Like Dust In The Wind
1 Capítulo Único!
Estranho como de uma hora pra outra perdemos algo que amamos tanto. Um amor tão grande, tão incondicional. É tão doloroso, ainda mais quando essa pessoa é levada por um mal muito mais forte que o ciúme, que a mentira e tudo de ruim que há. Só é tão doloroso assim quando seu amado é levado pela morte. Só ela é capaz de levá-la desse jeito. O ruim é que você não sabe o que culpar, Ainda mais quando seu amor morre de tuberculose.
Como vingará sua morte? Como se vingar da morte? Como culpar algo ou alguém? É a pior dor que um amante pode sentir, mas ainda assim consigo me culpar. Me culpo de não perceber as tosses constantes dele, os desmaios repentinos e falta de ar. Como pode? Agora o tenha em meus braços desvanescendo, ainda vivo, mas à beira da morte; ainda respira fraca e sofregamente. Seus olhos, antes verdes e brilhantes, agora opacos e cansados. Não saberia como viver sem meu Zacky. Como poderei acordar todos os dias sem tê-lo ao meu lado? Sem tê-lo nas horas felizes, se é que ainda as terei, e nas horas tristes, para me consolar. Mas tudo na mesma pergunta: como viverei?
Nosso romance sempre fora difícil. É difícil manter um relacionamento homossexual no início do século XX. Sim, um romance que começou em 1910 e teve um fatídico fim em 1915; um fim forçado.
Encontrávamos-nos sempre que podíamos às sombras e embaixo dos narizes de Michelle e Gena. Pobres mulheres... Sempre tão prestativas, mas nunca obtiveram nosso verdadeiro amor, pois ele só era recíproco entre Zacky e eu. Meu primeiro e único amor, que agora está morrendo em meus braços. Por que meus gritos não saem de minha garganta como quero que saiam? Por que Zacky não obedece as minhas súplicas, pedindo para ficar comigo? Por que dói tanto?
\"Brian...\", ouvi meu nome ser sussurrado e seguido de tosses e muito sangue. Meu coração doeu tanto, vê-lo desse jeito é dilacerante.
\"Não fale, meu amor. Poupe-se\", colei meus lábios nos dele para que não se esforçasse, queria mantê-lo vivo o máximo que pudesse.
\"Não, eu preciso...\" Mais tosses e sangue. \"Dizer pela...\" As tosses pioravam, o sangue acumulava-se na sua camisa junto as minhas lágrimas que jorravam como uma torneira de meus olhos já inchados. Não queria perdê-lo. Não assim, não agora. \"pela última vez...\" Suas tosses se assemelhavam à facadas em meu coração. \"que... te amo.\" Tossiu convulsivamente, sangue misturado com lágrimas espirravam no meu rosto e camisa. Zacky se recompôs e sorriu de leve. Um sorriso fraco, mas sonhador, de quem quer consolar.
\"Eu também te amo, como nunca amei e jamais amarei alguém. Meu único amor é você!\" Seu sorriso aumentou e levou bem devagar sua mão até minha face. Passado-se alguns segundos assim, seu sorriso foi trocado por uma máscara de dor. O segurei com mais força, puxando-o para mim.
\"Zacky, você está bem? Zacky, olha para mim!\" Seus olhos viravam nas órbitas quase ocultas através das pálpebras.
Ele tremia e suava, completamente pálido, com olheiras profundas e bem arroxeadas em volta dos olhos, antes verdes brilhantes e perfeitos.
\"Por favor, não me abandone\", curvei-me para beijá-lo. Beijava- como se aquilo fosse curá-lo, fazê-lo viver eternamente. Queria que sua doença passasse para mim e o poupasse. Que a morte não o levasse.
Por que a vinda é tão injusta? Gritava, pressionando-o contra meu peito. Seu corpo já sem vida.
Lágrimas e soluços convulsivos, um coração partido, nó na garganta e uma sensação inexplicável, indescritível.
Minha vida acabou. Fiquei lá com meu amor, desvanecido e ensanguentado em meus braços. Tão pálido, tão lindo, indefeso e delicado.
Pude jurar que quando fechei seus olhos verdes senti uma brisa tão gélida como facadas atingir nossas faces. Era a morte levando a alma do meu Zacky. Levando-o como areia no vento. A alma que não ficara sozinha por muito tempo. Logo, logo, meu amor, nós nos encontraremos novamente. Aí, então, será eterno.
Fim.
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