Lights In The Camp

9 O dia em que o filho da morte não morreu


Notas iniciais
NÃO ME MATEM, POR FAVOR! Eu estou em época de pré-vestibular, então está muito complicado de achar tempo. Mas eu nunca vou abandonar a fanfic, por mais que eu demore. Me perdoem e espero que gostem do cap. Hoje tem revelações bombásticas :0 PS: A foto não é do filme ou uma representação do punho de Zeus. Foi só uma foto de mais ou menos como eu imaginei. Beijos de luz ;)

Por Júlia Martínez:

E após várias noites de sono merdas, havia o jogo que todos pareciam amar: captura da bandeira. Eu estaria mais do que animada em qualquer outro momento, mas eu só conseguia pensar em como tudo aquilo era completamente insano. Durante as semanas que se passaram, eu evitei ao máximo o Cara Pálida e tentei seguir no processo “no que sou boa?” sem maiores distrações do meu eu estranho. Tínhamos tentado de tudo:

Pintura: Foi desastroso e a pintura de Will saiu parecendo uma batata.

Cantar: Eu tinha ido bem.

Tocar: Violão e guitarra sim, já bateria... DESASTRE!

Trabalho nas forjas: Sou completamente desastrada e só sei quebrar, nunca fazer ou concertar.

Esgrima: SIM! ALGO EM QUE EU SOU BOA!

Arco e Flecha: Minha mira é péssima.

Outro tipo de arma: Nem tentei, espada se tornou minha paixão.

Voar em Pégaso: Uma das melhores coisas que eu já experimentei.

Natação: OH YEAH!

Magia: Argh... DESASTRE: O RETORNO.

Lógica: Maravilhosa.

Liderança: SOU TÍMIDA D-E-M-A-I-S.

E é só.

O que deixou a TODOS em completa dúvida sobre quem é meu pai. Apolo? Poseidon? Afrodite e Atena estavam fora de questão. Mas, eu não tinha muitos talentos em comum. Era boa em música, ruim em pintura e poesia, ótima com pégasos e natação, mas péssima em prender a respiração, boa em espada, mais ruim em arco e flecha, boa em lógica de guerra e mapeamento, mas uma tragédia em falar em público. Eu era filha de quem, afinal? Se para ser filha de Apolo ou Poseidon, eu tinha meus prós e contras? Argh! Não seria mais fácil que minha mãe me dissesse? Não. Pois eu tinha perguntado a ela na primeira e única vez que nos falamos e ela disse que ninguém podia me revelar. Que nem mesmo ELA sabia. EU VOU ENLOUQUECER.

Tudo bem, voltando para o dia atual. Todos tinham que participar do famoso jogo excitante, então eu não pude pedir pra ficar de fora. Na verdade, eu não queria. Queria lutar e mostrar pra mim mesma que eu tinha aprendido a usar uma espada com Percy. Depois que nos conhecemos na praia, Anne sugeriu que os dois procurassem qual o estilo de arma que combinava comigo e fomos até o depósito do Arsenal para procurarmos por alguma coisa que me agradasse. Eu olhei para uma espada e ela olhou pra mim e foi o único amor à primeira vista que eu tive. E desde então, eu e Percy treinamos sem parar na Arena. Ambos disseram que eu tinha que me preparar para a batalha contra o exército de Cronos e tínhamos tido a conversa tensa sobre: o mundo pode acabar por causa do titã loucão do tempo. Eu nem o conhecia e já o odiava. Duas semanas de treinamento árduo não me fez experiente como Percy, mas acho que dava pra fazer um meio-de-campo nesse jogo. Mas Percy havia deixado bem claro: Júlia Martinez, você é melhor do que eu quando comecei. Ele só podia estar mentindo pra me agradar, certo?

Eu já estava com a armadura posta e uma espada aleatória do Arsenal. Aquela armadura parecia brincar de deus da gravidade. Parecia pesar uma tonelada, e eu era muito sedentária para aquilo.

— Júlia Martínez, time vermelho. – Alguém gritou e Anne mostrou onde estavam os elmos.

Por Nico Di Ângelo:

Eu estava treinando feito um louco? Verdade. A batalha contra Cronos se aproximava e todos nós estávamos loucos para nos aprimorarmos e construirmos forças de defesa e ataque. E por que jogar capture a bandeira se poderíamos simplesmente estar fazendo outras coisas? Simples. A tensão era tão grande que precisávamos relaxar os campistas de alguma maneira. Eu precisava relaxar de alguma maneira.

— Nico Di Ângelo, time vermelho. – Peguei meu elmo e segurei minha espada de ferro Estigio ao meu lado, já que tinha colocado a armadura mais cedo. Jake veio até mim com um sorriso gigante no rosto enquanto segurava o elmo do time azul.

— Meu martelo vai mandar sua espada de volta pro Estige. – Jake disse e rodou o martelo nas mãos.

Ri de sua afirmação.

— Haha, vá sonhando, Mason. – Revirei os olhos pra ele. Olhei ao redor e avistei Júlia Princesa Irritante vestindo o elmo vermelho. Ela não podia ter ficado no outro time? Revirei os olhos mais uma vez.

— A novata é legal, você podia conhecer ela. — Jake passou o braço por meus ombros.

— Eu conheci e não gostei. — Retirei seu braço do meu ombro e passei a mão por meu cabelo.

— Quando? — Jake me olhou incrédulo, com seus olhos castanhos e bem claros.

Dei um breve e desgostoso resumo das vezes em que interagi com a Princesinha e Jake revirou os olhos no final.

— Por que a chama de princesinha? Garotas como Julia detestam esse adjetivo. – Jake revirou os olhos pra mim e eu o olhei.

Só então percebi que não havia dito sobre a conversa com o oráculo. Como ia explicar que chamava a Julia de Princesinha por causa do oráculo e não por ela ser uma menina, sem dizer a ele SOBRE O ORÁCULO? Preferi dar de ombros e revirar os olhos. Típico.

— Quando eu digo que você é um péssimo melhor amigo que não conta nada pra mim, eu falo sério. — Jake revirou os olhos e me deu um soco no ombro.

— Eu não achei importante.

— Nada parece importante pra você. — Jake saiu para perto do seu time assim que gritaram: nas posições, pessoal. Corri para o meu time, assim como Júlia. Ao seu lado estava Will Solace, que parecia ter virado seu fiel escudeiro.

— Vou separar os times para defendermos nossa bandeira. — Clarisse La Rue rugiu e dividiu o grande grupo em pequenos grupos de seis. Apenas um tinha quatro, o time escalado para buscar a bandeira, mandar o sinal de reforços para o outro grupo de seis e assim lutarem contra os defensores da bandeira do time azul. — Will Solace, Júlia Martínez, Percy Jackson e Nico Di Ângelo, vocês serão o grupo de busca. – Ela gritou e após isso continuou gritando os nomes dos outros e os separando nos grupos.

Me aproximei de Percy, que me recebeu com um sorriso. Então lembrei-me da conversa que tínhamos tido assim que o garoto voltara de sua missão explosiva que terminou em tragédia, logo após ele voltar para o seu chalé e toda aquela confusão entre meu sonho e o da Princesa Irritante.

Flashback ON:

— Tenho que contar algo para você. – Percy disse antes mesmo de eu me sentar perto da cama no chalé 3.

— Eu também preciso. Você primeiro.

Então, Percy contou exatamente TUDO o que havia acontecido. Era a primeira vez que eu ouvia a história, até por que a verdadeira versão não tinha sido exposta para todos os campistas. Aqueles tipos de assuntos eram sigilosos e Percy só contava para os mais próximos. Fiquei um pouco chocado por escutar a vivência dele no ocorrido, mas eu já sabia antes de ele dizer. A única coisa que realmente me assustou foi o sonho de Percy com Júlia. Daquilo eu não sabia e era completamente insano, pra falar a verdade. Essa garota parecia ter ligação com todo mundo e até com gente morta. Ela devia ser bem especial e não de um jeito bom. Percy percebeu que eu não estava tão surpreso quanto o esperado e seus olhos verdes se fecharam em fendas desconfiadas para mim.

— Mas você já sabia. – Ele disse, ao terminar.

Contei pra ele sobre meu sonho, sobre o de Julia Martinez, sobre a conversa com Quíron, sobre a nova profecia, sobre a futura profecia para mim e Júlia e até sobre o fantasma repentino que a garota estava vendo. Percy não estava acreditando. Ele negou com a cabeça várias vezes, olhando pra mim.

— Não estamos tomando conta nem de uma profecia... – Percy olhava para o nada.

— Não é pra agora, Percy. – Ele me olhou. Percy sabia como eu tinha uma intuição aguçada.

— O que você acha? Alguma teoria? – Ele me olhou fixamente e eu neguei com a cabeça.

Mas não por que eu não sabia, e sim por que eu não gostava do que me vinha em mente.

— Acho que sei quem de nós vai participar da profecia. Óbvio que é só um chute. – Percy me olhava atentamente. – Eu, você, Júlia, Anne e mais alguns novatos. Não acho que mais alguém que já está entre nós irá também.

— Como sabe? – Percy voltou a olhar para o nada.

Por que escutei de alguns fantasmas do submundo.

— Palpite. – Menti. Aquilo era estranho para alguém não filho de Hades.

— Júlia é a nova Hércules. – Percy balançou a cabeça, descrente. – Coitada, deve estar com a cabeça explodindo de tanta informação.

— Eu perdi minha irmã duas vezes, para as caçadoras e para a morte, assim que cheguei aqui e você foi acusado de roubar o raio mestre do deus todo poderoso irritante Zeus. Ela aguenta. – Na verdade, eu também estava com pena dela, mas era tão irritante que eu negava.

— Quem acha que são os dois mortais? – Percy perguntou, lembrando-se talvez da profecia que eu tinha recitado.

— Não sei o outro. – Percy olhou pra mim. – Mas acho que um deles é a Rachel.

Flashback OFF.

— E aí cara? – Perguntei e ele apenas negou com a cabeça.

— Falamos depois. – Percy me abraçou e eu reagi como uma pessoa que não gosta de abraço, mas que abraça seus amigos por que gosta deles. Resumindo: como eu fazia com ele, Jake e Anne.

— Ju, você é novata e foi escalada pro grupo de buscas. Arrasou. – Will disse a ela enquanto fazia uma chave de braço em seu pescoço. Lógico que eles só estavam brincando.

Percy e eu nos aproximamos deles dois.

— Como assim? – Ela fez cara de confusa.

— Apenas os mais rápidos ou os mais silenciosos vão para o grupo de buscas. – Percy deu um risinho pra ela. – Não entendi por que você está aqui.

— Quer apostar corrida de novo? Por que da outra vez você perdeu. – Júlia debochou dele e Percy lhe mostrou a língua.

— É, deve ter sido a sua rapidez que fez Clarice te escolher, por que silêncio não foi. – Will brincou e ela cruzou os braços.

— Vocês tiraram o dia pra me irritar. – A baixinha revirou os olhos e recebeu outra chave de braço de Will.

— Ok, tenho um plano. – Ignorei o assunto, pois se tratava da Princesa Irritante. Antes de contar para eles o que tinha em mente, Clarisse La Rue subiu em uma pedra gigante para olhar para todos.

— Vou liderar o grupo de ataque, na terra. O grupo de defesa da bandeira, ficará protegendo a bandeira que estará escondida perto da torre de escalada, por entre algumas árvores, próximo as rochas unidas na floresta. Os caçadores vão estar sempre juntos e alertas aos possíveis sinais do grupo de buscas. Sejam totalmente discretos. – Ela olhou para nós quatro. – Vão! VAMOS GANHAR, TIME VERMELHO.

Todos gritaram e soltaram urros de felicidade e determinação e eu tentei não achar estranho os termos que Clarisse usava para os grupos. Nós quatro nos dirigimos a uma área calma para o que eu tinha em mente.

— A floresta. – Comecei e Percy parecia estar pensando o mesmo que eu. – Connor Stoll é tão previsível que eu acho que estará lá.

— Stoll está no comando? Desde quando? – Percy levantou as sobrancelhas.

— Desde que você, Nico e Clarisse estão no mesmo time. – Will começou, como se fosse óbvio. – E desde que Annabeth não está participando.

— Ou seja, não sobra lideres comuns no outro time. – Percy compreendeu sozinho.

— Desde quando eu sou líder? – Revirei os olhos para Percy, totalmente desacreditado.

— Desde que é você que vai nos liderar. Não é o mestre do silêncio, Rei Fantasma? – Percy sorriu e seus olhos verdes brilharam.

Revirei os olhos de novo.

— Você só pode... – Um som alto e oco rugiu de algum lugar e o jogo começou.

— Ok, não sei muito sobre isso e provavelmente vou ferrar a gente em algum momento do jogo. – Julia começou a dizer, irônica.

— A gente sabe. – Resmunguei e ela revirou os olhos pra mim.

— Mas, sou baixinha e... – Ela começou.

— Anã. – Resmunguei de novo e Julia me empurrou de leve.

— Qual é o seu problema? – Julia rugiu pra mim e eu realmente não sabia.

Quando eu não gostava de alguém, eu ignorava sua existência e seguia suave na nave. Mas eu tinha uma vontade imensa de irrita-la, pois ela fazia igual. Quando isso tinha se tornado um jogo? Desde quando eu entrava em algum jogo? Alguém avisa a Zeus que a gravidade está meio louca.

— Nada. Você se irrita muito fácil. – Dei meu pleno sorriso debochado e voltamos a formar um circulo.

— Sou baixinha... – Ela me olhou, certificando-se que eu não ia mais soltar gracinhas sobre ela. – E sei me esconder com mais facilidade do que vocês que são como o Cristo Redentor.

— Quem? – Will perguntou, confuso.

— O Cristo Redentor. Sétima maravilha do mundo. – Julia começou e nenhum de nós parecia saber sobre quem ela estava falando. – Brasil. – Nada. – Rio de Janeiro. – Julia tentou de novo até que desistiu. – Ok, enfim. Podemos formar duplas e nos separarmos. E o mais baixinho da dupla, vai na frente sempre se escondendo até ver se está tudo livre.

— Ok. Nico, você é o mais baixo de nós três. Então os dois ficam em duplas diferentes. – Will olhou para todos nós.

Graças aos deuses.

— Sou silencioso. Julia rápida. Percy silencioso. Will rápido. Vamos misturar e começar logo com isso, ok? – Falei tentando (e conseguindo) manter a calma e não demonstrar o quanto ansioso eu estava por adrenalina.

Terminou nas seguintes duplas: Eu e Will. Julia e Percy. Amém, pois não queria ter que aguentar aquela vozinha de quem sabe tudo ou é extremamente inteligente. Argh! Após acabarmos nosso plano, vimos que batalhas já rolavam soltas pela terra e nas áreas do jogo. Fui junto com Will por dentro da floresta, silenciosamente. Cutucava Will toda vez que ele fazia algum barulho que nem ele percebia que estava fazendo. Andamos por entre as árvores e toda vez que alguém do time azul chegava perto de mim, eu fazia o sinal com o pé e Will se mantinha imóvel. E seguimos avançando, procurava por cima dos arbustos para encontrar a bandeira do time oposto. Se tinha algo que eu tinha herdado do meu pai, esse algo era esperteza e destreza. Avançamos muito para dentro da floresta, campo totalmente do inimigo, e nem fomos pegos. Pensei em Percy e Julia e se eles tinham avançado tanto quanto nós. Ouvi um barulho e imediatamente abaixei-me. Will fez o mesmo, metros atrás de mim. Olhei por cima de algumas folhas e vi dois “soldados” azuis passando calmamente por ali. O QUE NÃO FAZIA NENHUM SENTIDO.

— Está muito alto e não tem mais nenhum filho de Zeus no acampamento e ninguém iria se arriscar àquela altura. – Um dos soldados que eu não sabia quem era disse para o outro.

— Nem precisamos nos preocupar, eles nunca vão acha-la. – O outro riu e os dois continuaram andando calmamente como em um encontro no parque.

— Eles não estão se esforçando, pois acham que não vamos achar. – Will disse, em um sussurro baixo, quando os dois não estavam mais a vista.

— Eles disseram no alto, onde é tão alto aqui que não conseguiríamos pegar sem um filho de Zeus? – Olhei para o loiro que encarava as folhas verdes do arbusto a nossa frente. – Will?

— O punho de Zeus. – Will disse, como se estivesse vagando em outra dimensão. – O punho de Zeus!

— Não faz sentido. – Ergui minhas sobrancelhas em confusão. – Qualquer semideus pode subir lá.

— Mas tem rochas que são altas demais e sem acesso. – Will sorriu para um ponto aleatório da floresta e olhou pra mim.

E tudo fez sentido.

As pedras escarpadas do punho de Zeus.

Por Percy Jackson:

Fui surpreendido por um puxão forte em minha armadura por trás e virei-me pronto pra lutar. Julia sacou a espada e logo esta estava apontada para o pescoço de Will.

— Já falamos sobre a sua ferocidade? – Will brincou e Julia, assustada, abaixou a espada.

— Não me assusta, idiota. – Julia brigou e riu depois da cara do loiro. – Você se borrou todo, não foi?

— Eu? Está falando com James Bond, o próprio. – Will fez uma cara imitando o James Bond e voltou a ficar sério.

— O punho de Zeus. – Nico foi bem direito. As expressões frias quase deixavam passar a grande excitação de ganhar aquele jogo. Ele até tentava esconder, mas eu o conhecia a anos demais.

— O punho de Zeus? Sério? – Julia olhou pra mim e nós rimos.

— Era nossa teoria, ainda bem que confirmaram. – Dei um olhar malicioso a todos e nós corremos, tentando ser o máximo possível de silenciosos. Nossos “soldados” estavam brigando com afinco, nós conseguíamos ouvir e já fazia muito tempo que o jogo tinha começado.

Corremos tentando ser silenciosos. Eu e Nico sempre segurando aqueles dois barulhentos e indiscretos. Julia sempre tropeçava e fazia um barulho oco com as folhas do chão da floresta e Will inventava de conversar, às vezes alto demais. Chegamos perto da formação de rochedos onde dava para o punho de Zeus. Não ia ser tão fácil assim. Só aí eu lembrei que...

— Era pra termos mandado o sinal. Para a equipe de corredores. – Bati a mão na testa. Tinha tanta coisa acontecendo desde o Charlie que eu estava mais esquecido e confuso do que o normal.

— Caçadores. – Julia corrigiu e olhou para os pés, pensando. – Pensando bem.

Ela sorriu.

— Tenho um plano. – Ergueu as sobrancelhas e nos olhou. – Só dois de nós subirão. Os outros dois ficam aqui e lutam com o grupo de defesa da bandeira. Quando eles se distraírem, os outros dois pegam a bandeira.

— Com certeza devem ter soldados lá em cima também. – Falei a ela, olhando diretamente naqueles olhos verdes tão parecidos com os meus.

— Ué, todos nós lutamos, certo? – Julia sorriu, confiante. – E Will tem o arco e flecha. Pode ajudar quem estiver lá em cima.

— Ok. – Não pude deixar de lado minhas raízes de liderança. – Nico, você e Julia sobem. Eu e Will ficamos aqui embaixo e lutamos.

— Por que você não sobe? – Julia ergueu as sobrancelhas pra mim e cruzou os braços. A baixinha dava um pouco de medo.

— Por que você precisa ir. Pra alcançar o alto, você pode ser levantada. E vou render mais aqui embaixo e Nico lá em cima. Até por que... – Falei, lembrando-me de todas as missões e situações que já participei. – Quem melhor pra despistar do que eu?

Era a verdade e todos sabiam. Desde quando Nico saberia despistar tão bem?

Andamos mais um pouco por entre as folhas e árvores, até chegarmos à base dos rochedos. Havia pelo menos oito soldados azuis ali, mas não dava pra ver se havia algum lá em cima. Fizemos um consentimento grupal em silêncio, saquei minha espada e Will arrumou sua flecha no arco. E saltamos. Saltamos por cima do arbusto que nos escondia e olhamos para os oito soldados que pareciam extremamente chocados por não terem nos visto antes.

— Atacar. – Um dos soldados azuis gritou e começamos uma pequena luta, mas cansativa.

Vi de rabo de olho Julia e Nico, a contragosto com certeza, andando agachados em direção à base escondida e desprotegida dos rochedos.

Por Nico Di Ângelo:

Julia estava a minha frente, andando silenciosamente por entre as folhas. Podíamos ouvir os barulhos da batalha de Will e Percy enfrentavam, enquanto eu seguia a princesa irritante atrás dos arbustos. Ela parou de repente e vi que a nossa frente estava à base dos rochedos para o punho de Zeus. Sem fazer nenhum som, começamos a subir. Eu esbravejava baixo toda vez que Julia escorregava e derrubava terra e pequenas pedrinhas nos meus olhos, mas ela pedia desculpas todas às vezes. Chegamos ao topo e avistamos a bandeira azul com o mastro em madeira escura no topo de uma pedra escarpada um tanto alta. Seguimos rapidamente andando e Julia sorria. Era o primeiro capture a bandeira dela e a garota já ia vencer. Eu nunca tive essa sorte.

— Vai ter que me levantar. – Julia analisou e eu olhei para o seu corpo como se dissesse “não vai ser tão difícil já que ela é baixinha”, mas Julia me entendeu mal. – O que está olhando?

— Nada. – Revirei os olhos e caminhei a sua frente, olhando a bandeira no alto. Estava a uns dois metros de nós.

Ouvimos barulhos e gritos. Parte da equipe vermelha havia chegado lá e uma grande batalha estava acontecendo. Novos soldados chegando a todo momento e alguns vermelhos subindo os rochedos atrás de nós. Vi Quíron e o Sr. D nos observar lá de baixo. Tínhamos que ser rápidos antes que algum deles chegasse até ali em cima e eles tivessem que brigar.

— Anda logo, Martínez! – Falei e a ergui pra cima.

Julia subiu e se apoiou em meus ombros. Estávamos muito colados e nem eu e nem ela estávamos gostando dessa aproximação. Coloquei-a em meus ombros, sentada, e ela ergueu os braços tentando pegar a bandeira. Se esticou completamente e quase alcançou a haste de madeira. E a partir dai, aconteceu alguma coisa que até hoje eu não sei explicar. Julia se esticou mais, se balançando e por vezes me fazendo perder o equilíbrio. Esticou os braços ao máximo e conseguiu puxar a haste de madeira, pegando a bandeira em suas mãos, perdi o equilíbrio e derrubei Julia no chão, junto com a bandeira. Mas isso não foi o pior. Estávamos em uma beirada dos rochedos e ao perder o equilíbrio e derrubar Julia, eu cai da beirada. Todos gritaram e o clima ficou tenso lá embaixo. Todos pararam de lutar para me ver cair. Senti meu estômago revirar e o vento bater forte no meu rosto. Era uma queda de mais de dez metros. Eu pensei que ia morrer. Zeus nunca foi o meu fã e agora ele com certeza não iria ajudar em alguma coisa. Vi o chão se aproximar. Mais e mais. E esperei o baque e a dor. Mas ela não veio. Em vez disso, senti um friozinho na barriga como se estivesse naquelas montanhas russas, como se estivesse flutuando. E EU ESTAVA. Abri os olhos e encontrei o chão a centímetros do meu rosto. Todos gritaram de susto, de confusão e até de admiração. Após segundos parados a centímetros do chão, terminei de cair e não senti absolutamente nada. Eu morri? Só pode. Impossível.

Me ajudaram a levantar e vi Annabeth me abraçar de súbito. Olhei ao redor e todos olhavam para algum ponto. Annabeth me soltou e olhou para onde todos estavam olhando. Era pra Julia Martínez no topo dos rochedos. A cara assustada. Uma mão erguida para fora dos limites do rochedo, apontando pra baixo. Um raio elétrico brilhando em cima de sua cabeça.

Julia tinha me salvado.

Julia tinha me impedido de cair.

Julia era filha de Zeus.

A princesa irritante era mesmo uma princesa.

Os deuses só podiam estar brincando, pois não podia ser. Mais uma filha dos três grandes? Mais uma filha de Zeus?

PORRA ZEUS, TÁ CURTINDO COM A MINHA CARA?

— Annabeth. – Quíron olhava diretamente para Julia, que ainda estava assustada e tentando entender por que tinha um raio eletrizante em cima de sua cabeça. – Contate Thalia. – O rosto de Quíron ficou sombrio. – Ela tem uma nova irmã.

Notas finais
COMO ASSIM FILHA DE ZEUS? COMO ASSIM BRASIL? IMPOSSÍVEL! O que será que vai acontecer a Princesa Irritante agora? É só esperar o próximo capitulo que vou tentar postar até semana que vem. Por favor, comentem. Sinto falta de comentários de vocês. Beijos de luz
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.