Like A Bird

5 Capítulo 5


–Tchau filha, tenha um bom dia de aula.

–Tchau mãe, pra você também.

Eu desci do carro ao mesmo tempo que desembolava os meus fones e ligava o meio ipod começando a minha caminhadinha diária até o portão da escola. Eu estava feliz naquele dia. Não feliz como nas outras vezes. Sei lá, era uma felicidade diferente. Eu estava feliz comigo mesma sabe? Pela primeira vez na vida eu estava até me sentindo bem comigo mesma. Aquelas dorzinhas e sensação chatas que antes enchiam a minha cabeça tinham sumido quase que completamente. E eu sabia que era por causa da conversa que eu tinha tido com a Alice e o Leo no outro dia. Claro, as pessoas não mudam de um dia para o outro, as coisas levam tempo. Eu ainda não me sentia completamente confiante ou segura mas com certeza me sentia menos desconfiada e menos insegura.

–Bom dia. Tudo bem?-falei cumprimentando uma colega de sala.

Deixei minha mochila em uma carteira escolhida na meio da sala e sai para o corredor para conversar com os meus amigos. Depois daquele dia de alguma maneira tinha se tornado mais fácil para mim me socializar com as outras pessoas. Eu tinha me tornado mais próxima dos meus antigos amigos e tinha descoberto como as coisas podiam ser divertidas quando estávamos juntos. Eles eram meio estranhos e loucos mas gostávamos das mesmas coisas e as vezes passávamos um tempão discutindo sobre um certo anime, ou um certo manga, ou um certo gênero...enfim, essas coisas sobre as quais eu não poderia conversar com mais ninguém. Acho que a Alice e o Leo ficaram até aliviados com isso: tipo assim, eles tinham outros amigos mas eu não e por isso ficava agarrada neles o tempo todo. Isso devia cansar e até incomodar um pouco as vezes.

O sinal bateu e eu voltei para sala. Quando entrei pude escutar alguma piadinha infame da Melissa ao meu respeito seguida pelas risadinhas das amiguinhas dela. Eu simplesmente ignorei , dei as costas e sentei no meu lugar. Ela já não me intimidava como fizera antes. Imediatamente as risadinhas pararam e eu pude imaginar a cara de ódio dela. Tratei de prestar atenção no que o professor estava falando e anotando no quadro.

Tudo correu bem até a hora do recreio. Quando sai da sala pude ver o Leo conversando com a Alice: eles eram da mesma sala então era natural que isso acontece. Mas eu me incomodava mesmo assim. Desde aquele dia em que o Leo me falou que queria ficar com a Alice eu fiquei assim. Graças a deus as coisas não tinham mudado muito desde então: ele continuava fazendo umas piadinhas de duplo sentido de vez em quando mas não conseguia provocar nenhuma reação na Alice. Sem falar que eu achava que ele ainda estava namorando e tinha certeza que a Alice não ia permitir nada enquanto eles não terminassem.

–E ai gente?-falei me aproximando do grupo

Me cumprimentaram de volta e agente começou uma conversa sobre o nosso professor macabro de História. Ele me dava medo, era todo sério e grosso. Mas ai o Leo começou outro assunto:

–Então garotas, daqui a alguns dias é meu aniversário. Só que eu não vou fazer nada no dia- pausa dramática, típica dele-Por que os meus pais vão viajar semana que vem e eu vou dar uma super house party na minha casa e vocês estão convidados. Uhuuuu!!- ele falou enquanto agarrava agente e começava a pular, nos levando juntos.

–Vai ser sexta-feira da semana que vem, vocês vão, não vão ?

Eu não via motivo para não ir então falei sim. A Alice falou que teria que olhar com a mãe dela mas que provavelmente também iria.

–Beleza!!!Ótimo!!! Não precisa trazer presente, mas as meninas precisam levar comida enquanto os meninos vão se encarregar das bebidas-eu fiz uma cara de nojo só de pensar em beber aquele trem transparente de novo.

–------------------------------------------------------------------------------------------------

Então o dia da tal festa chegou. Eu e a Alice tínhamos combinado de ir junto por que ela tinha falado que ia passar na minha casa antes para me dar uma surpresa que eu não tinha idéia do que era. Ela chegou e quando eu fui abrir a porta para ela fiquei com o queixo caído. Ela estava usando um vestido curtinho todo rendado, preto, um scarpin verde escuro brincos e colar de ouro branco com um pingente de um verde agua tão profundo quanto os seus olhos. Uma maquiagem bonita com uma sombra de olho preta complementavam o conjunto e deixavam ela simplesmente maravilhosa.

Dessa vez eu decidi não fazer papel de boba e sai da frente para deixa-la passar antes que eu começasse a babar. Agente foi para o meu quarto e estávamos sentadas na minha cama quando ela começou:

–Então, sobre a minha surpresa- ela abriu uma bolsinha que tinha trazido consigo e eu pude ver vários acessórios de maquiagem- Hoje vou te maquiar para a festa do Leo!-ela abriu um sorriso.

Eu não sabia se ficava feliz ou preocupada com aquilo. É verdade que eu nunca usava maquiagem (acho que nunca usei, na verdade) mas é que eu tinha a impressão de que ia fazer papel de idiota. Não importa o quanto de maquiagem eu passasse ou o quão boa a maquiadora fosse eu achava difícil ela conseguir fazer meu rosto comum ficar mais bonito.

Ela tirou um pincel todo fofinho e perguntou-Posso?

Eu quis impedi-la. Mas depois eu pensei, sei lá, por que não dar uma chance? Tudo bem se ficasse estranho era a Alice que estava ali e se em vista de todas as coisas que eu tinha feito e falado antes ela não tinha se afastado de mim eu achava meio difícil ela faze-lo por causa de uma coisinha daquelas.

–Pode- dei um suspiro e fechei os olhos pra que ela pudesse trabalhar. Ela me pinicou com vários pinceis, espalhou um cremes com uns cheiros estranhos no meu rosto, passou algumas coisas com o dedo, me pintou com lápis, passou algo parecido com batom. Enfim, meia hora depois ela tinha terminado e eu ainda não tinha aberto os olhos.

–Camila-ela parou e eu pude sentir que estava me analisando. Ai meu deus-Você ficou linda.-ela falou francamente.

Só aí eu tive coragem de abrir os olhos. Quando o fiz dei de cara com os dela me encarando. Tinha alguma coisa diferente neles. Era... desejo ? Meu coração saiu um pouco do ritmo e eu corri para o espelho para ver o que afinal de contas tinha virado o meu rosto.

–...-eu fiquei sem palavras.

Eu estava simplesmente linda, como ela tinha dito. De alguma maneira ela tinha conseguido melhorar o tom da minha pele, sumindo com os marquinhas de espinhas, reforçar o formato e o contorno dos meus olhos e boca e realçar a cor deles. O meu rosto normal tinha se transformado em algo maravilhoso e eu estava começando a duvidar que a pessoa refletida ali no espelho era eu mesmo. Logo a Alice apareceu atrás de mim.

–Que mágica que você fez em mim?- eu falei espantada meio que rindo

Ela olhou longamente para mim.

–Não fiz mágica nenhuma. Você sempre foi bonita só que nunca tinha percebido.-eu corei violentamente e pude escutar meu coração quase saltando do peito- Sabe, eles falam que a maquiagem não muda as pessoas. Só realça o que elas têm de melhor. Eu acredito nisso.-ela sorriu para mim e foi embora voltando para o meu quarto.

Eu esperei um pouco para me acalmar e fui ter com ela no quarto.

Quando eu entrei ela disse:

–Vem ká que eu vou te ensinar umas coisinhas enquanto não dá a hora de irmos.

Eu sentei e fiquei prestando atenção nas dicas de maquiagem que ela começava a me dar.

Enfim chegou a hora de irmos. Minha mãe nos levou até o endereço. Era um prédio grande, meio antigo, e parecia que o Leo morava no ultimo andar. Despedimos da minha mãe e subimos até o apartamento dele. Quando estávamos na porta eu já pude escutar um som de música alta e gente conversando. Ele abriu a porta e nos cumprimentou. Quando me viu fez uma cara engraçada e depois disse

–Você tá linda- e voltou a tomar da garrafa que estava segurando enquanto se afastava para deixar agente entrar.

Quando entramos eu vi uma sala completamente zoneada. Os moveis tinham sido todos arrastados e colocados contra a parede menos uma mesa grande de pedra que fica no meio da sala. Sobre a mesa estava uma variedade de salgados e petiscos e foi ali que eu e a Alice deixamos os pacotes que havíamos trazido. Percebi que haviam alguns garotos do nosso pequeno grupo da escola e fomos lá cumprimentá-los. Percebi também os diversos olhares que praticamente todos os garotos do lugar

deram para Alice e ela fingia ignorar. Percebi também, com mais espanto ainda, que vários outros olhares caíram sobre mim.

– Meninas, o que vamos beber hoje? Temos vodca, rum, big aplle...o que vai ser?

–Ai Leo, não sei não...acho que não vou beber nada...

–Ah vai Camila, eu faço uma coisa super leve para você, big aplle com shreps, você não vai nem sentir o gosto...

–Unnh...tá bom então, se for bem fraquinha...

–Pode deixar que eu preparo para mim mesma Leo. Onde tão as coisas?- Alice perguntou

Eles se afastaram e foram até uma espécie de bar que havia ali perto. Eu continuei ali, conversando com meus colegas. A música estava boa e o as pessoas super divertidas. A medida que íamos bebendo mais elas iam ficando cada vez mais engraçadas. Eu estava bem por que a bebida que o Leo estava me servindo parecia ser realmente fraca, mas ele já estava muito alterado por que tinha começado a beber bem antes da gente. Ele tava pulando em cima de todo mundo, gritando como aquela era a melhor festa de aniversário da vida dele e puxando para dançar todo mundo que estava sentado. Era realmente engraçado.

Estávamos eu e a Alice juntas, mas teve uma hora que ela se afastou de mim (pra pegar mais bebida acho ). Nesse momento um garoto que eu nunca tinha visto na vida começou a se aproximas de mim.

–E a mocinha, tá curtindo a festa?-ele ia chegando mais perto e eu pude perceber que ele estava quase tão bêbado quanto o Leo-Qual é o seu nome?

–Camila- eu respondi meio sem graça com medo do que viria a seguir

–Unnh, é um nome bem bonito. Eu sou Gabriel prazer-ele meio que cambaleou para o meu lado-Você estuda com o Leo não é mesmo?Desde quando?

–Estudo sim, somos da mesma série desda sétima serie-mas enquanto eu falava ele foi se aproximando ainda mais e quando dei por mim ele estava com um mão na minha cintura e o rosto perto do meu.

Para o meu desespero nessa hora eu percebi que a Alice não estava mais sozinha. O Leo estava perto dela, perto demais dela, e eu pude perceber que eles conversavam alguma coisa aos sussurros. Quando o Leo colocou a mão no rosto dela eu tive o impulso de correr para lá e joga-lo pela janela.

Só que ai o Gabriel chegou ainda mais perto de mim, segurando com mais firmeza minha cintura, fazendo nossos corpos praticamente colarem.

– Não quer ficar comigo não?- eu tentei afasta-lo mas ele era forte demais. Pude ver que os dois ainda estavam conversando e o Leo chegava cada vez mais perto dela. Eu não sabia o que fazer. Pensei em gritar para que eles parassem e ele se afastasse da minha Alice. Pensei em gritar que se ela ficasse com ele estaria cometendo o maior erro da vida dela por que era eu quem a amava. Pensei em chama-lo de todos os nomes feios possíveis do mundo faze-lo sentir-se podre pelo o que estava acontecendo. O tal do Gabriel começou a beijar o meu pescoço. Eu fiquei com nojo e fiz a única coisa que eu conseguia fazer: dei uma joelhada super forte no meio das pernas dele. Ele se dobrou sobre os próprios joelhos e finalmente me soltou daquele aperto. Eu sai correndo para onde o Leo e a Alice estavam. Mas quando eu cheguei e enchi os pulmões para começar a gritar eu vi o Leo fazendo uma cara de derrotado, dando um beijo no rosto da Alice e indo embora. Eu só fiquei parada vendo ele se afastar. Depois eu encarei a Alice. Ela estava com uma cara de brava e quando eu perguntei o que tinha acontecido ela falou para eu não me meter e foi pegar outra bebida. Dei uma olhada para ela para ter certeza de que ela estava bem e saí para falar com o Leo que estava na varandinha fumando.

–São sabia que você fumava-eu disse passando pela porta de correr e me sentando do lado dele.

–E eu não fumo- soltou a fumaça dos pulmões- só de vez em quando quando estou muito estressado ou chateado.

–Ah-eu não sabia o que dizer. Queria pergunta-lo o que eles tinham conversado, mas em vez disso eu só passei os braços por ele dando-o um abraço. Tudo bem que ele tinha chegado na garota que eu gostava e merecia ter tomado um toco, mas ele ainda era meu amigo e eu não queria vê-lo daquele jeito. Ele retribuiu o meu abraço e agente ficou daquele jeito durante um tempo. Até que finalmente ele levantou a cabeça

–A festa é minha e eu ainda tenho muito o que aproveita. Tive uma ótima idéia-ele deu um daqueles sorrisos sapecas- vamos jogar “eu nunca”-e e levantou seguindo para a sala.

– Seguinte gente, a festa tá muito boa, tá muito animada, mas eu queria faze-la ficar ainda mais legal-pausa- Vamos jogar eu nunca!!! Nem adianta faze biquinho que todo mundo tá intimado a participar! Anda, anda!

Então agente se reuniu no que deveria ser uma roda e o Leo e um amigo dele foram enchendo uns copos e passando para todo mundo.

–Para quem não sabe é assim : cada hora alguem vai ter falar alguma coisa que teoricamente nunca fez, quem já tiver feito aquilo alguma vez na vida tem que beber quem não tiver fica quieto, incluindo a pessoa que está falando.

– E qual é o objetivo do jogo?-alguem perguntou

–O objetivo do jogo é- ele parou e olhou para cada um de nós- ficar bêbado- deu uma risada gostosa.

–Eu começo. Eu nunca matei aula-levantou o copo e bebeu um grande gole. Praticamente todo mundo bebeu junto inclusive a Alice que estava de frente para mim.

–Eu nunca me fudi numa prova da escola- um garoto disse e também bebeu um grande gole. Novamente quase todo mundo acompanhou ele.

E continuou assim com as idéias mais aleatórias. Foi quando uma menina levantou o copo e falou – Eu não nunca gostei de um garoto- bebendo em seguida que eu estanquei. E se dissessem : eu nunca gostei de uma garota? Que eu faria? Eu ia beber? Eu estaria meio que saindo do armário não é mesmo? Quero dizer, o Leo era a única pessoa no mundo que sabia que eu gostava Alice. O que a Alice iria pensar de mim?Mas por outro lado eu poderia observar qual seria a reação dela quando me visse beber um gole. Como eu havia previsto a pessoa em seguida falou

–Eu nunca gostei de uma garota- todos os meninos beberam. Eu e mais duas meninas bebemos juntos. Fiquei olhando para ver a reação dela. Ela ficou meio surpresa mas não fez nenhuma cara de asco como eu imaginei que faria. Na realidade ela agiu como se aquilo realmente não importasse. Eu fiquei realmente feliz com essa reação dela. O jogo continuou e agente continuou bebendo até que

–Eu nunca dei um selinho numa garota-uma das meninas que tinha bebido comigo falou. Ela bebeu, todos os meninos beberam, a Alice bebeu. Para tudo. A ALICE BEBEU. Isso significava que mais do que não se importar com o fato de eu me sentir atraída por uma garota ela mesma já tinha se sentido atraída por uma ao ponto de beija-la. Isso queria dizer que eu tinha uma chance. EU TINHA UMA CHANCE. Eu senti como se pudesse soltar fogos de artifícios ali no meio da sala.

Agora eu ia ter que falar com ela. Eu ia contar para ela tudo o que sentia por que agora eu sabia que, havia uma chance, bem pequenininha, de ela me corresponder. Como eu ia fazer isso? Eu devia falar agora, nesse exato momento? Não, eu devia esperar uma hora que estivéssemos sozinhas. Mas ela falou que tinha dado só um selinho em outra garota, e é comum as meninas darem selinho não é mesmo? Até quando não sentem atração nenhuma pela outra garota, as vezes só para agradar o namorado. E se a Alice fosse assim ? E se ela me rejeitasse? Eu tenho certeza de que ela iria se afastar de mim. A nossa amizade nunca mais seria mesma. Que merda. E agora?Eu decidi que ia continuar bebendo para conseguir arranjar coragem, por que de outra maneira eu nunca seria capaz de seguir com aquilo a diante. O jogo seguiu sem mais nenhuma revelação comprometedora, até que ficou meio chato e a maioria das pessoas começou a sair. Eu sai também e peguei outro copo do que quer que fosse aquilo que eu estava bebendo. Cheguei perto da Alice e meio que a puxei para um canto mais reservado. Ela ficou olhando para mim com uma cara de interrogação.

–E-e-e-então Alice- que merda eu estava voltando a gaguejar– e-e-eu tenho umas coisas para te contar...-tomei outro gole grande.

–Sabia que eu sempre achei que você fica uma gracinha quando tá com vergonha assim?- ela falou com uma voz meio embolada por causa da bebida enquanto se apoiava no meu ombro de novo. Eu fiquei completamente vermelha. Ela riu e disse

–Desse jeitinho mesmo- se aproximou e me deu um beijo na bochecha que nem tinha feito da outra vez.

Era agora ou nunca. Engoli o restante da bebida de uma vez só.

–Alice eu-ela continuou olhando para mim- eu-

Só que ai eu senti uma sensação horrível e minha cabeça começou a rodar. Senti que algo subia pela minha garganta e fui correndo para o banheiro vomitar. Foi só quando eu tinha posto tudo para fora e me apoiado no chão que me dei conta do quão tonta eu estava e do quão embaralhada estava a minha mente. Logo a Alice veio e segurou meus cabelos para traz para que não se sujassem. Ela mesma estava cambaleando um pouco no mesmo lugar mas estava em melhores condições do que eu. Eu não consegui fazer mais nada que não fosse continuar vomitando.

–----------------------------------------------------------------------------------------------

Eu nunca mais vou beber na vida. Achei que fosse morrer naquele dia. Ainda tive muita sorte de a Alice ter ligado para a minha mãe e avisado que eu ia dormir na casa dela. Lógico que ela suspeitou e lógico que eu levei um sermão mais tarde por não ter ligado para ela eu mesma, mas como estávamos falando da Alice (minha amiga de infância, filha dos amigos dos meus pais)as coisas não ficaram realmente sérias. Mas duas coisas muito importantes tinham acontecido naquela festa e eu não tinha bebido o suficiente para esquecê-las : a Alice tinha rejeitado o Leo e tinha revelado no jogo do “eu nunca” que não via problemas de eu gostar de outra garota (aparentemente) , até mesmo já tinha dado um selinho em uma menina.

Já era segunda feira e o sinal acabava de tocar para o intervalo. A Alice provavelmente ia passar o recreio com umas amigas dela mas eu quis encontrá-la só para conversar rápido mesmo. O Leo tinha faltado, provavelmente ainda se recuperando da ressaca. Eu mesma não me sentia cem por cento.

–Bom dia. Tá melhor hoje?-ela perguntou abrindo aquele sorriso e eu me derreti por dentro. Desde aquele jogo eu parecia estar muito mais vulnerável a qualquer gesto da Alice.

–Bom dia. Eu ainda não tô completamente bem não, mas...Desculpa de novo por ter te dado tanto trabalho. Eu fui muito burra.

Ela só ficou olhando para mim.

–Nem deu tanto trabalho assim. Mas você foi burra mesmo- me deu um olhar duro- não faz isso de novo ok? Eu não entendi por que você foi beber daquele jeito...

Por que eu estava tentando encontrar coragem para dizer que gosto de você. Euqueria muito falr isso para ela e isso e muitas outras coisas...

–É eu também não sei...sei lá, as vezes é por que eu vi o Leo cabisbaixo daquele jeito-dei uma desculpa esfarrapada.- eu preciso conversar com você...-mas ai ela me interrompeu

–A culpa não é minha se ele ficou daquele jeito-falou com raiva

–Eu não disse isso...-tentei me defender mas ela só continuou falando

–Ele é o meu melhor amigo, eu nem sei se ele ainda está namorando e mesmo assim ele veio falar que gostava de mim do nada! Tudo bem, o Leo é alto, bonito, carinhoso, divertido, prestativo, mas isso não significa que eu vá aceitar ficar com ele! E o pior é que eu tô me sentindo horrível por que eu sei que eu magoei ele !-ela estava falando mais alto-É sempre assim, sempre! Só por que me acham um pouco bonita e legal as pessoas pensam que gostam de mim e se sentem no direito de chegar em mim e quando eu as rejeito elas ficam acabadas! Eu odeio isso!- seus olhos ficaram um pouco úmidos. Eu senti como se tivessem aberto um torneira dentro de mim e aquela pouca coragem que eu tive pouco antes estava saindo por ela. Não falei nada e me limitei a dar um abraço rápido nela. Logo uma amiga dela apareceu e avisou que elas já estavam atrasadas. Ela se soltou de mim, deu um sorriso meio triste e foi embora. Eu fiquei ali com o meus próprios pensamentos.

Se o Leo que era, nas palavras dela,um garoto “ alto, bonito, carinhoso, divertido, prestativo” não tinha chances com ela, que chances eu tinha? Eu, que não era nada daquilo, e AINDA POR CIMA AINDA ERA BV! Para piorar tudo, se eu me confessasse para ela e fosse rejeitada (o que pelo jeito ele ia mesmo fazer) ela ainda ficaria super chateada comigo! O que eu ia fazer?


Notas finais
esse capítulo não saiu exatamente do jeito que eu planejei, mas enfim...