Light and Darkness
1 Prólogo
"O frio...Meu único companheiro nas horas que passo sozinha, vagando por aí. A solidão...Minha única amiga. A Escuridão...A única em quem posso confiar. Os três são os únicos que sempre me acompanham. Os únicos que me conhecem."
Nas ruas de Los Angeles, existia uma jovem. Garota de feições sombria e indiferente. 16 anos no máximo, muito magra e pálida. Trajando roupas esfarrapadas e os cabelos longos desarrumados e sujos. De altura normal com, mais ou menos 1,70 cm de altura. Porém, não era nada disso que surpreendia quem a visse passando. Não...O que os surpreendia eram os seus olhos. Eram de um dourado vívido, que brilhava na escuridão e, cujas as pupilas pareciam uma faca de dois gumes. Olhos lindos à luz do dia e assustadores se encontrados em meio à escuridão dos becos ao qual ela dormia.
Humanos e Monstros viviam juntos, acostumados com a presença um do outro e poucos se temiam. Então, era normal ver olhos estranhos, porém...Não era sempre que se via olhos dourados. Isso poderia representar que sua raça era nobre, algo quase que raro nos dias atuais. A maioria dos Monstros dessa geração eram mestiços. Poderia representar a minoria, mas não representava, pois a jovem viva nas ruas. Pedindo comida ou procurando algo menos embolorado nas lixeiras. Nunca que alguém de raça nobre viveria nas ruas.
Nada na vida daquela menina poderia mudar. Isso até o dia em que homens usando preto passaram a distribuir folhetos para as pessoas, procurando-a. E, quando a encontraram, levaram-na de limusine, com muito esforço, pois ela se recusava e atacava quem tentasse chegar perto dela, até o aeroporto mais próximo e embarcaram com ela num avião até Osaka...A terra natal daquela jovem sem vontade de viver.
Quando o avião pousou, nossa jovem já sentia seu estômago se embrulhar e estava considerando veementemente sair correndo sem destino certo quando saísse do avião. Porém, como poderia fazer isso se era escoltada por mais agentes de preto.
— Hum...- murmurou quando saíram do aeroporto e seguiam para o estacionamento.- O-Onde vocês estão me levando?- pergunto com certa hesitação, fazia tempo que não usava sua voz.
— Internato Saint Rose.- um deles respondeu.
Depois desse pequeno diálogo, nada mais foi pronunciado por nenhuma das partes. Nem pelos agentes e nem pela garota. Isso até chegarem perto de uma Ferrari roxa...
— Nakamura-san...- um dos agentes começou, mas não obteve a atenção da mesma.- Nakamura-san.- tentou novamente, porém, ela continuava a olhar para o chão.- Nakamura Tanya!- exclamou, assustando-a.- ...- ao obter sua atenção, ele limpou a garganta.- O motorista está ordenado a te levar diretamente para o Internato, de lá, Nakamura-san, você deve procurar a Diretora.- finalizou, abrindo a porta do carro para ela.
— ...- com um longo suspiro, a mesma entrou no carro.- Obrigada...- murmurou antes que ela fechasse a porta com certa força e a motorista desse partida, seguindo para o maldito Internato.
— A senhorita já deve conhecer o caminho até sua casa, certo?- puxou assunto enquanto observava as ruas.
— F-Faz muito tempo que n-não venho aqui, mas ainda t-tenho essa memória bem guar-guardada na minha mente.- respondeu com alguns tropeços, olhando para a janela fechada, observando a paisagem.
— ...- a mulher sorriu e o silêncio fez-se presente até a Ferrari parar embaixo de uma árvore, no estacionamento do local.- Chegamos, Nakamura Tanya.
— ...- Tanya revirou os olhos com aquele nome e sobrenome que já não era chamada fazia anos, saindo do carro.- Agradeço...- resmungou e, já ia saindo até que fora chamada novamente pela mulher, que lhe jogou as chaves da Ferrari.- Pra que eu v-vou usar isso?
— O carro é seu, senhorita.- sorriu.- Tenho que ir.- e, num piscar de olhos, a mulher sumiu.
— ...- por um momento, ficara estática quando a mesma sumira, porém, logo viera à sua mente a resposta para isso.- Vampiros...- resmungou com certo ódio e amargura, seguindo para o prédio principal.
Nossa jovem Nakamura andou bastante até encontrar uma senhora sentada em frente à uma mesa, analisando alguns papéis. Em silêncio, Tanya andou até ela, analisando o local até seus olhos caírem sobre uma porta um pouco mais distante. A porta tinha os dizeres "Sala da Diretora" em uma letra bem legível e garrafal.
— E-Eh...- murmurou, tentando chamar a atenção da senhora.
— Pois não?- sorriu ao olhar para a jovem.
— A-A diretora...- gaguejou. Tinha perdido o costume de falar com os outros também. Na verdade, perdera muitas coisas desde o momento em que começara a viver nas ruas.- T-Tenho de ver a d-d-diretora.
— Hum...- analisou-a por uns segundos, logo abrindo outro sorriso e verificando uma ficha que tinha em cima de sua mesa.- Você deve ser a aluna nova que ela mencionou. Nakamura Tanya-san, certo?- perguntou e a mesma assentiu.- Pode ir. Ela está te esperando.- apontou para a porta aos fundos.
— O-Obrigada.- fez uma leve reverência e seguiu para a porta da sala da diretora.
Com um suspiro bem pesado, a jovem Nakamura bateu levemente na porta, ouvindo um "Entre!" abafado após alguns segundos de espera.
— Oh, olá!- a mulher, de feições joviais, pele bronzeada, corpo curvilíneo e bem tratado, além de um olhar sério, cumprimentou.- Você deve ser Nakamura Tanya-san, certo? Sua mãe me falava muito de você quando ainda morava aqui em Osaka!
— A-Ah...- sorriu forçado com as poucas lembranças que lhe encheram a mente.- I-Imagino que sim...V-Vocês eram a-amigas, né?
— Oh, sim! Nós éramos colegas de quarto quando estudávamos na faculdade. Ela era uma mulher linda! Por falar nisso, como ela vai? E o seu pai?
— ...- por um momento, um brilho de dor passara pelos olhos da menina, mas sumira tão rápido quanto aparecera e a jovem mulher não o notara.- V-Você não sabia?
— Sobre o quê?- perguntara com confusão.
— M-Mamãe e p-papai foram m-mortos por dois V-Vampiros já faz 6 a-anos...
— O-Oh...- seu olhar vacilara e a sua voz ganhara um tom triste.- Sinto muito, Nakamura! Não queria tocar num assunto tão...
— ...- a jovem negou vagarosamente com a cabeça.- V-Você não sabia! N-Não se preocupe!- sorriu forçado, tentando passar tranquilidade.
— B-Bom...- limpara a garganta, assumindo uma expressão mais séria.- Aqui está a chave do seu dormitório com o número dele, do seu quarto e do seu armário.- entregou um chaveiro com as três chaves ditas e um papel dobrado.- Tomei a liberdade de colocar seu material escolar e seu uniforme no seu quarto também.
— E-Eh...- tentara falar algo.- E-Eu não...
— Não se preocupe!- interrompera com certa diversão.- Tratei de pedir para fazerem um uniforme sob medida para você! No caso, ele é bem parecido com o masculino por ser uma calça. Uma vez, me disseram que você não gostava de roupas de "menina". Como vestidos e saias. Julgando que você continuaria não gostando, eu pedi que preparassem esse uniforme para você.- sorriu com gentileza.
— Obrigada...- já estava se acostumando a conversar com ela, isso era bom. Um avanço.
— Se tiver alguma duvida, não hesite em perguntar para suas colegas de dormitório ou para mim.
— Certo.- assentiu, bocejando sem querer.- D-Desculpe!
— Não...- riu.- Tudo bem! Imagino que esteja bem cansada.- levantou-se, aproximando-se dela.- Vem, vou te levar para se dormitório.- saiu antes que a garota pudesse dizer algo, sendo seguida pela mesma.- Espero que memorize o caminho...- comentou enquanto cumprimentava a senhora de antes.
— Não se p-preocupe...Minha m-memória é boa.- murmurou, seguindo ela enquanto ambas saíam do prédio principal e iam para um prédio à esquerda com um "F" bem grande pintado em roxo.
— O prédio principal contem a cantina e, nos andares de cima, as salas de aula, o laboratório, sala de Informática, clubes e a biblioteca.- comentou.- O prédio à direta é o dormitório masculino e este é o feminino.- continuou enquanto entravam na sala dos dormitórios.- Tem um pátio atrás que serve como área de lazer para os alunos. Tem muitas árvores e é um bom lugar para descansar, caminhar ou conversar.- finalizou com orgulho.- Sua mãe que imaginar esse Internato todo...Uma escola para Monstros. Eu só o fiz acontecer.
— E-Entendo...- assentiu, concentrando-se em memorizar o caminho.- O-Obrigada por me e-ensinar o caminho...
— Tudo bem. — sorriu.- Às oito e meia da noite em ponto é o horário de recolher.- avisou.- Espero não encontrá-la fora do seu dormitório nesse horário. E é estritamente proibido que garotos entrem aqui e vice-versa.- suspirou com lembranças dos motivos para essas regras inundando sua mente ocupada.- Aos finais de semana, vocês são liberados para irem pra casa ou até podem ficar por aqui se quiserem.
— ...- assentiu novamente.- Hum...T-Tá bem vazio...
— É que você chegou em pleno horário de aula.- explicou.- Darei esse dia para que descanse, mas...A partir de amanhã, você deverá comparecer às aulas. Só falte quando for estritamente necessário e não mate aula!
— Não sou desse tipo, diretora..
— Espero...- sorriu, olhando os números dos dormitórios.- Ah! Aqui está! Dormitório número 375.- apontou para uma das várias portas.- Espero que tenha um bom descanso...- desejou.- Sou Sachiko Yoru e bem-vinda ao Internato Saint Rose!- fez uma reverência e saiu pelo mesmo caminho que tinha feito até ali.
— ...- bocejando novamente, Tanya procurou pela chave certa e abriu a porta do dormitório, entrando e trancando a mesma enquanto analisava o local. Uma sala pequena, com um sofá de três lugares, um frigobar num canto, um armário contendo alguns alimentos práticos em outro, um bebedouro, uma porta azul num outro canto, provavelmente o banheiro, e três portas de frente para a porta de entrada num tom mais escuro de azul. Cada qual com uma plaquinha com o sobrenome e o nome da estudante.- N-Nossa...Esse p-pessoal é rico mesmo. P-Pra fazer um d-dormitório assim...- comentou consigo mesma.- C-Cadê o meu...?- deu uma olhada rápida nas três portas até encontrar seu nome.
Demorara um pouco para assimilar que ali estava seu nome. Fazia muito tempo que não via seu nome escrito em kanjis, talvez até estivesse enferrujada, mas conseguira ler normalmente. Ou quase isso. Com mais outro bocejo, destrancara a porta, abrindo-a e entrando, logo se jogando na cama. Estava bem suja, mas não se importava. Já se acostumara com esse cheiro horrível que exalava de todos os poros de seu corpo...E estava cansada demais para tomar um banho.
Não sabia o que esperar desse novo rumo na sua vida miserável, mas também não se importava...Nada mudaria, não é?
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