Light of Dawn
28 Capítulo 27: O começo do queimar da chamas frias
Notas iniciais
Finn
Andava calmamente naquela manhã. Já tinha em mente o que faria. Já estava preparado
Mas algo inesperado aconteceu. Em uma fonte, no meio a cidade, apenas um homem, vestido de um sobretudo e chapéu fedora. Seus cabelos negros escondiam sua face dos raios de sol, e sua pele era completamente coberta
– Victor? O que tá fazendo aqui?
Assim que ele me notou, levantou-se. Sua postura era como antes: calma. Mas suas vestimentas com certeza diferiam da de qualquer um naquele lugar
– Tô aqui pra caso você precise de ajuda. Deixei um cara no meu lugar lá no mercado negro – Disse apontando com o dedão para trás – Acho que vão estar bem. Também não quero que a Marceline arranque meu couro e dos meus subordinados caso você não apareça
Sorri, porém assim como a espada de Kee Oth brilhava em minhas costas, minha confiança também. Tinha um plano de como acha-la, e com as habilidades concedidas pelo forasteiro, não houve inimigo até agora que pode me parar
– Claro, mas não precisa. Já sei o que tá acontecendo. Na real, mais ou menos
– Sou todo ouvidos
Expliquei para ele como descobri a mulher quem Absalom tinha interesse. Como eles mantinham um cerco em volta da cidade e que não sabiam onde exatamente ela estava. Não sabia como ela chamava atenção, nem como o mercante chegou a saber dela, mas tinha a pista de que ela residia nas sombras. Se fosse como algumas outras, talvez ela realmente morasse dentro de sombras
– Cara... aprender isso em um único dia. Tá. Mas sabe como entrar na casa da tal bruxa?
– Tava vindo trabalhar nisso agora. Só não sei o por que de seus homens terem desaparecido, nem o por que os caras lá da cidade grande não quiseram vir
Seus olhos se estreitaram, e ele baixou a cabeça. Tinha uma notícia que eu deveria ouvir, e algo atiçava Victor
– Não quiseram por que eles preferem viver pra ganhar outras mil tarefas diferentes dessa, para ganharem o suficiente pra não terem que faze-la
– Como assim?
– Finn, eu achei os caras que faziam as relações do mercado negro com essa vila. Todos estão mortos. Alguns sobraram a cabeça, outros alguns ossos, e outros nem poeira
Engoli em seco. O que tiver feito isso, ou os devorou, ou levou o resto dos corpos para outro lugar. O pior, era que eu não podia discernir qual. Uma bruxa poderosa poderia fazer os dois para suas vantagens
– Os caras lá no mercado negro eram barra pesada, mas um em especial que viera aqui, e desapareceu, podia até lutar contra meu substituto e ganhar. Todos gostavam dele, mas quando ele sumiu, o pessoal se cagou tanto que se recusaram a vir
Fazia sentido. Ou era tão fácil que não havia quem quisesse fazer, ou dava tanto medo que ninguém queria ir
– Olha cara, é perigoso. Eu mesmo vou lá e resolvo se você estiver com medo. Mas não haverá recompensa
– E o que te faz querer ir contra essa bruxa? Implicância com o Absalom?
Ele soltou uma curta risada
– Além do fato dela ter matado um dos meus melhores soldados? Além do fato de eu não confiar em Absalom? Finn, você não notou que a aldeia anda meio vazia?
Olhei a minha volta. Estranhava já a um tempo isso. Eu não via muito do povo nas casas de madeira e tijolo, não haviam crianças correndo pelas ruelas de pedra, nem brincando pela fonte. ‘’Todos se escondiam em algum lugar dentro de seus lares’’ foi o que pensei... porém agora começava a duvidar
– Essa bruxa fez isso. Ela pegou vários dos aldeões, e sabe-se lá o que fez com eles. Não tenho a mínima ideia do por quê, mas não me importa. Acha que ela não fez isso, ou tem outra ideia?
– Peraí. Eu acabei de te contar dela. Como sabe que ela fez isso, vai sair inventando coisa? – Minha voz era hesitante
Ele suspirou
– Não é óbvio? Quem mais poderia ter feito? Eu já vim aqui várias vezes. Sei como é o dia a dia desse pessoal, e posso te garantir que há menos da metade dos aldeões desde que vim aqui da última vez
Estalei a língua. Ele estava certo. Só podia ter sido ela a fazer isso. E não havia como negar o dito
– Tá... eu concordo. Você não precisa vir comigo. Eu resolvo
Antes de me virar e ir embora, Victor me estendeu a mão. Completamente enfaixada, não se podia ver nenhuma parte da pele. Nenhum de nós dois exaltou demais a voz durante a discussão. Acho que poderia me dar bem com ele... mas era estranho. Se ele era do mercado negro, era suposto ele querer a bruxa pelo mesmo motivo de Absalom... afinal, ambos eram gananciosos... não? Ele parecia mais se preocupar com seus homens e os aldeões do que com algo que ele ganharia, ou pelo menos era o que eu pensava
Apertei sua mão de volta com um sorriso. Talvez pudesse considera-lo um aliado
...
Era próximo de meio dia. Estava no meio da cidade, esperando. Os raios de sol batiam fracos, banhando meus cabelos e face. Tinha percebido uma coisa. Em um certo horário, duas sombras se tocavam. O cômodo de uma casa, e uma construção. Era um aposta. Um chute
Enhanted Aies
E ali estava, ambas se tocando, as sombras brilhavam fortemente. Pisei e fiquei estático no meio. Fechando os olhos e me concentrei. Queria incorporar a sombra, queria entrar nela, saber onde a bruxa se escondia, onde ela podia estar
Quando os abri, estava em um lugar diferente, mas era o mesmo. Porém, na total escuridão
No alto, a aurora brilhava em tons verdes e azuis, se estendendo por todo o céu escuro e o iluminando, permitindo que eu também pudesse ver mais que a escuridão a minha volta. As casas não estavam mais ali. Apenas árvores me cercavam, não mortas, mas tenebrosamente assustadoras. Uma maior chamava a atenção, a que estava a minha frente. Seus galhos eram equivalentes as outras, enquanto dentro de seu tronco, era como se uma casa se formasse. Se alongava tanto que cortava o céu, e se alargava tanto quanto... talvez tanto quanto o castelo doce
Essa com certeza era a casa da bruxa... mas tão grande assim? E afinal, eu entrei dentro da sombra, mas a aparência remetia a outro lugar, um outro mundo, era como uma... dimensão diferente. Era isso, ou eu estava viajando demais?
Eu já não usava mais a Dark Vision, e não parecia que eu poderia ativa-lo... tentei, e novamente, até perceber que não podia. Encarei novamente a grande árvore... teria de entrar
Um uivo irrompeu a noite, altíssimo. Virei rapidamente. No horizonte, as árvores se mexiam com uma lufada de vento, que veio me refrescar. Mais ao longe, podia ver em um morro, uma criatura. Sua forma era de um cão, ou algo parecido, de pelagem negra e olhos brilhantes verdes. O som continuou alto por um tempo, até ele partir em extrema velocidade a minha direção
– Merda... – Disse para mim mesmo, empunhando a espada de Kee Oth
Ele surgiu a minha frente da escuridão do lugar, saltando. Era um lobo gigantesco, maior que eu por alguns centímetros e longo, porém sua boca tinha rachaduras até seu peito. Suas garras eram afiadíssimas, e seus dentes eram como navalhas
Szoom
Apareci alguns metros atrás dele, conforme o animal pisava e o chão se quebrava abaixo de suas patas. Girei, tentando um corte mal sucedido. Ele subiu a duas patas, me encarou por um milésimo de segundo, e atacou com suas garras da pata direita
Defendi com minha lâmina, e golpeei seu focinho com meu punho, o fazendo grunhir e recuar, apenas para voltar com outro golpe mortal. Inclinei-me para trás, fazendo o golpe passar de raspão, e saltei. Ele continuou avançando, dando um golpe depois do outro, conforme eu analisava sua estranha postura de combate
Em um movimento veloz, ele mordeu a milímetros de meu nariz, porém aproveitando sua vulnerabilidade, invoquei minha lâmina dourada, e perfurei seu estômago
A besta ganiu e se debateu, passando suas garras próximas de mim. Forcei contra, e a empurrei. Arfei. Ela continuava seu movimento de contorção. Era estranho. Por que um único lobo? Esses animais geralmente andam em matilhas, e apesar deste parecer mais uma monstruosidade, deveria seguir o mesmo sentido? Acho que sim. Era um guardião da casa da bruxa?
Virei-me, encarando a grande árvore, e deixei a criatura no chão conforme eu caminhava até uma entrada no tronco da árvore, que levava a uma escadaria natural de mesmo material
Comecei lentamente, um degrau após o outro. Olhando para cima, a luz da aurora iluminava bem o local, deixando o interior não tão escuro. A escadaria desembocava em outros corredores. Levando em consideração o que vi, deveriam ser os galhos. Apertei o passo, subindo mais rápido. Passei a ver alguns itens, um quadro, um sofá em um canto, e em frente, uma TV, tudo em plataformas de madeira, e não estavam nem empoeirados. A subida natural foi substituída por degraus normais, com um tapete desbotado ao longe, seguida por um corrimão do lado da queda. Vi algumas estantes ao lado, mas não me atrevi a chegar perto para ler seus livros. Perto de algo que deveria ser o topo, já passava a ser coberto de folhas a volta, independente do fato da subida continuar
Lá, emaranhados nos galhos menores e folhas, diversos corvos gralhavam, e lufadas de vento vinham e batiam com facilidade. Assim que postei meu pé acima do último degrau, todos os pássaros produziram o som, porém se mantiveram inertes, a maioria me encarando
‘’Ora veja só, se não há um garoto aqui, invadindo minha propriedade!’’
Girei em direção ao som, porém nada havia lá. Mudei minha visão novamente, mas não pude perceber de onde vinha o som
Invoquei minha lâmina dourada na mão esquerda, enquanto sacava a de Kee Oth na direita
‘’E ainda empunha armas? Não tem vergonha?’’
Não importava para onde olhava, cima, baixo, para a aurora, para os corvos, a voz parecia sempre mudar de lugar antes que eu pudesse ver
– Quem está aí?!
‘’A proprietária dessa árvore é claro! Você está invadindo ela, e pagará por isso se não me dizer o que quer agora!’’
Pensei por alguns segundos. Era uma ilusão, ela era veloz, ou simplesmente era um truque?
– Estou aqui pra um missão...
‘’Ah, então está aqui para isso... só mais um caçador de recompensas, buscando a vida de uma bruxa que não te fez nada contra...’’
– Não! – Falei – Absalom está atrás de você, e o cara que me contratou queria saber se você é valiosa e por que
Uma risada se fez ouvir, ríspida. Estava brincando comigo?
‘’Era mais fácil ter falado antes garoto. Quase tirei sua vida’’
Ela realmente podia fazer isso?
‘’É óbvio o motivo de Absalom estar atrás de mim. Ele tem inveja do meu poder, inveja de minha capacidade em feitiçaria. Está atrás de mim, ou por minhas habilidades, ou porque quer me matar. Mas está aqui por motivo de outros?’’
Não. Eu estava ali pois Victor me prometera informação sobre o homem das linhas. E também, pela vila que ela ameaçava. Deveria cumprir a missão, pois vidas dependiam disso. Vidas que não poderiam encontra-la na sombra, e enfrenta-la
Enfrenta-la? Por que não mata-la, já que causava problemas?
Arregalei meus olhos, tanto devido a meu pensamento, como pelo fato de não ter sido meu. Estava delirando
– Estou aqui porque você arrisca a vida de aldeões, de pessoas inocentes. Estou aqui, porque você causa distúrbio para nada!
Outra risada. Esta, mais cruel
‘’Então você é um herói? Que piada garoto’’
A última frase foi dita claramente. Virei-me para onde era, e a vi. Era humanoide, não muito grande, vestindo uma capa azul que a cobria. Sua pele era ligeiramente esverdeada, e seus cabelos castanhos eram presos em uma cacho que passava por cima de seu ombro. Tinha a aparência jovem, apesar da voz adulta
– Não luta então por nenhum motivo decente? Acho melhor te matar agora pra te poupar – Sua voz agora vinha clara da direção de onde foi dita
– Ah... Maja?
Ela hesitou. Realmente parecia com a bruxa do céu, muito em realidade. Era ela, e eu não estava reconhecendo?
– Então conhece minha irmã mais nova... bem, é uma das únicas pessoas que sabe de nossa relação familiar. Na verdade, não. Você vai morrer mesmo
Ela estendeu a mão que surgiu de dentro da capa. Desta, um raio veio em minha direção
Defendi com a espada vermelha, jogando-os para outra direção, e corri, a atacando com a dourada. O corte passou direto, acertando sua capa e a cortando, porém o corpo não estava mais lá
Ouvi o som
Szoom
Escapei por pouco de ser eletrocutado
Avancei contra ela novamente. Desta vez, vestia apenas um quimono castanho, preso por um cinto de couro, que se seguia para um calça e botas
Estendendo os dois braços, dois ataques vieram. Consegui defender um, porém o outro acertou meu ombro esquerdo. Senti-o cruzar todo meu corpo e, arregalando meus olhos, caí sobre um de meus joelhos
Ela recuou e atacou novamente. Mesmo a longa distância, senti um empurrão, e fui arremessado, girando em pleno ar para me manter, fincando as duas espadas na madeira. A ‘’arena’’ do combate era muito larga, porém não sabia se era uma desvantagem para mim ou não. Eu não cairia, mas ela podia voar?
Me concentrei, focando-me. Fechei os olhos, e só ouvi o som do próximo choque vindo a mim. Abri-os, partindo em altíssima velocidade contra ela, passando direto pela habilidade, que a estender o outro braço, que se eletrocutou, e ela lançar a habilidade contra mim
Porém, não o defendi. A ignorei, movendo a cabeça para o lado. Minha lâmina cortou sua perna direita, e eu deslizei a dezenas de metros do outro lado
– Garoto, por que você não só morre? Facilite pra mim vai
Quando pisquei, ela estava a minha frente, com um olhar confiante. Não tive tempo de recuar, ela simplesmente me acertou um golpe que me arremessou longe. Quando me choquei contra o solo, e tentei novamente me virar, a eletricidade me atingiu, me fazendo tremer em pleno ar. Vi novamente os olhos amarelados da bruxa se aproximando em grande velocidade, e golpeei o vento antes que ela chegasse. Acertei-a em cheio, porém ela explodiu em fumaça
Minhas costas se chocaram contra o chão, e senti uma dor correr por meu corpo. Não via nada, apenas a fumaça negra. Minha visão se desvaneceu por um curto momento. Levantei-me com dificuldade. Mal escutei o som quando ela me acertou um ataque elétrico pelas costas. Tombei em meus joelhos uma segunda vez
Algo estava errado. Muito errado. Eu não estava mais lento, nem mais fraco. A bruxa estava me pregando peças? Não era eu que estava errado, era ela que estava poderosa demais. Eu poderia acompanha-la, porém durante meus maiores momentos, nos meus ápices de força e velocidade momentâneos, com minha energia focada em braços e pernas. Mas em condição normal, eu não tinha chance alguma
Outro golpe elétrico. Este veio de cima, e era grande o suficiente para me acertar como um todo, porém quando fui cair, minha visão escureceu
...
Eu estava caindo novamente. Caindo no escuro, em uma queda aparentemente inacabável. Mas não havia rosto do marionetista desta vez
Eu caia no escuro. Simplesmente isso. Pelo menos, até meus pés e mãos começarem a queimar em chamas rubras. Elas foram lentamente me consumindo, em uma dor estranhamente ignorável. Chegaram a meus ombros e cintura. Agora, passava por nuvens em um céu estrelado, porém demorava a cair. Consumiram todo meu tronco, e agora o faziam com meu pescoço
As nuvens se dispersaram. Ao fundo, eu via o mar. Ou pelo menos, a água. Era plena noite, e a luz da lua refletia. Agora caía muito rápido
O fogo queimava minha face, e apenas meus olhos sobraram, apenas para deixar-me ver caindo de cabeça na água, e meu reflexo: um vulto de olhos vermelhos
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