Depois de Nico fechar a porta, ele se virou para mim, mas apenas me olhou.

Ele às vezes era uma pessoa difícil de se entender... mas agora, eu é que não entendia o que devia fazer. Deveria pular em seus braços, ficar furiosa por ele não ter me dado notícias por quase quatro meses inteiros, ou fechar meus olhos e o beijar?

A última opção era a mais tentadora, mas eu apenas o abracei.

– Nico... — sem querer o nome dele escapou pelos meus lábios — Senti tanto a sua falta...

– Também senti a sua, Alexandra. — o senti me apertar mais contra ele.

Era tão bom o ter perto de mim outra vez, mas me afastei para poder olhar para ele. Estava a mesma coisa... os cabelos pretos bagunçados, a pele pálida e os olhos castanhos escuros, tão misteriosos....

Ele parecia cansado.

– Senta aqui comigo. — o arrastei para o sofá. Ele se sentou ao meu lado. Notei que ele vestia um sobretudo preto ao invés de sua costumeira jaqueta aviador — Como você está? — perguntei.

– Cansado. — ele respondeu na mesma hora.

– Você viajou nas sombras até aqui? — entrelacei nossos dedos.

– Sim. — ele parecia disperso, como se pensasse em várias coisas.

Ele era tão misterioso e calado... o mundo poderia estar acabando e ele não me contaria. Algumas vezes isso me chateava... o fato de eu saber que ele guarda tantas coisas, algumas que talvez o deixem triste, e não divide comigo.

Me aproximei mais ainda de Nico e o abracei.

– Ei. — disse e ele me olhou — Já disse o quanto gosto de seus olhos?

– Ainda não. — ele sorriu. Uma parte de mim queria que o Nico sorrisse mais, porém a minha outra parte sentia satisfação de que ele só sorrisse quando estava comigo.

– Eu gosto de seus olhos. — falei e nós rimos, mas eu fiquei séria — Embora, — mordi meu lábio — eles guardem dor e raiva... tristeza... — suspirei — Nico, você sabe que pode confiar em mim...

A expressão de Nico se fechou.

Eu deveria escrever um livro sobre como terminar um namoro com apenas uma frase...

Ele se levantou e se afastou, me dando as costas.

– Não tem nada que eu queira falar. — foi tudo o que ele disse.

– Desculpe. — pedi, já arrependida.

Ouvi Nico suspirar. Ele se voltou para mim, dessa vez com os olhos mais suaves.

– Tudo bem. — ele sorriu — Aliás, eu queria te levar para um passeio.

– Um passeio? — ergui uma sobrancelha.

– Sim. — ele afirmou — Como um pedido de desculpas por não ter vindo te visitar.

Que bom que ele sabe disso.

Mas nesse momento a porta de casa se abriu e meu pai entrou.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.