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1 Capítulo 1 - O barato dos reencontros


Notas iniciais
Boa leitura, babes!

Hoje Victor retorna de sua viagem, passamos todo o período da Universidade longe. Além dele, Dai e Erika também foram embora e os outros... Seguiram seus caminhos, fazendo diferentes cursos e se distanciando. Estou me referindo aos friends, meu grupo de melhores-amigos-do-mundo-todo do ensino médio. Somos oito, contando comigo: Victor, Daiane, Erika, Lana, Yasmin, Erick, Elanio e Alexandre (eu).

Quando Victor avisou que iria retornar, todos os outros se animaram com um possível reencontro do grupo, começamos a nos contactar e marcamos de nos vermos na lanchonete onde iríamos sempre juntos: Hill Burger. E estou bastante nervoso, pois por muito tempo desejei contar-lhes algo e está noite será perfeita... Ou espero que seja.

Apenas Yasmin sabe disso, pois ela foi à única que ainda me mantive próximo. Sou gay. Completamente gay e preciso urgentemente que eles saibam. Aceitei-me ao fim do ensino médio, com o afastamento do pessoal, eu me vi encurralado, numa batalha entre dois de mim: um que detestava a ideia de ser gay para o mundo e outro que mal esperava o momento de encher tudo de purpurina; Hoje, ao fim de outro ciclo e depois de uns amassos – nada sério -, ainda me vejo preso a essa dualidade de ideias, preso ao medo de ser totalmente quem eu sou e é por isso que preciso deles, preciso sentir aquele calor, aquela sensação de que tudo estará bem se estiver com eles por perto.

Além de que, estou ansioso para ouvir a história de todos, ver o quanto mudaram e amadureceram, pois houve coisas, que no decorrer desses cinco anos aconteceram com alguns deles, coisas ruins e boas, das quais não estive perto, mas jurei que ao revê-los, nunca mais iria abandonar nenhum sequer.

***

É quase dez horas da noite, quando no nosso grupo do Whatsapp, Elanio avisa que já está indo buscar Victor e que pegará Erick e Lana no caminho de volta, até a lanchonete. Eles, que surpreendentemente estão tendo um romance. Digo surpreendentemente, pois ambos se odiavam no colegial e o clichê destino os fez ficar juntos.

Ligo para Yasmin, que pouco tempo depois, entra em meu apartamento. Ela estava linda, usando um vestido amarelo, calçada com suas costumeiras melissas rosa e as mechas louras de seu cabelo, caiam sobre o ombro. Ela da uma voltinha e me pergunta como estava. ‘’Deslumbrante’’, respondo. Olho-me no espelho e um aperto abraça meu coração, ao ver aquela Yasmin amadurecida, bem diferente de anos atrás, comparada ao reflexo que vejo, sinto que os anos não haviam passado para mim e eu ainda continuara o mesmo garoto magro com rosto de nerd de sempre.

— Você está ótimo, não se preocupe – Ela se aproxima e me abraça pela cintura – Você não precisa impressionar ninguém, é o pessoal que estamos indo encontrar. O Nosso pessoal.

— Fale por você mesma – Afasto-me o suficiente para olhar-lhe nos olhos – Você está muito bem produzida para ver o nosso pessoal.

— Ah, cala a boca! – Ela sorri e nos abraçamos. Eu realmente gostava da Yasmin, a tinha com uma irmã mais nova que sempre teria a vontade de proteger.

— É bom nos apressarmos – Caminhou até a portar – Não podemos chegar atrasados!

— Sem duvida, preciso ver o mais novo casal – Falo num tom despreocupado.

— Que casal?

— Erick e Lana.

Caminho para fora do apartamento e antes que pudesse avisá-la para fechar a porta, noto que Yasmin estava parada, com uma expressão de surpresa e desaponto e então lembro: Erick é sua paixão secreta, desde aquele tempo. Volto até ela e digo:

— Sinto muito... Pensei que-

— Não, está tudo bem – Ela tenta esboçar um sorriso – Está tudo ótimo! Vamos embora, Ale. Fecha a porta! – Falou alto enquanto se afastava as pressas.

***

Chegamos ao Hill Burger e caminhamos até a mesa mais afastada, a maior de todas. Enquanto me aproximo consigo ver os cabelos encaracolados de Erika,Yasmin vibra e grita seu nome que em resposta ouve outro grito eufórico, ela corre e nos abraça ao mesmo tempo.

— Ah, não acredito que estou vendo vocês! – O abraço de Erika era o melhor do planeta, aquele tipo de abraço no qual você sente as energias se conectando, as áureas se misturando e os dois parecem um só, é algo místico – Estive guardando a nossa mesa, junto com Daiane.

— E onde ela está? – Yasmin se estica para tentar encontrar a outra.

— Ah, ela foi ao banheiro – Sorri – Você não muda nunca, Yasmin.

— Como assim? – Agora, Erika segura nossas mãos e nos conduz pelo resto do caminho, até a mesa.

— Esse seu jeitinho doido, toda eufórica... Parece uma cantora de K-pop – Rimos juntos e sentamos para esperar os demais.

Pouco tempo depois ouvimos um barulho vindo da entrada, olhamos todos juntos ao reconhecermos as vozes que gritavam. Os quatro chegam até nós e todos riram e gritaram declarações de saudade entre os abraços apertados. Lana estava na sua costumeira vibe dark, toda de preto com apenas um casaco xadrez vermelho, que contrastava com seu cabelo cor de fogo; Erick havia ganhado um corpo malhado e não tinha mais um fio de cabelo, usava uma regata e uma calça jeans rasgada e acabei me perguntando se ele não sentia frio, Victor havia mudado muito, seu cabelo crescerá e o mesmo estava em tons de roxo, disposto em várias tranças ao redor da cabeça, estava com sotaque americano e cheio de maneirismos que eu nunca iria possuir. E por fim, Elanio, este que também estava com um corpo malhado, mas não tão grande quanto o de Erick, aparentava estar ótimo, ao vê-lo esbanjando seus dentes perfeitos, sua barba aparada e seu estilo modernão, sinto como se uma borboleta tivesse abandonado o casulo, ele também havia mudado muito.

Se bem que, todos mudaram e percebo que não somente na aparência. Mesmo com a leveza nas conversas, os assuntos eram outros, os problemas também... Fico nauseado pensando em toda essa mudança.

— E ai, caralhada! – Os braços de Daiane atravessam o meu pescoço – Estava morta de saudade, porra! – E então, mais abraços e risos.

Quando finalmente todos se ajeitaram na grande mesa redonda e enquanto comiam seus lanches e conversavam entre si, aproveito para olhar cada um deles. Yasmin sentava ao meu lado, Erika e Daiane logo depois, no meio estavam o casal, ao lado deles Victor e na outra ponta, de frente para mim, Elanio. Quando chego a seu rosto o pego olhando para mim, não entendo por que, mas fico completamente sem jeito quando ele sorri para mim. Tento disfarçar pegando uma batata frita de Erika e comendo, ela odeia que comam sua batata.

— Ei seu merda, não come a porra da minha batata! – Ela me recrimina e não consigo segurar meu riso, acabo me engasgando com a droga da batata e todos riem da minha cara vermelha.

— Você não mudou nada, Ale – Lana disse entre risos e fotografias. É, ela ainda continuava sendo a garota dos memes.

— É verdade! Ainda com o mesmo jeitinho de nerd – Daiane concorda.

— Porra, cara! Mas olha o curso que ele escolheu – Erick apontava a mão para mim.

— Ah, cala a boca, Erick! Ao menos eu tenho uma graduação – Debocho dele e todos fazem um uivo. O maldito uivo – Desculpa, saiu sem querer.

— Não falem assim, o jeito dele é bonitinho – Olho novamente para Elanio ainda me encarava com seu sorriso despretensioso, fico novamente nervoso, percebendo meu desconcerto, Yasmin me abraça e aperta minhas bochechas.

Após o lanche, decidimos ir ao bar dos universitários. Por anos, aquele era nosso cobiçado lugar, juramos que quando estivéssemos na maior idade, encheríamos a cara juntos, naquele lugar. Em várias noites, durante o curso, aquele foi meu point preferido para afundar as mágoas num copo grande de cerveja.

***

Já estava muito tarde e além de nós, restavam apenas mais três homens no recinto. Yasmin e eu estávamos em uma das mesas, enquanto Victor, Elanio e Daiane jogavam sinuca ao lado e Lana dançava com Erick, algum rock lento dos anos 80, todos os oito alcoolizados e já um pouco foras de si.

— Eu deveria estar dançando com ele! – Tiro minha atenção de Erika, que dormia ao nosso lado para ouvir o que Yasmin dissera.

— O que disse, baby?

— Erick – Lá vamos nós – por que ele acabou com a Lana? Ela é linda, mas poxa cara, ainda sou eu! Olha pra mim, Alexandre, sou um mulherão do caralho – A voz embargada, suas palavras não estavam mais saindo com tanta clareza.

— Ah, vamos... Isso não é tão ruim – Antes que pudesse terminar a frase, vejo-a caminhando em direção dos dois que ainda dançavam, não estava me parecendo um bom sinal.

— Ei, Lana – Disse ao se aproximar dos dois.

— Oi linda! – Ela a recebe com um abraço que não é retribuído – Você está bem?

— Eu quero dançar com o Erick. Agora – Ok, aquilo estava se tornando um problema. Ouço um ‘’eta porra’’ vindo da sinuca.

— Mas... Eu estou dançando com ele agora, Yasmin.

— Não me importa, quero dançar com ele! – Sua voz ecoa no salão.

— Está tudo bem, Lana – Erick sorri e fico surpreso como ele consegue manter uma postura sobrea, mesmo tendo bebido para caralho – É só a Yasmin.

— Só a Yasmin?

— Ele não deveria ter dito aquilo – Victor junta-se a mim e Erika, acompanhado pelos demais.

— Como assim, só eu? – Ela insiste.

Eu precisava fazer algo, tento me levantar e acabo cambaleando o que me faz sentar novamente.

— É... Só você. A Yasmin de sempre, do nosso grupo... – Ele olha para Lana – Não estou entendendo.

— Ela só está bêbada. Vamos leva-la para a mesa – Lana tenta pegar no braço da minha amiga, que agora se encontrava muito vermelha.

— Não encoste em mim! Você sabia Lana! Sabia sobre meus sentimentos e mesmo assim... Traidora! – Mesmo com a visão turva, vejo o resto daquele uísque sendo arremessado no rosto da ruiva, precisava agir.

Levanto-me rápido e mesmo com a tontura, caminho até eles, que a essa altura, já estavam todos juntos, tentando separar a briga entre as bêbadas. Quando chego próximo o suficiente daquele barulho, penso em algo que eu possa fazer para que todos parassem de gritar, então tenho a brilhante ideia de ir até o palco e encontrar o microfone usado para o karaokê e apresentações e decididamente digo:

— Eu sou gay! – Imediatamente, todos se viram para mim.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.