditasse que jamais haveria um Tritão tão assustador quando o Sebastian, sua aparência também poderia me dar pesadelos. Seus olhos eram completamente azuis, tão escuros que era quase pretos, sua calda era azul não tão escura quanto os seus olhos, mas escura o suficiente, sua pele era bronzeada, como se ele gostasse de passar o tempo livre na superfície aproveitando os raios do sol.

Robert. Me vi chamando, mas não era a minha voz, e sim a da Maryse. Nós precisamos conversar.

Maryse, eu estou ocupado… Volte outra hora.

Nós precisamos conversar agora, Robert! É sobre as nossas tentativas de gravidez.

Já que tocou no assunto. Ele se virou em minha direção, o que fez os seus cabelos negros balançarem com o movimento. Não acho que seja um bom momento. As coisas com o Ciclo… Valentim tem enviado vários Tritões em missões pelo Mar, e até mesmo em terra. E eu também…

Eu estou grávida. Suas feições tornaram-se pálidas por alguns segundos. No fundo, a Maryse sabia o que ele diria; que não queria mais a gravidez, mas já era tarde demais para voltar atrás. Robert…

Eu tenho algumas coisas para serem feitas, Maryse. E sem dizer mais uma palavra ele sumiu na imensidão azul.

Você sabia o que eu tinha em mente quando me contou sobre a gravidez de Alexander, não pode simplesmente me dizer que engravidou novamente!

Não fale como se a culpa fosse minha! Ambos temos envolvimento nisso, ou você por acaso acha que é inocente?!

Eu não quero essa criança, Maryse.

Você tem certeza disso? Não reconheci a voz da pessoa ao meu lado. Uma mulher de cabelos ruivos escuros surgiu ao meu lado, e eu logo reconheci suas feições. Jocelyn Fray. Maryse, se alguém descobrir, pode perder a sua calda!

Eu sei, mas você sabe os motivos que me levaram a isso! Se pudesse não faria o mesmo por Clary?

Não misture as coisas, Maryse! Eu… Os faróis de um carro interromperam a fala de Jocelyn. Ambas encararam o carro que parava ha poucos metros delas. Logo em seguida um homem saltou do mesmo e caminhou até elas. Assim que este chegou em meu campo de visão eu imediatamente o reconheci, era o Hodge.

Quando me disse o que estava disposta a fazer, eu achei que não teria coragem. Ele cruzou os braços e encarou algo ao meu lado. Quando a Maryse desviou o olhar eu encontrei um bebê de no máximo um ano enrolado em uma manta e deitado dentro de algo que parecia uma concha gigante. Vai mesmo privá-los de conhecer sua verdadeira natureza? É covardia, até mesmo para alguém como você.

Eu tirei sua calda porque fez por merecer, Starkweater! Meus filhos não tem nada a ver com isso, que fique claro. Cuide deles como se sua vida dependesse disso.

E não depende? Ele estendeu os braços. A Maryse olhou para algo em seus próprios braços, e só então eu percebi que ela segurava um pequeno embrulho. Dentro da manta havia um bebezinho de poucos meses dormindo tranquilamente. Percebi tardiamente que era eu. Maryse entregou o bebê ao homem e se ajoelhou ao lado do outro bebê.

Tome conta de sua irmã, Alexander. Ela passou as mãos delicadamente pelos cabelos do meu irmão. Algo me diz que ela vai lhe dar um pouco de trabalho. Quando pegou o bebê em seu colo, eu senti em meu próprio peito todo o amor que ela sentia pelo meu irmão, chegava a ser sufocante. E eu espero que um dia você possa me perdoar por isso, meu menininho. Finalmente o meu irmão chegou aos braços do Hodge, e para a Maryse, foi como se tivessem tirado o coração dela do peito.

Como eles se chamam?

Alexander Gideon Lightwood. Disse olhando para o bebezinho que se remexeu no colo do Hodge. E esta, é Isabelle Sofia Lightwood. Ela olhou para mim, e mesmo que eu não sentisse nem mesmo um terço do amor que ela sentia pelo Alec, doía dentro dela também. Cuide dos meus filhos, Hodge.

Eu prometo, Maryse.

Eu conhecia aquela que a Maryse observava como a palma da minha mão, afinal, eu morava nela desde que conseguia me lembrar. Pela janela que ela encarava, eu conseguia ver algumas pessoas dentro da casa em volta de uma mesa, dentre elas os país do Jace. Mas o que realmente importava para a mulher, era o homem que segurava uma garotinha de cabelos escuros que batia palminhas e ria escandalosamente. Era a memória do dia que ela me viu no meu primeiro aniversário. Mesmo que Alec estivesse no colo da mãe do Jace, ao lado do Hodge, e fizesse os mesmos movimentos que eu, sua atenção estava toda voltada para mim.

Maryse admirou cada pequeno detalhe do pequeno ser que eu era. Os meus cabelos escuros, os olhos redondos e igualmente escuros, o sorriso sem dente, a forma como eu era rechonchuda, o vestido vermelho que eu usava, a forma como as minhas mãos batiam desajeitadamente uma na outra. Absolutamente tudo. E foi naquele momento, que eu ganhei um pedaço do coração dela. Maryse simplesmente se apaixonou por mim, se apaixonou pela ideia de ter uma filha que poderia ser tão parecida com ela, já que Alec era tão parecido com Robert.

Mas antes que ela deixasse aqueles sentimentos mudarem sua decisão, ela simplesmente se afastou da casa. Começou a andar a passos apressados em direção a praia, querendo se afastar de tudo aquilo, e mais do que tudo, esquecer aquilo, porque seria mais fácil. Mas as lágrimas que banhavam o seu rosto, e a sensação do coração sendo rasgado em vários pedaços permaneceu, mesmo quando ela nadou por quilômetros. E provavelmente nunca sumiria.”

Abri os meus olhos com uma inspiração profunda. Demorou alguns segundos para que a minha visão voltasse ao normal; e quando voltou eu consegui enxergar o crepúsculo que se iniciava, e o Mar ao meu redor. Mas aquilo não importava, pois eu conseguia ouvir o choro da Maryse ainda em meus ouvidos, em alto e bom som. E aquilo me doía por dentro.

— Isabelle. — Me virei em sua direção. — Por favor, tente me entender. — Balancei a minha cabeça em negação.

— Eu quero o Simon. — Murmurei. — Por favor, eu… Eu preciso de espaço. — Ela me observou por alguns segundos, e então me balançou a cabeça em afirmação, e lançou um olhar para a Clary. Provavelmente a ruiva iria chamá-lo.

— Eu darei o espaço e o tempo que precisar. Mas não pode me evitar para sempre.

— Você fez isso por 18 anos, acho que não vai ser difícil fazer por mais 18. — Ela me lançou um olhar magoado e então mergulhou.

Por alguns minutos eu fiquei em silêncio e sozinha dentro d’água, apenas sentindo o movimento da água em minhas pernas. Era uma carícia gostosa, embora eu não sentisse-as muito bem. Eu ainda não acreditava que aquilo era possível. Eu não podia ser uma Sereia. Eu já havia ido até a praia antes, e nunca passei por aquela situação, mas… Nunca sem o meu cordão.

Automaticamente levei a minha mão até o meu pescoço e não o encontrei ali. Eu o usava desde que conseguia me lembrar; lembro que chorei por dias quando pensei tê-lo perdido na escola. Felizmente conseguiram encontrar, ou a coisa toda teria sido muito pior.

— Hey. — Olhei para o Simon que surgiu ao meu lado. — Está tudo bem?

— Não. Não está nada bem! — Ele suspirou e acariciou um dos lados do meu rosto. — Eu não consigo acreditar nisso, Simon. Eu não posso ser uma Sereia, posso? É bizarro demais até para nós. — Ele riu.

— Bom, Iz, parece que é verdade, não é? — Eu bufei. — Clary me disse que precisa passar pela primeira transformação, e precisa fazer isso agora.

— Ela, por acaso, te disse como eu faço isso? — Perguntei abraçando o meu próprio corpo. Eu estava nua dentro d’água, é claro que eu estava com frio.

— Ah… Não. — O Simon, assim como eu estava apenas com a cabeça fora d’água, mas, pelo menos, ele estava vestido da cintura para baixo. Seus óculos, assim como a sua camisa, haviam ficado na areia, e aquele foi um dos muitos momentos que eu parei para observar o Simon. Os olhos dele eram castanhos, porém, mais claros que os meus; e nem de longe, ele tinha o físico esteriótipo de um nerd, mas também, não era como um desses caras que parece morar na academia. O Simon, embora fosse magrelo, tinha os músculos definidos nos braços, pernas e abdômen; e, no meu ponto de vista, ele não poderia ser mais ridiculamente sexy. — O que está olhando?

— Como você é ridiculamente sexy, Lewis. — Ele gargalhou. Eu já havia dito aquilo antes para ele, e a sua reação foi a mesma; mas o cenário era bastante diferente.

— Pare de me tarar e foque-se em tentar relaxar. Clary me disse para fazê-la relaxar.

— Okay. — Respirei fundo e fechando os olhos. Fiquei naquele ritual por alguns minutos, mas não ajudou em mada. — Isso não está funcionando! Cadê a Clary? Por que ela não ficou por aqui? Precisamos de alguém experiente no assunto, não dois leigos parados no meio do Mar, sendo que eu estou nua. Vamos ser presos por atentado ao pudor, e eu não… — O Simon me interrompeu ao colar os lábios aos meus. Aquele beijo foi como o primeiro beijo que trocamos, pois aquela maldita sensação de frio na barriga surgiu com muito mais intensidade do que de costume. Eu sorri entre o beijo e o agarrei, enlaçando os meus braços em seu pescoço e sorrindo ao sentir suas mãos em minha cintura. — Isso também funciona. — Ele riu contra os meus lábios.

A medida que o beijo se intensificava, eu sentia um formigamento se espalhar pelas minhas pernas, que até então eu não sentia corretamente. Era uma sensação gostosa, principalmente se levar em conta que eu também estava beijando o Simon. Ao afastar-nos por alguns segundos eu olhei nos olhos do Simon, e ele nunca me pareceu tão delicioso, ele pareceu querer dizer algo, mas eu simplesmente nos afundei. Uni os nossos lábios novamente sentindo todos aqueles sentimentos serem descontados naquele beijo: a raiva da Maryse, a mágoa por ter sido abandonada, o medo por ser um Sereia, a confusão que toda aquela situação me fazia sentir, e o desejo que eu estava sentindo pelo Simon naquele momento.

Foi naquele momento que eu percebi que eu não sentia mais as minhas pernas porque elas simplesmente não existiam mais. O Simon se afastou de mim e nadou até a superfície, mas quando eu pensei em fazer o mesmo, um ponto brilhante no fundo do Mar começou a se aproximar, e em questão de segundos a Clary apareceu a minha frente. Ela abriu um sorriso e nadou a minha volta.

— Isabelle, respira. — Ela falou rindo, e a sua risada fez algumas bolhas saírem por sua boca.

— Como você… Oh, meu Deus! — Ela gargalhou ao perceber a minha surpresa por conseguir falar em baixo d’água, e pior, eu estava respirando!

— Não quer se ver? — Franzi o cenho para ela e mesma apontou para as minhas pernas. Quando eu segui o seu olhar, arregalei os meus próprios olhos, pois no lugar das minhas pernas haviam uma calda vermelho sangue. Era bastante parecida com a da Clary, embora parecia ter locais que poderia cortar facilmente a carne humana, eu sabia porque cortei o meu dedo ao tocar, e tive que conter o meu horror ao ver a ferida fechar-se imediatamente. — Você é linda. — Ela falou sorrindo.

— Meus olhos… São como os seus? — Ela balançou a cabeça em negação.

— São incríveis. — Ela sorriu e voltou a nadas a minha volta. A única coisa que eu conseguia ver, além da calda, eram os meus cabelos ainda mais compridos, minhas unhas transformadas em garras, guelras entre os meus dedos, escamas pelo meu abdômen e ombros. Mas os meus olhos eram uma incógnita.

— Pode descrevê-los para mim? — Perguntei a Clary enquanto tocava o meu rosto.

— Parecem os do Sebastian. São totalmente vermelhos, como sangue, lembram uma poça de sangue; mas ao mesmo tempo são sensuais, seus cílios estão muito maiores, e o brilho em volta deles também é vermelho. São incríveis, Isabelle. — Ela abriu um sorriso, mas ao imaginar uma poça de sangue no lugar dos meus olhos, eu só consegui entrar em desespero. — Hey, calma. Eles não são assustadores, okay?

— Como não?

— Você é uma Sereia incrível, Izzy. Não tem nada de assustador em você. — Abri um pequeno sorriso. — Simon está preocupado, vá até ele.

— E se eu o assustar?

— O que eu estou prestes a dizer a você, vai assustá-la mais do que qualquer coisa. — Arregalei os meus olhos. — Sabe como Sereias conseguem a calda verdadeira, Isabelle?

— Não. — Engoli em seco e ela sorriu e acariciou o meu rosto.

— Beijando a pessoa que amam na forma de Sereia. — Se fosse possível, o meu coração acelerou dentro do peito. Eu não amava o Simon, amava? Eu… Eu gostava dele, mas… Eu não fazia ideia do que sentia por ele.

— Você me disse que Sereias amam uma única vez na vida, Clary. — Ela abriu um sorriso solidário, e beijou o topo da minha cabeça.

— Vá até ele e o tranquilize, depois conversamos sobre isso, okay? — Balancei a cabeça em afirmação e comecei a nadar até superfície. — Isabelle, lembre-se que você não tem joelhos. — Ela avisou rindo, e eu senti o meu rosto corar.

Emergi há alguns metros do Simon e o observei, ele estava com água até um pouco acima da cintura, provavelmente as ondas o levaram sem que ele percebesse. Com cuidado eu nadei até ele, quando fiquei próxima a ele, nadei em círculos a sua volta chamando a sua atenção. Parei a sua frente e emergi lentamente, deixando primeiro os meus olhos fora d’água. O seu olhar encontrou o meu, e o meu coração se acalmou ao perceber que ele não estava assustado.

— Iz… — Ergui o restante do meu troco para ele e o vi ficar boquiaberto. — Meu Deus. — Sorri com a sua expressão abobalhada. — Você é uma Sereia. — Murmurou e esticou uma das mãos para tocar o meu cabelo; em seguida os meus ombros com escamas, e a minha calda. — Você é espetacular. — Sussurrou.

— Não consigo acreditar nisso ainda. — Murmurei. — É tão estranho não ter pés, mas, ao mesmo tempo, parece tão certo. — Ele sorriu. — Você estava falando sério… sobre eu ser espetacular?

— E por que razão eu mentiria? — Perguntei em resposta, sua expressão era confusa. — Você é o ser mais espetacular que eu tive a honra de pôr os olhos. — Senti o meu rosto esquentar. — Eu quero beijar você. — Admitiu enquanto ainda encarava e acariciava a minha calda.

— E por que ainda não o fez? — O Simon olhou nos meus olhos e me puxou pela nuca para um beijo deliciosamente lento. Sua língua acariciou a minha de uma maneira tão gostosa que eu me permiti gemer em seus lábios sorrindo quando ele me puxou pela cintura, minha calda bateu contra as suas pernas e ambos nos soltamos para gargalhar do ocorrido. — Isso ainda é muito estranho.

— Você se acostuma. — Ele garantiu antes de voltar a me beijar. — Meu Deus eu estou beijando uma Sereia. — Nós rimos de seu comentário até que um pigarro nos atrapalhou. Ambos encaramos a ruiva ao nosso lado, e se fosse possível, o Simon coraria até o último fio de cabelo.

— Desculpa atrapalhar, mas nós precisamos ir, Isabelle. — Franzi o cenho. — Precisa exercitar a sua calda, foram dezessete anos sem usá-la.

— Agora? — Perguntei abrindo um sorriso sem graça.

— Sim. — Ela desviou os olhos para o Simon. — Eu a devolvo ao nascer do Sol, Simon. — Não havia como dizer não para aquilo. O Simon sorriu e me deu um selinho antes de murmurar contra os meus lábios:

— Eu te vejo ao amanhecer.

Notas finais
E então? Alguém chorou? Eu quando escrevi chorei, mas quando li não... Vai entender. Eu sei que vocês querem saber da Clary e do Jace, mas o próximo capítulo será sobre Sizzy! Sim, eu amo Sizzy, e não, não vai ficar fora de contexto prometo! Eu espero que vocês curtam o capítulo que eu não sei quando chegará. Bom, essa é a notícia ruim (porém boa), que eu tenho para vocês. Eu já tinha comentado com vocês que graças a Raziel eu passei no SISU 2 e iria começar a fazer faculdade, pois é, as minhas aulas começaram na segunda dia 13/08, mas eu só tive aula mesmo na sexta (17/08 e já comecei a faculdade faltando). Mas o que eu quero dizer mesmo, é que eu não sei ainda como será a minha rotina a partir de agora. Mas acalmem-se eu NÃO VOU ABANDONAR A FANFIC, OKAY?! MAAAAAAS! É possível que eu atrase os capítulos. Muito possível. Eu tenho alguns escritos, mas preciso organizá-los e corrigi-los e isso leva um tempinho, além de precisar escrever outros também. Eu sei que é ruim, e que a fic está em um momento muito importante, mas eu não tenho muita escolha... E eu sei que é chato, mas é provável que eu poste apenas uma vez ao mês. Me perdoem, mas eu já estou adiantando o inevitável. Eu vou encontrar uma maneira de conciliar estudos e escrita ao mesmo tempo, e não vou abandonar nenhum dos dois. Okay, só tentem entender o meu lado, por favorzinho e não me abandonem. Acho que por hoje é só isso. Espero vê-las nos comentários. Kissus Lightwood