Lightweight.

31 This Is Not Home.


Notas iniciais
AGRADEÇAM AO CHATO DO EDUARDO POR FICAR ME IMPORTUNANDO NO FACEBOOK IMPLORANDO PRA QUE EU POSTE IMPLORANDO MESMO Brinks dudu do meu core marawonderful com roleta russa pq n lembro como escreve em ingles GENTE O CAP FICOU ENORME MAS TEM A CENA QUE EU QUERIA MOSTRAR AI MEU CU

"So when I'm ready to be bolder and my cuts have healed with time, comfort will rest on my shoulder"

Em meu sonho, Percy carregava uma Olivia de três anos enquanto Paris batia suas mãozinhas gorduchas de quatro anos na nossa pequena mesa de jantar.

Percy tentava preparar ovos mexidos enquanto eu sorria diante da cena. Eu amava acordar todo o dia apenas para ver o quanto ele poderia dar conta de dois bebês agitados com um sorriso e cócegas.

Annabeth do meu sonho parecia explodir de felicidade. Ela se esgueirou pela cozinha, beijou Percy carinhosamente, pegou Olivia de seus braços, preparando um leite morno para a garotinha de cachinhos dourados. Ela bateu as mãos felizes e gritou o nome de Paris embolado. Em seguida, implorou para assistir Bananas de Pijamas, Paris contrabateu, pousando as mãos ao lado de seus cabelos negros, pedindo por Backyardigans. Percy colocou os ovos mexidos com bacon em dois pratos na mesa, segurou Paris com um braço e ajudou-o a comer, contando a história de um pirata malvado e fazendo caretas. Os cabelos negros dele caiam sobre os olhos enquanto lhe era enfiado colheres e mais colheres de uma papa de aveia. Eu até podia sentir o calor da mamadeira quando sentei-me a mesa com Olivia em meu colo. Ela apoiou a cabeça em meu braço enquanto agarrava a mamadeira com suas mãos, deixando-me desconfortável para comer o meu incrível café da manhã.

Annabeth do meu sonho não se importava, entretanto. Não se importava com o desconforto, nem com os gritinhos de Paris, nem mesmo pela sala estar enfiada em uma bagunça de brinquedos, ainda não se importava por ter se atrasado em seus trabalhos ou por não poder assistir seus seriados e documentários já que tinha que distrair os filhos com desenhos animados. Ela parecia adorar aquela vida. E realmente adorava porque ela era eu. E eu amava aqueles dias calmos e serenos em que tudo que eu fazia era cuidar dos meus filhos e do meu possível marido.

Percy sorriu para ela com todos os dentes. Inclinou-se, dando um beijo no pé de Olivia que riu, brincou com a barra da camisola de sua eterna namorada e voltou a se dedicar para seu café da manhã.

A serenidade, contudo, foi interrompida por um estrondo na porta. Algo que nenhum deles esperava. A porta se abriu revelando um homem em vestes normais com olhos assustadoramente negros. Ele ergueu uma arma, apontou para os bebês e saiu. Sem nenhum tiro, mas com uma ameaça.

A mulher do meu sonho não chorou, não ficou surpresa, não fez nada. Porque ela não existia mais.

Levantei-me com calor. Quando abri os olhos, uma brisa fria da janela me afetou e me fez encolher. Respirei fundo, tentando recobrar meus sentidos, tentando esquecer aqueles olhos a minha frente já que sempre que eu tentava fechar meus olhos, aquela imagem aparecia atrás de minhas pálpebras.

Percy apoiou-se em um cotovelo, sonolento. Seus olhos estavam cobertos por uma névoa.

– Annie? – ele afagou minhas costas

De repente, sentou-se preocupado.

– Você está muito suada. O que houve? Teve um surto?

Balancei a cabeça, em um torpor. Balbuciei algo como “estou bem”. Fiquei grata por ele não acreditar naquilo.

– Quer água? Um chá?

– Você pode checar se as crianças estão bem?

– Eles estão perfeitamente bem, Annie. Não houve nada.

– Por favor? – pisquei os olhos, tentando afastar as lágrimas

Percy avaliou meu rosto por uns três minutos. Pulou da cama e ofereceu sua mão.

– Venha checar comigo, então.

Assenti, tentando dar um sorriso. Apoiei-me em seu corpo enquanto ele me carregava até o corredor. Abrimos a porta de Olivia primeiro que dormia tranquilamente encolhida em sua cama. Seguimos para de Paris. Uma de suas pernas estavam pendendo pela cama enquanto ele babava.

– Está tudo bem. – Percy fechou a porta e afagou meu rosto

Seus olhos verdes focados em mim, em qualquer reação que eu pudesse ter.

– O que houve, Annie?

Umedeci meu lábio inferior, sentindo minha boca seca, de repente.

– Você pode me abraçar?

Percy voltou a me observar. Ele afagou meus ombros e me abraçou.

Afastei as lágrimas com algumas fungadas. Percy me levou de volta para o quarto onde fiquei sentada de pernas cruzadas por um tempo.

– Está tudo bem? Qual foi o surto?

– Ele... Estava com uma arma... Para Liv e Paris e...

Percy acariciou meu joelho com os olhos distantes.

– Nada disso vai acontecer, ok?

– Eu preciso fazer alguma coisa. Não posso ficar de mãos cruzadas. Preciso...

– Deixe comigo. Vai ficar tudo bem. Vem, vamos dormir.

Balancei a cabeça. Eu precisava fazer algo. Aquela ideia ainda martelava em minha cabeça. Eu precisava fazer algo.

– Não quer dormir? – Percy passou a mão pelo rosto, engatinhou até que estivesse frente a frente comigo – Vamos... Hm, vamos pensar com que vestido você vai usar hoje para a abertura do meu iate!

Revirei os olhos.

– Ei, não faça essa cara para mim, garotinha. – ele apertou minhas costelas, fazendo-me rir com o indicio de uma cócega – Com que vestido vai? Meu terno é azul, espero que combine com ele, ok?

– É azul, também. – soltei um sorriso – Podemos dormir agora.

– Finalmente, eu estou morrendo de sono.

Percy sorriu, ele grudou os lábios nos meus antes de desabar no seu lugar da cama e dormir.

Respirei fundo, engatinhei para fora, pescando meu celular no criado mudo. Busquei o número de Kaya em meus contatos.

Preciso falar com você. Esteja na festa do iate hoje.

***

A festa do iate era um sucesso.

Um jornalista passou por mim quando eu peguei uma taça de champanhe. A câmera estava a minha frente e eu não sabia se encarava a careca do homem a minha frente ou aquela luz vermelha.

– Você é a esposa do engenheiro Jackson?

Arqueei as sobrancelhas, tentando adotar o sorriso educado que vim dando.

– Sim, sou eu.

– Podemos fazer uma entrevista rápida com você, por favor?

– Claro, claro. O que quer saber?

– Só um minuto. – o homem deu um sinal para o camera-man, então virou-se para mim – Você teve alguma participação na construção do iate? Alguma inspiração?

Dei uma risada.

– Não. Nossos trabalhos são sempre confundidos, mas se eu tivesse que fazer um navio, provavelmente eu o afundaria.

– Sabemos que o Sr. Jackson anda muito preocupado ultimamente, mas você acha que ele poderia fazer o navio melhor?

Franzi o cenho, o que ele queria dizer com preocupado?

– O navio está impecável, senhor.

– E Sra. Jackson, o que realmente aconteceu naquele restaurante? Quem a queria? E por que a queriam?

Respirei fundo. Não era um típico jornalista que apreciava a engenharia, era algum jornalista investigativo. Ouvi Luke falando que o iate estaria infestado dele, ele até comentou o quanto os odiava, em especifico uma tal de Mia que ainda não me bati.

– Acho que isso não tem nada a ver com o navio do meu marido.

– Não, claro que não tem, senhora. O que queremos saber é o que estava fazendo lá? Quem são esses homens que vem ameaçando Los Angeles por causa de você?

– Ninguém que te interesse, por sinal. – respondi, virando-me para dar de cara com Luke

Ele resmungou algo para o homem e ofereceu-me o braço.

– Você está bem?

– Na medida do possível. Pena que não posso arrastar o Percy para casa.

– Ele está comemorando. – Luke observou – É uma grande etapa, não é? O iate vai vender bem.

– Espero que sim. Vai ter.

Luke me levou até a parte de baixo onde Olivia conversava animadamente com Kaya, pude ver Paris colocando mais ponche em seu copo.

Franzi o cenho. Paris estava estranho há muito tempo desde a situação com Kaya, ultimamente ele havia ficado cada vez mais calado, o que começou a me assustar.

– Ah, não. Pode sair daqui. – Luke vociferou quando uma mulher ruiva parou a nossa frente

Ela usava um vestido longo verde, seus cabelos levemente ruivos, mais loiros, nos ofereceu um belo sorriso.

– Infelizmente pude perceber que Luke já fez uma péssima imagem de mim. Sou Mia Waldorf. – ela ofereceu a mão

Por educação, a apertei.

– Annabeth Chase.

Mia arqueou uma sobrancelha perfeitamente delineada.

– Chase. Bom, boatos me diziam que o nome do meio era Moore e o último era Jackson. Casada. Vou ter que mudar algumas coisas em sua biografia. – então, riu – Estou brincando.

– Não sou casada. – terminei, confusa

– Ela é uma idiota, Annie. Ignore. Waldorf, pode sair de nossa frente agora? Você está atrapalhando a visão da minha futura noiva. – ele balançou a mão, indiferente

Mia quase gargalhou.

– Qual seria a mulher em plena consciência que casaria com você, Castellan? Não seja ridículo.

– Kaya está propensa a isso. – retruquei — Se me dão licença, preciso conversar com ela.

Nenhum dos dois pareceu notar que eu havia saído. Quando cheguei perto de Olivia, Kaya gargalhou.

Minha filha tinha o cabelo preso em uma trança bagunçada e mesmo que o céu tivesse dado uma trégua hoje, ela ainda vestia uma blusa de mangas longas junto com uma saia azul marinho longa.

– Isso é maravilhoso! Você deu um grande pé na bunda dele, Liv.

– Bem, é o que fazemos. – ela deu de ombros – Não sei se ele vai ter coragem de voltar para mim.

– Talvez ele volte. Se for um homem de verdade. – Kaya afagou seu ombro

– Olá, meninas. – cumprimentei

Olivia mordeu o canto do lábio sorrindo para mim.

– Vou procurar o papai. Quero uma foto com ele no E! News.

Assenti, despreocupada, tomando seu lugar e ficando na frente de Kaya que ainda mantinha um sorriso.

– O que queria falar comigo?

– Preciso de sua ajuda e está me devendo uma.

O sorrio dela sumiu.

– Precisando de minha ajuda? Quem diria que eu poderia ouvir a grande Annabeth falar isso para mim?

– Você é uma mercenária. – grunhi entre dentes – Preciso de sua ajuda.

– Quer virar uma mercenária também?

– Eu acho... – tossi, afastando-me levemente dela – Acho que tenho uma pista de onde Jay possa estar e já que você já esteve perto dele, poderia... Ir comigo. Tentar achar uma informação.

Kaya sorriu, fazendo seus lábios vermelhos demais parecerem uma grande zombo contra mim.

– E quer fazer isso sozinha?

– Com você, obviamente. Nenhuma outra pessoa me ajudaria.

– Primeiro, você precisa carregar uma arma e atirar em uma pessoa sem hesitar. Consegue fazer isso?

– Sim. – assenti firmemente – O que mais preciso fazer?

– Guardar segredo. – ela piscou, cruzando os braços – Não contar ao meu irmão ou ao meu pai que vou voltar ao trabalho.

– Tudo bem.

– Pode fazer isso, Chase?

– Se disse que posso, é porque posso. Algo mais?

Kaya travou o maxilar, seus olhos correram rapidamente pelo iate com uma audácia nata e então, inclinou-se em minha direção.

– Você está estranhando Paris?

Senti a raiva se apossar de mim tão rapidamente que tive que me controlar para não pular em cima dela.

– Você ainda está falando com ele? Qual é a porra do seu problema?

– Eu já me afastei dele como você pediu. – Kaya crispou os lábios, claramente irritada – Não vou chegar perto de Paris nesse sentido.

Fiz uma careta com o que disse.

– Qual é a suspeita?

– Ele está com seu isqueiro.

Dei um riso nervoso. O isqueiro.

– Qual isqueiro?

Kaya revirou os olhos, ajeitando os ombros tensos.

– Não se faça de idiota. Ah, não, talvez você realmente seja. – ela soltou uma gargalhada, batendo palmas – Como você é idiota, Annabeth! Não me diga que você não suspeitava do isqueiro.

Arqueei a sobrancelha.

– Não vou destruir a única coisa que me liga com meu pai, embora eu ache que isso não é da sua conta.

– Bem, é, quando eu quase fui morta por causa disso. – Kaya deu de ombros – Só que Paris é mais inteligente do que você e meu irmão pensam. Enquanto Olivia ficou com a parte da ação, — ela se inclinou com um sorriso provocativo – ele ficou com a inteligência.

– O que está insinuando? – vociferei

– Ele está com o isqueiro. – ela deu de ombros

– O quê? Por que ele fez isso? Como você sabe disso?

Comecei a andar, procurando por Percy. O balanço do iate me fez querer desmaiar. Pude ouvir os passos apressados de Kaya ao meu lado, mesmo tendo certeza que ela só queria ver o que aconteceria e não ajudar.

– Ele acha que a lista está lá. – Kaya ergueu, com elegância, a barra de seu vestido quando começou a andar – Como todo mundo. Menos você, claro.

Parei de repente e virei-me para ela.

– Como você sabe disso?

– Acho que não te importa. Quer ser uma materialista e ver as pessoas que você ama morrer? Ok, vamos lá deter seu filho. Quer acabar com uma parte da brincadeira? Então, pague pra ver.

Kaya era uma mulher independente e consciente de si. Por um momento, senti uma pitada de inveja dela por ser tão confiante. Aquilo passou de imediato quando encarei seus olhos – ainda provocativos, embora parecessem gelo.

Continuei fitando-a e cruzei os braços.

– Como posso saber se isso não é mentira?

– Pague para ver.

– O que você sente por Paris? Por Luke? Quem é você?

– Perguntas para outro momento, querida cunhada.

– Responda-me.

Ela pousou as mãos no quadril com firmeza, como se estivesse pronta para iniciar uma briga.

– Perguntas para outro momento. Em breve. – ela estreitou os olhos, crispando os lábios

Senti mãos pesadas pairando ao redor de minha cintura, pulei para o lado para observar o sorriso de canto de Percy.

– Quão legal é ver sua irmã preferida com sua futura esposa sensacional na melhor inauguração do melhor iate do universo? – ele beijou a testa de Kaya, pressionando os lábios contra os meus – Hm, morango.

– Vocês são nojentos. – arqueei a sobrancelha quando ela disse isso – Vou procura-lo do outro lado. Ligo para você caso o ache.

Percy franziu o cenho, virando-se para mim enquanto ela batia os saltos com delicadeza no piso.

– Procurar quem?

Recobrei a consciência e o que estava fazendo. Se aquilo que ela dissera fosse verdade, eu estaria com muita raiva de Paris por um bom tempo. Ninguém tinha o direito de tirar de mim a única coisa que restara do meu pai.

– Paris. – vociferei, voltando a correr e descer pelo píer

– O que ele fez dessa vez? – Percy olhou por cima do ombro enquanto alcançávamos o fim do píer

– Ele está com o isqueiro! – gritei, sentindo o bolo, finalmente, se formar em minha garganta – A droga do isqueiro está com ele! E ele acha que a droga da Lista está lá.

– A Lista? Como ele sabe sobre a Lista?

Massageei minhas têmporas.

– Não sei. Não faço mínima ideia.

– Quem te disse isso?

– Kaya. – virei-me para ele – Você acha que ela pode estar mentindo?

– Talvez. Onde você deixou o isqueiro?

– Sempre na minha bolsa.

Percy assentiu, cruzou os braços e inclinou-se na minha direção.

– Vou ligar para ele e pedir para ele nos encontrar aqui, ok? Então, poderemos tirar nossas dúvidas. Se acalme.

– Me acalmar? Como posso me acalmar quando sei que meu filho pode estar destruindo a única coisa que me liga ao meu pai?

– Se isso realmente aconteceu, Annie – Percy disse com o tom sério que me fazia querer soca-lo –, conversaremos depois. Se não, não adianta você chorar e espernear. Vamos descobrir onde Paris está primeiro.

Andei de um lado para o outro enquanto ele tirava o celular da calça cáqui. Percy batia o pé regularmente na madeira até que, finalmente, soltou um suspiro aliviado.

– Onde você está? Venha para o píer... O quê? Ok... Ei, Paris. Se acalme. Está tudo bem. Só venha para o píer. Ok, filho, tudo vai ficar bem. Venha para o píer. – repetiu

– O que aconteceu? – aproximei-me dele, pegando o celular de suas mãos para ver que a ligação já havia sido encerrada

– Ele está com o isqueiro.

– Está vendo?! – afundei meu rosto entre minhas mãos – Por que ele fez isso? Por que ele teve que fazer isso?

– Annie, agir dessa maneira não vai nos ajudar em nada. Vamos deixar para brigar com ele quando ele chegar e nos der uma boa explicação.

– Nenhuma explicação vai ser boa o suficiente.

Percy revirou os olhos. Me mantive afastada, tentando controlar meus pensamentos. Por que diabos Paris achava que poderia dar conta de tudo aquilo? De um modo tão de repente? Céus, o que ele pensava que estava fazendo? Quem ele pensava que Jay era? Obviamente, ele viu do que aquele psicopata era capaz desde o acontecimento com Graham.

Tudo ficaria bem, me obriguei a pensar. Ele não encontrou nada. Isso. Nada.

Demorou quinze minutos até que víssemos Paris correndo em nossa direção. Avancei contra ele, erguendo minha mão. Ele me ignorou, andando até Percy.

– Eu encontrei. – ele ofegou, apoiando as mãos no joelho

Virei-me para ele, franzindo o cenho.

– Me dê agora. – obriguei-o com a voz calma

– Não! Não vou dar porra nenhuma a você! – ele gritou contra mim, o rosto vermelho e os olhos cinza tempestuosos

– Paris! Olha como você trata sua mãe.

Ele riu, cheio de escárnio.

– Mas que merda, não é? Agora vocês estão no outro lado. – Paris revirou os olhos e virou-se para Percy – Eu encontrei o que vocês queriam. Agora você pode dar isso para o Jay e ele nos deixará em paz.

Percy passou a mão pelo rosto com raiva, afastando-se de Paris.

– O que você fez? Como você descobriu sobre a Lista?

Meu filho franziu o cenho, cruzando os braços.

– Isso não importa, o que importa é que eu consegui.

– As coisas não são tão fáceis assim, Paris. Diga-me como você descobriu e então, posso escutar você.

Paris começou a bater o pé, passou a mão pelos cabelos escuros e assentiu. Continuei paralisada, talvez ainda tentando processar a rejeição.

– Eu ouvi uma conversa dos meus tios, ok? Eles falaram de algo sobre a Lista, sobre estar com a Annabeth e eu... – ele pigarreou, desviando o olhar – Meio que invadi o computador do tio Luke, peguei algumas informações e fiz um trabalho melhor que sua não-esposa.

Percy avançou sobre ele, colocando o indicador entre eles.

– Primeiro, respeite sua mãe.

– Eu respeito! – Paris gritou – Olha como ela está agora! Paralisada! Como sempre! Tudo isso poderia ter acabado se ela não fosse tão egoísta e materialista.

Não sei o que aconteceu com meu corpo. Apenas senti a ardência da minha mão contra algo que pareceu se espatifar. Respirei fundo ao ver Paris no mesmo lugar com o rosto virado e os olhos assustados.

– Eu nunca bati em você, Paris e não quis bater em você. Em primeiro lugar, você não tem o direito de julgar a maneira que ajo ou o que penso até porque você não sabe nada sobre o que penso. E se você acha que pegar conversas soltas no ar, vai te fazer um Jim Gordon da vida, é melhor você crescer, garoto. – rosnei, fechei os olhos e respirei fundo – Agora me mostre o que fez com meu isqueiro.

Paris me encarou – um misto de raiva, vergonha e medo – então, enfiou a mão no bolso e tirou pedaços esmigalhados do que um dia fora um isqueiro.

As lembranças me acertaram tão forte que eu nem tive tempo de controlar o surto. Ele veio rápido, embora eu soubesse que ele estivesse pronto para atacar novamente. Como um furacão inesperado.

Segurei a respiração quando a imagem em frente aos meus olhos já não era mais Paris assustado, o mar e a brisa fria contra mim. A brisa ainda estava lá, no entanto, eu encarava meu pai confiante dizendo algo sobre ursos e fogos enquanto me entregava o isqueiro. Em seguida, eu estava em Hampshire, em uma das mesas de pedras perto do lago, alguém estava ao meu lado e fumávamos cigarros juntos. A última lembrança eu estava no meu carro depois da primeira ligação de Jay.

Respirei fundo ao sentir uma voz doce sussurrando ao meu ouvido. As imagens se dispersaram. Abri os olhos, tonta, ao perceber que eu estava sentada no píer com Percy atrás de mim.

–...bem. Só confie em mim. Eu vou dar um jeito em tudo.

– Me largue. – bati em suas mãos, tentando recobrar minha consciência e minha força

– Annie, deixe-me...

– Eu disse para me largar! – a minha voz elevou-se a tom acima do que eu esperava

Percy me olhou, apreensivo, afastando-se lentamente enquanto eu me levantava. Tirei o pó do meu vestido, procurando os olhos de Paris – mais assustados que nunca.

– O que você achou?

Paris engoliu em seco. Seus dedos largos demoraram até pegar um pequeno pedaço em meio a tantos destroços. Tentei lembrar que aquilo não era meu isqueiro. Talvez fosse um sonho que eu acordaria a qualquer segundo.

– É um cartão de memória. – ele ergueu diante dos meus olhos

Pude ouvir a voz de Percy falando no telefone. Peguei o cartão em minhas mãos sem olhar para Paris. Não conseguiria encará-lo agora.

– Mãe...

– Quieto.

Ele, novamente, engoliu em seco e deu um passo para trás.

– Com quem estava falando? – perguntei quando Percy se aproximou de nós novamente

– Nico. Luke, Ethan... Acho que Thalia também está vindo com o Ian. Vamos dar um jeito de descobrir o que é isso. O melhor a se procurar é Nico.

– Não. – retruquei, firme

Percy arqueou as sobrancelhas.

– O que quer dizer?

– Que, por enquanto, eu não vou abrir isso. E se isso é o que restou do meu pai, então eu decido o que fazer, não é?

– Annabeth. – Percy se aproximou de mim – Isso é muito importante para as investigações e...

– Eu não quero saber! A droga do isqueiro é meu, não é? Foda-se Jay! Foda-se! Eu estou de saco cheio de ter que me preocupar com ele, ok? Posso em preocupar comigo? Uma vez nessa droga de vida? Pode se preocupar como estou me sentindo? Como minha vida está arruinada?

– Vamos dar um jeito nisso.

– Não! – voltei a gritar, afastando-me dele – Eu só quero ir para casa. Fique aqui. Eu... Preciso pensar.

Respirei fundo. Os olhos de Percy pareciam navalhas tentando descobrir o que eu pensava, por um momento, soube que ele não fazia ideia do que eu estava pensando e me senti bem por isso. Não queria que ninguém soubesse.

– O que está acontecendo aqui? O que houve? – a voz de Luke era urgente e preocupada quando se aproximou de mim

Percy mexeu os ombros, cruzando os braços.

– Ela não quer que ninguém se aproxime. Pode se afastar, por favor?

– O que porra você fez com ela, seu imbecil?

– Ok, ok, acalmemos os ânimos. – Ethan deu um sorriso falho, segurando o braço de Luke – Gostaria de nos contar o que aconteceu, Percy? Paris?

Paris engoliu em seco. Virei-me para os dois, apenas para ver Thalia correndo com Ian e Nico lado a lado.

– Eu vou contar o que aconteceu. – me pronunciei, sentindo todos os olhos voltados para mim – Eu tenho um filho que me odeia, por sinal. E... Peço desculpas por estar sempre atrapalhando a vida de vocês...

– Deixe de ser idiota. – Thalia resmungou, vindo em minha direção – Vocês, — ela apontou para todos – se demorarmos aqui, aqueles malditos jornalistas imbecis vão nos procurar. Voltem e ajam normalmente. Eu levarei a Annie para casa.

– Eu não quero... – tentei

Thalia me olhou, horripilante. Em seguida, ajoelhou-se para ficar da altura de Ian.

– Vou sair com a tia Annie, então se comporte com o papai, certo?

Ian assentiu de olhos arregalados.

– Ótimo. Voltem.

Todos respiraram fundo, como se obedecê-la fosse um belo tiro no orgulho. E era. No meu também, embora me sentisse mais segura e feliz com Thalia ao meu lado.

Minha prima esperou até que todos estivessem em uma boa distância e olhou para minha mão. Sua expressão estava séria, temerosa e finalmente, assustada.

– Bem... Nada que um bom vinho não resolva, certo? Vamos dar conta de mais alguns maníacos.

Tentei sorrir, mas tudo que fiz foi mexer os ombros e começar a chorar.

Notas finais
E ENTÃO PERGUNTAs: oq vcs acham do paris? oq vcs acham da kaya maravilhosa linda jackson? pq vcs acham que essa lista é tão importante e o mais legal: pq a annabeth ficou tao puta com o paris BRINKS NAO pq a annabeth agiu dessa formacom ele mesmo dps do isqueiro tipo era o filho dela E POR ULTIMO: pq o paris endoidou? Quem quiser fazer uma vaquinha para comprar a trilogia de Legend em inglês com capa dura, também estou aceitando, muito obrigada por todo amor!!! VÃO NA SOMBRA MIGOS