Lights In The Camp
3 Cancelem o rivotril
Notas iniciais
Por Júlia Martinez:
Ao receber alta da emergência do hospital, eu pude respirar normalmente. Imagens do Rio de Janeiro passavam pela janela do carro enquanto todas as lembranças do acontecimento repassavam por minha mente. E foram essas lembranças que não me deixaram dormir a noite toda. Sempre que eu tentava pregar os olhos, a imagem da Erinia com os olhos flamejantes e de Theo sendo quase sequestrado/morto/seja lá o que ela fosse fazer com ele, rondava meu subconsciente. A cena especifica que mais assombrava fora quando Tisífone havia insinuado que monstros pagariam alto por mim. O que aquilo significava? Havia mais daquelas coisas? Minha vida parecia mais um show de horrores agora do que jamais havia sido. Eu estava tão confusa que não conseguia pensar direito. Meus olhos doíam com a claridade repentina na saída do hospital, meu braço estava com curativos e ataduras e minha cabeça pesava.
Parecia que um caminhão havia passado por cima de mim na noite anterior. Theo tinha menos machucados do que eu, até porque a altura da qual caí foi maior do que a sua, mas ele também não estava lá essas coisas. Mas, fora meu braço deslocado, o cotovelo ferrado de Theo e alguns arranhões em nossos corpos, estávamos sãos e salvos de um não tão mortal ataque de fúria. Em minha pele havia marcas arroxeadas que sairiam logo devido minha pele morena e ainda restavam resquícios de fuligem em baixo das unhas que eu pintei de azul. Os pequenos cortes dos galhos de árvores e de outros ocorridos cobriam minhas pernas que tinham sido lavadas na noite anterior. A enfermeira tinha dito que era para prevenir infecções já que eu não sei de onde vieram todos aqueles cortes minúsculos. Na verdade eu sabia, mas não queria dizer que tinha cortes no meu ombro feitos por garras de fúria. E como se não bastasse, meus pais não paravam de tagarelar no carro sobre como aquilo foi perigoso e como eu ficaria de castigo o resto do ano por ter invadido a companhia elétrica, assim como fizeram quando eu estava no hospital. Como se eu tivesse feito isso de propósito e não para preservar minha vida. Fiquei com cara de nada quando todos os funcionários do hospital me julgaram com o olhar, como se eu fosse uma delinquente e não uma sobrevivente. Ah, merda. Eu realmente não queria contar a eles, mas ou eu contava ou eu sairia como a errada da história. E eu odiava sair como a errada estando certa.
— Mãe, pai. Eu realmente não queria dizer isso... – Eu soltei no carro, enquanto segurava meu braço esquerdo que estava amarrado a uma tipoia, já que tinha fraturado na queda (e ao cair por cima do meu melhor amigo). – Eu e o Theo não invadimos a companhia por que quisemos. – Minha voz soou rouca na hora. Eles não acreditarão em mim, vão rir e me mandar parar de ver filme de terror. – Estávamos fugindo.
Minha mãe freou o carro no meio de uma rodovia ESTADUAL.
— Sabia que tinha se metido em confusão. Como sempre. – Meu pai colocou a mão no rosto e passou-a pelo cabelo negro logo em seguida.
— Diga-me, Júlia Martinez, que não foi contra um mafioso... – Minha mãe sempre hiperbolista.
— Não! – Eu disse, frustrada. Meus pais sempre pensavam o pior de mim, eu sou tão louca assim? – Estávamos fugindo de uma coisa. Uma coisa furiosa.
Olhei para cima para ver seus olhos curiosos e ansiosos.
— Era uma mulher. – Eu disse, nervosa e incrédula comigo mesma. O que raios eu estava fazendo? — Não exatamente uma homo sapiens, mas era metade humana metade morcego e cobra, com olhos flamejantes, garras afiadas e dentes careados. – Eu disse rapidamente para não travar no meio do caminho e desistir. Agora estava feito.
Eu iria para um manicômio.
Mas, meus pais não riram. Não me olharam incrédulos, não gritaram ou disseram uma única palavra. Minha mãe apenas religou o carro e mesmo com o clima pesado que ficou, voltou para a estrada em direção ao nosso bairro. Estava com medo de falar, mas tinha que saber se eles estavam me levando para um hospício na Inglaterra, indo à farmácia comprar rivotril ou voltando pra casa. Esperei mais um pouco, mas a única expressão que tive deles, foi a expressão de medo. O que me leva a crer que eu não estou louca. Até porque eles não podem temer algo em que não acreditam. Mas, porque raios acreditariam nessa louca e irreal história?
Por Annabeth Chase:
Eu não fazia ideia do por que estávamos aqui. Brasil? Ou Quíron estava louco ou nós estávamos encrencados. Não se via semideuses fora dos Estados Unidos, principalmente no país tropical. Dificilmente encontrávamos alguém não americano, eu pelo menos nunca havia visto de tão longe. Os pais geralmente, na maioria das vezes, iam morar nos Estados Unidos por causa dos deuses e porque era mais seguro, e perigoso, para nossa “espécie”. Mas, vai ver tínhamos aqui uma exceção. Uma exceção que estava me dando calafrios. Quíron disse que era importante. Muito importante. Mas, chamar a mim e a Will Solace para o outro lado do continente não era muito explicativo. Porém, viemos de bom grado. E assim que Quíron tocou a campainha da casa de porte mediano, muito bonita e com um aspecto bem família, Will me olhou com uma expressão de confusão que deveria estar presente em meu rosto, mas não estava porque eu não era muito boa em demonstrar expressões quando estava nervosa. E porque eu estava nervosa? Bom, Quíron deveria ter mandado um sátiro atrás de quem quer que morasse aqui. Mas, ele próprio quis vir e trazer a mim e a Will. E eu ainda não imaginava porque Will Solace.
A porta abriu e uma mulher alta, com pele levemente amarronzada e cabelos negros e longos sorriu para nós. Seus olhos eram castanhos bem escuros e tinha um sorriso branco. Ela era linda. Vi um lampejo rápido de satisfação no rosto de Will que logo sumiu, talvez em respeito a mulher mais velha. Ela devia ter uns quarenta anos, mas ainda sim era adorável.
— Quíron. – Ela disse e o abraçou que respondeu de bom grado. Ele deu uma risada boa, como se a conhecesse há anos. Talvez conhecesse mesmo, mas se viemos aqui, a situação não estava boa.
— Amélia. – Ele disse sorrindo. A expressão abatida no rosto angelical da mulher era impossível não ver. – Viemos o mais rápido possível.
Entramos na casa com sorrisos simpáticos no rosto. No mesmo momento em que entrei, avistei logo uma escada maravilhosa que deve ter sido feita por um bom arquiteto. Eu já gostei dessa família. Aproximei-me de fininho e passei os dedos no corrimão de onde descia uma placa de vidro.
— Aço negro revestido. – A mulher sorriu ao me pegar no flagra analisando o corrimão da casa dela. Que vergonha. Meu rosto esquentou na hora.
— Ótima escolha e ótimo arquiteto. – Eu sorri para ela, sincera.
— Obrigada, fui eu que arquitetei essa casa. – Ela sorriu docemente sem um tom egocêntrico, sentando-se em um grande sofá marrom que parecia confortável. – Fiquem a vontade.
Will também analisava a casa, em especifico, as pinturas que pareciam belas demais.
— Esses são Will Solace e Annabeth Chase. Do jeito que você os viu. São eles? – Quíron perguntou com certo receio de ter errado na escolha. Espera, o quê?
— Sim, do jeitinho que eu vi. – Ela sorriu, mas logo seu rosto entristeceu. – Isso é ruim, não é?
— Parte das vezes sim. Infelizmente. – Quíron disse com pesar e eu e Will sentamos em um dos sofás, totalmente perdidos.
— Enfim, sou Amélia Martinez. – A mulher pareceu lembrar que não tinha se apresentado a nós dois. Sorrimos de volta pra ela.
— O que... – Will ia dizendo, mas foi interrompido.
— Demorei muito? – A voz grossa e bonita de um homem, ressoou atrás de nós e todos nos viramos. Um homem alto, com pele branca, olhos castanhos e cabelos curtos também castanhos, estava sorrindo pra nós. Ele sorria sem mostrar os dentes. Lembrava meu pai.
— Ela dormiu? – Amélia perguntou, esperançosa e ele assentiu com a cabeça. – Esse é o meu marido, Arthur.
— É um prazer conhecer vocês. – Ele deu um aceno com a cabeça e sentou-se ao lado da esposa.
— Então, como eu ia dizendo. Como assim você nos viu? – Will perguntou sorrindo, tentando não parecer curioso demais. Mas, os olhos claros e o sorriso encantador de Will lhe davam um aspecto sempre leve, travesso e até charmoso.
A mulher suspirou e olhou para a escada, como que com receio de a garota que eles citaram fosse descer a qualquer instante e flagra-los ali.
— Sonhei com vocês há uns dias. No começo, achei que fosse coincidência e apenas coisas aleatórias do subconsciente. Mas, quando aquilo aconteceu a Júlia... – O casal entristeceu e pude ver que a mandíbula de Arthur ficou tensa. – Liguei para Quíron e ele veio correndo com vocês.
— Sentimos muito pelo transtorno, mas não sabíamos o que fazer. – Foi a vez de Arthur falar.
Fiquei confusa. O que aconteceu a essa tal de Júlia? Que sonho foi esse? O que tínhamos a ver com tudo isso? E foram essas perguntas e a crescente angústia que me fizeram falar:
— Quem é Júlia?
— Nossa filha. – O homem deu um leve sorrisinho ao pensar na filha. – Ela sofreu um ataque ontem em uma companhia de energia. – Ele soltou a bomba em cima de nós e pela cara de Quíron, nem ele sabia.
— De quem? – A voz de Quíron soou baixa. Ele temia pela menina. Ele a conhecia e tinha algum laço com ela para estar assim?
— Ela disse que foi de uma mulher meio morcego e cobra, com olhos flamejantes. – Amélia disse com uma expressão de confusão. – Eu não entendo, fiz o que ele pediu. Disse que estaríamos a salvo aqui...
— Sinto muito dizer, mas não estamos a salvo em lugar nenhum. – Will disse cuidadoso.
Amélia olhou dele para nós.
— Ela disse o que a fúria queria? – Quíron perguntou, se ajeitando na cadeira de rodas.
— Júlia falou pouco. Achou que não acreditaríamos. E não teríamos se não soubéssemos. – Arthur passou o braço pelos ombros de Amélia. – Mas, o que é uma fúria?
— Como descreveram, as fúrias, para os romanos, e erinia, para os gregos é uma mulher com corpo de morcego, cabeça de cobra e garras muito afiadas. – Quíron pareceu pensar um pouco. – Para uma fúria ter perdido seu tempo vindo até aqui só para pegá-la. Isso não é um bom sinal. Como disse que fora o sonho mesmo, Amélia?
Ela suspirou.
— Júlia corria por um bosque escuro. O rosto marcado por cortes e a perna machucada e sangrando. Segurava um chicote em uma das mãos e um papel enrolado em outra. Então apareciam vocês dois e mais um garoto moreno com olhos bem verdes correndo junto com ela de algo. – Ela olhou para nós dois com receio. Ao dizer moreno de olhos verdes, a imagem de Percy apareceu em minha mente. – Bombas explodiam atrás de vocês enquanto gritavam. E ai acabou.
— Percy? – Olhei para Quíron, que sorriu em desgosto.
— Sei que deveria tê-lo trazido, mas está curtindo suas férias em casa e eu não podia tirá-lo a tempo de lá. Trouxe os dois porque já estavam no acampamento. – Ele olhou fixamente para Will. – Diga algo, filho do sol.
— Eu realmente não sei o que dizer. Acha que pode ser uma profecia da qual ainda não sabemos? – Will olhou para Amélia. – Você é mortal ou semideusa?
— Mortal. Nós dois somos. – Amélia indicou ela e Arthur com o dedo.
— Como apareceríamos nos sonhos de uma mortal? Não faz sentido. – Will parecia confuso demais. — Só semideuses têm esses sonhos.
— E mortais que podem ver através da névoa. – Olhei para Amélia. – Você pode?
— Sim. – Ela respondeu torcendo o nariz, mas mesmo assim nada estava explicado ainda.
— Quíron, nem conhecemos a Júlia. Como estávamos correndo no meio de um bosque com ela?
— Não sei, mas a fúria sabia e queria ela. – A tensão se instalou quando Quíron disse isso. Quando monstros querem o seu pescoço, é porque ele vale demais. E valer demais no nosso mundo não é uma virtude sempre boa.
— Quantos anos ela tem? – Will perguntou no momento em que pensei. Se ela tivesse idade suficiente, levaríamos junto com a gente.
— Fez doze ontem. – Arthur disse e eu lembrei-me de Percy de novo. Ele também sofrera um ataque assim que fez doze anos.
— Certo, vocês falaram em companhia de energia. O que tem a ver? – Perguntei, tentando montar o quebra-cabeça .
— Vá com calma, Annabeth. – Quíron disse com um olhar que eu entendia. Às vezes, eu passava dos limites na razão e esquecia a emoção. Eles estão passando por algo difícil e eu os enchendo de perguntas.
Me inclinei para trás no sofá, roçando meu braço no de Will.
— Os policiais encontraram ela e Theo, seu amigo, dentro da companhia de energia após uma grande explosão. Ambos com fraturas no corpo, mas ilesos. O que é impossível, contando com a gravidade dos choques e da explosão. – Arthur explicou. – Encheram-na de perguntas e ela não respondeu com convicção nenhuma delas. Como se escondesse algo, mas não por querer.
— Então, sabíamos que algo estava bastante errado. Quando ela saiu do hospital, contou-nos no carro o que tinha visto, mas não o que tinha acontecido. Fingimos normalidade e quando cheguei, liguei para Quíron. – Amélia fez aspas com os dedos quando disse ligar.
Ficamos em silêncio. Quíron pareceu pensar muito no assunto.
— Sinto muitíssimo por isso. – Ele disse e se ajeitou novamente na cadeira demonstrando desconforto. — Não quero parecer insensível após uma história dessas. Mas, vai fazer muita diferença a resposta. Ela disse o nome da fúria? – O rosto de Quíron estava sério e sombrio.
Oh merda.
Os dois negaram.
— Tisífone. – Uma voz feminina soou atrás de nós e viramos de súbito.
Uma garota estava no pé da escada. Vestia um short verde e um moletom preto, os pés estavam descalços e o cabelo estava amarrado em um coque. Pude perceber cachos longos saindo do coque. Seus olhos pareciam esmeraldas de tão verdes e seu sorriso travesso. Como se tivesse pego alguém fazendo algo bastante errado. E era o que estávamos fazendo, conversando sobre ela, mas sem ela. Júlia era muito bonita. Seu rosto era angelical, como o da sua mãe, mas com um toque de ousadia e travessura no olhar.
— Júlia. – Amélia soou, cuidadosa. – Pensei que estivesse lá em cima.
— E eu estava. Até ouvir vozes, por não conseguir dormir. – Ela parecia brava, mas seu rosto fofo me impedia de imaginá-la com muita raiva. Talvez estivesse enganada. – Quem são eles?
— Meu nome é Quíron. – Ele a olhou com grande curiosidade. – É um prazer conhece-la diretamente.
— Diretamente? – Ela apertou a mão de Quíron, docemente. Mesmo estando brava por falarmos dela pelas costas. Acho que ela só estava brava com os pais por esconderem. – Já nos vimos antes?
— Quando você ainda era pequena e tinha cabelos amarrados no topo da cabeça. – Ele riu com a lembrança. Ele tinha mesmo afeição por ela.
— Poxa, então faz tempo. – Ela olhou por cima do ombro de Quíron, para mim e Will e depois para os pais, esperando uma resposta.
— São Annabeth e Will. – Quíron disse e parou sem saber como continuar. – Seus futuros colegas.
Sorrimos pra ela e ela retribuiu dócil.
— O quê? – Júlia perguntou confusa. – Eles também vão para a prisão de menores infratores?
Eu já gostei dela. Doce, mas também afiada.
— Não diga isso! Nem em brincadeira. – Amélia a repreendeu.
— O que os policiais vão achar de uma garota que explodiu a companhia de energia por causa de uma mulher mor... – Ela parou e olhou fixamente para Quíron. – Você tinha dito fúria. Você... O quê... Mãe, pai? – Ela os olhou fixamente. – Como eles sabem dessa loucura? Eu...
Ela estava completamente confusa. E com toda a razão.
— Júlia, se acalme. Vamos esclarecer tudo. – Quíron disse, tranquilizador. Não que ela estivesse fazendo escândalo ou coisa parecida, o que não é uma reação esperada para uma pré-adolescente que quase foi morta por um monstro, mas estava apenas confusa. Estava com um rosto indiferente e confuso, mas talvez estivesse gritando por dentro. Ela era como eu.
— Esclarecer que monstros existem e eu não estou louca? – Ela sorriu, debochada. Mas, parecendo aliviada por alguém acreditar nela. – Porque se for, estou animada. – Seu tom não era de deboche com Quíron ou conosco. E sim com ela mesma. Eu conheço alguém assim também. Eu.
— Você não é louca. – Arthur se pronunciou e todos paramos por um momento.
— Antes de lhe contar à história que já contei para centenas de adolescentes, inclusive aqueles dois. – Estava falando de mim e de Will. – Diga-me: O que a fúria disse exatamente?
— Disse que eu não iria escapar novamente. – Ela engoliu em seco. – Como se já tivesse tentado me pegar antes. Disse também que qualquer monstro ou titã pagaria muito por meu pescoço. E disse que deuses nunca querem nos ter. – O clima ficou tão denso, que parecia ter uma nuvem de chuva carregada no teto. – Como se eu fosse filha de um ou coisa parecida.
Todos travamos no momento. Quíron pensou mais.
— Certo. O que ela disse ao se apresentar? – Ele perguntou o que eu teria perguntado. Se Tisífone fosse mesmo quem eu estivesse pensando...
— Sou Tísifone, fúria vingadora de assassinatos. – Meu queixo caiu, assim como o de Will quando Júlia recitou. Ela disse com leveza, tentando soar despreocupada. – Depois disse: Pra você é Erinia. Como se ela fosse conhecida de maneira diferente, sei lá. Mas, eu já ouvi o nome fúria em algum lugar, acho que nas aulas de filosofia...
Nós três olhávamos pra ela com pesar. Acho que estava estampado em nossas caras algo realmente gritante porque ela parou de falar e nos olhou assustada. Arthur e Amélia ficaram inquietos.
— Vingadora de assassinatos? – Amélia perguntou. – O que isso quer dizer, Quíron? Porque uma vingadora de assassinatos viria atrás de Júlia?
Ele sorriu para ela, encenando muito bem. Merecia um papel em Hollywood.
— Não é nada, Amélia. Os monstros criam nomes para assustar e parecerem piores do que são. – Os dois pareceram relaxar, mas Júlia olhou para mim e para Will. Ela sabia que não era bem assim.
E não era mesmo.
— Eu fiz algo realmente errado? – Júlia perguntou e o sorriso de Quíron tentou convencê-la, sem sucesso. Podia ver em seus olhos que ela sabia que havia algo a mais.
— Não. Você não fez nada. – Quíron tranquilizou Amélia e Arthur, mas não a Júlia.
Porém, ela tinha feito sim. Júlia tinha assassinado alguém.
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