Like A Bird

2 Capítulo 2


–Filha tá na hora de você levantar.

Minha mãe saiu de cima de mim e foi abrir as cortinas para que a claridade pudesse entrar no meu quarto. Ao mesmo tempo eu ia abrindo os olhos.

–Já são 6:30.Anda.

–Tá bom, já to levantando.

Ela deu uma ultima olhadela para conferir se eu de fato estava levantando e saiu do meu quarto.

Eu pus os pés para fora da cama e fiz o longo caminho até o banheiro. Chegando lá lavei o rosto, escovei os dentes, fiz minha necessidades e voltei para o meu quarto para que enfim pudesse trocar de roupa.

Abri meu armário e fui tirando as peças de roupa das quais precisaria. Meu uniforme consistia em uma calça de tectel azul marinha e uma blusa branca que tinha o emblema do colégio sobre o peito na lado esquerdo e faixas vermelhas nas laterais das mangas. Além do uniforme havia meu casaco que era um moletom com capuz da billabong de uma cor de bege bem clarinho com um detalhe em cima do bolso esquerdo que correspondia ao simbolo da marca bordado num tom de verde. Tinha também os meus tênis, que eram brancos com a marca da nike na lateral preta. Para fechar a minha mochila que era toda preta sem bolsos laterais e tinha o simbolo da roxy bem no cantinho num tom de rosa quase vermelho. Era tudo de marca, como tudo o que os outros alunos do meu colégio usavam, mas era tudo simples e discreto. Dei uma ultima passada no banheiro só para pentear os cabelos e coloca-los de lado e colocar minhas lentes. Fui para cozinha preparar um sanduíche e uma xícara de leite com chocolate.

–Você vai encontrar a Alice na escola ?- minha mãe perguntou enquanto preparava seu próprio lanche

–Vou sim mãe – falei mordendo um pedaço do meu sanduba -Agente já combinou de encontrar no portão antes da aula.

–Ótimo.

Por algum motivo a minha mãe estava preocupada com adaptação da Alice na minha escola e fazia questão de me lembrar que eu era responsável por ela e devia fazer de tudo para que ela se sentisse bem vinda nesses primeiros dias. Eu duvidava muito que a Alice encontrasse dificuldade em fazer algum amigo ali, com aquele visual e o jeito seguro dela. Talvez a minha presença fosse até se tornar um empecilho para ela, afinal, eu não era exatamente o que você chamaria de popular na escola.

–Filha você não vai pôr nenhum brinquinho?

–Não mãe, eu estou indo pra escola!

Ela me deu mais um olhar de reprovação e abandonou o assunto. Logo terminamos e minha mãe me levava para a escola. Ela me deixava numa esquina próxima à escola e eu aproveitava essa oportunidade para escutar meu ipod shuffle. Eu adorava escutar música. Quando eu punha os fones era como se estivesse em um mundo diferente, como se eu fosse uma pessoa diferente. Eu ficava impressionada com o tanto de sentimentos diferentes que a musica era capaz de causar em mim. Êxtase, raiva, ansiedade, alegria...as vezes tudo de uma vez só e eu não cabia mais em mim. Mas tudo o que é bom dura pouco e logo eu já estava chegando no portão da frente do colégio. Assim que eu me aproximei avistei Alice parada no lado de fora encostada no muro. Tomei um susto. Ela estava com um uniforme igual ao meu mas diferente de tudo que eu podia imaginar ele usava uma mochila preta com uns desenhos brancos do Jack (o personagem de “O estranho mundo de Jack”), com seis broches de animes diferentes (respectivamente : Yuyu hakusho, Samurai X, Cavaleiros do Zodíaco, Yu gi oh e Inuyasha), um par de all star da converse pretos e um moletom da mesma marca que o meu só que de um tom verde petroleo. Além disso tudo eu reparava pela primeira vez que ela usava dois piercings na orelha direita.

Eu só fiquei parada olhando para ela. Ela estava linda. Eu nunca ia ter coragem de me vestir assim.

Ela me viu e ficou rindo da minha cara de boba.

–Que foi? Viu assombração?-ela disse vindo ao meu encontro.

–N-n-não é só que...-e eu já ia falando besteira de novo.

–É só que você não esperava me ver vestida assim- eu corei. Corei muito -Tem muita coisa que você ainda não sabe sobre mim.-sorriu para mim-Vamos subir então ?

Eu só concordei com a cabeça e agente começou a subir as escadas. Passamos pelas as catracas e fomos para um corredor conferir quais seriam as nossas salas. Acabou que ela ficou na sala C e eu na sala A. Subimos as escadas para chegar no nosso andar (era o último depois de 3 lances de escada).Chegando lá eu decidi que devia tentar dar umas informações básicas de como as coisas funcionavam ali.

–E-então Alice, na primeira aula eles devem nos dar os horários da turma. Cada turma tem um horário e além de Educação Física agente não faz nada junto. Cada aula é em uma sala, o que significa que no final de cada aula você vai te que se levantar e ir para uma outra sala. Mas não se preocupe por que as salas ficam todas aqui nesse corredor e no horário vai estar escrito o nome da matéria junto com o numero da sala. Se você quiser eu te espero na porta da sua sala no final de cada aula e vou com você até a próxima aula. As coisas ficam meio confusas aqui durante essas trocas...

–Ok. Tudo bem. Eu ia ficar grata se você pudesse vir comigo.

Pela primeira vez eu pude perceber um pouco de receio na sua voz. Naturalmente ela estava um pouco nervosa e provavelmente ela nunca tinha estudado numa escola com um esquema desses.

–Vamos lá para a sua sala então- eu falei tentando passar um pouco de segurança.

Na porta das salas havia a letra que as identificava. Achamos a letra C e entramos. Estava bem vazia já que a maioria das pessoas estava jogando conversa fora no corredor de fora, mas logo de cara um monte de gente ficou olhando para Alice. Lógico já que ela era novata e ainda por cima bonita daquele jeito. Escolhemos algumas cadeiras mais de lado e nos sentamos. Eu vi meu amigo Leo sentado do outro lado da sala. Ele estava desmontado encima da própria mochila por isso nem viu agente entrar.

–Perai que eu vou te apresentar uma pessoa -eu disse me levando e indo acordar ele.

–Leo-não obtive resposta – Leeeeo- ele deu alguns resmungos -LEO !!

Dessa vez eu falei mais alto ao mesmo tempo que sacudia ele. Ai ele não teve outra escolha que não fosse me encarar.

–Poxa Camila primeiro dia de aula e você não me deia nem dormir !Argh!

–Eu sei, desculpa. É só que minha amiga entro no colégio nesse ano e ela ta na sua sala. Eu queria apresentar vocês dois pra ela não fica sozinha entende?Se não for muito problema...

–Já me acordou mesmo uai!

Levantamos e fomos para junto da Alice.

–Alice esse é o Leonardo. Leonardo essa é a Alice.

–Quem você ta chamando de Leonardo? Pode me chamar de Leo-ele sorriu para a Alice

–Ok. Oi Leo.-ela disse rindo e ele respondeu com um aceno de cabeça- Posso te perguntar quantos anos tem?Parece ser bem mais velho...

O Leo era moreno, com os cabelos ondulados meio compridos que chegavam ate pouco acima do ombro. Alto e magro ele tinha o estilo de menino mais largado usando um par de chinelos e um monte de pulseirinhas no pulso.

–Pois é. Acontece que eu tomei uma bomba na sétima série e como eu faço aniversário no meio do ano eu já era um pouco atrasado. No meio desse ano faço dezessete.

–Unh-ela lançou um olhar indecifrável para ele.

Logo o sinal tocou. Despedi dos dois e desejei um boa sorte para a Alice antes de sair e procurar a minha própria sala. Cheguei lá pouco antes do professor e peguei um lugar qualquer no meio da sala. Ele começou dando aqueles avisos que sempre dão no inicio do período letivo e terminou falando que naquele ano pela primeira vez teríamos seminários a tarde de Sociologia e Filosofia. E eu fiquei realmente ansiosa para saber como funcionariam esses seminários. Ai ele passou os horários, as agendas, explicou como eram divididos os pontos na matéria dele, perguntou o nome de todo mundo...eu sei que ficou sobrando uns 10 minutos para ele dar alguma matéria mas ele acabou optando por liberar agente mais cedo. Eu sai e fui para a porta da sala da Alice. Chegando lá eu passei a ler o livro que tinha trago guardado na minha mochila “A menina que roubava livros”.O sinal tocou e a Alice e o Leo saíram juntos

–E-e ai, deu tudo certo?-eu perguntei

Ela olhou durante um tempo para mim e comentou

–Pensei que você tivesse parado de gaguejar comigo.

Eu fiquei encabulada com essa fala dela e não sabia o que fazer

–D-d-desculpe

–Tá pedindo desculpas por que?Nada a ver. Eu que estou sendo chata-sorriu par mim-Mas tudo correu bem.

–Q-que bom

O corredor estava realmente muito cheio. Na realidade era sempre assim quando trocávamos de sala. Agente tinha que se espremer e as vezes até empurrar pessoas do caminho para conseguir chegar em algum lugar

–D-desculpe. Licença-eu falava enquanto tentava atravessar aquele mar de gente.

Não muito tempo depois eu estava deixando eles na sala e seguindo para a minha.

As coisas continuaram assim até a hora do recreio.

Quando este chegou eu voltei a me dirigir para a sala da Alice e do Leo. Chegando la eu vi a Alice conversando com algumas meninas que deviam ser da sala dela. Quando me viu apontou para mim fazendo com que as meninas olhassem na minha direção e em seguida se despediu delas.

–O-o que foi?-perguntei quando ela chegou perto de mim

–Elas são da minha sala. Como eu sou novata elas vieram perguntar se eu não queria passar o intervalo junto com elas. Mas ai eu falei que já ai passar junto de você

–A-ah.

Silencio desconfortável.

–Então meninas onde nos vamos passar nossos maravilhosos minutos de recreio?- o Leo perguntou

–Não sei...-eu

–E se agente mostrasse a escola para Alice?Tipo, eu sei que é super clichê e tal mas aposto que ela ta louca pra vê as coisas aqui.-ele disse rindo

–Uai por mim pode ser...-Alice

–O-ok.-eu

Então agente foi. Passamos o recreio inteiro mostrando as quatro quadras diferentes que tinha na escola, a piscina, as duas cantinas e a biblioteca. Meu colégio é realmente grande então agente quase não teve tempo de mostrar as coisas direito nos 20 minutos de intervalo.

E assim foi o resto da manha até o final da aula.

Alice e eu morávamos perto ( o que era o principal motivo de ela estar estudando naquela escola)

então era natural que voltássemos juntas para casa. Como nossos pais estavam muito ocupados nesse horário agente voltaria de ônibus. Começamos a descer a rua até o nosso ponto.

–E-então o-oque você achou do primeiro dia de aula?- eu falei tentando começar uma conversa

–Ah, sei lá.-ela pensou um pouco e depois começou a rir- Tipo assim, acho que foi bom. Seu colégio é meio estranho, com essa coisa de ter que mudar de sala no final de todas as aulas. E as pessoas- ela ficou pensativa de novo- são bem legais até.- ela sorriu

–Que bom- eu sorri de volta

Chegamos no ponto de ônibus e este pareceu logo em seguida. Dei o sinal e agente subiu.

–Como você acha que vão ser esses seminários de filosofia e sociologia?-ela me perguntou enquanto se sentava

–Não sei mesmo...nunca estudei nada de filosofia ou sociologia na vida.-eu respondi enquanto me sentava ao lado dela

–Pois é, talvez seja bem difícil...-ela fez uma careta

–Mas deve tê muito ponto de trabalho, ai fica mais fácil-eu falei enquanto acabava de colocar o dinheiro na minha mochila.

–Pode ser-eu falou enquanto me observava mexer no bolso-Que é isso ai?-ela apontou para o meu ipod

–Um ipod shuffle...

–Unh. Será que eu podia da uma olhada?

A minha primeira reação foi falar não. Acontece que as poucas pessoas que já escutaram meu ipod desistiram falando que eu tinha um gosto muito estranho para musica. Acho que é por que eu tenho musicas de todos os tipos. Sei lá, simplesmente se eu gosto da musica eu pego. Mas ai eu pensei que ela poderia ficar com raiva de mim e acabei cedendo .

–Obrigado

Logo ela estava desembolando o fone e ligando o aparelho. Quando ela me passou um fone para que pudéssemos escutar juntas eu fiquei realmente com vergonha. Ela riu do meu embaraço e disse

–Não quer ouvir comigo?-ela sorriu

–O-ok- eu falei aceitando o fone.

E agente seguiu o resto do tageto caladas escutando musica.

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Desde que eu reencontrei a Alice comecei a sentir uma sensação muito estranha. Era uma sensação de algo preso no fundo da minha garganta, e a medida que os dias passavam isso só ficando mais forte e me sufocando cada vez mais. Não sei, era como se alguem fizesse questão de me lembrar 24 horas por dia de alguma coisa que eu tinha que lembrar mais não sabia o que era. Eu não gostava desse sentimento.


Enfim, um dia, depois de eu ter deixado a Alice e o Leo na sala deles, eu estava sentada numa carteira mais na frente lendo meu livro enquanto esperava o professor chegar. Alguem estava conversando na porta da sala e quando eu levantei a cabeça para ver quem era tive uma visão que me apavorou. Encostada no vão conversando com um rapaz alto e atletico do time de nataçao estava uma garota com cabelos cor de mel, com a pele clara e os olhos de um azul escuro. Com o rosto muito bonito e um corpo mais bonito ainda Melissa era menina mais popular da serie. Arrogante, metida e cruel ela estava sempre sendo seguida por um bando de meninas fofoqueiras e barraqueiras do qual eu fazia o máximo para manter distancia. Desde que eu me entendo por gente ela e seu grupinho tenta infernizar a minha vida. Acontece que quando criança eu era meio...esquisita. Alta demais para minha idade, gordinha, desde nova eu tive que usar aparelho (aquele fixo mesmo), óculos e para completar eu ainda tinha muito espinha. Sério, eu era horrível. Ai as outras crianças meio que faziam bullying em mim, fazendo brincadeirinhas e piadinhas sobre o tanto que eu era feia e como eu nunca ia conseguir um namorado. Mas era coisa de criança mesmo sabe ? Com o passar do tempo eu acabei emagrecendo e o resto das pessoas começou a crescer mais e eu deixei de ser a mais alta da turma. Daí na sétima série eu finalmente deixei de usar aparelho, troquei meu par de óculos por lentes e passei a tomar um remédio para espinhas, tudo junto. Eu lembro que as pessoas ficaram até muito surpresas de ver a menina que estava por trás das lentes de garrafa. Só que a Melissa e o grupinho dela nunca se esqueceu ,e faz questão de me lembrar que por melhor que tenha sido a minha transformação eu continuava sendo muito esquisita.

Ela tinha matado os primeiros dias de aula por isso eu ainda não tinha percebido que ela estava na minha sala. Quando me dei conta de que ela estava terminado a conversa fiz o melhor possível para esconder minha cara no livro e parecer invisível. Eu era muito boa nisso, tanto que ela passou com suas amiguinhas sem me lançar uma olhadela. Graças a deus o professor chegou e logo começou a dar aula. A aulas passaram sem muitos problemas e chegou o intervalo. Eu estava estava acabando de guardar as minhas coisas quando ouvi.

–Camilããão agente tá na mesma sala de novo!Isso não é ótimo?- a Melissa dava uma risadinha irônica enquanto usava aquele apelido que ela tinha inventado especialmente para mim-E e esse livro ai?-ela pegou o meu “ A menina que roubava livros” que estava em cima da mesa-Que isso Camilão se você ficar lendo essas coisas durante a aula não vai conseguir manter sua média de 90 por cento!E a escola não pode perder sua aluna mais brilhante!-ela deu uma risadinha de escárnio que foi acompanhada pelas amiguinhas dela.

Eu era incapaz de fazer outra coisa que não fosse ficar olhando para baixo esperando a hora que ela decidisse me devolver o livro.

–Camila?- percebendo que eu estava meio atrasada a Alice e o Leo foram procurar por mim-Que isso garota, tá atrasada. Vamos? -ela disse sorrindo para mim.

Em seguida ela se deu conta da presença da Melissa e das amiguinhas dela. Eu não fiquei surpresa quando ela a cumprimentou pelo nome e deu um oi para o resto do grupinho, afinal a Alice já tinha ficado amiga muita gente e já era bem popular na nossa série.

–Eu segurei ela aqui um pouquinho, só para matar as saudades afinal já tem muito tempo que agente não se encontra.-a Melissa disse jogando um olhar zombateiro para mim-Não sabia que vocês duas eram amigas-ela riu-Bom, deixa eu ir então.-ela jogou o meu livro em cima da minha carteira e saia dando uma ultima olhada para Alice.

Eu guardei o livro e agente foi sentar no corredor já naquele dia a Alice estava com preguiça demais e descer as escadas. Fiquei chateada por a Alice ter presenciado aquilo e ao mesmo tempo me perguntava o quanto que ela havia efetivamente visto.

–Que foi isso?-ela me olhou com uma sobrancelha levantada e uma cara de séria.

–N-nada. Só coisa da Melissa mesmo...

–Unh...

Ela ficou olhando para mim com um expressão estranha no rosto e eu achei que ela iria começar um sermão sobre como eu deveria deixar de ser covarde e enfrentar esse tipo de situação, afinal, para ela era muito fácil já que era linda e toda confiante, enquanto eu era só eu. Só que ela não falou nada e o Leo começou alguma conversa sobre banalidades. Até que no meio da conversa ele me solta isso:

–Gente, eu to meio perdido. Tipo assim, eu tenho minha namorada e agente ta junto já tem uns 6 meses e tals, só que de uns tempos para cá as coisas ficaram meio estranha entre agente e a nossa relação ta bem sem graça. Para completar eu acho que estou gostando de outra pessoa. To pensando em trair minha namorada, que que vocês acham?

Eu fiquei horrorizada olhando para ele. Primeiro por que eu não era e nunca fui muito próxima do Leo e portanto nunca esperava que ele viesse falar coisas da visa íntima dele assim. Segundo por que ele estava falando em TRAIR a namorada só por que ultimamente as coisas estavam MEIO SEM GRAÇA entre eles e ele ACHAVA que estava gostando de outra pessoa. Eu fiquei com dó da menina. Ele tinha era que tentar resolver as coisas entre eles,e caso mesmo assim não desse certo ai sim ele tinha que terminar e tentar com a outra. Só que lógico que eu não falei essas coisas para ele. Iam me achar super antiquada e talvez até rissem do meu comentário. Então o que eu disse foi :

–N-não sei...

A Alice ficou olhando para gente por um tempo até que finalmente disse

–Não sei vocês mas eu acho uma babaquice você trair sua namorada por uns motivos desses! Namoro é coisa séria ow! Tenta se dar bem com ela de novo antes de você resolver tentar dar em cima de outra! E você nem sabe se essa pessoa da qual esta gostando vai querer ter qualquer coisa com você !-ela falou com um olhar duro

Ela disse mais ou menos o que eu tinha pensado mas não tive a audácia de dizer. Eu fiquei imprecionadíssima com a coragem dela de falar uma coisa dessas na tora assim. Nesse momento, por algum motivo, aquela pressãozinha no meio peito doeu um pouquinho mais.

O Leo ficou muito vermelho e envergonhado.

–Quê? Eu só tó falando o que penso, foi você que pediu meu conselho.-ela falou calma

–Eu sei...Acho que estou sendo meio babaca mesmo-ele falou dando um sorrisinho sem graça.

De resto correu tudo bem até o final da aula.

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Os dias foram passando e eu ia conhecendo a Alice cada vez melhor. Além de bonita, ela ainda tirava notas muito boas nas matérias, era relativamente boa nos esportes e era educada e gentil com todo mundo. Mas principalmente, ela não dependia de ninguém para nada e não tinha a menor vergonha de falar aquilo que pensava e defender seu ponto de vista um uma discussão. Sim, ela era praticamente perfeita. Rápido ela já tinha se tornado uma das meninas mais populares na nossa serie e onde quer que agente fosse tinha gente que queria ficar junto dela.

Ao mesmo tempo, aquela dorzinha incômoda que eu sentia no peito vinha aumentando cada vez mais e mais e eu não sabia como lidar com isso.

Outro dia de aula, outro recreio. Dessa vez eu estava só com o Leo já que naquele dia a Alice iria passar o intervalo com um outro grupinho de meninas mais velhas com as quais tinha feito amizade.

Eu e o Leo estávamos descendo as escadas, nos dirigindo para o patio onde provavelmente nossos amigos esquisitos (aqueles que gostam de manga e anime) estariam quando o Leo me solta essa:

–Você gosta da Alice não é mesmo?-ele falou com uma voz séria.

Eu tropecei no degrau da escada e cai com tudo no chão. Ele correu para me ajudar e me levantou me puxando pelo braço. Ali parados no meio da escada deserta ele continuou olhando sério para mim esperando uma resposta.

Eu achei que fosse entrar em colapso. Sério mesmo. Como ele podia me perguntar uma coisa dessas? Alice era uma GAROTA, como eu poderia estar gostando de outra GAROTA que ainda por cima era minha AMIGA? Isso era errado, sujo, nojento, grotesco, horrível.

–N-n-n-não Leo! Lógico que não! Olha o que você tá me perguntado!- eu falei com raiva

Ele ficou me olhando com olhar de descrença. Eu queria sair correndo dali e nunca mais olhar para cara dele.

– Se você ainda não percebeu a Alice e eu somos duas GAROTAS!!Como, em sã consciência eu ia gostar DE UMA GAROTA??Ainda mais da minha própria AMIGA ??Nunca, nunquinha!! Você tá achando que eu sou o que??

E aquela sensação no meu peito parecia que ia explodir e eu ia explodir junto com ela. Era horrível e fazia com que eu sentisse como se a partir daquele momento a minha vida fosse ser marcada por dores e sofrimentos que eu nunca tinha sentido antes.

Eu estava ficando desesperada e queria de todo jeito sair correndo dali. Ele ficou me olhando com um olhar sério que logo se transformou num olhar de pena e eu o odiei por isso.

–Camila, não precisa fazer assim...-ele começou ao mesmo tempo que chegava mais perto para colocar uma mão no meu ombro -mesmo que você gostasse dela e eu não estou dizendo que gosta não é o fim do mundo!Eu tenho vários amigos gays que...

–NÃO LEO! SAI DE PERTO DE MIM!

Ao som daquela palavra eu praticamente arranquei a mão dele do meu ombro e sai correndo. Pulei as escadas e sai em disparada. Eu sabia que estava chorando e que com certeza tinha muita gente olhando e que eu estava fazendo o maior papel de idiota da minha vida. Mesmo assim eu continuei sem nem saber para onde eu estava indo. Corri, corri, corri muito, e só parei quando me dei conta que eu havia chegado em uma arquibancada relativamente vazia. Tudo o que eu tive condição de fazer foi sentar ali e começar a chorar.

–Eu não gosto dela, eu não gosto, eu não gosto dela, eu não gosto dela...

Mais tarde, quando eu já tinha enxugado as lágrimas, lavado o rosto e engolido todas aquelas sensações ruins eu fui para a saída para poder encontrar e voltar para casa junto da Alice.

No momento em que eu coloquei os olhos nela eu quis começar a chorar de novo. Eu sabia que tudo o que eu tinha dito para o Leo e para mim mesma era mentira e que eu não podia mais ficar tentando esconder aquilo de mim. Eu gostava da Alice. Nesse momento eu senti como se tivesse aberto um buraco negro na boca do meu estomago e um peso enorme tomou conta de mim e passou a habitar os meus ombros. Eu senti nojo de mim mesma. Eu gostava da Alice e eu me odiava por isso.


Notas finais
desculpa os errinhos de português, eu tentei corrigi-los mas mesmo assim sei que devem ter muitos.