Light of Dawn
32 Capítulo 31: Preparações para o apocalipse
Notas iniciais
Finn
E cá estava eu uma outra vez. Neste infinito mundo, onde o mar é separado do céu apenas pelo horizonte; onde eu podia ouvir a voz daqueles que residiam dentro de mim, onde podia ouvir suas risadas, enquanto o vento soprava coisas que eu não entendia em meus ouvidos. Onde cada onda significava algo
E era para isso que eu estava lá. Não esperaria desta vez que eles me chamassem para rirem e xingarem-me. Vim em busca de respostas
— Ei, consegue me ouvir? — Perguntei
Aquela voz, já conhecida por mim, respondeu. Seu tom, semelhante a um ser normal, acompanhado de outro, gutural e ameaçador
— O que está fazendo aqui? — Esperava seu tom sarcástico, porém não aparecera. Estava sério. Estranhamente sério
Mas estava diferente não apenas por isso. Antes, eu o conhecia como um vulto de verde-esmeralda. Desta vez, era um tom escarlate poderoso que tomava conta de suas pupilas, que era a única parte visível de seu corpo. Já o vulto azul, ainda nada disse
— Por que mudou de cor?
— Não fui eu quem mudou. Foi você
Uma ligeira vibração abaixo de meus pés
— Explique
Seus olhos, por um momento, pareceram mais agressivos: como uma besta, prestes a atacar outro ser; mas logo a sensação sumiu
— O que você acha que é este lugar Finn?
— Não sei — Respondi — Parece mais uma prisão para vocês do que um lugar para apreciar uma paisagem que não existe no mundo real
Outra pequena vibração saiu da sola de meus pés. Desta vez, pouco maior, acompanhada da ligeira risada de escárnio vindo dele
— Isso aqui não passa de um reflexo da sua mente...
Apenas após seus dizeres eu percebi. Meu braço direito estava erguido. Minha palma da mão pousava sobre meu peito, onde eu não podia sentir meu coração pulsando. Aquele movimento não fora meu
— ... dentro da sua alma
A perplexidade me tomou por momentos. Como reflexos, qualquer gesto que eu fizesse, teria de ser obedecido por eles. Afinal, não eram nada mais que uma imagem distorcida de mim. Mas dessa vez não. Fora ao contrário. Meu corpo foi forçado a imita-lo
Ignorando isso, livrei-me de tal com facilidade. Mesmo não podendo vê-lo, eu sabia: o vulto escarlate sorria maliciosamente para o resultado de sua ''brincadeira''
— E por que isso explica o fato de você ter mudado de cor? — Soltei secamente
— Não sou um professor pra ficar tendo de te explicar cada coisa. Mas posso te dar uma dica — Sua voz soava firme, sem hesitação, como se tivesse tudo em controle — Sua alma sabe, sua mente desconfia
Uma terceira vibração, tão forte quanto a última
Isso não fazia sentido... não por agora. Mas já havia arrancado dele alguma coisa, e isso já era um bom sinal. Poderia, aos poucos, descobrir o que poderia ser a verdade, mas até lá, as migalhas de uma certeza eram suficientes
— Por que o azul é caladão?
Pelo visto, a pergunta o pegara de surpresa, pelo fato dele ter demorado a responder
— É escolha a escolha dele
Encarava o tal com certa preocupação. Ele não fizera nada até agora. Diferente do outro, até agora, não tentou tomar meu corpo, muito menos falou algo...
— Por que contou a vampira sobre isso?
Virei-me imediatamente
— Por que não consegue lidar com a situação por si só?
— Cala boca. A contei porque é minha amiga. Os amigos servem pra isso
— Servem pra carregar um fardo que deveria ser só seu?
Trinquei os dentes. Outra vibração abaixo. Estava brincando comigo. Isso eu não deixaria
— Quem o carrega sou eu. Ela saber não significa que ela me ajudará
Finalmente, uma risada com escárnio verdadeira de sua parte. Forte, debochante, e extremamente irritante
— Então, o pobre coitado só precisa de uma atenção é?
Golpeei a água com um murro. Ondas se estenderam do ataque, e a imagem embaçou
— Já não pedi educadamente pra você calar a boca?
A imagem voltava aos poucos. Com ela, o brilho escarlate de seus olhos, e o som de sua risada curta, que também foi abafada
Terminando, ele simplesmente disse
— Ah Finn... coisas estão por vir. Você sabe como se preparar. Agora, eu que te peço educadamente pra ir pra puta que te pariu
Desta vez, um chute. Porém, sua potência gerou um grande efeito, de modo que, se espalhando a partir dele, a onda seguisse
As nuvens aceleraram, e as vibrações na água abaixo de meus pés voltou. Eu estava de saída, forçadamente, e este era o sinal
Passei a afundar. Porém, desta vez, sem medo, fechei os olhos
...
Rattleballs
Vivo. Eu estava vivo. Afinal, a espada não descera em mim, mas sim no chão, no concreto quebradiço da avenida. Porém, ainda estava injuriado, e por motivos que ainda desconheço, logo após minha derrota, meu sistema desligou-se sozinho e por completo
Apenas fui acordar três semanas depois, com meu corpo sendo concertado por um ferreiro que ficou curioso sobre o por que de haver um robô no meio do nada daquele jeito
Apesar disso, ele não era Jujuba. Não poderia entender tudo, de modo que meus reparos demoraram a terminar por completo, e ainda assim, eu não estava 100%
Mas isso não importava... o homem das linhas já me tinha controlado no jogo. Me atrasar, era esse seu objetivo, que ele fez bem. Eu estava seguindo pelo caminho certo, mas pela velocidade errada
Fosse lá o motivo dele querer me deixar vivo, para permitir que eu fosse ao reino e entregar a informação, teria de ser realizado. Não havia como não enviar a mensagem
Qual fossem as consequências sofridas pela entrega da carta naquele momento, de acordo com sua vontade, teriam de acontecer, afinal, com um objetivo tão ganancioso, Absalom deveria ser parado
De um grandíssimo plano, o próximo passo era tomar o reino doce para si
Não poderia deixar a informação sobre apenas meu conhecimento... não
Eu ainda tinha capacidades de sair da cidade e ir ao reino doce. Apesar de uma demora a mais, eu chegaria. Não era um pedido, era uma ordem a meu corpo, que deveria ser obedecida a todo custo
Com as novas de um torneio de combates já não tão frescas, eu deveria me apressar o máximo possível
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Bonnibel
Tudo ia bem. Os negócios com ele encaminhavam-se maravilhosamente bem. Com os termos de tal tratado, a segurança do reino estaria reforçada, e ainda teríamos ajuda de seu reino se a situação imaginada acontecesse, apesar de improvável
Apesar de parecer jovem, sua voz era calma, assim como sua postura. Era confiante em si mesmo, como se já fosse super experiente. Apesar da falta de guarda-costas, a única arma que jazia consigo era uma espada ligeiramente curvada, embainhada ao lado da poltrona onde sentava. Uma espada oriental no tempo dos humanos. Uma katana
— Soube que a princesa está criando um torneio de lutas — A pergunta me pegara de surpresa; pós tudo estar praticamente organizado em nosso acordo, ele ainda tocaria nesse assunto... — Apesar de desconhecer seus motivos, eu gostaria de patrocinar o evento
Isso seria bom. Com um patrocinador além, poderia aumentar o número de integrantes de outros reinos, e até mesmo desencorajar os cidadãos doces a participarem, e só assistirem
— Posso saber o motivo?
Um ligeiro sorriso brotou a princípio
— Sou apreciador de bons combates; e há tantos talentos em Ooo que poderiam aparecer. Também sou um lutador, mas no momento estou em uma pausa. Eu até gostaria de participar, mas digamos que estou, ''ferido por dentro''
Passei a mão por meus cabelos soltos. Talvez fosse por isso que ele apenas mandara outras pessoas em seu lugar até agora; pois estava se recuperando de sua ferida. Mas... se ele ainda está neste estado, por que está tão confiante? Seus únicos dois guardas estavam no portão principal. Ele poderia, caso a situação fosse perigosa, passar por todo o castelo, ir para a saída e partir vitorioso?
Uma aliança com ele seria extremamente vantajosa. Apesar de já ter ouvido estórias sobre ele, não acreditava que eram verdade; mas talvez, como as coisas seguiam, eu acreditasse um dia
— Bem... não vejo problema. Em realidade, poderia ser algo muito bom
Ele sorriu
— Bem, mandarei as medidas que tomaremos para você, e me diga se não concordar com algo. Aí sim poderemos terminar com os negócios — Disse, levantando-se
Naquele exato momento, Finn passou pela porta. Assim que viu a reunião, pediu desculpas, aproximou-se e falou baixo em meu ouvido
— Princesa, preciso conversar algo muitíssimo importante contigo. Quando terminar é claro
O homem sorriu, conforme suas botas de couro pisoteavam o chão. Já carregando sua katana com suas luvas de couro, se aproximou de onde Finn veio
— Não haverá necessidade jovem, nossos negócios já acabaram
Ele ouvira?
O jovem humano virou-se novamente para mim, falando novamente baixo
— Esse cara tem um ouvido muito bom hein? — Sussurrou
— Obrigado — Ele respondeu — Bem, adeus, Princesa Bonnibel Jujuba
Ele abriu totalmente a porta, baixando a cabeça
— Ah, certo — Falei — Adeus, Senhor Absalom
Ele fechou a porta atrás de si e partiu
Os olhos azuis de Finn estavam arregalados. Ele vestia uma blusa branca de mangas, de forma que as ataduras ainda podiam ser vistas até seu cotovelo. Seu short azul-marinho, por outro lado, cobriam abaixo de seus joelhos, mas ainda assim os curativos cobriam ambas suas pernas inteiras
— Pode repetir o nome dele princesa? — Pediu, hesitante
— Absalom — Respondi — Ele vai patrocinar o torneio e...
Antes que eu completasse, Finn disparou, escancarando a porta e seguindo, supostamente, aonde o homem estava
O loiro tinha um anel muito semelhante, se não igual ao que Absalom tinha
...
Finn
Como isso pode ter acontecido? Foi tão repentinamente que eu nem sequer sabia como reagir. Corria atrás dele, mas não fazia a mínima de como aborda-lo. Não sabia se o achava alguém bom ou mal
Passei por um grande salão, onde Jake jazia sentado ao lado de minha espada rubra, conversando com um guarda banana
Puxei meu irmão e minha arma, indo a toda velocidade por um corredor
— Qual foi Finn? Pra que a pressa? — Ele perguntou
— Absalom cara, ele tá aqui!
— É, ele é o chefe dos dois caras que tavam lá no portão. E daí?
Naquele momento, lembrei-me. Eu nada havia dito para Marceline, Jujuba ou Jake sobre Absalom. Apesar de que, eu mesmo pouco sabia sobre tal ''negociador''
Mesmo ainda enfaixadas, minhas feridas não doíam... não a ponto de me fazer desistir
Desembocando no fim do corredor, um grande portão de vidro aberto dava para uma ponte, esta que intercalava a parte em que estávamos com outra torre. E lá estava ele, na metade da travessia
Assim que dei meus primeiros passos ali, pude perceber: a ponte era suspensa acima do reino, de forma que se olhasse para baixo, poderia-se ver as casas e os seres doces de forma incrivelmente pequena
O vento aquela altura farfalhava meus cabelos, assim como os dele, brancos como a neve e lisos, com mechas caindo por sua face e o resto puxado para trás
Virando-se, seu casaco se lançou com a brisa. Na parte de seu ombro direito, uma caveira azul safira era estampada. Seus olhos eram azuis, assim como os meus
— Finn — Ele disse
— Absalom — Eu respondi
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