Light of Dawn

27 Capítulo 26: A residente das sombras


Notas iniciais
Yo! Mais um capítulo na fic! Será que a missão será como Finn acha? As informações de Victor valem a pena? Vale a pena entrar em ainda mais problemas para obtê-las? E mais importante, por que eu coloquei o Finn com Gravity Spikes, se esse especialista é tão ruim?

Finn

Esgueirava-me pelo bosque além da aldeia. Lá já não era mais segura. Os habitantes andavam de cá para lá calmamente, mas seus tons de voz eram tensos e inseguros. Olhavam para cada esquina com os olhos fixos, como se uma ameaça se escondesse em sombras longínquas. Falavam sobre uma infestação de bestas nas matas que estava sendo controlada pelas tropas do maior sócio do pequeno povoado: Absalom

Estes soldados que, cheios de armadura e preparados para lutar, se escondiam atrás de árvores e montavam armamentos a grande distância do lugar

A pessoa mais normal que pude encontrar, fora um velho mendigo que dizia cautelosamente contra os homens e mulheres que ele sabia que os mantinham aprisionados, ‘’como pássaros em uma gaiola’’. Seu bafo e fedor não me amedrontaram a ouvir o que tinha a dizer o único que não estava dominado por uma lavagem cerebral, feita não pelos soldados, mas por alguém mais

Ao terminar de ouvir, não podia saber em quem confiar – não sabia nem se podia acreditar nele

Dava voltas subindo em galhos e ouvindo ao longe o que tinham de assunto as tropas. Alguns movimentavam pilhas de madeiras, alguns davam ordens, outros conversavam e descansavam, mas sobre nada que fosse importante... era estranho. Era como se nenhum deles soubesse por que estavam ali, mas não se importavam em saber. E além do mais, todos era iguais... não aparentava haver alguém com uma armadura diferente ou algo do tipo

Fiquei recostado. Pensando

Absalom...

.........

...............

......................

Tal nome... eu não conhecia. Era um grande comerciante da cidade. E o que mais? Era ganancioso. Um cara mal? Não sei... talvez. Ser ganancioso é algo tão ruim? Almejar tanto é ruim então? Querer sempre ser melhor do que você é, é ser ganancioso? Por que a ganancia é algo ruim? Se não era ele que tava fazendo ‘’lavagem cerebral’’ nos habitantes, então ele não os ameaçava. Quem queria os fazer mal era algum outro ser

O que me levava a pensar. Quem era esse outro ser? O Marionetista? Não... ele era alguém que atacava as redondezas do reino doce. Ele não iria querer algo com uma vila tão longínqua.

Os guardas de Victor... por que não queriam realizar a missão? Ouvi falar que os caras do mercado negro arriscam suas vidas por alguns trocados. Mas então por que não iriam? Tinham tanto medo assim? Mas se arriscavam suas vidas todos os dias, não deviam ter medo de algo do tipo. A menos que... a menos que o que?

Hunson Abadeer veio logo em seguida em minha mente. Seu nome também era Azazel? Como assim? Ele não podia ter dois nomes, podia? Hunson Abadeer e Azazel o que? Marceline sabia disso? O que nessas terras de Ooo eu não fazia ideia? Eu soube que um cometa haveria de cair no ano em que eu fui embora. Bonnie o estava analisando, mas era como se de um dia para o outro ele simplesmente houvesse sumido

Apesar de não saber de minha estadia fora, tirando alguns momentos picotados de meu treinamento com o Forasteiro e... mais uma figura estranha, eu tinha clara memória de outros eventos no passado. Antes, eu era tipo um cometa, aí eu caí e virei uma borboleta. Fazia isso por vários milênios, como uma brincadeira de mau gosto... minha reencarnação era um cometa...

Ouvi um barulho. Um estrondo se fez. No acampamento, um ser diferente. Uma mulher, alta, vestindo uma armadura completa em cor azul escuro, com traços roxos em seu peito, e espada embainhada, reclamava com outros

– O que estão fazendo? Se prezam por suas moedas de ouro, continuem trabalhando, não parem por qualquer merda!

Sua voz era poderosa. Era uma gigante, ou algo do tipo. Devia ter mais ou menos o tamanho de Canyon. Um pouco menor. Ela sim parecia uma líder

A segui acima conforme ela falava aos outros para continuarem. Ao final, seguiu para um local isolado, me obrigando a fazer mais silêncio a meus passos

– O chefe não ficará nada feliz se não pegarmos a vadia em menos de cinco dias. Ele está gastando muitos recursos pra tentar manter os habitantes felizes e de bom grado, mas eles mesmos parecem desconfiados de tudo – Disse a um homem que usava essa mesma armadura, porém com botas de couro e sem capacete

– Certo então. Tentarei animar as tropas com algo, e ver se os aldeões ainda confiam o suficiente em nós. Mesmo dando tantas coisas e tanta atenção a eles, não gostam muito de tantas tropas

E assim ele partiu, indo se juntar aos outros. Estava pronto para voltar à vila. O chefe deles ou ela não gostava de uma certa mulher. Teria de descobrir o por que nos próximos cinco dias. Eles estavam contribuindo em algo com os aldeões. Teria que descobrir se era seguro nos próximos cinco dias. Teria que achar a tal mulher também nos próximos cinco dias

– Sai daí logo e vem pra luz, pra eu poder te ver assassino – Disse ela, em tom normal

Arregalei os olhos. Ela podia saber onde eu estava? Sentia energia? Mesmo que sentisse, eu nem sequer estava usando. Isso definitivamente não estava em meus planos. E agora? Teria de mata-la? Silencia-la de vez para que não avisasse os outros? As vestimentas já deixava claro o suficiente. Se a mata-se, aí sim, eu seria o causador de um efeito em cadeia desastroso. Confronta-la? Ela chamaria os guardas para ajudar? Seria que eu poderia lidar com tantos? Se ela havia percebido, era habilidosa. Eu podia cuidar dos outros, mas junto dela?

– Sai logo das sombras, ou eu derrubo essa árvore e te rio delas

Não havia muito o que fazer

Saltei, aterrissando meu joelho no chão de terra. Não era um descampado. Ainda era um local cercado de árvores, e em suas folhagens não entrava a luz do fim de tarde, deixando pouca vazar por buracos. Uma bela paisagem. Troncos grossos eram os obstáculos

Ela estranhou, tirando o capacete, revelando seus cabelos verde escuros e pele de mesma cor clara, assim como olhos azuis. Seus traços indicavam que ainda era jovem, apesar da força na voz

– Você não tem a mínima cara de assassino – Ela me encarava profundamente. Me julgava, analisava

Mudei o peso das pernas, preparando para uma investida dela, ou para uma minha. Baixei meus ombros. Apertei os olhos em sua direção

No mesmo instante, ela desembainhou a espada longa em tal velocidade que mal pude ver, a posicionando frente a seu peito, pronta para defender um ataque. Me surpreendi, voltando a normal e contendo uma risadinha

– O que foi? — Perguntei

Seus olhos haviam se arregalado por um momento

– O que você quer?

– Só umas informações importantes – Respondi

Ela avançou, estocando. Meu pé de trás arrastou-se, a lâmina passou paralela a mim. No instante seguinte, recuou, atacando em vertical, sendo defendido pelo sabre de fio dourado, recém invocado. Joguei sua espada para o lado e girei, atacando o canto, defendido por ela

– Quero saber quem é essa mulher que você xingou agora pouco – Permaneci na posição

– Você não... precisa saber

Ela lançou minha lâmina ao alto e atacou em horizontal. Abaixei-me, sacando a espada de Kee Oth e atacando. Ela aparou, porém logo em seguida, a lâmina dourada a atacou em seu ombro direito. Em um salto para muito atrás, ela desviou por pouco

Corri, deixando as espadas contrárias a direção em que estava indo, banhadas pelo vento assim como meu capuz de urso e meus cabelos

Saltei alto e tomei um impulso, mirando a ponta de ambas as espadas para baixo. Quando aterrissei, finquei ambas no solo, que com um estrondo, banhou o bosque de luz azulada. Minha inimiga, arremessada para longe, se chocou contra um tronco, que manteve remexendo suas folhas assim como todas as outras árvores

Ela se levantou lentamente. Encarava-me

– Ah eu preciso. Me diz quem é a mulher

– Ou o que?

Hesitei. Ou o que? Eu não poderia mata-la. O que eu faria então?

Porém, a gigante embainhou a espada, e suspirou

–Já vi que não posso lutar contra você. E além do mais, minha vida vale mais que moedas de ouro. Te darei a informação que quer

Sorri. Prendi a espada de Kee Oth em minhas costas, e a lâmina dourada sumiu

– A mulher que você procura, é uma bruxa. Ela vive nos arredores da cidade, em algum lugar

– Então por que os aldeões falam sobre uma infestação de bestas? – Perguntei

– Era a desculpa que tínhamos para manter um cerco aqui em volta. Apesar de não ser das melhores. Mas não podemos tirar os aldeões daqui. Afinal, eles são a única motivação pra ela sair

Parei por um momento. Ela sair? Eles queriam tirar a bruxa de seu lar... e usavam os aldeões como isca

– O que querem com a bruxa?

Ela hesitou, dando um passo atrás. Mas não havia para onde ir

– Isso não posso falar. Assim como eu disse, minha vida vale mais que umas moedas de ouro, e se Absalom quer isso, então eu farei sem pestanejar. Mas se eu contar seus objetivos, que não são claros nem para mim, quem sabe o que acontecerá comigo

– Seu mestre é tão mal assim? – A pergunta chamou novamente sua atenção

– Absalom não é como você deve estar pensando agora. Mas ele não se preocupa em descartar alguém que possa causar problemas para ele e para o que ele protege

Ele também protegia algo? Ele era ganancioso segundo Victor. Mas protegia algo também. Teria que vê-lo um dia

Algo em meu subconsciente me dizia que eu iria

– Tá, eu te livro dessa. Pelo menos me diga onde a bruxa está

– Não ouviu o que eu disse? Não sabemos onde ela está. Por isso mantemos um cerco. Caso ela tente fugir

– Bruxas são poderosas. Acha que alguns soldados e você podem tomar conta disso?

Ela riu por um momento. Uma risada verdadeira, sem sarcasmo por trás. Podia-se ver em sua postura que estava plenamente calma

– Eu já matei uma antes. Fraca, mas já o fiz. E meus soldados são duros na queda. Aquele outro lá que veio e foi embora, que usava uma armadura parecida com a minha; ele teria continuado a batalha por uns bons momentos... mas se nós não conseguíssemos, o próprio Absalom viria aqui... e a bruxa iria desejar ter morrido nas nossas mãos

Engoli em seco. A primeira imagem desse tal mercante que tive, era alguém preguiçoso, sem preocupações com nada... mas com essa descrição... ele era um lutador, mas tão poderoso assim? Um frio cruzou todo meu corpo

– Vocês pelo menos tem alguma informação da bruxa?

– Bem, se você quiser tentar resolver uma charada. O nosso chefe gosta desse tipo de brincadeira. Disse que a bruxa se esconde nas sombras

Pensei. Se esconder? Não faria sentido, poderia ser em qualquer lugar com sombra ali

– Tem certeza que foi isso?

Algo queimava dentro de mim. Uma incerteza. Continuando com a missão, eu entraria em um jogo perigoso demais. Mas... Victor sabia algo do Marionetista. Algo que nenhum de nós tinha ideia, então esse risco... valia a pena...

Mas essa ideia da bruxa se esconder nas sombras

– Ele me disse especificamente, ‘’a bruxa mora nas sombras, procure no lugar mais óbvio que vai encontrar’’. Até agora, nada de bruxa em nenhum lugar óbvio

‘’Morava’’? Então... agora sim fazia sentido

...

A mulher caminhava por entre cabanas montadas a noite. A pouco tempo o garoto havia partido e ela retornado. Teria que avisar a Absalom. Alguém que usava do mesmo anel que ele, tinha interesse na mesma bruxa

Se aproximou de seu tenente, e disse em seu ouvido

– Mande essa mensagem para o chefe

Notas finais
Yo! O que acharam? ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~ Quem é tal bruxa? Por que Absalom quer tanto ela? Finn estará se metendo em um problema que não pode se livrar O mercante tão falado até então, com o aviso de sua subordinada, aparecerá para impedir o garoto?