Lightning

10 You’re making all the same mistakes


Fui bruscamente jogado na cama macia, e logo Naruto estava sobre mim, beijando e mordendo meu pescoço, enquanto eu arranhava sua pele por baixo da camiseta. Seus lábios se colaram nos meus, e voltamos a nos beijar com voracidade. Nos separamos apenas para tirar a camiseta que ele vestia, e quando minhas mãos começaram a abrir sua calça, Kushina chamou pelo nome do filho e bateu na porta. Empurrei ele pra longe no mesmo instante, e ele vestiu sua camiseta rapidamente.

- Oi, mãe, entra.

- Telefone, Naru. – Disse ao entrar no quarto e entregar o telefone para o filho.

- Alô? – Revirou os olhos e olhou pra mim enquanto balançava a cabeça. – Sim, estava ocupado, Sai. Lembre-me de te agradecer por isso mais tarde. – Soltei uma risada baixa e ele riu junto. – Como assim ele sumiu? Espera. – Afastou o telefone da orelha e me encarou. – Sabe onde o Suigetsu tá?

- Não, por quê?

- O Sai e eles brigaram, e ele sumiu faz alguns dias. – Revirei os olhos, sabia exatamente onde ele estava. Imbecil.

- Eu acho que sei onde ele tá, fale pro Sai não se preocupar.

- Ouviu? – Perguntou para o Sai, que provavelmente tinha ouvido nossa conversa. – Tá. Depois falo com você. Tchau. – E desligou o telefone. – Seu amigo é louco ou o quê?

- “Ou o quê.” – Suspirei e me levantei. – Vou atrás dele.

- Faça isso. – Levantou-se também, caminhou até mim, envolveu seus braços em volta do meu pescoço, e sussurrou. – Depois terminamos o que estávamos fazendo.

Maldito, por que tinha que ser tão sexy desse jeito? Argh. O puxei pela cintura, e o beijei por uma última vez.

Apertei a campainha pela quinta vez, impaciente, e nada. Só na sexta vez que apertei o maldito botão, abriram a porta pra mim.

- Sasuke, impaciente como sempre. – Disse com deboche.

- Vai se foder, Kisame. Cadê o Suigetsu?

- Gentil como o seu irmão. – Balançou a cabeça, e eu revirei os olhos. – Está na sala.

Entrei na casa e fui direito para a sala, onde me deparei com Suigetsu deitado num puff, segurando um copo, com uma garrafa de whisky do lado. Hidan e Hinata estavam se beijando no sofá… Cena nojenta. Suspirei e caminhei até Suigetsu.

- Por que vocês brigaram? – Perguntei ao cruzar os braços.

- Por que você acha? Porque eu sou burro, e porque ele contou pro Naruto. – Evitava me olhar, apenas balançava o líquido dentro do copo.

- Olha só quem está aqui, un. – Alguém falou, fazendo-me virar e encarar Deidara.

- Algum problema, Barbie?

- Eu tenho um problema. – Disse Hidan já se levantando do sofá. – E ele é você.

Hinata segurava seu braço, fazendo-o sentar novamente. Ele resmungava e me encarava… Inútil.

- Barbie é o caralho, seu idiota! – Gritava o loiro, que logo foi calado por um tapa que recebeu de Sasori.

Suspirei ao ver o ruivo puxando Deidara para outro cômodo. Ninguém merece esse viado.

Virei-me novamente para Suigetsu, que continuava olhando seu copo. Peguei o mesmo, e o coloquei no chão. Puxei Suigetsu pelo braço, fazendo-o se apoiar em mim.

- O que está fazendo?

- Te levando embora.

Por incrível que pareça ele não contestou, e apenas saiu da casa em silêncio. Conseguia andar normalmente, mas ainda tinha o braço apoiado sobre meus ombros.

- Você não deveria ter brigado com ele por ter contado pro Uzumaki…

- Mas…

- Suigetsu, você faria o mesmo se fosse comigo, como eu faria se fosse com você, então não o culpe por isso.

- Mesmo assim, Sasuke…

- Eu já ajeitei as coisas com o Naruto, tá bem? Sem mais problemas. E… O Sai está preocupado com você.

- Ele tá preocupado comigo? Sério?

- Sim. Converse com ele amanhã.

- Sabe, Sasuke…

- Hm?

- Foi bom te pegar, naquele dia, na casa da Karin. – Disse rindo.

- Cale a boca, Suigetsu, você está bêbado.

Murmurou algo que não consegui entender, e ficou quieto até chegarmos a sua casa.

- Vai ficar bem sozinho? – Perguntei enquanto o assistia tirar as roupas com dificuldade.

- Não me trate como criança, Uchiha!

- Você é quem sabe. Se acerte com o Sai amanhã e me ligue.

Acenou com a cabeça, e eu fui embora. Por que eu sempre tinha que ajudar bêbados? Hmpf.

Como o prometido, fui dar uma volta de carro pela cidade com o Itachi. Nada como gastar gasolina para acabar com o tédio.

- Fiquei sabendo que você quase apanhou do Hidan ontem. – Brincou.

- Nossa, seus amigos são tão legais quanto você, né?

- Para de mexer no rádio! – Me xingou e bateu na minha mão.

Estava procurando alguma rádio que estivesse tocando alguma música boa, mas parecia impossível… Até eu achar uma que estava tocando Hollywood Undead. O som estava alto, eu adorava essa música, estava com o braço apoiado na porta do carro, o vento batia no meu rosto, enquanto eu apreciava a paisagem. Olhei ao longe e avistei um cabelo rosa conhecido, e um cabelo loiro chamativo.

- Itachi, diminui aí. – Pedi, e mesmo sem entender o por quê, obedeceu. Naruto e Sakura se beijavam na esquina de uma balada. O ódio borbulhava dentro de mim. Engoli seco e balancei a cabeça negativamente. – Para aqui.

- Por quê?

- Meu amigo tá alí, e eu preciso falar com ele.

Sem me questionar mais, estacionou o carro, e eu fui até o belo casal.

- Quem é pior? O Chiclete-Sem-Gosto ou o Eu-Adoro-Mentir-Para-O-Sasuke? – Cuspi as palavras e eles se separaram na hora.

Naruto me olhava assustado, e a Sakura… Não sei, eu não conseguia desviar o olhar do loiro. Eu o encarava com tanto desprezo e ódio. Tinha vontade de esfregar o rosto da Haruno no asfalto, arrancar sua cabeça, e fazê-la me assistir comendo Naruto. Mas, a última coisa que eu queria agora era encostar no Uzumaki.

- Sa-Sasuke… – Sussurrou e eu sorri.

- Já chega, Uzumaki. Eu disse pra você escolher, e mesmo tendo feito uma promessa, você está aqui… Com ela.

- Mas eu…

- “Mas eu” é o caralho, Uzumaki. – Tentava manter a calma mas estava difícil. Falava baixo, porém ríspido. – Sempre pensei que você era um idiota, e você acaba de provar isso.

Dei as costas para eles, e voltei para o carro.

- Tá tudo bem, nii-san?

- Melhor do que nunca. A gente podia ir beber com os seus amigos lá na Akatsuki, né?

- Achei que você os odiasse…

- Odeio, mas eles têm bebida.

Tudo, absolutamente tudo girava ao meu redor. Eu tinha vontade de chorar. Não por estar triste. Mas por sentir um ódio fora do comum. Aquilo estava me consumindo. Eu precisava descontar em alguém, mas não tinha vontade de me mexer. Os únicos movimentos que fazia, era levar o copo até a minha boca. Eu já nem sentia mais o gosto amargo do álcool, nem sabia o que estava bebendo, e sabia que aquilo também não estava me ajudando em nada. Ouvia os outros conversando a minha volta. Itachi já havia desistido de me repreender por beber tanto. Kisame ria dele por isso. Hidan e Kakuzu discutiam por qualquer coisa, como sempre. Sasori e Deidara criticavam um ao outro. E eu não sabia onde os outros estavam. Mas pelo menos não estava bêbado sozinho.

Meu celular vibrava no meu bolso, mas eu não fazia questão nenhuma de ver quem me ligava. Podia ser minha mãe, meu pai, Suigetsu, Naruto, qualquer um, eu não atenderia.

Deveria ter bebido mais de uma garrafa de vodka sozinho, ainda bebi vinho e mais um pouco de Amarula. Eu não sentia mais nada. Olhei de lance para o meu lado, e vi Itachi me puxando. Eu não entendia o que ele estava falando. Apenas abaixei a cabeça enquanto tentava não pensar em nada.

Abri os olhos lentamente, a claridade entrava pela janela e me fazia despertar. Olhei para os lados e notei que estava no meu quarto. Amém. Como se tivessem dado uma martelada em mim, minha cabeça latejava. Doía, doía muito. Tudo doía. Meu estômago estava revirado, sentia uma ânsia horrível. Tentei me sentar mas não consegui, minha cabeça parecia pesada demais, e eu não tinha forças pra me mover. Peguei o celular embaixo do travesseiro, como sempre deixava, e notei que já eram cinco horas da tarde. Como pude ter dormido tanto?

Respirei fundo e com dificuldade levantei-me. Cambaleei até a porta e a abri. Caminhei até o quarto do Itachi, não o encontrando lá. Deparei-me com a escada… Parecia um desafio. Segurei-me no corrimão, e desci com cuidado. Suspirei aliviado quando desci do último degrau. Fui até a sala e encontrei Itachi deitado no sofá, assistindo TV.

- Finalmente acordou!

- Fale baixo, Itachi. – Sentei-me na poltrona ao seu lado e fechei os olhos. – O que diabos aconteceu ontem?

- Quer que eu comece por onde? Você bebendo mesmo eu tendo te xingado, você não conseguindo andar, você pedindo pra falar com um tal de Naruto…?

- Eu o quê?

- Você, bêbado como nunca, começou a choramingar lá, pedindo pra eu te levar na casa do Naruto, porque você estava com saudades. Quem é esse? – Perguntou sorrindo de canto.

- Um escroto aí da faculdade. Enfim… Continue.

- Kisame e eu tentando te carregar até o carro, mas você não queria ir embora. Você caiu no chão, diversas vezes. E eu tive que te dar banho. Sasuke, você me deve muito por isso. – Riu baixo e voltou a atenção para a TV.

A ressaca moral está em alta esta tarde. Só agora notei que estava só de cueca, e eu ralei meu braço, em vários lugares. Ótimo. Era tudo que eu precisava.

Acabei adormecendo novamente na poltrona, e só acordei quando minha mãe me chamou para jantar. Eu não tinha vontade de comer, eu não tinha vontade de me mexer, eu não tinha vontade de nada. Só queria ficar trancado no meu quarto, sozinho, sem ninguém pra me encher. Mas isso parecia uma tarefa impossível.

- O que pensa que está fazendo, Sasuke? – Perguntou ao acender a luz do quarto e fechar a porta.

- Apaga essa porra, Hozuki.

- Ei, ei, calminha, Uchiha. O que houve?

Puxei o travesseiro, colocando-o sobre o meu rosto, e senti Suigetsu sentando-se ao meu lado na cama.

- Encontrei o Naruto pegando a Sakura.

- Mas, Sasuke, você sabe que eles se pegam mesmo. Igual você e a Karin.

- Não! – Tirei o travesseiro de cima do rosto e o encarei. – Eu pego a Karin por diversão, e nunca teve sentimento algum envolvido. E antes de ontem, o Uzumaki prometeu pra mim que não ficaria mais com aquela escrota.

- Oh… – Abaixou a cabeça. Tinha uma expressão pensativa, mas nem quis questionar sobre o que pensava. – Se você quiser, eu poss…

- NÃO! Não, Suigetsu. Nem pense. Não quero ajuda. Não quero nada. Não quero muito menos ouvir no nome do Naruto. Sério. Faça como eu, finja que ele não existe.

O vi suspirar e concordar com a cabeça. Vai ser melhor assim, eu sei que vai.

Orochimaru não parava de falar um minuto se quer. Só conseguia ouvir algumas palavras como “essencialismo; signos; sintática”. Eu simplesmente não conseguia prestar atenção. Olhava para o professor, mas minha mente me mostrava Sakura e Naruto juntos. Me enojava pensar neles, me irritava. Tentava não pensar neles, mas era impossível. O tempo parecia não passar, mas por uma bondade divina, Orochimaru parou de falar, e nos liberou para o intervalo. Aproveitei para ir até o prédio de Adm, precisava falar com Suigetsu.

O encontrei deitado sozinho num banco, e fui até ele.

- Não entrou na primeira aula?

- Aula chata demais, não dava pra aguentar. – Resmungou ao sentar-se direito no banco.

- Conversou com o Sai? – Perguntei ao me sentar ao seu lado.

- Liguei pra ele ontem, e a gente se resolveu…

- Tá tudo bem então?

- Só vou descobrir mais tarde.

- Por quê?

- Porque ele vai em casa. Se ele fizer cu doce e não tirar a roupa, eu sei que não tá tudo bem. – Disse rindo, mas eu sabia que aquilo era sério. – Sasuke…

- Hm?

- Você-sabe-quem está vindo aqui com o Sai.

Olhei para o lado e vi Naruto vindo na nossa direção. Peguei minha mochila e me levantei.

- Depois a gente conversa. – Disse para Suigetsu. Lancei um olhar de desprezo para o loiro que provavelmente iria falar algo, e saí de lá.

Notas finais
Quem está odiando o Naruto levanta a mão! LOL
Reviews pelo próximo capítulo? ♥