Notas iniciais
Esse capitulo se passa dois anos antes do inicio da nossa historia e o virus estava isolado em apenas um local. Os outros capitulos se passaram dois anos depois desse... Fichas nas notas finais...
Dois Anos Antes...

Ramon estava polindo seu rifle quando João apareceu. Um ano antes, os dois garotos eram estudantes da academia Near na agora chamada de Área 35. Após a isolação das três cidades em 31 de janeiro de 2016,a área em quarentena foi dividida em "Áreas" do numero 01 ao 50. Agora Ramon era o lider de um grupo de sobreviventes que se abrigava numa igreja localizada na área 18. E João era seu braço direito.
João deu duas batidas na porta de carvalho maciço. A sala onde se encontravam era antes bem iluminada, mas agora tábuas de madeira lacravam as janelas do local e caixas e mais caixas de munição enchiam o ambiente.
—Posso entrar?-Perguntou João.
Ramon sem nem mesmo levantar o olhar do seu rifle favorito respondeu.
— Já entrou, não é...
João se arrasta até uma das caixas que enchiam o local onde despeja a enorme quantidade de papeis, documentos, e mapas que carregava. Ele cai sentado no chão tentando recuperar o fôlego. Ramon termina de lustrar o rifle,o coloca de lado e retira um recipiente prateado de dentro do casaco de couro.
—Beba-disse estendendo para João.
O garoto negro arruma seus óculos no rosto e pega a garrafa de seu líder. Ele abre e bebe um gole,estremessendo em seguida.
Ramon ri retirando um cigarro no bolso e o colocando na boca.
— Você sempre foi fraco com bebidas-diz entredentes acendendo o cigarro.
João bebe outro gole, fecha a garrafa e a devolve ao lider. Ramon a guarda dentro do casaco e tirando o cigarro da boca, solta fumaça por ela.
— O quê foi que descobriu?-Ramon vivia com João a tanto tempo que sabia quando seu braço direito tinha uma descoberta para relatar. João animado retira da pilha que trouxe alguns mapas e os estende sobre uma caixa.
—Lembra o quê eu disse naquele dia. Que desconfiava que havia tuneis sob a cidade?
Ramon acentiu.
—Lembro. Ninguém acreditou. Você ficou puto pra caralho.
João fez uma careta, não gostava de relembrar daquele dia.
—Bem,achei um mapa-Disse o garoto estendendo um mapa mais antigo, mostrando uma série de tuneis sob a cidade — Eu verifiquei. São reais. Não chegam a Ant City ou San Uziel, mas dá para se locomover por toda Felicity. Sem risco de topar com um zumbi.
Ramon se curvou para ver o mapa mais atentamente, exibiu um sorriso.
—João, você é um gênio-Exclamou o lider examinando o mapa. Havia uma entrada para os tuneis na igreja onde estavam.
João sorriu, contente consigo mesmo.
—Eu sei.

·····Ω·····

Bruce estava de vigia.
O diferencial desta igreja para os outros pontos da cidade eram as torres do sino. A igreja ficava em frente a uma extensa praça cercada de lojas. Da torre central tinha-se vista de toda a área 18. Se algum maldito zumbi se aproximasse Bruce veria dali do alto da torre do sino.
Era um dia calmo, nenhum sinal de qualquer caminhante. Bruce estava sentado em uma cadeira com os pés sobre a amurada, o rifle encostado na parede ao seu lado e o chapéu que protegia o garoto do sol, abaixado sob seus olhos.
Um grito despertou a atenção do vigia. Uma garota de cabelos ruivos atravessava a praça seguida por um grupo de zumbis. Bruce tirou os pés da amurada e pegou o binóculo para enxergar melhor a cena. Reconhecia aquela garota.
—Maju!!!-Exclamou o rapaz se levantando num pulo. A lembrança pouco nitida daquela garota veio a sua mente. Ela estudava em sua classe. Se não se enganava, Ramon tinha uma queda por ela.
Bruce realmente não sabia o quê fazer numa situação dessas. Deveria intervir, mas correndo o risco de atrair os caminhantes para o esconderijo do grupo. Ou apenas assistiria o decorrer da cena.
Antes que se decidisse, Maju tropeçou proxima ao meio fio da praça. E os zumbis a cercaram. Ela armada apenas de um cano de metal tentou mante-los afastados.
Com muito esforço se levantou e seguiu para a loja do outro lado da rua, destruiu a vitrine com o cano e adentrou na loja provavelmente na esperança de uma porta dos fundos. Bruce sabia que ela não encontraria porta alguma. Mas nada mais ele poderia fazer. Maju quando adentrou na loja pela vitrine segurava a lateral do corpo que sangrava. Bruce havia visto. Ela fora mordida.
Bruce ficou parado com o binóculo assistiu os zumbis entrarem pela vitrine e ouviu os gritos desesperados da garota. Bruce tapou os ouvidos para não ter mais que ouvir aquilo. Os lamentos subimente pararam.
Estava acabado.
Bruce tirou as mãos dos ouvidos e observou a praça agora silenciosa pelo que pareceram horas quando Katrina apareceu para substitui-lo na vigia. Ele pegou seu rifle e o chapéu, e deixou a colega vigiando. Enquanto descia as escadas em caracol da torre decidiu não falar do ocorrido para ninguém.

·····Ω·····

A munição não batia. Aline estava no arsenal da igreja, localizada na antiga sacristia fazendo a contagem das armas e munições. A garota palida refez os cálculos e confirmou as suspeitas. Estava com um cartucho a menos de AK 47. Aline tirou o pirulito de morango da boca, e guardou sua pistola no coldre. A garota pegou a prancheta e saiu da sala atravessando a nave central da igreja para levar o relatório para Ramon.
Aline era uma garota baixinha de cabelos azuis e pele clara, seu olho esquerdo era castanho, não tinha o direito, utilizava um tapa olho de couro no lugar.
Entre os bancos da igreja, Léo e Gabriel duscutiam sobre qual era mais rápido: João fugindo de um zumbi ou ...
— Vocês são nojentos!-Disse a garota ao passar por eles.
Gabriel lhe dirigiu um sorriso e Aline se derreteu por dentro. Apesar da pose de durona por fora, a garota tinha uma queda por Gabriel. Apesar dela jamais confessar isso para alguém. Ela fingiu ignora-lo e depois que ela passou eles voltaram a sua conversa anterior.
Aline entrou na sala de Ramon sem bater. Ela jamais batia antes de entrar.
E deu de cara com uma reunião. Ramon, João, Bruce, Katrina e Giovanna discutiam algo em volta de uma das numerosas caixas do local.
Quando a garota entrou, eles pararam de falar. Ramon a encarou por um segundo, antes de abrir um sorriso e falar:
—Chegou quem faltava. Estava esperando por você, Lino.
Aline o encarou sem expressão. A última coisa que esperava era estarem aguardando por ela.
—Me esperando?- Disse irritada — Para que diabos estavam me esperando, merdinhas?
João revirou os olhos e sussurou algo para Bruce que riu. Aline odiava que falassem dela pelas costas. Iria quebrar todos os dentes deles.
Mas Ramon se levantou e repreendeu os dois que lançaram um olhar fulminante para a garota de cabelo azul. Que sorriu, mais a vontade. E questionou, agora mais educadamente, ou o quanto era possivel para ela, novamente sobre a reunião.
Ramon apontou para um mapa estendido sobre a mesa.
—Vamos descer até os tuneis e explora-los- Disse o lider do grupo.
Aline soube na mesma hora que aquela era uma péssima ideia.

·····Ω·····

Os passos de João ecoavam pelos tuneis de pedra e a água presente respingava. Bruce ia a frente com seu rifle e Giovanna com um revolver na cintura iluminava o ambiente com uma lanterna. A morena tinha cabelos brancos como geada e pouco falava. Sempre levava um crucifixo de prata no pescoço. Era muito religiosa.
João não tinha muito contato com ela. A garota era muito reservada. Só falava quando necessário. O garoto negro carregava uma pistola desajeitado. Não tinha jeito com armas. E levava uma faca no cinto.
O tunel à frente deles era de cimento puro, sem qualquer iluminação e encanamento exposto em alguns pontos.
João arrumou o óculos sob o nariz. E encarou o tunel a frente.
O grupo havia se separado na primeira bifurcação. João, Bruce e Giovanna foram para o tunel da direita. Ramon, Aline e Katrina no da esquerda.
João havia insistido para ir junto, Ramon se recusou no inicio, mas João havia insistido, afinal fora ele que havia descoberto a rede de túneis. Tinha o direito de vir junto.
Giovanna beijou o crucifixo ao ouvir barulho de passos mais a frente. Bruce levantou o rifle a postos e João o revolver tremendo.
O barulho de passos continuou. Uma silhueta tomou forma a uns vinte metros a frente. Era um homem.
Ele mancava arrastando a perna esquerda, as roupas brancas estavam rasgadas e sujas, as pupilas totalmente branca, a boca aberta e escorrendo baba em direção ao queixo. O pior era o rosto, desfigurado, ferimentos em decomposição e no pescoço, uma marca de mordida.
Bruce se virou para encarar o braço direito de Ramon.
— Você não disse que os túneis eram livres de zumbis?- Disse o vigia.
João engoliu seco. A garota de cabelos brancos rezou em silêncio, fazendo uma prece.
Bruce avancou e o caminhante parou. O vigia foi se aproximando até estar a três passos do zumbi. O morto vivo apenas o encarou.
O túnel ficou silencioso por apenas um instante. O zumbi esticou um braço como se fosse tocar Bruce. Este ficou imovel. O morto vivo ergueu o outro braço. E atacou.
João apertou o gatilho.
— Não!!!-Gritou Giovanna.
O walker caiu sobre as poças d'água do túnel. O sangue tingiu a água de vermelho. O som do tiro continuou a ecoar cada vez mais alto.
Bruce se virou encarando João. Ele estava furioso.
—Seu imbecil. Eu ia mata-lo com a faca- Nas mãos de Bruce ele segurava uma faca desembainhada- Agora todo walker da área vai saber que estamos aqui!
Como se para dar ênfase na frase de Bruce, um ruido como o arrastar de correntes e vozes suplicantes gritando foi ouvido muito alto.
Bruce recuou.
—Corram!!!
O grupo disparou pelo túnel de onde haviam vindo.

·····Ω·····

Ramon e os outros haviam chegado a outra bifurcação quando ouviram o disparo.
Todos se viraram. Ramon levava o seu rifle e vestia o seu habitual capuz negro que utilizava em missões furtivas. Trajava uma calça da mesma cor e uma corrente prateada no pulso. Era branco e às vezes falava usando seu sotaque natural do texas.
Katrina tinha cabelos castanhos e lisos, usava aparelho e vestia roupas brancas e vermelhas: uma blusa e uma calça delineando suas curvas. Era uma garota muito bonita, o lider tinha uma queda por ela não correspondida. Katrina não dava bola para ninguém. Os outros não sabiam, mas ela preferia mulheres. Ela segurava a lanterna e carregava a faca em outra mão e uma mochila.
Aline cobria a retaguarda mal-humorada. Ela estava armada com uma pistola, um AK 47 nas costas, uma faca na bota e um cinturão de granadas. Não se podia dizer que não era prevenida.
Katrina ilumina com a lanterna o tunel pelo qual haviam vindo. Todos estão apreensivos com o som do disparo.
O local é frio. E é possivel ver sua respiração. Quando o som de correntes e gritos gurutais os atinge todos recuam. Katrina dá varios passos para trás, até sentir a parede fria em suas costas.
O som para subitamente e o silencio se instala. Aline é a primeira a se pronunciar:
—Quê merda foi essa?
Ninguém responde ao comentario. Katrina ainda encostada na parede sente algo se movendo em suas costas. Olha por cima do ombro e vê um rosto da escuridão. Ela grita quando sente os dentes se cravarem em seu ombro. Ela se afasta e ataca com a faca num arco caindo sobre o chão de pedra.
Ramon e Aline se viram a tempo de vê-la atacar com a faca. O morto vivo avança em cima da garota caida.
Katrina utiliza o braço para manter o atacante afastado, enquanto debruçado sobre ela, o zumbi tenta morde-la a todo custo.
Aline retira a faca da bota e arremessa na direção do zumbi.
O objeto o atinge no olho, e ele continuar a atacar Katrina como se nada tivesse o atingido. Sangue negro escorre do ferimento e cai sobre o rosto da garota, que o empurra e ataca a jugular do zumbi com a faca. Sangue jorra. E Ramon atinge o monstro no rosto com um chute.
O homem abocanha o tênis negro do lider e agarra seu tornozelo. Vendo que não tem outra opção, Aline saca a pistola e atira na cabeça do individuo.
Miolos mancham a parede e o corpo desaba sobre Katrina que o empurra para o lado e se arrasta para um canto.
Ramon vai até a garota e a ajuda a levantar, colocando o braço dela sobre seu ombro.
—Vamos Aline. Me ajude aqui!-diz o lider.
Aline aponta a arma para a dupla. Ela destrava a arma. Em seu rosto um olhar decidido.
—Ramon, se afaste dela- Diz ela.
Ramon a encara encredulo. Ele se poe entre as duas garotas. E questiona o motivo daquilo.
—Saia da frente. Eu vi ela ser mordida!!!
Ramon se vira para Katrina em choque. Olha em seus olhos e se afasta dela.
— Não, não, não, naaaaao!!!! — suplica Katrina estendendo a mão. Ela se vira para Aline- Por favor...por favor, Lino...
Aline aperta o gatilho.

·····Ω·····

O corredor estava escuro, insetos corriam sobre a parede entre os canos, em um ponto da parede havia uma entrada para outro túnel bloqueada por barras de ferro e mais a frente uma escada de mão fixada ao concreto. Tudo estava silencioso...até começar o som dos disparos. Primeiro um vindo da direita, depois dois da esquerda. Passos ritmados e apressados vinham da direita. Uma faixa de luz ilumina a parede.
Três jovens se aproximam correndo em pânico, estão armados e assustados com algo que os persegue na escuridão. Ao se aproximarem do meio do corredor é possivel vê-los melhor: Um jovem negro usando óculos e uma blusa com capuz corre a frente do grupo, seguido de uma garota morena de cabelos brancos como geada rezando e segurando um crucifixo de prata, e por último um garoto de cabelos negros, chapéu e óculos de sol, apesar da escuridão ao redor, segurando um rifle.
Agora é possivel ver vultos no inicio do tunel. O garoto de óculos de sol e casaco vermelho se vira com o rifle em punho.
—Que se foda!- Declara ele antes de começar a disparar em direção aos vultos. O garoto de óculos e a garota do crucifixo continuam em frente. Quando ela chega ao tunel gradeado mãos surgem dentre as barras de ferro e agarram seus braços. A garota grita e tenta se libertar tirando a blusa, ela escapa das mangas, mas cai ao seu pé ser agarrado. A lanterna cai iluminando um corpo em decomposição sem pernas se arrastando atrás das grades dentre varios outros zumbis. Ele começa a puxa-la para perto. A grade range, está prestes a ceder.
O garoto de óculos continua a atirar em direção aos vultos, mas é dificil atingi-los na escuridão e cada vez que um cai outro toma seu lugar.
Os cartuchos vazios caem sobre o piso de cimento rachado retinindo. O rapaz mantém sua atenção a frente.
A garota ergue o outro pé e começa a desferir chutes no rosto do zumbi para que a solte. Mas este a mantém presa a mãos de ferro. Ele puxa e seu pé direito atravessa a grade, suas unhas atravessam o tecido de sua calça e fincam-se na pele da garota que grita. Ela desfere outro chute que atinge a grade frágil, poeira desce de onde a grade está presa no teto.
O zumbi continua a puxa-la, o joelho fica preso no espaço entre as grades, a moça grita de dor. Nisso um vulto atravessa seu caminho e é visivel o clarão de um disparo de arma de fogo. A mão que a segura afrouxa e a garota recua para a parede.
O garoto de óculos de grau está parado em frente a grade segurando uma pistola. Está suando muito e ofegante pela corrida de agora a pouco. Ele sorri para a garota, então as grades cedem ante o peso dos caminhantes, os dois recuam, gritam para avisar o outro rapaz e depois de ajuda-la o garoto negro começa a correr na companhia dela.
Os cabelos brancos balancam contrastando com a pele caramelo. Ela olha para traz a tempo de ver o garoto de cabelos negros e óculos de sol retirar o pino de uma granada. Ele lança um último olhar para os companheiros e tudo explode.
Eles são jogados para trás com o choque, o garoto bate a cabeça no piso e seus óculos racham e a garota cai sobre o cimento, a corrente do crucifixo se parte. A peça de prata se perde entre os escombros.
Os dois sobreviventes se levantam e encaram o tunel bloqueado dos toneladas de pedra e metal retorcido.
—Ele se sacrificou para nos salvar!- Diz Giovanna colocando a mão sobre a região da clavícula onde antes repousava o crucifixo.
João encara os escombros sem nada dizer. Ele sabia que aquilo era tudo culpa dele. Ele havia descoberto os tuneis, ele havia falado que eram seguros, que não haveria riscos, ele os conduzira até ali, e por último ele havia dado o disparo fatídico que estragara tudo.
Era tudo culpa dele. Bruce estava morto por culpa dele e ele nada poderia fazer quanto a àquilo.
Um rugido gutural ecoou pela rede de tuneis, mas dessa vez saia da garganta do braço direito de Ramon.
Ele gritava de raiva de si mesmo.

·····Ω·····

Ramon e Aline caminhavam em silêncio durante o caminho de volta. Ele estava em silêncio por causa do remorso que sentia quando lembrava da expressão de Katrina implorando pela sua vida.
"Poderíamos tê-la deixado com uma arma. Assim não estaria tão culpado pela morte dela" pensava ele.
Aline estava em silêncio por não ter o que falar. Ela não sentia qualquer culpa de ter atirado na cabeça de Katrina. Ela apenas fez o que era necessário para a sobrevivência do grupo. E faria tudo de novo se preciso fosse. Aline estava fechada para a maioria dos sentimentos desde a morte de seus pais no inicio daquele inferno.
Uma sequência de disparos seguida de uma explosão os despertaram de seus devaneios. Eles correram rumo ao local do som.
Ramon nem percebeu a garota caída no chão até tropeçar nela e cair. Ele ainda no chão se senta e retira a lanterna do cinto iluminando-a. A garota usava roupas roxas, calça e camiseta, tênis amarelo e no pescoço um cachecol da mesma cor do tênis. Seus cabelos eram ruivos e ela usava uma tiara amarela.
Ramon a reconheceu na hora.
—Maju!!!-exclamou se debruçando sobre ela para verificar seu pulso. Estava fraco, mas ainda estava viva. — Precisamos leva-la para a igreja. Ela precisa de cuidados médicos.O Gabriel vai ajuda-la.
Aline ao ouvir o nome de Gabriel desviou o olhar e fingiu indiferença.
—Faça o quê quiser- Disse a garota — Mas ela será sua responsabilidade e você que vai carrega-la.
E dizendo isso virou-se e pôs-se a caminho da explosão.
Ramon a olhou até essa sumir nas sombras dos túneis e depois se voltou novamente para uma Maju desacordada. O garoto coloca uma mecha de seu cabelo ruivo atrás da orelha.
Se ele verificasse o pulso dela agora...não sentiria nada.

·····Ω·····

Léo se expreguiçou em seu colchão, sonolento. Ontem fora um dia difícil para todos. Duas baixas em uma missão era um número alarmante. Com menos pessoas eles agora estavam mais vulneráveis tanto aos mortos quanto aos vivos.
Léo estava de vigia quando o grupo voltou da missão, estavam sujos e cabisbaixos, com excessao de Aline. Que parecia tão mal humorada quanto quando haviam saído. Ela fora contra essa missão desde o inicio.
Mas o quê estava pior era João, de tempos em tempos Ramon ou Giovanna lhe mandavam um olhar nada amistoso. Seus olhos estavam inchados como se ouvesse chorado ou levado um soco e seus óculos estavam rachados.
Ramon trazia uma garota ruiva que Léo não conhecia nos braços. Ela parecia muito mal e Léo teve um péssimo pressentimento ao vê-la. O lider entregou a garota para Gabriel, que era o mais próximo de um médico que tinham, e se retirou.
Giovanna ao ver Léo andou até ele e se ofereceu para assumir seu lugar na vigia. Ela precisava pensar e Léo, que estava a quase 13 horas no posto, precisava dormir. O rapaz ao entregar sua arma a garota percebeu que ela já não tinha mais seu crucifixo no pescoço. Eram mesmo tempos estranhos.
Léo se sentou em seu colchão e verificou as horas em seu relógio digital. Já passava das duas da tarde. O garoto franziu a testa desconfiado. Deviam tê-lo acordado a uma hora para assumir o turno de vigia. Vasculhou na mochila ao lado procurando roupas. Léo sempre dormia nu, não conseguia dormir com algo grudando em seu corpo. Vestiu uma camiseta branca e uma blusa verde por cima, uma calça jeans preta, tênis verde musgo da all star, e para completar seu fone de ouvido da cor da blusa ligado ao seu mp3 preso ao cinto da calça em seu pescoço.
O sobrevivente pega sua escova de dentes e prática sua higiene bucal na antiga vasilha de água benta do segundo andar. Ele guarda a escova e pasta na mochila e prende o revólver e a faca na cintura.
Ele coloca os fones sobre as orelhas e "Wake Up" da banda japonesa AAA começa a tocar. Desce as escadas até o patamar de entrada. O lugar está vazio e as grandes portas de entrada trancada. Léo dá de ombros e se dirigi a nave central da igreja passando pelos bancos sem nenhum sinal de vida. Chega ao altar e sobe os três degraus que levam a ele.
Ele retira o fone e olha em volta. Não a qualquer sinal dos companheiros de Léo. O garoto está começando a ficar desconfiado. Recoloca os fones, agora "Sing" de My chemical Romance está tocando. O rapaz sobe os degraus até a torre de vigia, dois por vez e fica aliviado ao ver Giovanna no local. Ela está de costas para ele, agachada.
—Ufa! Puta merda! Achei quê tava acontecendo um lance tipo "The walking dead" quando....- começa ele, mas se cala e retira os fones ao ouvir o som de mastigação. O rapaz se aproxima devagar, pé ante pé, e quase vomita ao perceber o que acontecia.
Giovanna estava debruçada sobre o corpo inerte de João, moscas voam sobre os dois, a barriga do garoto negro está aberta deixando as tripas à mostra, e a religiosa segurava o intestino grosso do rapaz. Ela vira o rosto na direção de Léo, sua cara está toda suja de sangue, principalmente ao redor da boca, seus olhos estão totalmente brancos como os cabelos e as veias estão negras aparecendo sobre a pele. No braço está esposta a marca de mordida.
Léo recua e saca o revólver.
—Finge que não estou aqui, tudo bem Giih? Volte a fazer sua boquinha!- Diz o garoto em voz baixa. Giovanna o observa por um instante, então parte para cima do rapaz.
Ele desvia da garota e aponta a arma para sua cabeça.
—Adeus!!!- Ele dispara e a garota cai de volta aos mortos. Gotículas de sangue mancham as roupas do rapaz.
Abaixa a arma e fica por alguns instantes observando o corpo da antiga companheira, então se vira e caminha até o corpo do antigo segundo em comando. Ele atira na cabeça e cai agachado com as costas apoiada na mureta de proteção ao lado dos corpos dos antigos amigos.
Lágrimas escorrem por seu rosto e ele teima em seca-las com as costas da mão. Ele achava que finalmente estava seguro, mas estava enganado. Nenhum lugar na área de quarentena era seguro. Mesmo estando a quilômetros do laboratório da Hel Industries onde estava a maior concentração de walkers, não estavam seguros. Depois de alguns minutos, se levanta, recarrega a arma e se dirige a escadas.
Precisava descobrir o que acontecera com os outros. Ele desce as escadas devagar. Agora não estava tão ansioso para encontrar alguém, se encontrasse torcia para estar vivo.
Ele chega a base da escada e examina o local em sua volta com o revólver destravado. Dá um pulo ao ouvir um barulho vindo da sala de Ramon. Ele rapidamente se dirige para lá. Ao chegar na porta para, tiros são escutados. Alguém estava vivo e lutando.
Léo não exita antes de abrir a porta.

·····Ω·····

As balas de Aline haviam acabado. Ela havia utilizado todos os cartuchos matando Vitória, Alexandre, Luana e Maju, a causadora daquilo tudo. Demorou alguns minutos para Maju acordar depois que fora trazida à igreja. E quando acordou não estava mais viva.
Gabriel fora o primeiro a ser mordido, ele estava de costas preparando a anestesia quando a garota o atacou por trás o mordendo no pescoço. Gabriel empurrou a garota e correu para dar alarme.
Ramon depois de agradecer por ter sido avisado meteu um tiro na cabeça do rapaz. Apesar de saber que era necessário, isso não deixou Aline menos irritada, ela imaginava no fundo se Ramon não havia feito isso como vingança pelo quê havia acontecido com Katrina.
Em menos de três horas, todos com exceção de Aline e Ramon foram contaminados. Eles se esconderam na sala cheia de caixas de Ramon. Nesse momento os dois tiveram uma discussão, Aline estava posessa com o lider, ele havia trazido um zumbi para a igreja e havia condenado a todos.
Nisso, as portas se abriram e Flora e William adentraram no ambiente, olhos brancos, veias destacadas, Aline levantou a AK-47 e começou a atirar. William e Flora caem sobre o assoalho de madeira manchando-o com as poças crescente de sangue. Aline procura nos bolsos em busca de outro cartucho, vazios.
—Precisamos vasculhar os corpos em busca de munições- Diz o lider se agachando ao lado do corpo de Flora e vasculhando as vestes desta.
Aline pega seu pé de cabra e começa abrir as caixas em busca de munição, quando ouve o barulho do tiro.
Ela se vira com o pé de cabra levantado. Ramon está sobre Flora segurando o rifle saindo fumaça do cano longo, o tiro a atingiu no rosto manchando as caixas ao redor de sangue.
—Ainda estava viva!- Exclama o lider.
Aline volta a sua tarefa. O lider atrás dela segura o braço ferido. Ele fora mordido.
Agora, Aline estava caida ao lado de uma das caixas, aos seus pés o corpo do lider. Sua perna sangra com a mordida. A garota pela primeira vez em tempos expressa suas emoções, chora, por sua vida anterior e por sua, agora perdida, vida futura. Ela havia sido infectada, só havia uma coisa a fazer.
A garota de cabelos azuis se arrasta até o corpo de Ramon e procura por uma bala nos bolsos. Acha uma no bolso da calça, recarrega sua pistola com as mãos tremendo chegando a derrubar a bala algumas vezes e aponta a arma para a sua cabeça.
Lagrimas escorrem por seu rosto pálido. Se despede de Gabriel e aperta o gatilho. Tudo desaparece em um instante.
Quando Léo abre a porta e se depara com uma cena muito diferente da qual imaginava. O rapaz anda entre as caixas procurando algum sinal de sobreviventes. Quando constata que não há ninguém vivo senta sobre uma das caixas.
O quê faria agora? Estava completamente sozinho, na porra de uma cidade cheia de zumbis. Não tinha nenhuma chance de continuar vivo sem um grupo de sobreviventes. Precisava pensar...
Posicionou os fones sobre as orelhas. O som pesado do "Motorhead" ressoava pelo aparelho de mp3. Parecia apropriado.
Um mapa sobre uma das caixas lhe chamou a atenção. Léo se aproximou para enxergar melhor. Era um mapa da rede de túneis. Não havia mais como escapar daquilo que eescondia a tanto tempo. Léo precisava usar seus poderes...

Notas finais
Ficha do personagem Nome: Sobrenome: Idade: Aparência(foto ou descrição): Personalidade: História: Arma: Qualidades: Defeitos: Poderes( No máximo 3 e nada muito exagerado): Habilidades( No máximo 4): Objetivo: