Like A Dream - 2 Temporada
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Eu dormi quase o voo inteiro. Só acordava as vezes, pra comer e quando tinham umas turbulências. Era coisa boba, mas a cada balanço eu achava que ia morrer. – É sério, sou muito medrosa – Eu olhava pela janela e percebia o quão distante eu estava e ainda escutando música, lenta pra variar, meus olhos já se enchiam de água. O casal do meu lado fazia a mesma coisa. Acordavam, voltavam a dormir e ficavam trocando carinhos. Ai ai... As vezes, sorrisos saíam impulsivamente quando eu os olhava. Claro que era discreto, o meu olhar. Eles iam pensar eu sou louca.
Eu dormi pela última vez e isso quando já estávamos chegando. Despertei com o impacto do avião, ao aterrissar. Era um alívio saber que eu já estava “em casa”, que poderia respirar aquele ar quente do Rio de Janeiro e finalmente rever meus amados! Tirei o fone, o cinto e logo peguei a bolsa pra guardar o bagulhete. Catei um batom e um espelho, pra tentar tirar um pouco da cara de sono. Depois guardei e dei tapinhas no meu rosto, pra acordar de vez hahah. Fomos saindo e a cada passo que dava minha ansiedade aumentava. Eu liguei pra minha mãe, dizendo que já estava indo pegar as malas. Ela me disse onde estava e logo depois de pega-las fui ao seu encontro. Quando a vi ao lado da minha irmã, acelerei já com um sorriso enorme no rosto.
-Bebêêêêê! – Minha mãe brincou, enquanto eu estava pendurada em seu pescoço
-Meu Deuuuuuus! Que saudadeeeee! – Falei e soltei-a
-Oi pra você também! – Elisa falou
-Oi gracinha! – Brinquei e fui abraça-la
-Então... Me conte tudo! – Ela se animou
-Vai ter que esperar. Tô sem folego pra falar agora
Elas me ajudaram com as malas, até o carro. Fomos de táxi, porque minha mãe não gosta de ir muito longe com o velhinho dela. O carro. Eu estava super animada. Eu tomei ar e consegui começar a contar algumas coisas. Mas pra não me embolar, resolvi contar do comecinho, comecinho mesmo. Eu até havia esquecido de avisar pro pessoal que eu tinha chegado. E ahh... Que baque de tristeza que veio naquele instante. Elas até perceberam o que houve, mas expliquei resumidamente, enquanto escrevia a mensagem.
Enfim chegamos em casa. A primeira coisa que fiz foi largar as malas com elas, correr e me jogar no sofá. Era um alívio saber que eu podia ter tudo de volta. Meu sofá, minha cama e principalmente a comida caseira da minha mãe! Eu tava tão feliz que nem me importei e peguei minha cadela e a joguei em cima de mim. Foi pura festa! Depois da minha mãe começar a reclamar, o que já era de se esperar, botei ela no chão e peguei as malas pra botar no quarto.
Cara... Até o cheiro da minha casa tava me fazendo falta.
O resto dos dias, fui indo visitar meus avós, até mesmo saí com meus amigos. O pessoal, lá em Londres, ainda mantinha contado. Via tudo! Via celular, computador, enfim... Tudo! Teve até uma vez que eu consegui pegar o Harry com o Louis online no facebook – É... Milagres acontecem – Eu pedi pra fazermos uma chamada de vídeo, só pra eles verem as meninas, aliás, mulheres daqui de casa. Foi uma comédia, porque minha mãe ficava fazendo vários comentários, que até mesmo eu não entendia, fazia perguntas e assim por diante. Era c-ô-m-i-c-o ver a cara deles do outro lado de que estavam boiando no assunto. Minha irmã era formada em inglês, então ela me salvava um pouco. Harry até disse que tinha que aprender português, porque não seria legal não saber se comunicar com sua própria ‘sogra’.
Os meus dias foram assim. Eu saia com o pessoal, procurava um emprego fixo, oque estava sendo um pouco difícil. Eu não aguentava ficar na solidão, em casa, enquanto todo mundo saia pra trabalhar. Como eu passava a maior parte do meu tempo no computador, resolvi procurar um outro curso para fazer. É claro que não tinha desistido de trabalhar na revista, mas eu sinto que não é o que eu realmente quero sabe?! Meu curso era de moda, então eu poderia relacionar várias coisas, tranquilamente. Até que me veio à cabeça uma coisa. Desde pequena eu adorava tirar foto! Quando me davam aquelas câmeras da Xuxa, mesmo sem filme, eu ficava brincando de tirar foto. Era até engraçadinho! Até hoje eu gosto de fazer isso. Seria uma boa tentar algo novo! Cassei, cassei, até que achei um lugar pra fazer. O nome era SENAC. Eu sabia que aquele nome não me era estranho. É... Eu já tinha visto o comercial na televisão.
Conversei com o pessoal daqui de casa e elas concordaram que seria uma boa. Logo no dia seguinte, da minha pesquisa, eu saí de casa, peguei um ônibus e fui até lá. Era legal, porque naquele lugar se fazia de tudo. Curso de culinária, fotografia, engenharia etc. A mulher que me atendeu pediu meu contato, perguntou qual era o curso e blá blá blá. Depois ela me deu uma folha, frente e verso, com tudo explicadinho. O preço, por mês, os horários, como funciona e assim por diante. Eu queria já começar naquele instante, mas o curso só começava no início do ano seguinte.
Tirando tudo isso, a saudade ainda permanecia comigo. É chato você ter que manter uma relação à distância. Minha irmã tem, mas pelo menos o namorado dela mora apenas em outro estado, não em outro continente. Eu tava sentindo muita falta deles. Demais! Até das brigas bobas hahah! De uns dias pra cá, os meninos quando me ligavam, gritavam de alegria, pela turnê está chegando perto de começar. Agora sim que iria ser difícil vê-los. To ferrada!
Em meio dessas coisas, das novidades que eu havia contado pra elas, faltava uma coisa. É até vergonhoso dizer isso agora, mas... Eu preciso contar. Não sei se já imaginam o que seja, mas não importa, por que não vou dizer assim, na cara dura. – Sou envergonhada mesmo – Hoje já é quinta-feira, 17:00. Horário que minha mãe sai do trabalho. Eu já vou me preparando pra escutar poucas e boas.
-Oi, boa tarde! – Ela falou abrindo a porta de casa. Fudeu!
-Oi, ãã... – Começou... Lá vou eu empacar
-“Ããã” o que?
-Eu preciso te falar uma coisa. Eu já devia ter dito, mas achei melhor adiar
-Fala então, ué! – Ela sentou no sofá, jogando a bolsa na mesa e com um sorriso sem mostrar os dentes estampado
-É que... – Falaaaa Fernanda! – Você sabe que eu já sou quase maior de idade, que eu to namorando neh...
-Sei, mas e?
-Eu to com vergonha e medo de contar e saber sua reação pow – Já comecei a morder a boca
-Se não me contar, nunca vai saber
Fale com o autor