Lights off

1 Lights off


Notas iniciais
Amo essa família, especialmente esses irmãos. Regulus rei de Slytherin FTW!

‒ Se está com medo, acenda a luz.

Era o que Sirius costumava dizer. Segundo ele, as coisas não eram tão ameaçadoras quando você conseguia enxergar o que elas realmente eram. E Regulus nunca gostou de escuro.

* * *

1967

Teve a vez do armário do sótão, uma velharia que seu pai queria jogar fora ou usar para abastecer a lareira, mas sua mãe queria reformar por ser uma relíquia de família. Até decidirem o que fazer ou onde colocar, ficou esquecido no sótão por anos, quando os jovens Sirius e Regulus já tinham idade para se aventurar pela casa.

‒ Sirius, a mamãe já falou que não é para mexer aí.

‒ O que foi, está com medo?

‒ Não!

‒ Então vamos ver, estou curioso.

Sem esperar muito mais, o mais velho escancarou as portas duplas do armário. O que eles não esperavam era que um enxame de fadas mordentes tinha escolhido aquele armário para se esconder há muito tempo e voaram de encontro aos garotos assim que as portas foram abertas de um modo nada delicado por Sirius, fazendo-os gritar e agitar os braços para tentar afastar as criaturas. Desorientado e sem perceber para onde estava indo, Regulus acabou indo de encontro ao armário. Sirius conseguiu perceber o móvel balançando e deu um pulo para trás quando a estrutura caiu para a frente, mas seu irmão mais novo não tinha sido rápido o bastante, ficando preso entre o chão e o armário.

O estrondo seguido pelos gritos dos garotos atraiu a atenção de Órion e Walburga no andar de baixo. O resultado? Regulus apavorado no colo da mãe enquanto Sirius sentia o cinto do pai no traseiro.

* * *

1972

Regulus amava a estação de King’s Cross, tão ampla e iluminada, além de movimentada. A plataforma 9 ¾ só foi visitada por ele quando Narcissa foi para Hogwarts pela primeira vez e seus tios o levaram para se despedir de sua prima favorita, mas existiam outras plataformas. Como a 7 ½, que levava para o continente ligando Londres a Paris passando por dentro do canal da mancha ou a 3 ¼, de onde costumava sair o trem para a Irlanda. Por ser de uma família importante, as viagens eram frequentes no calendário de Regulus e os trens eram o meio de transporte favorito de seus pais, passando por consequência a ser o seu também.

‒ Não sei qual é a graça, é só uma estação de trem. – Dizia Sirius, quando via o irmão mais novo olhar em volta ou admirar o grande relógio sobre as plataformas.

‒ Ia gostar mais se soubesse que esse lugar foi, na verdade, projetado por nós bruxos. Não tem como algo com tal estrutura ter sido feito por muggles. Se viajasse mais comigo, também gostaria mais.

Sirius revirou os olhos e seguiu em frente. Viajar com seu irmão significava viajar com seus pais e isso era algo que ele nunca fazia.

* * *

1976

Regulus estava sozinho em casa. Sirius havia ido embora com intenção de nunca mais voltar. Seu quarto parecia ainda mais escuro do que antes, mas agora já sabia acender a luz sozinho.

‒ Lumus!

Ele refletiu um pouco, olhando para o ponto de luz em sua varinha. Foi o primeiro feitiço que Sirius lhe ensinou assim que voltou da escola. Antes da rachadura entre eles se transformar em uma fenda que se transformou, posteriormente, em um abismo.

Ainda assim, o quarto continuava a parecer escuro.

* * *

1978

Regulus olhou para as cartas em sua mão e tentou lembrar do motivo pelo qual aceitara uma conversa com Sirius. Um local movimentado, sua adorada estação de King’s Cross. Um jogo de baralho para distrair. Entre uma carta e outra, breves sentenças eram trocadas.

‒ Regulus... Você sabe que pode me procurar, se quiser, não sabe? Aceitaremos você entre nós de bom grado.

Um carta para a pilha de descartes, uma para a mão.

‒ Não precisa se preocupar. Não vou atrapalhar sua nova família.

‒ Você também é minha família, Regulus.

Mais uma carta comprada.

‒ Não era o que parecia.

‒ Você sabe muito bem porque eu fui embora.

‒ Mas precisava cortar o contato até comigo?

Mais uma carta descartada.

‒ Tinha medo de que brigassem com você se descobrissem que entrei em contato alguma vez. Sabe que não precisa seguir esse caminho, eu sei que não é o que você quer de verdade.

‒ Você acha que sabe muitas coisas, Sirius. Eu sei muito bem o que estou fazendo.

‒ Como quiser.

Sirius abaixou a mão, revelando um Straight Flush. Regulus sorriu.

‒ Não subestime minha capacidade, irmão. Também tenho meus propósitos.

Ele abaixou as cartas sobre a mesa e se levantou, cumprimentando Sirius pela última vez antes de ir embora. Na mesa, um Royal Flush.

* * *

1979

Regulus sempre soube que seu fim seria no escuro. Ele manteve a varinha acesa até que as águas o engoliram. Seu primeiro feitiço também fora seu último.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!